Pra você lembrar
Escritora: Thaina Gomes
Tudo o que se ouvia eram seus passos crepitando na fina camada de gelo. Os passos corridos em desespero, o ar brigando com a garganta, e o corpo reagindo a cada nova dose de adrenalina, afundava seus pés na neve, o que a deixava mais pesada viu à sua frente a igreja, estava chegando, “corra mais um pouco!” se esforçou. Caiu o rosto contra o chão gelado, se levantou furiosa.
A tarde cinza ria dela e de seu medo de que ele não a estivesse esperando. A igreja se mostrou maior, mas parecia se camuflar com o céu, seu único destaque era o grande sino incrustado de rubis. Angie chegou aos degraus e eles a avisaram:
-Não entre. –Angie parou por um momento, não podia perder mais tempo. Entrou. Ele a estava esperando.
O lugar parecia ter parado no tempo, os enfeites do casamento ainda estavam pendurados nos bancos de eucalipto. Tudo estava empoeirado, as cortinas rasgadas, e no altar um homem sentado. Tinha a mesma fisionomia de 10 anos atrás, quando ela o largou no altar “Uma burrice a minha!” Angie pensou. A cartola dele tinha pequenas colinas de poeira, sua cabeça estava baixa, o lenço no bolso do terno amarelado, os braços estendidos nos joelhos.
-Ítalo. –Murmurou tocando-o no ombro. Viu os olhos azuis dele lhe fitarem surpresos. –eu voltei. –Se abaixou. Ele olhou bem os traços dela, tinha se passado quanto tempo? Parecia a mesma, o mesmo cabelo ondulado e preto, o nariz fino e alongado, e os olhos acinzentados, que ele tanto sonhara. –Achei que não fosse mais estar aqui. –A neve começou a cair lá fora e junto com elas as lágrimas quentes de Angie. –Me perdoa.
-Eu te esperei por todo esse tempo, já te perdoei. –A voz dele saiu baixa e rouca. Ela beijou os lábios secos dele, dando-o um pouco mais de vida. A pele translúcida dele corou. Deu um sorriso que lhe doeu a face, estava a tanto tempo sem se mexer, tudo estava enferrujado.
-Vem. –Estendeu a mão pra ele, que a pegou e cambaleou ao levantar. Seus ossos rangeram, sua coluna estralou e seus pés o traíram, jogando-o no chão. Angie se abaixou pra ajudá-lo, como uma criança que aprender a dar os primeiros passos ela o guiou até o fim das fileiras de bancos e o sentou no último e se sentou ao lado dele. –Por que não desistiu? –Pegou a mão dele.
-Nem por um instante eu pensei nisso. Todos se foram, a cidade morreu aos poucos, eu estava morrendo. Mas agora você me trouxe a vida de volta. –A garganta ardia.
-Eu não fui justa com você… Te prendi aqui por dez anos. Me arrependo tanto disso.. . –Pressionou o dedo magro contra os lábios dela, fazendo-a se calar.
-Não há tempo pra arrependimentos, estou livre agora. -Ele tirou a flor branca de sua cartola. –Sabia que voltaria um dia, mas só tenho esse presente. –colocou a flor entre as mãos dela. –Em troca da liberdade que você me deu. –Ele se levantou.
-Pra onde vai? –Ela se preocupou.
-Pra onde deveria estar a muito tempo. –A beijou mais uma vez. Seus passos eram mais firmes.
-Temos que ficar juntos! Ítalo, eu voltei por você! –Ela chorou desesperadamente.
-Se o amor nos tornasse mesmo eternos eu ainda estaria ao se lado, mas o tempo me tirou de você, assim como seus passos me deixaram um dia. –A voz dele estava ficando cada vez mais distante a cada passo que dava em direção à porta.
-Você disse que me perdoava. –Ela implorou.
-E já perdoei. –Com a voz mansa a imagem dele foi sumindo, se esmaecendo em milhares de flocos de neve e indo com o vento fresco.
Angie despertou arfando e gritando:
- Ítalo! Ítalo!
-Querida o que foi? –Seu marido, Vinicius, se sentou a abraçando.
-Só um pesadelo. –Ela se aconchegou nos braços dele. Ainda protegida pelos cobertores olhou pra sua mesa de cabeceira. –Que flor linda! –Beijou o rosto do marido. –Muito obrigada! –A pegou e pressionou contra o peito.
-Não fui eu que a coloquei aí. –Vinicius respondeu.
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Eu particularmente achei um pouco cliché… Acho que vc escreve bem, mas deve, no entanto, prestar mais atenção às vírgulas.
Apesar da história ter um final que não me parece desconhecido, ela fluiu bem. Como o Antonio disse, você escreve com coerência e pode melhorar mais. Assim, tenha muita atenção à grafia e pontuação, pois pequenos erros podem minimizar um ótimo conto.
Continue no bom caminho…