Um crime na noite de Natal
Escritor: Thomas Ford e Valmar Ferreira
I
A família estava toda reunida em volta de uma enorme mesa, em uma das pontas se encontrava o pai, na outra a mãe, eles riam e bebiam alegremente. Um dos filhos mais velhos se levantou para ir buscar mais bebidas na garagem da casa.
Assim que o rapaz atravessou a porta de saída e abriu a porta que dava a garagem fora atingido por dois tiros a queima roupa, seu corpo ficou estirado no chão, as pernas para fora da garagem enquanto um braço e a cabeça ficaram para dentro.
Seus familiares escutaram os tiros e correram para ver o que havia acontecido, mas fora tarde demais, o bandido que fizera aquilo havia acabado de desaparecer. O sangue escorria pela blusa branca que o rapaz usava, sua mãe muito aflita começou logo a chorar e a gritar pela perda de um dos seus mais amados filhos.
As crianças ficaram perturbadas e logo foram colocadas para dentro de casa por um tio que chorava muito. Os vizinhos começaram a sair um de cada vez, alguns colocando apenas a cabeça do lado de fora para ver o que estava acontecendo naquela noite de mais pura alegria.
— Meu filho se foi — dizia a mãe aos soluços para o marido que também chorava e a abraçava.
— Quem será que fez uma barbaridade dessas? — perguntou o pobre homem ajoelhando-se sem acreditar que o filho estava realmente morto.
A polícia fora chamada e logo a rua estava lotada de carros de polícia e pessoas que queriam saber o que estava acontecendo àquela família.
Esse seria um caso para o detetive Ford, um homem maduro de 30 anos e que já resolvera vários crimes, inclusive o de uma garota cujo corpo o pai e a mãe jogaram no lago, mas essa história fica para depois.
Ford é um cara muito, muito alto, chega a ser chamado no departamento onde trabalha de “O Gigante de terno”, está sempre bem vestido, um terno com paletó preto e uma grava formidavelmente bem arrumada na cor vermelha, obra de sua mulher. Ele é casado com Marta é uma mulher humilde, e junto com ela tiveram dois filhos Marcela e Fernando. O casal de gêmeos tem 12 anos e moram.
Os dois sempre tiveram orgulho do trabalho do pai, sempre comentava nas rodas da escola que seu pai era um investigador da polícia.
Naquela noite, Ford estava reunido com sua família, Marcela e Fernando brincavam com os brinquedos que haviam acabado de ganhar, estava todos felizes. A mulher servia o jantar quando o telefone do investigador toca.
— Alo? — ele atendeu e uma voz feminina falou do outro lado explicando-lhe tudo — já estou indo para ai — disse o detetive.
Olhou para a mulher que fez sinal de desaprovação, era noite de Natal, será que nem em noites especiais como aquela o marido poderia ficar em casa?
— Eu tenho que ir, querida — ele disse dando um beijo nas crianças e na esposa — estarei de volta antes da meia-noite, eu prometo.
O detetive pegou as chaves do carro, o distintivo, e o paletó e saiu porta a fora.
A mulher sentou-se a mesa, seria mais uma noite de grandíssima importância sem o marido.
O detetive chegou ao local em menos de cinco minutos, a cidade estava parada por causa do feriado, então não havia transito lerdo, pois quase não tinha carros nas ruas.
Ao descer do carro Ford abriu a carteira e beijou a foto dos filhos e da esposa como sempre fazia antes de entrar numa investigação. Os faróis dos carros da polícia estavam acessos deixando a rua inteiramente vermelha e azul.
Ele se aproximou lentamente até o capitão Teodoro que estava agachado examinando o corpo, Ford tocou seu ombro, o mesmo olhou para trás para ver quem o perturbava.
— Ah, Olá! Detetive Ford — disse o homem barbudo e gordo.
— O que aconteceu aqui capitão?
— Um assassinato, fora dois tiros a queima-roupa Ford — explicou-lhe o capitão, Ford apenas anotou as informações num pequeno caderno.
— Posso examinar o corpo? — perguntou Ford ajoelhando-se antes que o capitão desse a permissão.
— Fique a vontade — disse o capitão dando um pequeno sorriso amarelo.
Ford examinou o corpo e então se levantou novamente.
— Pelo local onde a bala pegou o criminoso estava sentado em um meio de transporte — disse o detetive.
— Já examinamos isso — falou o capitão passando os dedos gordos e brancos no bigode — e fora numa moto.
