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: 252 sem na lista do NY Times.Não escondo minha alegria.Nunca nenhum livro brasileiro/estrangeiro conseguiu isso http://t.c…
May
21
2011
Conto em Série

Quando os Anjos viram Demônios – Capítulo 2

Escritora: Kariny Aciole

quando-os-anjos-viram-demonios

Chovia muito naquela noite. Uma mulher entrava em trabalho de parto. Estava louca, era o que todos diziam.  Afirmava com convicção que aquela criança era filha do diabo e que só poderia trazer desgraça. O nome da mulher era Jane. Viciada em heroína abusava do álcool e vendia o corpo por alguns trocados. Um dia já foi bonita, até tentou estudar, mas após a morte dos pais foi obrigada a trabalhar para sobreviver e com o tempo ser garçonete não bastou. Conheceu um cara. Ele parecia legal, mas no fim ele destruiu de vez a inocência que Jane tinha. Ensinou Jane o prazer da bebida e cigarros. Depois foi a jogatina de fins de semana e aos poucos ela se perdia naquele mundinho escroto que seu companheiro apresentava.

Depois disso seu “amado” achou que ambos podiam ganhar uma grana legal e tempos depois Jane era uma prostituta e como tantas outras agenciadas pelo próprio companheiro.

A vida dela virou uma verdadeira merda. Não demorou a perceber que seu “amado” tinha muitas amigas para agenciar e que ela não passava de mais uma puta. As drogas se tornaram suas amantes.  A vida ficou sombria e abrir as pernas todos os dias já fazia parte de sua rotina. Uma noite qualquer Jane surtou com o companheiro. Ela havia bebido demais, usado drogas demais e resolveu rasgar a cara dele com um gargalo quebrado de uma garrafa.

Depois disso ela agrediu outras prostitutas. Uma noite batia e em outras apanhava. Uma vez foi estuprada por três caras, mas os policias não deram importância. Por fim foi internada em um hospital psiquiátrico após tentar suicídio e depois disso o mundo dela se resumiu a um quarto escuro. Jane passou a dizer que anjos falavam com ela. Inicialmente os médicos fizeram o procedimento padrão. Deram a Jane medicamentos que deveriam acalma-la e evitar possíveis surtos.

Mas uma noite Jane gritou. Era um misto de loucura, medo e prazer. Podia-se dizer que havia prazer, por que quando os enfermeiros entraram no quarto de Jane ela estava nua masturbando-se prazerosamente. Insinuou-se para os enfermeiros e até lançou ao jovem médico de plantão olhares lascivos. Quando indagada o motivo de sua histeria apenas respondeu:

“Meu marido esteve aqui e ele disse que vai me dar um presente em breve!”

Não se sabe ao certo como, mas dois meses depois Jane ficou grávida a que gerou o afastamento de alguns enfermeiros e do jovem médico. Após esses eventos Jane foi trancada na outra ala do hospital, ficou lá até o oitavo mês de gestação e seu comportamento passou a ser mais e mais agressivo. Vivia a maior parte do tempo sedada. E quando estava assim falava coisas absurdas que iam desde dizer que o hospital era casa do pecado ou falar que sua criança iria trazer desgraça a todos. Quando finalmente o dia do parto chegou, ela ficou fora de si e fora levada às pressas a maternidade. Na mesma noite em que dava a luz, as crianças do berçário ficaram doentes. Mulheres que estavam em trabalho de parto tiveram hemorragias inexplicáveis e a energia do hospital oscilou varias vezes em quanto Jane gritava o quanto odiava seu bebê. Após dar a luz a uma menininha saudável, faleceu praguejando os médicos e todo o hospital.

Dias após o nascimento a menininha ganhara a simpatia de todos. A pele corada, olhos acinzentados brilhantes como estrelas em uma noite de verão e fios escuros em sua cabecinha denunciavam que teria cabelos negros. Em nada a criança lembrava a falecida mãe que era loira de olhos castanhos melancólicos. Os dias passaram, a criança foi levada para um orfanato para que começassem o processo de adoção.

