O Bêbado e a Prostituta
Escritor: Gabriel Ruas
Ele acordou de sobressalto. Seu coração batia rápido, sua pele vertia suor, seus pulmões buscavam ar como se o pesadelo tivesse lhe privado do oxigênio necessário para viver. E de certa forma tinha. Tinha sempre o mesmo pesadelo, e sempre se sentia como se toda a vida fosse sugada de seu ser quando aqueles olhos negros e sombrios fitavam os seus. Sua voz perdia toda a força, e seus membros pareciam pesados demais para mover, então lhe restava apenas ficar ali, parado, sentindo o terror invadir seu corpo até que a dor chegasse no ápice, e então ele acordasse.
Durante alguns segundos, permaneceu imóvel sentado na cama, retomando o fôlego e desacelerando seus batimentos cardíacos. Já estava acostumado aquilo, e a rotina era sempre a mesma. Checou o horário. 11:47 PM. Fazia pouco mais de duas horas que ele deitara. Levou a mão à cabeça, massageando a têmpora direita. A enxaqueca começara três horas antes, quando chegara do trabalho. Como usual, apenas tomou banho, comeu algo e tomou um drink, depois se despiu e foi dormir.
Checou o relógio da cabeceira novamente, depois levantou.
(Você sabe o que quer. Sabe o que precisa. Não nos negue isso. Alimente-se. Alimente-nos.)
Foi até a cozinha, abriu a geladeira e retirou o copo d’água. O frio cuspido pelo refrigerador fez seus pêlos do braço eriçar, e a luz interna do eletrodoméstico iluminou seu tórax e abdome, dando ênfase a cicatriz que cortava toda a parte direita do tronco, começando no ombro e terminando no abdome, quase na cintura. Era uma cicatriz de criança, e por isso a pele tinha se regenerado quase que perfeitamente, mas mesmo o pequeno risco que lhe cortava o tronco assustava um pouco, passando a impressão que ele fora atacado por algum animal selvagem muito grande. E de certa forma isso realmente acontecera.
Quando terminou de tomar água, deixou o copo no balcão e foi para o banheiro tomar uma ducha. Saiu de lá 7 minutos depois, com o corpo inteiro exposto ao clima rigoroso daquela noite de nevasca. Seu corpo já estava acostumado com o frio, por isso ele quase nunca tremia ou reclamava de falta de blusa. Também dormia sempre apenas de cueca, como fazia naquela noite.
Ao passar pela porta do banheiro para o quarto, acendeu a luz deste último, e não pôde deixar de notar o cacho de cabelos vermelhos presos num pedaço de fita adesiva transparente, colados na parte superior direita de seu espelho, que ficava do outro lado do cômodo em relação ao lugar que estava agora. Mesmo tentando desviar o olhar, é impossível não ver a mecha ruiva, cuja coloração lembra a dos seus próprios cabelos. Os olhos verdes brilharam, talvez um reflexo da luz, e o seu momento de paralisia passou.
Em poucos minutos ele terminou de se secar e se vestir. Trajava uma calça social, camisa vermelha com gravata preta, casaco leve preto e por cima um sobretudo preto desabotoado. Antes de sair, buscou sua carteira e as chaves na cômoda, guardando-as num bolso do sobretudo. Ainda pegou mais um objeto metálico, de cerca de 15 cm, o qual guardou em outro bolso no sobretudo, e então saiu do apartamento.
Do lado de fora, a neve caia rigorosamente, e um vento cortante afugentava qualquer um que se atrevesse a por os pés para fora de casa. Ele, no entanto, parecia não se importar com a neve que caia delicadamente sob seu rosto e roupas. O ruído fantasmagórico do vento se confundia com as sirenes de carros de polícia ao longe e com os latidos dos vira-latas que também sofriam com o clima de neve.
O ruivo andava a passos lentos, ouvindo o barulho de cada pisada, que compactava a neve e fazia aquele som característico e extremamente agradável. A vista, no entanto, não era tão agradável. Não longe de seu prédio, que ficava numa região um pouco melhor da cidade, fazendo divisa com um bairro de classe mais baixa, era possível avistar vários bêbados e mendigos jogados pelos cantos, acompanhados de cachorros pulguentos e garrafas vazias de bebida barata. Eles fediam, e o seu odor era transportado às narinas do ruivo através do vento cortante. Ele, por sua vez, irredutível, fingia não se importar com o fedor e continuava sua caminhada a esmo.
Ele andou por cerca de vinte minutos, até encontrar um barzinho numa rua comercial pouco movimentada – talvez por ficar na região de nível econômico-social mais baixo da cidade. Algumas árvores de galhos secos cobriam a fachada do bar, mas ele podia ler claramente o nome “Búfalo Vermelho” na porta. O som que vinha de lá de dentro era típico dos bêbados alegres que saiam do serviço e ficavam nos bares até de madrugada, em busca de confusão e diversão, e aquele era um dos outros sons que desagradavam os ouvidos do ruivo.
