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May
21
2011

Daniel Drake

Escritor: Pedro Cortat

-  Ei garoto. – Resmungou um velhote ao apontar sua cabeça para fora do latão de lixo.

Assustado com a aparição repentina, Octacílio virou-se e encarou muito desconfiado o sujeito na lata de lixo. “É só um senhor de idade” pensou ele “Inofensivo” ao se acalmar “Mas com certeza é um coitado. Tem cara de morador de rua, se veste como um e pior, não é preciso ser nenhum especialista para perceber que ele fede como um mendigo.” Antes que pudesse perguntar o que o homem queria o próprio, como se fosse um garotão de vinte anos, saltou para fora do latão perguntando:

-        Tem uns trocados, meu filho?

-        Não.

-        Tem certeza?

-        Sim.

-        E qual é o seu nome garoto sem dinheiro?

-        Daniel, por quê? – O Velho gargalhou cinicamente.

-        Por favor, rapaz. Eu quero saber seu nome verdadeiro!

-        O que disse?

-        Sejamos francos meu querido, todos sabem que Daniel é um nome dado aos vencedores. O que obviamente não é o seu caso.

-        Octacílio franziu o cenho, havia encontrado um sujeitinho realmente estranho.

-        Me desculpe às palavras meu jovem, mas me sinto no direito de usá-las: Você tem cara de perdedor, se veste como um e pior cheira a derrota!

-        Vindo de um mendigo isso realmente é uma coisa que eu deveria dar atenção.

-        Pelos Deuses! É como escreveu um grande mestre uma vez “nem tudo que reluz é ouro”. Mas me diga qual é o seu nome Octacílio?

-        Como… – Sua voz tinha um tom mesclado de surpresa e admiração.

-        Eu adivinhei seu nome? – Completou o velho mendigo com o já característico sorriso medíocre no rosto. – Você o rabiscou ai na sua mochila, eu li quando você passou pelo meu latão.

Com um movimento rápido, o garoto passou a mochila para frente e viu o nome rabiscado no jeans. Sorriu e sacudiu a cabeça.

-        Por um momento pensei…

-        Que eu tinha lido seus pensamentos?

-        Exatamente, mas foi só o nome escrito nas minhas costas…

-        Quem disse?

-        Você, ué.

-        Eu não disse que li seu nome aí. Falei apenas que estava escrito na sua mochila.

-        E agora você vai dizer que leu meus pensamentos?

-        Não vou dizer nada, você sabe que eu li.

-        Eu sei que você leu, leu na minha mochila.

-        Tem certeza, Octacílio?

-        Com licença senhor, eu tenho que ir.

-        Nada disso pode parar garoto, eu preciso de você.

-        Pra que?

-        Estou com fome, tem uns trocados aí?

-        Eu já disse que não, então para de me encher a paciência.

-        Mas moleque eu li teus pensamentos! Isso não conta?

-        Ô tio, conta outra tá, e vê se vai arrumar um trabalho.

-        Pera aí rapaz! Olhe atentamente, não vê? Eu estou trabalhando.

-        Ou, me larga.

Octacílio xingou o velho, olhou ficou um tempinho encarando, e não viu nada de impressionante.

-        Droga garoto, não consegue nem sentir o cheiro?

-        Consigo, é horrível.

-        Não seu fedelho mau criado! O Cheiro da magia.

-        Ah… Lógico, o cheiro da magia, por que não disse antes?

-        Não use esse tom irônico comigo, e muito menos esse olhar de quem sabe das coisas.

-        Agora você vai querer pagar de bruxo pra cima de mim? Eu tenho dose anos, mas não sou nenhum idiota não.

-        Bruxo não! Eu sou Milrem, um poderoso mago que viveu séculos antes de estar aqui, mas por que estou aqui? Eu te escolhi meu jovem, e sendo assim eu serei seu tutor de magia, só que como tudo na vida isso também terá seu preço.

-        Verdade? E quanto é esse preço?

-        Cinco mangos, pra financiar um café da manhã e uns cigarros.

-        Eu pensei que você fosse um grande mago, não é? Então por que não usa seus poderes para sair da miséria ou pelo menos conseguir comida?

-        Ora jovem pupilo, observações perspicazes que mostram como estive certo ao lhe escolher, mas infelizmente elas correspondem aos estudos do módulo introdutório da magia, e eu só poderei ensiná-lo se você pagar.

-        Tá bom tio, já deu. Toma ai um real pela ótima atuação que eu to indo embora.

Mais uma vez o velho agarrou a alça da mochila.

-        Inferno! Dá pra me deixar ir?

-        Não. Com isso que você me deu dá pra cobrir as despesas da matrícula, posso iniciar o seu curso.

-        Eu não quero iniciar e nem ouvir nada. Quero ir embora.

-        Quer sim, se não você não teria me dado dinheiro.

-        Mas eu te dei o dinheiro para…

-        Não diga nem mais uma palavra, seu mestre e tutor irá lhe ensinar agora, escute com atenção, pois não vou ficar repetindo. Bom como já foi dito, os dois primeiros conceitos de magia básica são as resposta de suas perguntas. A primeira “por que tendo poderes mágicos eu ainda vivo na miséria?” é uma resposta muito óbvia, quanto mais poderosa ou quanto mais uma pessoa usa magia, mais ela fica impregnada com o cheiro da mesma, aliais isso remete ao meu disfarce. Esse fedor característico dos mendigos cobre meu intenso cheiro mágico. Mas ai você se pergunta, e o que tem de errado em cheirar a magia?

-        Não eu não pergunto.

-        Calado! Seu professor está no meio de uma explicação.

