O Nerd Escritor
Feed RSS do ONE

Feed RSS do ONE

Assine o feed e acompanhe o ONE.

Nerds Escritores

Nerds Escritores

Confira quem publica no ONE.

Quer publicar?

Quer publicar?

Você escreve e não sabe o que fazer? Publique aqui!

Fale com ONE

Fale com ONE

Quer falar algo? Dar dicas e tirar dúvidas, aqui é o lugar.

To Do - ONE

To Do - ONE

Espaço aberto para sugestão de melhorias no ONE.

Contos

Contos

Lista de contos publicados no ONE.

Poesias

Poesias

Lista de poesias publicadas no ONE.

Críticas e Resenhas

Críticas e Resenhas

Opinião sobre alguns livros.

Notícias

Notícias

Veja o que está rolando no mundo literário nerd.

Promoções

Promoções

Aqui você pode ganhar livros e outros prêmios em sua casa.

Sem Assunto

Sem Assunto

Não sabemos muito bem o que fazer com estes artigos.

Anuncie Aqui!

Papo na Estante

Papo na Estante

O nosso podcast de literatura.

Blog do Guns

Blog do Guns

Meus textos não totalmente literários, pra vocês. :)

Nerdoteca

Nerdoteca

Os livros que todo nerd deveria ler.

A Batalha do Apocalipse
Autógrafos

Autógrafos

Em breve! :)

Anuncie Aqui!

Agenda

Agenda

Confira os contos e poemas à serem publicados.

Login

Login

Acesse a área de publicação através deste link.

Fan Page - O Nerd Escritor

Página do ONE no Facebook.

Confere e manda um Like!

@onerdescritor

@onerdescritor

Siga o Twitter do ONE!

Jun
23
2011

Libido

Escritora: Natália

Os dedos pálidos e trêmulos tentavam acender o isqueiro, quase sem sucesso. O cigarro também tremia entre os finos lábios ressecados, mal conseguia ateá-lo. Quando este começou a queimar, tragou-o lentamente e com força, soltando a fumaça para cima e relaxando todo seu corpo por um instante, como se tentasse sair daquele frenesi incontrolável em que se encontrava. Enquanto caminhava, seu olhar estava voltado para o chão, e assim permaneceu em todo seu caminho para casa.

A noite havia acabado de começar. O céu estava escuro e aquele minúsculo lugar fedia. Ficou ainda mais nervosa quando derrubou um pouco de cocaína de sobre o cartão em suas mãos, devido sua tremura. Mordeu a própria língua até sangrar e só parou de tremer quando aquela dor dominou sua boca por alguns segundos. Enrolou uma nota e aspirou aquela cápsula toda pra dentro de si, recostando-se em seguida ao sofá duro. Deslizava sua língua lentamente pelo cartão, sentindo aquele gosto amargo adormecê-la com o passar dos longos minutos. Não mais tremia, seus olhos não mais pesavam, contudo ainda sentia-se nervosa.

Apoiou os cotovelos nos joelhos e suas mãos sustentaram sua cabeça. Os olhos estavam fechados e tentava apenas se concentrar na boa sensação que envolvia seu corpo. Entretanto, ao passar as mãos pela testa e por entre os fios de cabelo, sentiu-os acompanhar seus dedos e arregalou os olhos opacos, tremendo mais do que antes. Levou as mãos à frente do rosto e viu uma grande quantidade de fios negros deslizarem por entre seus dedos, caindo vagarosamente ao chão. Caindo na mesma velocidade que suas lágrimas, talvez.

Puxou com dificuldade um pequeno frasco de dentro de sua bolsa surrada. Abriu os lábios e jogou as pequenas pílulas para dentro, sendo que várias caíram ao chão. Um gole da garrafa de vodka barata que estava ao alcance facilitou a ingestão, logo em seguida se fragmentando no chão. Os minutos transcorriam e corriam, levando sua paciência e sua vida. Cada tremor forte que lhe envolvia lhe dava certeza de que os calmantes não faziam efeito. Novamente puxou algo da bolsa, um pequeno vidro ainda cheio e lacrado. Com algum esforço o abriu e fez o mesmo que fez com os calmantes. Vicodin.

Despertou de um breve sono agitado ao som dos ponteiros pesados do relógio. Sentia-se, aparentemente, muito melhor. Ligou a televisão antiga com o controle remoto antigo. Ouviu gemidos forçados, xingos. Um daqueles canais escrotos e pagos de pornografia. Indiferente, fixou o olhar vazio ali.