— Hum — o detetive fez um olhar misterioso — onde estão os pais da vítima? — perguntou em seguida.
— Estão lá dentro — informou o capitão.
Ford saiu para falar com os pais do jovem que acabara de ser assassinado, ele seguiu e subiu os degraus de uma pequena escada que dava direto para a cozinha.
— Boa noite! — ele ao passar pela porta.
A mãe do garoto estava sentada e tremia muito, lagrimas lhe escorria pelo rosto, ela nada respondeu apenas olhou o detetive e continuou bebendo um chá que seu marido havia preparado, pela fumaça que saia da caneca.
— A senhora e o senhor poderiam me responder algumas perguntas? — perguntou o detetive sentando-se a uma cadeira perto das dos pais do garoto.
— Claro — os dois responderam de imediato.
— Tudo bem, vamos lá então — começou o detetive, — por um acaso seu filho estava envolvido com algum traficante de drogas?
— Não, nosso filho sempre foi muito hospitaleiro, quase nunca saia de casa, exceto para ir à escola — respondeu o pai.
Ford anotou tudo em seu caderninho.
— Ele falou de alguma briga com algum colega?
— Bom, tem um garoto o Jorge, que mora logo ali na frente que havia feito piadas com nosso filho e ele não gostou nada e acabou brigando com esse garoto, mas nada que pudesse ter feito ele cometer esse ato brutal — respondeu a mãe.
— A senhora não sabe nada sobre os garotos de hoje, minha senhora, por menos que isso — o detetive juntou o dedo indicador e o polegar direito mostrando quantidade — os jovens morrem hoje.
A mulher arregalou os olhos.
— Conte-me mais sobre esse tal de Jorge — pediu Ford novamente anotando em seu caderno.
— Bom, ele é um garoto como meu filho, os dois tem a mesma idade, 17 anos — informou a mulher — eram amigos quando pequenos, um não vivia sem o outro, mas desde que Jorge começou a andar com um pessoal um tanto esquisito eu não deixei mais nosso filho sair com ele, e então veio às brigas entre os dois.
O detetive apenas escutava.
— Certo dia eu vi Jorge cheirando alguma coisa, e logo depois soube que ele batera na mãe para comprar drogas — a mulher continuou falar — ele não era dessa maneira, mas desde que os pais se separaram ele ficou assim.
— Então seu filho não usava droga também? — quis saber o detetive.
— Não, não — a mulher respondeu de imediato.
— Ok, então, logo entraremos em contato com os senhores.
Levantou-se e saiu.
II
Ford olhou de relance o relógio eram 23h40min.
“Não posso perder o jantar”, ele pensou e ajoelhou-se novamente aos pés do corpo.
— Descobriu alguma coisa, detetive? — perguntou o capitão.
— Nada ainda — respondeu Ford.
— Estamos fazendo buscas nas áreas, parando todas as motos que passam pelo bairro.
— Isso é bom, mas nosso suspeito pode estar a menos de dois metros da gente — falou o detetive.
— Como assim? — quis saber o capitão.
— O nosso jovem aqui, teve uma pequena briga com um antigo colega que hoje é usuário de drogas — informou o detetive.
— E onde mora esse jovem?
— A mais ou menos quatro casas daqui — respondeu Ford novamente de pé.
Não muito longe dali, uma moto ia passando e percebeu o movimento intenso no transito, dois jovens garotos vestidos de preto deram meia volta e desceram a rua onde o movimento estava quieto.
Toc-Toc eram as batidas na porta.
— Quem é? — perguntou uma voz feminina.
— Detetive Ford e o Capitão da polícia — informou Ford — queremos falar com seu filho.
A mulher abriu, seus olhos estavam arregalados.
— Ele estar? — perguntou o capitão.
— Sim, está lá em cima — informou a mulher sem piscar.
Os dois entraram e seguiram a mulher.
— O que foi que esse menino aprontou dessa vez? — ela quis saber.
— Ele está sendo acusado de cometer um assassinato as 23h00min desta noite — disse o Capitão Teodoro.
— Mas meu filho estava em casa essa hora, ele estava no quarto dele.
— É o que veremos dona.
Chegaram a uma porta branca com um desenho de uma caveira preta, estava pregado abaixo da caveira uma mensagem que dizia: Não enche! Vá se danar.
O detetive leu essa mensagem e bateu com força na porta.
— Quem é? — perguntou uma voz masculina e grave.
— Polícia — respondeu o Capitão.