-        Bom o perigo reside no fato de que ao me relacionar com coisas e pessoas eu vou deixando um rastro que pode ser seguido se você souber o que procurar. Todos os magos deixam essa trilha e tentam encobrir do melhor jeito possível a sua para evitar a Organização Mundial de Rastreamento, Caça e Execução de Bruxos, Magos e Feiticeiros, e todos os seus agentes narigudos. Logo regra básica de magia n°1: Não dar pinta.

-        Você com certeza é louco.

-        Tá me chame do que quiser, mas conseguiu entender?

-        Entendi… Mas quem são eles?

-        Só um bando de invejosos sem criatividade.

-        Entendo, então?

-        Então o que?

-        E o segundo tópico?

-        Ah perdão meu jovem, mas acabei entrando em detalhes demais e não poderei tratar do próximo assunto, a menos, é claro, que você pague pela parte seguinte do curso.

-        Quanto é?

-        Só dois reais.

-        Mas a matrícula custou só um.

-        Eu sei, mas foi um desconto promocional de sexta-feira treze.

-        Mas hoje nem é sexta-feira.

-        Sério? Então pode passar um adicional ai por que você não tem direito a promoção.

-        Ok, ok. – respondeu Octacílio passando o dinheiro ao mago pedinte.

-        O segundo tópico é bem simples. Por que não conjurar sua própria comida? Regra básica da magia n°2: Comida conjurada por magia tem baixo valor nutricional e um gosto horrível.

-        Eu não acredito que te paguei por isso.

-        Na verdade agora vem o nível mais interessante, mas…

-        Mas o que? Quer mais dinheiro?

-        Normas da empresa.

-        Octacílio passou mais um real para as mãos de Milrem.

-        Então vamos para a terceira regra, Todos os magos devem esconder seu verdadeiro nome. Por exemplo, meu nome não é Milrem e você a partir de agora não é mais Octacílio e sim algo mais enfático. Você será Daniel Drake.

-        Gostei, soa bem, mas pra que isso?

-        Prevenção mágica, e estilo ao te anunciarem. – Respondeu o velho ao esticar a palma enrugada da mão para seu aprendiz, o qual lhe passou seus últimos centavos.

-        Bem meu rapaz, essa é uma lição de nível alto, é classificada como cerne dos poderes mágicos. A única coisa que um mago deve entender e aplicar para ser um mago verdadeiro. Nós não fazemos mágica, fazemos realidade.

-        Não entendi.

-        Essa é a questão, esses poderes vem do caos e nosso dom só se apresenta quando nós fizermos as pessoas questionarem todas as leis, a ordem… quando questionarem toda a Realidade, exceto a de nossos poderes.

-        Legal, mas Milrem.

-        Mestre!

-        Desculpe-me, então Mestre quando irei começar a prática?

-        Tem mais dinheiro?

-        Não, nem um tostão furado.

-        Então como vi que assimilou bem, irei começar assim que pagar a matrícula e as três primeiras mensalidade dos curso de prática da magia. Então volte pela amanhã, nesse mesmo lugar. Ah… Mas como brinde, leve essa água de cheiro, e use depois do banho, não abra aqui. Agora vá para a escola.

Ele enfiou o vidrinho com um líquido roxo na mochila e foi para a escola. Voltou dia após dia, por uma semana sempre rondando a mesma lata de lixo, as pessoas começaram até a pensar que era um assaltante.

Numa noite, depois do banho Octacílio, ou melhor, Daniel Drake, encontrou o vidrinho de perfume, intacto sobre sua escrivaninha, ele arrancou a rolha com os dentes e tragou forte, o cheiro era cigarro com cachorro molhado, era tão ruim que o fez tossir a seco, e o barulho engasgado que ele fazia ao espirrar foi abafado pelo alto e agudo soar da campainha, Daniel desceu a escada e abriu a porta.

-        Boa noite, senhor…?

-        Octacílio.

-        Sim, foi esse o nome que nos informaram, mas eu queria saber seu nome Verdadeiro.

Eram dois homens, um baixo e com um enorme nariz curvo, o outro que falava alto e magricela com uma cara de poucos amigos. O narigudo se inclinou para D.D. E fungou, então afirmou com a cabeça e num resmungo inaudível, aos ouvidos do garoto, passou alguma informação para seu companheiro.

-        Eu sou o agente Swahili e esse é meu parceiro agente Górkia. Gostaríamos de saber se conhece esse homem. – Ele ergueu uma foto e nela, com seu já legitimo sorriso zombeteiro, estava Milrem, só que agora limpo e de cabelo bem cortado, além disso, também usava um terno de risca de giz, parecia algum multimilionário.

-        Ele pode ter se apresentado como Mandrack, Mandraca, Murdoch, Marew-Maroc, Milrem. Não sabemos seu nome exato, mas ele é procurado pela Interpol, FBI e…

-        Vocês são o que uma espécie de CIA?

-        Na verdade ele também é procurado pela CIA e outras organizações de inteligência e espionagem, mas nós não somos a CIA. – O agente puxou uma algema cor de cobre de dentro do paletó. – Por favor, queira nos acompanhar.

-        Pra onde estamos indo?

-        Não estamos indo, só você vai. – Concluiu o outro agente.


Categorias: Agenda,Contos |

1 Comment»

  • Thumb up 1 Thumb down 0

    falta algumas vírgulas, tem uns errinhos de gramática..
    -
    “Você o rabiscou ai na sua mochila, eu li quando você passou pelo meu latão.” e depois “Eu não disse que li seu nome aí. Falei apenas que estava escrito na sua mochila” ficou meio incoerente.
    -
    tb achei mt infantil, nao faz meu estilo :/

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Publicado por Pedro Cortat

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