O Nerd Escritor
Feed RSS do ONE

Feed RSS do ONE

Assine o feed e acompanhe o ONE.

Nerds Escritores

Nerds Escritores

Confira quem publica no ONE.

Quer publicar?

Quer publicar?

Você escreve e não sabe o que fazer? Publique aqui!

Fale com ONE

Fale com ONE

Quer falar algo? Dar dicas e tirar dúvidas, aqui é o lugar.

To Do - ONE

To Do - ONE

Espaço aberto para sugestão de melhorias no ONE.

Contos

Contos

Lista de contos publicados no ONE.

Poesias

Poesias

Lista de poesias publicadas no ONE.

Críticas e Resenhas

Críticas e Resenhas

Opinião sobre alguns livros.

Notícias

Notícias

Veja o que está rolando no mundo literário nerd.

Promoções

Promoções

Aqui você pode ganhar livros e outros prêmios em sua casa.

Sem Assunto

Sem Assunto

Não sabemos muito bem o que fazer com estes artigos.

Anuncie Aqui!

Papo na Estante

Papo na Estante

O nosso podcast de literatura.

Blog do Guns

Blog do Guns

Meus textos não totalmente literários, pra vocês. :)

Nerdoteca

Nerdoteca

Os livros que todo nerd deveria ler.

A Batalha do Apocalipse
Autógrafos

Autógrafos

Em breve! :)

Anuncie Aqui!

Agenda

Agenda

Confira os contos e poemas à serem publicados.

Login

Login

Acesse a área de publicação através deste link.

Fan Page - O Nerd Escritor

Página do ONE no Facebook.

Confere e manda um Like!

@onerdescritor

@onerdescritor

Siga o Twitter do ONE!

Jun
13
2011

O adolescente de trinta e seis anos

Escritor: Israel Duarte

Seu nome era Pedro Favoretto. Seu pai era um conceituado político, sua mãe era uma professora universitária com uma formação invejável. Ele era um rapaz inteligente, rico e até que bonito. Era feliz. Tinha uma bela namorada de dezesseis anos de idade, dois a menos que ele, um carro esporte e uma casa em seu nome. Era um ótimo jogador de futebol, vestia a camisa dez em todos os times que já participara. Mas tudo isso mudou justamente no dia que deveria ser um dos mais felizes de sua vida. Cinco minutos depois de ver seu nome no listão de aprovados no curso de medicina na UF**, fora atropelado por um Chevette preto conduzido por uma mulher bêbada. Ele entrou em coma. A mulher do Chevette não foi presa, morreu alguns minutos depois. A polícia brilhantemente concluiu que ela estava deprimida com as mortes do seu filho e marido que morreram num acidente de carro dois meses atrás e decidiu se entupir de drogas e uísque e sair com o carro pra morrer do mesmo jeito. Pena que ela levou a juventude de um rapaz inocente antes de atirar seu carro de uma ponte.Nos dezoitos anos em que ele passou de olhos fechados muitas coisas aconteceram. Inicialmente seus pais ficaram abalados, mas o seu pai se utilizou do drama familiar para alavancar sua carreira política. Sua mãe não concordava de forma alguma com o que o velho fazia e dia após dia a dia foi tomada pela tristeza. Mas ele continuou com sua jornada e passo a passo chegou a chefe da casa civil. Eles só continuaram casados para afirmar a imagem de pai de família sofredor que o coroa construiu. Mas algo chamou a atenção da justiça: o enriquecimento absurdo do velho. Depois de certo tempo, câmeras e escutas descobriram um esquema de damas de companhia e venda de drogas chefiadas pelo político. E no mesmo dia em que o velho teve que renunciar o cargo, a mãe de Pedro foi encontrada morta em casa vítima de uma overdose de antidepressivos, calmantes e analgésicos. Mas o velho não demorou a falecer, foi encontrado com cinco tiros na cabeça três dias depois. A polícia falou que a mãe realmente suicidou-se e que o seu irmão, o único tio de Pedro, era o principal suspeito no assassinato do ex-chefe da casa civil. Mas nada nunca fora comprovado.

Quando tornou a abrir os olhos, aos 36 anos de idade, foi recebido de volta ao mundo por uma enfermeira assustada, porém sorridente. Mas voltou a dormir e quando tornou a abrir os olhos, foi recepcionado por um médico mal encarado e um homem todo empacotado que se dizia seu advogado. Enquanto o médico fazia exames, enquanto uma multidão de jornalistas foi se formava. Nos dias seguintes a cena se repetiu e o advogado com muita calma foi lhe explicando a situação: seus pais estavam mortos, ele só possuía oito salários mínimos numa poupança, sua namorada casara com o seu professor de matemática e o povo o odiava, pois seu pai conseguira através de muita desonestidade fazer com que todo o seu tratamento fosse pago pelo governo. Ao sair do hospital, procurou seu tio. Não levou muito para perceber que ele era mais um que não estava feliz em vê-lo. Não conseguir entender bem o porquê, mas bolou uma teoria: seu teu matara o seu pai e olhar nos seus olhos o fazia relembrar daquilo. Neste instante, pela primeira vez, percebeu que estava completamente só em um mundo hostil.