Um barulho fora ouvido lá dentro, parecia alguém escondendo alguma coisa.
A porta foi aberta com um estrondo.
— O que vocês querem? — perguntou um garoto mais ou menos com um metro e meio.
— Queremos fazer algumas perguntas — disse o detetive olhando fixamente para o garoto.
— Eu não tenho nada para dizer — falou o menino tentando fechar a porta do quarto, mas fora impedido pela mão do detetive.
Ford entrou no quarto do garoto e sentou-se na cadeira do computador, o Capitão ficou ao seu lado em pé.
Havia medo nos olhos do garoto, Ford estava certo que ele seria o culpado.
— O que o senhor fez hoje à noite? — perguntou.
— Eu fiquei em casa, com minha mãe — respondeu o garoto.
— E o que estava acontecendo entre o senhor e o filho dos Medeiros?
— Nós éramos amigos.
O detetive fez uma pausa e olhou de relance embaixo da cama, fez um sinal com a cabeça para que o capitão olhasse o que havia ali, guardado dentro de uma pequena caixa.
— Sabem que não podem mexer em nada sem um mandato de busca — falou a mãe do garoto.
O capitão afirmou com a cabeça olhando para Ford, que bateu de leve a mão fechada na perna direita.
— É melhor o senhor ir buscar um mandato Capitão — pediu Ford.
A mãe do garoto estava tentando proteger o filho de alguma coisa, e essa coisa estava guardada dentro daquela caixa debaixo da cama, os olhos do detetive percorria cada canto do quarto para ver se não havia mais nada de suspeito, viu os pôsteres das bandas de rock do garoto, viu fotos dele com o pai e com a mãe, viu também uma enorme penca de livros velhos em cima do guarda-roupa.
O Capitão voltou cerca de vinte minutos depois, Ford ainda estava sentado e olhava uma janela que dava direto para os fundos de uma fábrica abandonada.
— Porque matar o garoto na porta de casa se você poderia muito bem, levá-lo a outro lugar e matá-lo lá? — perguntou Ford sentindo o sangue fluir pelo pescoço.
— Eu não matei ninguém — vociferou o garoto olhando para mãe.
III
Os vários carros de polícia estavam saindo um a um da rua, junto com eles o carro do IML, que levava o corpo do filho dos Medeiros, a casa ainda estava iluminada e os vizinhos continuavam na rua conversando sobre aquele que seria um assunto para todo ano que viria.
Os natais não seriam os mesmos depois daquele.
Ford olhou novamente o relógio e já passava da meia-noite.
“Droga! Estou atrasado”, e realmente estava sua mulher esperava apreensiva com os dois filhos a chegada do pai, ela estava sentada em uma poltrona enquanto os filhos continuavam a brincar o jantar já havia sido servido àquela noite.
“Ele não vem novamente”, ela pensou um remorso se espalhou pelo seu rosto.
As crianças estavam tão felizes que mal perceberam que o pai não havia chegado, exceto Fernando que a todo o momento olhava para a mãe com uma cara de “cadê o papai?”, a mãe dava um pequeno sorriso para ele e balançava a cabeça como se dissesse “ele já está vindo querido”.
— Aqui está — disse o Capitão entregando uma folha para o detetive.
— Obrigado, Capitão — agradeceu Ford ao homem barrigudo.
Ele entregou o mandato para a mãe do garoto que pegou com uma força que quase rasga.
Os dois colocaram luvas e começaram a procurar provas e pistas que pudessem mostrar o que havia acontecido ali naquela noite, mas a única coisa que encontraram foi uns pacotes de pedras de craque.
— Pode até não ter matado o garoto, mas está encrencado rapaz! — disse o detetive passando as pedras para o Capitão.
O garoto olhou para a mãe assustado, mas a mulher fechou a cara e desceu as escadas.
— Você não pode deixar que me levem — dizia o garoto enquanto o detetive e o Capitão os conduziam para fora.
— Lamento muito, senhora — disse o capitão por fim.
A mulher agora chorava sentada a mesa de casa, acendeu um cigarro e enquanto a fumaça subia várias lágrimas escorriam-lhe pelo rosto.
IV
Ford voltou a olhar no relógio, ele realmente estava atrasado, já estava quase dando uma da madrugada.
— Eu preciso ir, Capitão — informou ele ao homem que colocava o garoto no fundo do carro da polícia.
— Tudo bem Ford, amanhã continuamos — disse o capitão.