Não foi difícil encontrar um casal disposto a adota-la. O casal Charles e Eva Maison parecia boas pessoas. Ele pastor de uma Igreja presbiteriana em uma pequena comunidade ao sul de Londres, Eva uma boa dona de casa, religiosa e gentil com todos. Conseguiram adotar a menina a quem batizaram de Madeleine. Os meses passaram tranquilamente a criança crescia forte. Era tratada com uma princesa, seus pais mantinham apenas convívio com os membros de sua Igreja. Era comum fazerem reuniões tarde da noite no porão da Igreja, em quanto isso Madeleine ficava aos cuidados de Charlote Parkinson uma das jovens que frequentava a Igreja.

Quando já tinha seus dois anos Madeleine foi apresentada formalmente aos membros da Igreja. Em terceiro aniversario ela seria batizada no altar do santíssimo. Isso causou grande expectativa nos membros da Igreja que já aguardavam por isso há algum tempo quando finalmente estariam em contato com seu mestre e senhor.

Madeleine era apenas uma criança não poderia se defender de qualquer coisa e nem poderia imaginar o que estava por vir. Na noite de seu aniversario foi levada para o porão da igreja. Vestiram-na com um manto branco com um estranho símbolo bordado nele, fizeram-na deitar sob um altar de pedra escura. Havia mais de trinta pessoas ali que entoavam uma estranha canção na parte externa da Igreja pessoas estavam com velas nas mãos entoando orações incompreensíveis. Madeleine começou a chorar. Em suas costas uma marca azulada brilhava intensamente, o pastor Charles trajava um manto vermelho e em suas mãos um livro negro e na outra um punhal. Sua esposa estava com um vestido semitransparente maquilada como se fosse uma prostituta.

Madeleine chorava cada vez mais e quando por fim o silêncio tomou conta do ar. O punhal descia em direção a ela. Foi então que pela primeira vez aquelas pessoas realmente entravam em contato com algo sobrenatural e perigoso. A criança foi cercada por uma aura azul e tudo ao seu redor começou a pegar fogo. As pessoas começavam a arder em chamas. O pastor e sua esposa eram desmembrados no ar e em seguida pegavam fogo. Madeleine parou de chorar sentia-se protegida e mesmo sem saber pelo que a pequenina esboça um sorriso em quanto o sono tomava conta de seu corpo.

Após esse terrível evento tabloides por todo o país noticiavam o suicídio coletivo de mais de cinquenta pessoas em pequeno condado em Londres. Diziam que o pastor, juntamente com sua esposa atearam fogo nas pessoas e depois em si mesmos. Deixando para trás uma menininha de três anos.

Madeleine foi levada para um orfanato no centro de Londres mas após isso não teve sorte em nenhum lar adotivo. Muitos casais se interessavam, mas a criança não se adaptava aos lares adotivos. O tempo passou a criança crescia em um abrigo para jovens que vivem em situações de risco. Tinha poucos amigos, passava o tempo lendo e praticando alguns esportes que a instituição oferecia.

Tornou-se exima nadadora e adorava correr. Uma jovem aparentemente comum, mas aos 15 anos começou a ter estranhos sonhos e visões estranhas. Havia tempos que sonhava que era uma espécie de sacerdotisa que viveu no Egito, em outros sonhos havia sido uma freira Espanhola e até mesmo se viu guerreando junto aos Templários.

O problema que os sonhos eram tão reais que algumas vezes sentia mesmo que tinha vivido aquilo. Começou a perceber que seus sentidos estavam mais aguçados. Que às vezes enxergava em volta das pessoas auras de cores diferentes e até mesmo percebia que as luzes dos lugares por onde passava ascendia ou apagavam conforme seu humor.

Uma vez estava se sentindo tão triste que até as flores que costumava colocar em seu quarto murcharam. Mais o que realmente passou a assusta-la foi perceber que podia ver e ouvir coisas que ninguém mais podia. Madeleine ficou com medo de si mesma. Se falasse algo para alguém diriam que era louca assim como ela sabia que a mulher que havia gerado ficou.

