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May
21
2011

Queijo ou acerolas

Escritor: Diego Figueira

Põe o pé na calçada. O Edifício Itália estende-se na outra calçada à frente. Uma vez, quando ainda era pequeno, jazia um corpo estraçalhado em um dos pisos de lá, uma pequena área aberta, de frente ao restaurante que funcionava num dos primeiros andares. Dava pra ver razoavelmente bem da janela do seu apartamento no 4º andar com altura de 6º. Dois andares de sobreloja.

Você sempre vai imaginar que o cara se jogou lá do último andar ou do terraço. Era o Edifício Itália, porra! Pra que alguém iria até o maior prédio disponível pra se jogar do 11º ou do 12º andar?

Parece que foi do 10º. Um faxineiro. Acidentalmente.

Num minuto você está lá limpando o vidro, assobiando, pensando na hora que vai largar aquela merda toda e voltar pra casa. No outro já não existe. Pequeno desequilíbrio, susto, escorregão, o coração quase salta do peito, bate com a canela na quina, bate com a mão no concreto, racha a unha, solta um gemido baixo, recebe a maior descarga de adrenalina que seu corpo já recebeu em toda vida, o céu, o concreto, os vidros ainda parcialmente sujos, tudo visto de um ângulo inédito, uma brisa forte, uma pancada mais forte e já não existe.

Faxineiro. Décimo andar do segundo edifício mais alto do país. Acidente de Trabalho. Nada romântico. Nenhuma mulher envolvida.

Faziam mais de dez anos. Mas ficou marcado. Primeiro morto que viu na vida. Um dos únicos, na verdade.

Quando vieram ver e cobrir o corpo, um dos caras recolheu o que parecia ser o relógio do morto e aproximou do ouvido, como que verificando se ainda funcionava. Curiosidade esquisita.

Viu outro morto uma vez, também lá perto, em frente a uma loja. Mas já estava coberto. Dava pra ver os pés.

O antigo ponto de táxi estende-se na mesma calçada à frente. Mas não se sentia na obrigação de dar bom dia a ninguém de lá. Na verdade só considerava um rosto conhecido ali, um senhor grisalho que nem devia se lembrar dele. Uma vez, quando ainda era pequeno, aconteceu de seu pai telefonar do trabalho para casa e contar à sua mãe que estava passando mal e vomitando. Após cerca de 10 minutos sua mãe estava em casa passando mal e vomitando. Após cerca de 7 minutos ele estava em casa passando mal e vomitando e sua mãe ligando para seu pai no trabalho para contar o fato. Família unida. Maldito queijo trazido de avião da cidade de seus avós. Ou teriam sido as acerolas?

Entraram então no táxi do senhor grisalho. Ele e a mãe no banco de trás e o irmão no banco da frente. Um saco de vômito na mão de cada um, exceto na de seu irmão que estava bem. Não comeu do queijo. Não tomou do suco de acerola.

O que passaria pela cabeça de um taxista numa hora dessas?

De quando em quando sua mãe esguichava dentro saco. Depois era sua vez. Depois sua mãe e depois ele. E o taxista mantendo escondidos seus pensamentos. Era um bom profissional. Seu irmão lá, no meio do fogo cruzado.

Enfim chegaram ao destino. O hospital. Desceria com sua mãe. O irmão seguiria viagem até o trabalho do pai. A mãe abre a porta do carro e antes de sair dirige-se ao irmão:

– Ó, quando tu chegar na banca, tu pega um paninho molhado e dá uma limpadinha aqui, viu?

– Tá.

Uma inofensiva gota de vômito no estofado. Sua mãe bem que podia ter deixado essa passar batido.

Nunca viria a esquecer o olhar carregado de pensamentos e sentimentos misteriosos que o senhor grisalho apressadamente lançou em direção ao banco traseiro.

 


Categorias: Agenda,Contos |

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