Ford entrou em seu Corsa Classic preto e disparou rua acima, a cabeça do detetive movia-se de um lado para o outro em cada esquina em que existia uma placa com o nome PARE, quando os faróis da cidade estavam fechados ele xingava algumas coisas quase num sussurro, exceto na hora em que um carro o cortou, ai ele soltou o verbo.
O detetive sabia muito bem que aquele caso estava longe de acabar, e estava deixando não só ele como toda sua família estressados.
Mais uma vez o sinal fechou e Ford começou a dar algumas batidas no volante do carro “Anda, abre logo” ele pensava, mas aquilo não resolvia “Então fica fechado, seu idiota, eu já estou atrasado mesmo”, era como se o semáforo o ouvisse.
— Você prometeu Thomas — disse a mulher assim que o marido atravessou a porta da sala.
— Eu sei querida, mas infelizmente eles me prenderam lá, foram horas eu interrogando várias pessoas e… — antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa à mulher o interrompeu.
— Seus filhos toda hora perguntavam por você, Fernando não parava de me perguntar às horas, você sabia disso? — Ela perguntou.
E antes que o marido a respondesse, ela interrompeu novamente.
— Não, se soubesse não teria ficado lá todo esse tempo — vociferou a mulher —, sabe Thomas? Talvez devêssemos dar um tempo e…
— Não, não devemos não — ele disse antes que ela terminasse a frase.
— Você mal liga para nós, tudo o que você tem nessa vida é esse emprego idiota, você passa mais tempo com ele do que comigo e os meninos.
Ford estava sentado agora, seu rosto pálido olhava a mulher, ele não queria deixá-la porque ele a amava muito.
— Eu não vou deixar você e as crianças — ele disse sem piscar.
— Acho que seria melhor para nós dois, Thomas — falou a mulher saindo da sala e deixando o marido lá sentado.
Ao entrar no quarto Marta jogou-se na cama, lágrimas escorriam-lhe pelo rosto molhando todo o lençol, os cabelos grudados no rosto por causa das lágrimas.
Logo pela manhã ela ligou para a mãe dizendo que estaria indo ficar uns tempos na fazenda com as crianças.
— É muito bom ter vocês aqui Marta, e o Thomas não vem? — perguntou uma senhora do outro lado do fone —, não mamãe só eu e as crianças — respondeu e desligou.
Ford estava parado na porta do quarto do casal, seus olhos marejados de lágrimas, sua respiração um pouco ofegante.
— Não precisa fazer isso — ele pediu.
— Eu sinto muito, mas é o que devemos fazer — falou a mulher terminando de arrumar as malas.
— Eu vou tentar ser um pai melhor — ele voltou a falar.
— Não disse que você não era um bom pai, Thomas, eu apenas pedi um tempo — corrigiu-o a mulher.
Ele sentou na cama e olhava atento umas fotografias colada em um quadro na parede de frente para a cama.
— Não pode me deixar sem meus filhos — ele objetou-se.
— Será apenas por uns dias Thomas, é só o tempo que eu preciso para pensar — falou a mulher fechando o zíper da mala.
Marta saiu do quarto e fora pegar os garotos sem se despedir do marido.
— Adeus, papai! — disse Fernando e Marcela ao mesmo tempo e abraçaram o pai dando um beijo cada um em uma bochecha.
— Não diga adeus — falou Ford recebendo o abraço dos dois filhos.
V
Ele estava longe de resolver aquele caso, sua mente girava em torno de sua mulher e seus dois filhos.
Ford se lembrou de seu pai, cuja mãe separou-se por causa do trabalho quando ele ainda era um garoto.
Agora ele estava dirigindo pelas ruas de São Paulo com certa impaciência.
— Droga de vida — ele sussurrou assim que seu carro parou no Departamento de Polícia de São Paulo.
— Bom dia detetive Ford! — falou sua secretária enquanto ele entrava para sua sala.
“Essa mulher não tira folga nem no feriado?”
— Bom dia Suzan! — ele deu a mulher que já estava cheia de papéis nas mãos.
— Alguns relatórios para o senhor assinar — disse a secretária.
— Coloque-os ai Suzan — pediu Ford gentilmente.
A mulher deixou os papéis ali em cima da mesa e saiu, mas antes que ela fechasse a porta Ford falou.
— Não estou aqui para ninguém.
Suzan fez sinal de positivo com a cabeça.
Ford passou o dia todo em seu escritório olhando a foto dos dois filhos. Passaram-se alguns minutos e seu celular toca, era o Capitão.