Ninguém lá dentro sequer se importou com a entrada dele, o que era bom. Estavam todos bêbados demais e muito absortos em fazer suas próprias idiotices para ligar para a idiotice dos outros. Ele entrou, bateu no sobretudo para tirar a neve acumulada, e andou até o balcão, sentando-se numa dessas cadeiras altas sem recosto para as costas. O barman logo veio atender seu pedido.
- O que vai querer, xará? – perguntou com sua voz seca e rude.
(Sangue. Ele vai querer sangue.)
- Vodka com limão e dois cubos de gelo. – respondeu mecanicamente o ruivo.
O barman serviu-o rapidamente e voltou às suas funções usuais. O ruivo o observou enquanto ele se afastava, e então passou a analisar as pessoas daquele bar decadente.
As pessoas daquela cidade fétida sempre lhe pareciam com lixo orgânico putrefato, mas nas noites de nevasca o odor tornava-se pior. A umidade trazia à tona o terrível cheiro humano, um buquê de ignorância, cobiça e egoísmo, com toques de violência e um pouco de luxúria. Seres desprezíveis, os humanos. Aglomeravam-se para viver em suposta sociedade, mas tudo o que faziam era para se sentir superiores aos outros, que chamavam de seus iguais. Com certeza todos os seres humanos eram iguais em algumas coisas: eram igualmente estúpidos e gananciosos, bem como eram todos nojentos e dispensáveis.
O bar onde estava agora era um exemplo perfeito da decadência daqueles seres. Com uma breve olhada, ele viu um grupo de bêbados desmaiados, próximos da porta do estabelecimento, alguns jovens que riam e gritavam, alucinados pela bebida e algo mais, casais que discutiam sua relação e algumas prostitutas que procuravam por clientes. Uma delas, quando avistou o ruivo, ameaçou se aproximar, mas o olhar gelado do ruivo a imobilizou.
Lá no fim, os bêbados desmaiados tinham suas roupas rasgadas e banhadas de bebida e vômito, os cabelos desgrenhados e oleosos, e as barbas meio amareladas pelo cigarro. Já haviam sido roubados pelo dono do bar, e dois homens musculosos, provavelmente contratados dali, os arrastavam pelo colarinho, porta a fora.
Os jovens riam em sua mesa dupla. Eram três mulheres e cinco rapazes, todos aparentando ter entre 23 e 29 anos. Vestiam roupas casuais, mas mesmo assim mais caras do que as que os habitantes daquela região usavam geralmente. Estavam todos completamente bêbados, com exceção de uma loira belíssima, que sentava um pouco mais afastada do grupo. Seu olhar cruzou o do ruivo, mas depois desviou. Ele continuou a analisar o grupo, que parecia estar cheirando cocaína na mesa de madeira. Ele não os vira de fato cheirando o pó, mas notou que fungavam bastante, estavam meio elétricos e alguns tinham as narinas sujas com o pó.
Quando o barman repôs o líquido em seu copo, ele tomou-o de um gole só e se levantou. Ficou parado por um instante, caçando um banheiro, e, quando o encontrou, passou a caminhar em sua direção.
Era um lugar fétido como todo o ambiente. O cheiro de álcool e de urina era forte. A iluminação era fraca, mas não o bastante para que ele não notasse as paredes de azulejo sujas de vômito seco e sangue coagulado, dando ao local um aspecto mais sombrio e indigno. Havia três baias com vasos sanitários e duas pias. O espelho estava rachado em algumas partes, e em outras nem sequer existia. A porta de uma das baias também não, e a da baia vizinha estava quebrada pela metade.
Quando entrou na última baia, a mais razoável, sua visão foi tomada por várias pichações feitas de caneta. Pensou em urinar, mas a podridão do lugar lhe fez perder a vontade. Mesmo assim lavou as mãos e as secou com papel-toalha, saindo dali com nova expressão de desgosto.
No caminho de volta para o balcão, percebeu um casal escondido num canto escuro do bar. O homem estava bêbado, como era de se esperar, e a mulher vestia tão pouca roupa que era difícil acreditar que não tremia de frio. Seu rosto permanecia intacto, mas o corpo era marcado por algumas cicatrizes leves e vários vergões. Os cabelos loiros estavam maltratados e sujos, e ela em si não conseguia manter outra expressão além de tédio.
O bêbado tinha a cabeça apoiada no ombro dela, e lhe sussurrava algo no ouvido enquanto uma mão corria aos seios da moça. Ela, por sua vez, lhe acariciava o sexo por cima da calça, e também falava algo aos sussurros, perto do ouvido dele. O ruivo, que por um instante desacelerara o passo para entender o que se passava, agora voltou ao balcão e continuou sentado, seu olhar atento aos movimentos dos dois.
(Vamos lá. Pode ser aqui mesmo. Não nos deixe com fome. Não negue sua vontade. Alimente-os.)
O barman trocou o copo por um outro, também com dois cubos de gelo e uma rodela de limão, a vodka terminando o drink. Ele sentiu um aroma de álcool, que limpou as suas narinas e por um instante aliviou o odor de gente, e então tomou toda a bebida. Largou uma nota de cinqüenta no balcão e saiu do bar a passos calmos.
