Musa
Escritor: D’Artagnã Almeida

Ela não o conhecia, mas ele a conhecia muito bem. Ela o inspirava; despertava sua criatividade; era uma epifania. Aos olhos dele, ela era linda. Não era perfeita e, sinceramente, não era nem a mais bonita mas, para ele, perfeita. Bastava que ele a visse pela manhã para que seu dia fosse o mais produtivo do ano até o próximo em que ele a encontrasse. Tamanha platonicidade durou dois anos até que ele teve a brilhante idéia de tentar transformar uma admiração cega e ignorante em uma amizade.
Na primeira chance que teve apresentou-se. Foi simpático, engraçado, não queria espantá-la. Mas, como um enorme cometa que choca-se com um planeta provocando a extinção de toda a vida que nele habita, o conhecimento da realidade o atingiu e a admiração por ela foi aniquilada. Em dez – apenas dez – minutos de conversa, ele percebeu a catástrofe intelectual da garota. A sua maravilhosa musa era tão inteligente quanto uma porta emperrada. Talvez até uma porta emperrada entenda que, quando forçada, ela deve abrir. Já aquela garota, nem com pé-de-cabra. Era uma anta; falava coisas sem nexo e revelava profundo desconhecimento de qualquer assunto mais complexo ou menos complexo. Qualquer coisa que exigisse um Q.I. de dois dígitos era demais para a cabecinha daquele plâncton. Seu mundo ia do primeiro CD do Jonas Brothers ao último livro da “saga” Crepúsculo.
Apenas o arrependimento restou ao nosso amigo. Poderia ter ficado com a musa, porém preferiu a pessoa e se deu mal. Percebeu que a sua ignorância em relação a ela – e não a dela em relação a quase tudo – era extremamente importante naquele tipo de relação. Descobriu que sabedoria também é não saber.
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Legal a discussão. Principalmente sobre a sabedoria ser as vezes não saber.
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=]
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E me lembrou mt um conto meu aki na agenda. ” Do lado de fora, Do lado de dentro”
.
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Acho que vc vai entender o q digo.
muito boa a última frase, e muito real o texto inteiro… acho que todo mundo já se decepcionou assim, e sim, parece muito com o conto do andrey, embora o ‘erro’ da ‘musa’ que o andrey retratou foi apenas não ser perfeita…
essa sua deu foi dó XD
aliais, deu foi raiva XD
É… eu ja tive uma namorada assim… eu até tentei persistir… mas não dá… não dá
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u.u’
tb tive um namorado assim… uma porta de acapú u_u
não conseguíamos conversar por mais de 30 min seguidos, o caos.
Por isso que meu namorado agora é NERD! Dá para conversar por dois meses, parando só para beber água XD
ótimo.eu ri
Meu Deus… Pior que isso realmente acontece!
Muito legal o conto, segue como uma conversa natural entre autor e leitor.
Esse conto tem realmente muito em comum com o conto da Andrey… trocando em miúdos ambos querem dizer a mesma coisa: a idolatria de um garoto a uma menina é despedaçada quando ele se encontra com ela por alguns instantes. A narrativa apresentada expõe a idéia do conto em poucas palavras, mas de forma bem detalhada. Espero por mais contos teus!
Muito bom. Gostei bastante.
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“a cabecinha daquele plâncton. Seu mundo ia do primeiro CD do Jonas Brothers ao último livro da “saga” Crepúsculo”
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Essa parte foi excepcional.
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Espero mais contos seus.
Realidade ae, jogada na cara de todos
xD
é impressão minha ou o autor teve esperiencias assim?
me pareceu bem pessoal o texto
Deve ser só impressão.
Muito bom, parabens!
Daí que é interessante guardar diários! Já reagi quase do mesmo jeito a uma coisa parecida. Já deve fazer uns cinco anos, mas o legal é que, continuando a amizade, percebi que a ignorância era minha, por confundir burrice com simplicidade.
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E ainda somos bons amigos, eu e ela
Venho humildemente saudar teus escritos.
E dizer que compreendo cada palavra tua.
Se quiser marcamos um dia para você participar de um banquete aqui na minha toca.
xD
Já passei por coisas do tipo e ao final de alguns anos, elaborei diversos métodos de aferição de conhecimento de minhas pretendes a qualquer coisa mais séria que uma noite. Perguntas como “Gosta mais de Pessoa ou de Caeiro?” e afins.
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Texto simples e muito bom, inclusive tratando de algo cotidiano de todos os que gostam de literatura (ao menos na minha opinião), que a frustração de não poder compartilhar de nosso ímpeto com todo mundo.
haha, tá c/ mta cara de q realmente aconteceu ^^
haha, tá c/ mta cara de q realmente aconteceu ^^[2]
Excelente! rsrsrs… Acho que esse texto comprou uma briga com muitos(as) fãs por aí hein,… De fato, umm texto real, com a ideia final para refletir. PArabéns!
Relações platônicas estão sempre destinadas a isso. Afinal o platônico se prende ao ilusório, e é isso que faz ele perfeito.
Bem, Parabéns!
Ótimo, eu ri muito.
Por muitas vezes, a ignorância é uma benção, mesmo.
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“Qualquer coisa que exigisse um Q.I. de dois dígitos era demais para a cabecinha daquele plâncton.” – Ri demais.
Ótimo texto.
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Gostei da narracão e do final… as vezes ficar sem conhecer melhor alguém, é a saída mais adequada.
Guns, desculpe usar este espaço para perguntar, porém fiquei sem resposta sobre uma resenha que enviei a você.
Abraços…
Franz.
O tema abordado é bom, pois quase todos passamos por este tipo de problema: a paixão e a projeção de nossos desejos em outra pessoa. A decepção é fruto do desconhecimento, da distância e do temor em abordar a pessoa amada. É o mesmo tipo de decepção (guardadas as devidas proporções) de um fã ao descobrir que seu ícone não é tudo o que pensava, tendo, inclusive, problemas e defeitos como todos nós.
Já li algo muito similar aqui no ONE, mas não me lembro o nome do conto. Será que foi o conto do Andrey?
É aí que tá né, o processo de platonizar uma pessoa é semelhante ao processo de escrever, porque criamos um personagem a partir da imaginação. Mas um ótimo texto! Abrçs.