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May
11
2011

Iara

Escritora: Adalba

iara

Perdeu-se do grupo que explorava uma nova trilha no morro Guarapiranga. Caminhou e marcou as árvores, enquanto havia luz natural. Cansado de andar em círculos, resolveu esperar por ajuda.

Encontrou uma clareira perto de umas imbaúbas e passou a noite.

Na manhã seguinte, acordou com um barulho vindo da fogueira que fizera para se proteger de prováveis visitantes na madrugada. Ainda com sono, abriu os olhos e viu um menino que colocava algumas frutas no chão e sorria compulsivamente. Ficou espantado ao ver uma criança – com a camisa da seleção brasileira da copa de setenta – correndo de um lado para o outro com uma perna só.

Aproximou-se para comer as frutas. Nem se importou em tirar as cascas, pois a fome era tanta, que temia enlouquecer se não comesse logo. O menino continuou sorrindo e lhe ofereceu um cachimbo que não parava de soltar um cheiro adocicado no ar. Entendeu o gesto como uma tradição do povo local e deu várias tragadas.

A fome voltou junto com uma sede incontrolável. De uma cachoeira perto da clareira, um canto irresistível atravessava o vento que balançava as folhas das imbaúbas e apagava o fogo. O garoto apontava para um dos ouvidos e dizia:

“Iara, Iara, Iara, Iara…”


Written by Adalba in: Adalba,Contos | Tags: , ,

20 Comments»

  • Samila says:

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    hã?
    tipo, gostei dos elementos do folclore brasileiro, pretty nice… mas e a história?

    • Adalba says:

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      Então, uma das modaliadades da narrativa (apesar de muitos teóricos ainda não a reconhecerem) é o “miniconto” (ou nanoconto, microtexto, etc.. Ela consiste em reduzir ao máximo os elementos que se apresentam no texto. As histórias estão lá, porém, muitas vezes, o prórpio leitor identifica o final.
      Esse tipo de texto celebra o “instante” de alguma ação, não precisando, necessariamente, de estruturas linguísticas e narrativas complexas.
      No caso de “Iara”, é sobre alguém que se perde e entra em contato com personagens do folclore brasileiro. Eu, particularmente, gosto de incluir elementos do realismo fantástico (ou só fantástico) nos textos que produzo.
      Ernest Hemingway, por exemplo, trafegou nesse tipo de narrativa. Lógico que não me comparo a ele! Na verdade, nem escritor me considero! Bem longe disso! Gosto somente de brincar com as palavras! rsrs
      Obrigado por ler o texto e, se tiver mais interesse, mantenho um blog no qual publico minhas “escrevinhadas” (rs). O endereço é:
      http://adalbathedevilsrighthand.blogspot.com/

      Mais uma vez obrigado e abraços.

      • Samila says:

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        Olá, Adalba.
        Bem, eu reconheço os minicontos como sendo um forte gênero. Eu até tentei em vão escrever um para certo concurso literário…
        é um desafio muito grande, que a meu ver, não foi atingido nesse conto.
        O Final ficou extremamente sem sentido, sem comunicação com o início…
        Tomei a liberdade de passear pelo seu blog e encontrei contos menores que esse, mas que conseguiram passar uma ideia completas. Alguns, como o ‘Isolamento’ chegam a ser tocantes, mesmo tão curtos.
        Esse, todavia, me despertou o único sentimento de… ‘Hã?’

        Mas essa é só uma opinião pessoal.

        • Adalba says:

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          Oi, Samila.

          Algumas vezes eu deixo sem sentido aparente mesmo rs. O que eu quis passar é que o garoto se perdeu, encontrou o saci, usou o “cachimbo” com “erva” (rs) e ouviu o chamado da própria Iara. O que eu quis deixar (pelo menos tentei… e vejo que nao fui muito bem rs. Esse morro de Guarapiranga existe mesmo aqui na minha cidade, e dizem que acontecem coisas estranhas lá rs. Eu deixei para o leitor decidir se o efeito do cachimbo rs produziu a alucinação, se foi a fome, se ele encontrou mesmo esse personagens…
          Ah, eu tbm gostei da sua opinião. É legal sabewr o que os outros pensam e tentar melhorar sempre.
          Não para de esctrever não. É uma ótima terapia rs

          abraços

          • Samila says:

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            hehehe, sim, entendo.
            Talvez seja culpa da leitora aqui também não ter chego a tais conclusões. Provavelmente um leitor com conhecimento mais ‘regionalistas’ veja nesse conto coisas que eu não vi… como vejo muito dito por aqui pelo ONE, o conto muda a cada vez que é lido.
            E bem, eu não pretendo deixar de escrever não, mas experiência de me aventurar pelos minicontos foi frustrante… rs
            Sou uma pessoa de romances e contos longos mesmo, fico agoniada se não puder fazer falas longas e vastas descrições psicológicas e físicas… @_@

            Enfim, seja bem vindo ao Nerd Escritor, e vamos ver mais contos e minicontos seus por aqui.

  • Lord Jesse says:

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    -
    -
    É, cade a história???