Muitas horas haviam se passado. Já era madrugada. O som do relógio continuava se misturando com os gemidos da televisão e aquela garota, ou o que restou dela, estava estagnada na mesma posição. Indiferente, indolente. Então, com lentos e talvez confusos movimentos, sua mão começou a demonstrar vida. A ponta dos dedos tocava o interior de sua coxa, acariciando a própria perna e subindo sua camiseta, deixando a calcinha à mostra. Subia, com movimentos muito lentos, até chegar ao clitóris, onde começou a mover os dedos mecanicamente, sem desejo. Continuou se tocando por longos minutos, com o mesmo olhar seco para a televisão. Aquilo não a excitava o suficiente.

Os olhos viram sua arma junto dos cacos da garrafa. Sorriu, como há tempos não sorria. Pensou que talvez aquele pequeno objeto pudesse lhe dar o prazer que ninguém conseguiu lhe dar; que aquele objeto pudesse lhe satisfazer sua vontade que, diferentemente de seus desejos, não dependia de ninguém. Pegou a arma e, como se sentisse confusa ao tê-las em mãos, hesitou. Calmamente colocou-a em sua boca. O contato de seus lábios com o metal lhe causou um arrepio, uma sensação nova, um novo prazer. Continuou se tocando, mas, desta vez, sentindo prazer.

Na televisão, sexo oral. Inocentemente, imitava as ações, deslizando os lábios e a língua no cano da arma. A mão que a sustentava forçava-a contra sua boca, roçando e chegando até a ferir sua pele. Sua respiração foi ficando pesada, os movimentos dos dedos foram mudando de ritmo e ganhando força, chegando a penetrar sua vagina. Tanto ela quanto o ator da TV chegavam perto de seus falsos ápices, e seu indicador tremia sobre o gatilho. Deslizava os dedos facilmente com seu líquido, gemia enquanto forçava mais a arma em sua boca e, não mais conseguindo se segurar, gozou e disparou.

O sangue, os fios e os cacos tornaram-se um só, dispersados pelo chão. Surpreendeu-se ao notar que mesmo estando sem vida, a morte corporal trazia-lhe extrema excitação e ansiedade. Os ponteiros do relógio indubitavelmente dariam infinitas voltas e, mesmo depois de cansarem de andar, os gemidos e gritos e xingos continuariam ecoando e se misturando ao seu som, de forma nojenta e repugnante, pois nunca chegariam a um ápice tão verdadeiro quanto o dela.


Categorias: Agenda,Contos |

4 Comments»

  • Thaina Gomes says:

    Thumb up 0 Thumb down 0

    Tô de cara! Nem sei o que dizer, mas eu gostei bastante.
    No inicio o texto parece mesmo algo morto, e aí mais pro final começei a sentir que ganahva vida e no fim BUM! Acabou, foi ótimo sentir isso.

  • lobaempeledeovelha says:

    Thumb up 0 Thumb down 0

    Parabéns Princesa.
    Cada vez mais você surpreende-me com teus escritos maravilhosos.
    Adorei muitíssimo bela Princesa Dos Vales Celestes.

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    Dificilmente vejo um texto erótico que não degenere em mera pornografia literária. Acho que o seu conto conseguiu, parabéns! Bastante excitante e um final lúgubre conduzido com o zelo suficiente para não deixá-lo cair num clichê inócuo.

  • Franz Lima says:

    Thumb up 0 Thumb down 0

    O Antonio fez um correta descrição das sensações que o conto desperta. Há uma atmosfera de abandono intenso, claramente mostrado através da masturbação e do uso solitário da droga. A mulher está em um caminho sem volta, pois quase nada mais lhe traz prazer.
    Aprovei o conto e a forma como ele foi escrito, sem cenas corriqueiras e com um final bem conduzido. O uso do erotismo não pecou pelo excesso.
    Parabéns…

RSS feed for comments on this post.


Leave a Reply

Publicado por Natália

– que publicou 1 textos no ONE.

>> Confira outros textos de Natália

>> Contate o autor

* Se você é o autor deste texto, mas não é você quem aparece aqui... >> Fale com ONE <<

Powered by WordPress. © 2009-2013 J. G. Valério