Ela sabia de tantas coisas, mas havia algo que bloqueava seus conhecimentos uma espécie de trava. Foi nessa época que conheceu Joe. Ele veio até o abrigo dizendo que a partir de agora ela não estaria mais sozinha. Madeleine esqueceu seu nome e se tornou Heyren. Passou a viver sob a proteção de Calebe que sem ela dizer nada disse que sabia o que ela estava passando e que ajudaria desde que ela o obedecesse. Foi treinada dos 15 anos aos 19 para ser uma caçadora do sobrenatural. Calebe aos poucos lhe revelava aquilo que ela queria saber. O que mais intrigou Heyren sobre o estranho Calebe foi quando ele mostrou uma coleção de obras de artes as quais tinha enorme paixão.

Eram estatuas e quadros antigos de mulheres que eram muito parecidas com Heyren. Guerreiras, poetisas, estudiosas das estrelas, artificies, místicas e até mesmo uma grande feiticeira que sumiu após o fim da peste negra. Todas elas tinham a mesma marca que Heyren esconde nas costas e carregavam consigo um item de poder que surgia como colar, manopla, espada ou livro. Diziam que este item era capaz de realizar coisas extraordinárias desde que a mulher que o empunhasse fosse aquela que carrega a marca dos Celestes. Heyren não acreditava que ela pudesse ser a mesma mulher que as imagens retratavam no decorrer da historia, mas precisava saber de fato quem era. Por isso aceitou trabalhar para Calebe mesmo não gostando dele.

Joe ao ouvir tudo aquilo se sentiu confuso e sem ação. Ela não esperava que ele entendesse, mas precisava dizer aquilo para alguém e por algum motivo escolheu Joe.

Sentindo que o sono a vencia ela dormiu. Joe continuou confuso, perdido em seus próprios pensamentos. Quando o dia raiou Heyren tinha partido não queria acordar Joe. Regressando ao seu pequeno apartamento ficou surpresa em ver Calebe lhe esperando na entrada. Estava diferente. Usava roupas esportivas. Cabelos em um desalinho proposital e os olhos exibindo um brilho diferente. Heyren caminhou sem hesitar. Parando diante dele.

-Que honra ter o grande Calebe em meu humilde lar!

O tom de sua voz era sarcástico

Calebe abriu seu sorriso convidativo de sempre.

-Não vai me convidar para entrar? Tenho algo a lhe dizer Heyren.

A voz dele soou sensualmente aos ouvidos dela, que sentia como se ele lhe lançasse um feitiço silencioso

Ela abriu a porta, subiram as escadas até o terceiro e ultimo andar. O apartamento era simples. Poucos moveis. Uma sala pequena, uma cozinha simpática, um quarto de cor azul com uma grande cama, o armário no canto onde guardava as poucas roupas que tinha e as janelas que sempre estavam abertas. Livros espalhados no sofá e um xicara vazia sob a mesinha da sala. Calebe observou tudo. Ela ofereceu café, mas ele não aceitou, puxou do bolso da calça um colar prateado com uma joia azulada encrustado nele.

Heyren observou o objeto como se reconhecesse. Com uma xicara de café nas mãos sentou-se no sofá e Calebe fez o mesmo. Ao tocar no objeto um turbilhão de emoções tomou conta dela. Estava dentro de uma Igreja onde olhava a estatua de um anjo de quase dois metros, ele tinha quatro asas, em mão empunhava uma lança e na outra um escudo com alguns dizeres que não compreendia. Sentiu que deveria olhar para trás. A igreja ruía diante de seus olhos. O céu era tomado mais uma vez por anjos que travavam uma luta sangrenta. Começava a chover sangue, as gotas tingiam sua pele de vermelho e em sua volta um circulo de chamas azuladas se formava.