  • Flavio Silva says:

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    Hum… Vamos lá.

    Conheço os minicontos e nano contos. Inclusive recomendo a pesquisa na net pelo livro CEM TOQUES CRAVADOS, onde o autor escreve minicontos com exatos 100 caracteres. Muito legal.

    Tenho até um miniconto publicado aqui: SILÊNCIO SOCIAL – TIMIDEZ

    Enfim, vamos ao seu caso.

    Dediquei minha manhã de hoje a ler alguns contos de Zero Coments da agenda para dar uma impulsionada neles com os comentários. assim ganha, visibilidade, ok. aí encontrei um seu. gostei e fui atrás dos demais. Este é o último aqui e posso dizer que: Você faz mais com menos.

    Consegue, com algumas linhas, expressar uma ideia e uma situação de forma bem legais, mesmo que ás vezes bem aberta, mas ainda tá de boa, pois deixa fios soltos para seguirmos.

    Neste texto e, especial, IARA. Tais fio não nos levam a lugar nenhum. “Nos perdemos no labiritno do minotauro, cara”

    Adoro textos que retratam o folclore brasileiro e os incentivo (palavras de quem jogou O DESAFIO DOS BRANDEIRANTES – RPG),Devemos exaltar o que é nosso!

    (Mesmo que não sejam de fato nossos… Mas isto é papo para outra ocasião)

    Parando de divagar: essa história de menino perdido e “viajem” de cachimbo com erva só tomam forma ante nossos olhos ao relermos DEPOIS QUE VOCÊ FALOU SOBRE. Ainda assim não vi muito brilho na aparição da Iara na ideia. O que vem depois? Sei q pretendia deixar em aberto como de costume, mas sei la.

    Gostaria de ver outro texto seu sobre o tema Folclore onde os fio deixados nos levem para rumos coincidentes.

    Concluindo, escreva sempre! Dizendo muito com pouco ou pouco com muito. Escreva!

  • Adalba says:

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    valeu flavio!

  • Sanchez says:

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    Me pareceu um recorte. tiopo, tem história antes e depois, mas (por erro do computador?) só esse pedaço foi publicado. É uma boa ideia que pode ser aprofundada litruz!

  • Adalba says:

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    obrigado pelo comentário, sanchez!

  • Vinicius Maboni says:

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    Nada entendo de minicontos e muito menos de teorias pra escrita. O texto acima embora bem conduzido, saí de lugar nenhum e fica por lá mesmo entende?

  • Adalba says:

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    obrigado por ter lido vinicius!
    ele mistura fantasia e realidade, pois esse morro existe mesmo na minha cidade.

    abraços

  • Antonio de Souza says:

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    Reconheci as pitadas de realismo fantástico e aquele ar folclórico do indigenismo… Mas eu fiquei com MEDO! Sério, lembrei daquela índiazinha (ao menos acho que era, ou ao menos o é em minhas memórias) de Cem Anos de Solidão, que chega com a doença da insônia aem Macondo… Especialmente aquela parte dos olhos arregalados no escuro!
    -
    Gosto muito do jeito que vc escreve, como já disse no seu outro texto, Pleonasmo. Parabéns.

  • Adalba says:

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    obrigado antonio!

  • Rodrigo Scop says:

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    Bah, nem lembrava mais da guria com insônia no “Cem Anos de Solidão”… ashusauhs

    Também não entendo de minicontos, mas ainda assim vou dar meu pitaco. Eu consegui pegar a história. Inclusive formatar um fim para ela, no entanto, achei que ficou fácil se perder um pouco ou não fazer as relações necessárias. Talvez essa história pudesse ser mais detalhada, passando a ser um conto mesmo. O mais complicado pra mim foi enxergar a “erva” no cachimbo do saci.
    Ainda assim, achei bem escrito.
    Parabéns.

  • Omninerd says:

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    Ok, não cheguei a entender o final, mas pelo que eu tinha entendido no meio o saci tinha dado comida pro cara e depois trollou ele dando um bagulho que deixava ele com mais fome do que já estava antes, certo?

    Saci sapeca…

  • lobaempeledeovelha says:

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    Primeiramente bem-vinda.
    Sempre é um desafio escrever e se fazer entender.
    Quando escrevemos devemos fazer de forma que os outros entendam o que escrevemos.
    Eu li e gostei do que você tentou fazer mas assim como no meu caso, você tem que melhorar e tenho certeza que consegue.
    Parabéns pela iniciativa de enviar seu escrito e continue tentando.

  • Franz Lima says:

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    Ok. Já percebi que o seu forte são os minicontos. Contudo, mesmo nessa modalidade de escrita há a necessidade de uma coerência textual. Li seus outros trabalhos e gostei, porém ainda acredito em seu potencial para escrever mais e melhor.
    Claro, cada um tem seu próprio estilo. Eu, particularmente, não consigo escrever assim.
    Sucesso nesta empreitada.

    • Franz Lima says:

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      Já ia deixando passar: o nosso folclore é muito rico e, certamente, ainda não foi devidamente abordado. Parabéns por trazer à tona este tema.

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