Pedro alugou um quarto, comprou roupas e tentou arranjar um trabalho, mas ninguém queria contratar um inimigo público sem nenhum tipo de experiência. E quando o empregador não o conhecia, era complicado explicar o que havia feito nos últimos dezoito anos. Depois de alguns dias o seu tio arrumou-lhe uma vaga de pintor de carros. Durante duas semanas Pedro trabalhou, tentou levar uma vida, mas falhou. As pessoas fugiam dele, o mundo era outro, se sentia um alienígena sem nave que o pudesse lhe levar de volta pra casa. A sua tristeza e o seu ódio foram diminuindo, quase que por completo, deixando em seu lugar algo muito pior: um vazio indescritível. Pedro tentou preencher esse vazio com o que pode encontrar: bebidas, drogas e carinho de garotas da vida. Mas ele era inteligente e não demorou a perceber que se tornara um viciado que pagava para prostitutas o fazer companhia.

Quando o seu curto dinheiro estava chegando ao fim, Pedro pegou uma foto de seus pais, ajoelhou-se no centro do cubículo que morava e pela primeira vez em sua vida rezou. Colocou sua melhor roupa, ligou para o seu fornecedor de drogas e pediu-lhe algo. Recebeu este algo embrulhado no jornal, pagou e dirigiu-se para o estacionamento que ficava atrás da sua “casa”, onde Pedro quebrou a janela de um carro velho e fez algo que havia aprendido na oficina, a tão famosa ligação direta. Calmamente Pedro dirigiu por todos os lugares que marcaram sua vida: a escola onde estudara, a pracinha na qual deu o seu primeiro beijo, o apartamento onde seu pais moravam, o estádio de futebol do seu time de coração e, por fim, o Shopping Center onde costumava passar suas tardes quando adolescente – o que em sua cabeça era apenas alguns meses atrás-.

Pedro estacionou o carro, enrolou o pacote em uma camisa que estava no banco de trás, deu “boa tarde” ao segurança e calmamente caminhou shopping adentro. Ficou parado no meio daquela multidão na esperança de não se sentir só, mas depois de uns segundos entendeu que nem a maior multidão do mundo poderia diminuir a sua solidão. Nem mesmo os encontrões que recebia eram capazes de tocar-lhe. Ele estava só… E aquele não era seu lugar. Lembrou-se do rosto da mulher do Chevette, sentia a sua dor, percebeu que era a mesma que ele sentia e então a perdoou. Sentou-se no primeiro banco que viu, jogou a camisa que enrolava o pacote no lixo e com a maior calma que já havia sentido em sua mísera vida desembrulhou aquele jornal velho trazendo a luz do dia um velho revolver 0.38. A multidão ao seu redor imediatamente fez silêncio. Ele conferiu o tambor do revolver, seis balas, e quando levantou o olhar viu todas aquelas pessoas sem reação. Ele riu, disparou a sua arma cinco vezes contra a multidão e uma contra a sua fonte.

Os jornais o chamaram de monstro, milhares de maldições lhe foram lançadas em seu próprio enterro. Apenas o seu tio chorou por sua morte. Ao investigar seu quartinho, a polícia encontrou drogas, garrafas vazias e uma carta destinada a sua ex-namorada. Falam que ela nunca mais foi a mesma pessoa depois de ler aquela carta. Meses depois do ocorrido, a polícia obrigou todos os shoppings da cidade à utilizarem um detector de metais em suas entradas .


Categorias: Agenda,Contos |

5 Comments»

  • João Cunha says:

    Thumb up 0 Thumb down 0

    Eu gostei. É um tanto cru, principalmente no inicio, o que me lembrou do começo de Matadouro 5, não sei se sua ideia foi a mesma do Vonnegut no livro, mas deu para levar.

    • Thumb up 0 Thumb down 0

      Boa, João.
      -
      vou te contar como foi que surgiu esse texto. eu estava pensando em criar um texto com um roteiro bem absurdo, mas que eu pudesse conta-lo de uma forma realista. pensei em viagem no tempo, traduzi para um coma.
      depois pensei em como botar a vida de alguém de pernas pro ar. percebi que o jeito mais fácil de detonar a cabeça de alguém é tirar dele tudo que têm. O carro, as drogas e as outras besteiras vieram depois.
      -
      resumindo: essa é uma tradução minha de uma viagem no tempo. sem a minha marca registrada (o humor), mas ainda assim algo não tão absurdo ou sobrenatural ao ponto de fugir do meu estilo. Foi um bom laboratório
      -
      Valeu pela leitura, João.

  • Samila says:

    Thumb up 0 Thumb down 0

    Eu nem achei tão absurdo asim XD
    gostei de ver essa faceta do Israel

RSS feed for comments on this post.


Leave a Reply

Publicado por Israel Duarte

– que publicou 22 textos no ONE.

Estudante de eng. da computação, goleiro de futsal, romântico, donzelo por natureza e bêbado nas horas vagas.

>> Confira outros textos de Israel Duarte

>> Contate o autor

* Se você é o autor deste texto, mas não é você quem aparece aqui... >> Fale com ONE <<

Powered by WordPress. © 2009-2013 J. G. Valério