Ao longe podia ver um cavaleiro Templário a encarando com olhos furiosos ela podia jurar que aquele era Calebe, mas seus olhos não podiam lhe dar a certeza. Em seguida viu Joe, David e Emily ardendo em chamas pedindo para que ela os salvasse, mas antes que pudesse fazer algo era abraçada com paixão pelo anjo de quatro asas que não permitia que ela os ajudasse. Em prantos ela implorava para ajudá-los. Mais e mais seus colegas ardiam em chamas, podia senti o cheiro de suas carnes queimando e foi ai que viu varias pessoas empaladas ardendo em chamas.

Ao largar o colar sentia sua face ardendo, estava suada e o coração acelerado.

Os olhos marejados denunciavam que iria chorar. As lágrimas rolavam silenciosamente. Calebe acariciou a face dela puxando-a para si e sussurrando em seu ouvido que tudo ficaria bem. Aos poucos o corpo dela era invadido pelo calor do corpo dele. Sentia uma estranha necessidade de ser tocada por ele. Sentiu a mão dele passear por suas costas. Os lábios dele beijarem seu pescoço, com facilidade ele a levou para o quarto a colocando na cama e despindo a roupa dela lentamente. O corpo dela ardia de tal forma que sentia dor. Quando estava nua pode ver que Calebe a contemplava. Deliciando-se com a visão daquele corpo. A racionalidade dela estava indo embora, se mantivera virgem não por motivos morais, mas sim porque não sentira desejo de entregar-se a ninguém. Temia amar ou se apaixonar. Mas agora sem entender como Calebe estava prestes a possui-la e ela não se importava.

Quando ele desceu os lábios até o sexo dela. A língua dele úmida lhe causava tremores, os bicos de seus seios ficaram rígidos e a excitação tomou conta dela. Ao sentir o membro dele duro contra seu corpo sabia em instantes seria possuída por ele. Estava louca, só podia ser isso como poderia se entregar a alguém que não gostava? A respiração ficou acelerada, o corpo agitou-se e sentiu como se alguém a chamasse. Quando Calebe preparava-se para penetrar-lhe ela o empurrou com força e lançou a ele um olhar frio.

Seu corpo foi tomado por uma aura azulada e m volta da cama chamas azuis ardiam sem atingi-la, mas causavam dano a Calebe que exibia por segundos sua face nada humana.

Asas negras em retalhos, os olhos contendo um brilho vermelho e chifres em sua fronte. Ele exibia um sorriso cruel em seus lábios. Tentou aproximar-se da cama, mas foi repelido pela estranha aura azul.

-Até quando vai protegê-la? Cedo ou tarde vamos ter aquilo que queremos. Seria melhor que fossemos nós do que os tolos que servem a cidade de Prata!

As chamas em volta da cama aumentaram com intensidade causando dano a Calebe que desaparecia lentamente como se fosse uma miragem

- Isso significa que nosso trato acabou Heyren prepare-se para ser caçada!

Calebe sumia completamente. Heyren não sabia explicar, mas sentia como se algo poderoso habitasse seu ser tentando fundir-se a ela desesperadamente.

Arrumando suas coisas às pressas e pegando o dinheiro que possuía saiu do apartamento sem saber para onde ir. Tentou falar com Joe, mas o telefone dele só dava ocupado e o mesmo ocorreu com o telefone dos outros. Resolveu ir até a casa de Joe, mas não encontrou ninguém lá. Temia que seus companheiros estivessem nas mãos de Calebe.

Sozinha não sabia como poderia se proteger apenas sentiu que deveria para algum lugar seguro. Diante dela o colar que Calebe trouxera surgia suspenso no ar. Ela o tocou sentindo a joia se fundir ao seu corpo como se ambas fossem uma só. Em sua mente a imagem de uma catedral surgia. Estatuas de gárgulas vigiavam o local como se estivessem vivas e em seu interior uma forte energia emanava. Ela resolveu ir para este local seguindo apenas sua intuição…

 

1 Comment»

  • Hiza says:

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    Achei tão legal quanto o primeiro e sinto que pode ficar ainda mais dark minha adorável Lobinha ;)

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Publicado por lobaempeledeovelha

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