— Sim, Capitão?!
— Temos uma pista do crime — falou o homem do outro lado da linha. — ele e o filho dos Medeiros eram amigos também e tudo indica que foi por causa de uma garota que eles estavam tentando namorar — continuou o capitão.
— Já estou indo para o local, Capitão — disse Ford levantando da cadeira e indo em direção ao carro.
VI
Assim que ele entrou na garagem vários tiros foram disparados contra ele, eram dois caras numa moto, um deles deixou cair um cartão.
LEONOR, OSASCO, 350.
Ele pegou o cartão e guardou no bolso, assim que entrou no carro Ford seguiu para o endereço que um dos bandidos deixou cair.
Ford acabara de descobrir que LEONOR era uma casa noturna que fica aos arredores de Osasco em São Paulo, ele parou o carro numa esquina e vira os motoqueiros pararem na porta dessa boate, automaticamente ele discou o número do Capitão e pediu para mandar algumas viaturas até o local.
Assim que chegaram as viaturas o detetive desceu de seu carro e se posicionou atrás da porta aberta de uma das viaturas, a arma apontada para porta da Boate.
— Saiam todos para fora com as mãos na cabeça — ordenou o capitão no seu megafone.
Nada, a porta do local continuou fechada.
Ele então ordenou novamente.
Mais uma vez nada aconteceu.
— Saiam todos com as mãos na cabeça, ou iremos invadir — gritou o capitão.
Assim que terminou de falar uma garota sai com as mãos na cabeça, pelos trajes era uma Prostituta.
Vários policiais correram para prendê-la.
O detetive correu para interrogá-la.
Um a um o pessoal que estava na boate foi saindo, inclusive os dois rapazes que haviam acabado de atirar no detetive Ford.
Depois de revistarem a boate e encontrar drogas, dinheiro e muita bebida alcoólica ilegal, os policiais e as pessoas que foram apreendidas seguiram para o Departamento de Polícia de São Paulo.
VII
Estavam todos na sala de confissões, quando o Detetive entra.
— Vou interrogar um de cada vez — disse isso e os outros policiais saíram levando os outros acusados.
Ele sentou-se e um dos bandidos que atirara nele naquele mesmo dia sentou também.
— Porque você atirou em mim, hoje mais cedo? — perguntou fitando o acusado.
— Só vou responder quando estiver com meu advogado — falou o homem.
Ele era alto, careca e forte, muito forte, seus olhos são castanhos, mas o branco quase não dá para ser visto de tanta droga.
— Se você me disser eu o ajudo a sair da prisão — disse Ford cruzando os braços.
O bandido o olhou nos olhos deu um pequeno sorriso e cuspiu na cara do detetive, que ao mesmo tempo deu-lhe um tapa na cara com muita fúria.
— Não vou dizer nada — respondeu o homem com os lábios sangrando.
— Uma hora você vai ter que confessar por que matou o garoto — disse Ford —, agora como se chama?
O homem do outro lado não entendeu nada, ”então ele queria saber como chamava o homem que atirou nele?” pensou o acusado.
— Ted — respondeu o rapaz.
— Então Ted, vai me dizer por que matou o filho dos Medeiros?
— Não fui eu — o rapaz respondeu.
Ford estava começando a ficar com raiva, segurou o cara pelo colarinho da camisa até ficar cara a cara com o bandido.
— Então serão mais seis anos em suas costas.
O rapaz apesar de ser forte e alto tremeu.
— Próximo! — gritou o detetive, mas antes que ele se levantasse para que o outro acusado entrasse o rapaz começou a falar.
— Fomos mandados.
Ford o olhou de relance.
— O Josh e eu fomos mandados pelo pai do garoto — voltou a falar o bandido e Ford sentou-se para ouvir levantando a mão esquerda para que o policial que estava na porta esperasse.
— Ele disse que era apaixonado pelo filho e que não queria que o garoto o dividisse com outra garota.
Ford começou a gravar tudo.
— Não queríamos matá-lo na noite de Natal, seria muita coisa para a mãe do garoto, mas o pai insistiu muito dizendo que pagaria o dobro.
— Quanto ele te deu? — quis saber o detetive.
— Quarenta mil dólares — respondeu o acusado.
O detetive parou um pouco e pensou.
— Pode levar esse aqui! — disse ao guarda.
— Mas, você prometeu — brigou o rapaz.
— Eu menti — disse o detetive.
Ford era reconhecido por mentir para os acusados se entregarem, ele era muito bom naquilo que fazia, e todos do departamento o admirava por isso.
Assim que o outro acusado entrou ele saiu, os guardas olharam para ele e se perguntaram “Aonde ele vai?”, o detetive saiu aos tropeços entre as várias mesas ali existente, chegou a uma onde havia vários papéis.
— Eu quero que venha comigo, Capitão.
— O que aconteceu, detetive? — quis saber o homem.
— Descobri quem é o mandante do crime — respondeu Ford.
O Capitão e Ford saíram entraram em seu Corsa e correram para a pequena rua onde havia acontecido o assassinato.
Ford fora o primeiro a descer acompanhado pelo Capitão.
Toc-toc.
Bateu na porta e a senhora Medeiros viera abrir.
— Pois, não? — perguntou ao ver o detetive e o Capitão parados a sua porta.
— Seu marido está? — perguntou Ford.
— Sim, está lá dentro — respondeu a mulher já do lado de fora —, alguma notícia sobre o assassino do meu filho? — quis saber a mulher.
O detetive afirmou.
— Então, digam quem matou o meu menino? — a mulher começou chorar.
No momento em que Ford ia contar para mãe do garoto o carro da família sai da garagem em disparada, ele e o capitão correram para o carro e começaram a perseguir o fugitivo, a senhora Medeiros ficara na porta plantada.
Uma grande quantidade de carros começaram a fechar o detetive e o fugitivo, a polícia já havia sido acionada pelo Capitão que segurava na alça do carro para não quebrar o pescoço, pois a velocidade era tanta.
O carro do pai do garoto estava cortando todos os outros que estavam ali nas várias pistas que havia na Marginal Tietê.
Um helicóptero voava perseguindo o carro e passando as coordenadas ao Capitão que por sua vez passava ao detetive.
— Ele está indo para a AV. São Luis — falou o Capitão.
Ford apertou o pé no acelerador, desviando de carros e caminhões que buzinavam para ele.
O carro chegou a uma rua sem saída, tentou dar ré, mas era tarde demais, a polícia inteira já estava ali.
— Você não tem para onde fugir — disse o detetive apontando a arma para o carro.
A porta do carro se abriu e de lá de dentro saiu o pai do garoto.
— O senhor está preso por mandar matar seu filho — falou Ford.
Alguns policiais correram para prender o pai do garoto, mas esse retirou uma arma de dentro da calça e começou a atirar.
Uma das balas atingiu o detetive no braço e o mesmo caiu se contorcendo de dor. Os outros policiais começaram a atirar, e uma das balas pegou no braço do homem que também caiu e foi imobilizado pelos guardas que estavam abaixados.
Algumas horas depois, no Hospital…
Ford deu entrada na sala de cirurgia com uma bala alojada no braço direito, sua esposa e filhos estavam na sala de espera angustiados.
— O papai vai morrer mamãe? — Perguntou Marcela.
— Não, querida — respondeu a mãe abraçando os dois.
Assim que ela os abraçou o médico chegou para dar uma notícia sobre como tinha sido a cirurgia.
— Foi coisa pequena, só levou alguns minutos, você já pode ver seu marido — falou um homem de cabelos brancos lisos de pele clara e olhos azuis.
Marta correu para ver o marido levando os dois filhos.
Na porta do quarto estava escrito:
QUARTO 701, DETETIVE THOMAS FORD.
Ela entrou correndo e abraçou o marido, que gemeu por causa da bala.
Esse fora mais um caso solucionado pelo detetive Thomas Ford que agora está bem.
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Sobre livros e suas adaptações cinematograficas
#ficadica 004 – Escrever todo dia é a fórmula do sucesso?
A Máquina Diferencial
Resenha do livro "O estranho mundo de Tim Burton"

gostei muito,você tem potencial
li somente parte 1 até agora
no ritmo que for lendo faço comentários que não devem ser levados muito a sério pois sou um completo leigo em questões literárias
tem algumas coisas soltas como o momento que você
apresenta a familia do Ford e a conversa
com a mãe do falecido.
achei o prólogo um pouco forçado
desenvolver mais a cena seria mais agradável pra mim
e seus personagens me pareceram planos
mas eu li só a primeira parte
espero ter ajudado
parabéns pela iniciativa
Obrigado por ler, e pode deixar que logo farei mudanças. Novamente agradeço por ter lido minha obra.
Abraços.