Novamente o seu corpo encontrou o choque térmico entre seu calor corporal e o frio de menos -10 °C da nevasca. Enquanto andava, ouviu uma risada alta, e avistou novamente a loira, agora coberta por uma blusa pesada, andando ao lado do bêbado. Ele apertava sua nádega direita, e ela retribuía rebolando. Era uma prostituta, e caminhava para uma pensão próxima onde geralmente ocorriam esses tipos de encontros.
O cheiro de podridão invadiu as narinas do ruivo com mais força agora. Ele passava por um beco onde um homem bêbado era atacado por um grupo de mendigos. Ele tentava se defender, e conseguiu derrubar um mendigo, que caiu de cabeça no chão e começou a sangrar. Os outros pareceram não ligar para seu colega ferido, e continuavam tentando extorquir do alcoolizado tudo que ele tinha, inclusive suas roupas. O ruivo se reteve, observando a cena bizarra por alguns instantes, mas nada vez para ajudar os mendigos ou salvar o bêbado. Quando eles deixaram o bêbado completamente nu, jogaram-no num canto, perto de uma lata de lixo, e este continuou lá, tremendo de frio, sangrando.
(Lixo. Só tem lixo por aqui. Acabe com ele. Vamos lá.)
As vozes em sua cabeça atordoaram o ruivo, e sua visão foi ficando embaçada. Ele cambaleou por um segundo, mas depois conseguiu se manter de pé novamente, recomeçando a caminhada. Tinha que fazer aquilo, e tinha que fazê-lo logo. Só assim deteria a dor de cabeça.
A calçada que atravessava estava apinhada de ratos e baratas mortas, seu líquido vital manchando a neve, que agora estava misturada com a sujeira da rua. Alguns insetos mais resistentes ao frio tentavam se alimentar dos outros seres mortos, mas eram poucos. A luz de um dos postes piscava, e um ou outro tinham as lâmpadas quebradas.
De algumas chaminés brotava uma fumaça quente, vinda das lareiras que aqueciam as casas, mas poucas eram as pessoas daquela região que gozavam da situação financeira necessária para comprar lenha. A maioria do povo permanecia em casa, enrolados em seus cobertos, imóveis. Esse era o provável motivo do silêncio daquela parte, cortado raramente pelo barulho da sirene de uma ambulância ou carro de polícia. As ruas em si estavam desertas, a não ser pelos ratos e insetos, e algumas árvores cujos galhos estavam desnudos, sem qualquer flor ou folha para proteger do tempo rigoroso.
Ele parou de andar finalmente. Estava agora na frente da pensão mais próxima do bar. Era um prédio bem acabado, de três andares. As janelas da frente eram tapadas por cortinas vermelhas de tecido grosso. “Bem apropriado”, ele pensou.
Aproximou-se da porta, e viu o bêbado e a prostituta discutindo com a dona da pensão o valor a ser pago pela diária. Entrou calmamente enquanto os outros dois subiam as escadas, e viu o número do quarto na plaquinha da chave: 23. Andou para o balcão devagar, enquanto desabotoava o sobretudo úmido de neve.
- Não temos mais quartos de solteiro. – resmungou a velha, sem tirar os olhos da sua TV portátil. – Só casal.
- Não tem importância. – ele respondeu, e um sorriso largo se esboçou, enquanto tirava da carteira duas notas de cem. – Ficarei apenas por esta noite.
A velha não mais respondeu. Pegou as notas e verificou sua autenticidade, depois as guardou no bolso e buscou uma chave atrás de si, onde ficavam expostas todas chaves de quartos em três fileiras de 8 chaves. Eles estavam no terceiro andar.
- Quarto 17. – disse a velha, entregando-lhe a chave com a plaqueta com número 17.
E ele também.
Quando olhou no relógio de cabeceira, já passava das 3 da manhã. Todos já tinham ido dormir, e a pensão inteira estava às escuras. O ruivo era, provavelmente, a única pessoa acordada ali.
(É agora. Finalmente. Mortemortemorte. Vamos lá. Sangue. Vamos.)
Ele deixou as chaves, a carteira e o outro objeto na mesinha de cabeceira, e começou a se despir. Primeiro a blusa fina, pendurando-a ao lado do sobretudo, depois a gravata preta, a camisa social vermelha, a calça social preta, os sapatos, as meias. Tudo dobrado em cima da cama. Foi até o banheiro, e lá ficou observando, no espelho sujo, sua expressão vazia. Os cabelos vermelhos caíam sobre o rosto, um pouco úmidos por causa da neve, mas agora já bem mais secos do que quando chegara.
De volta no quarto, ele terminou de tirar as roupas, ficando completamente nu, e andou até a mesinha de cabeceira. Tomou o objeto metálico nas mãos, e puxou uma parte para fora, revelando o que era uma navalha de barbeiro quadrada, com certa de 14 centímetros de lâmina. Seus adereços eram feitos de prata e bronze, mas não podiam ser vistos na escuridão do quarto, cuja única fonte de luz agora era o abajur ao lado da cama.
Ele abriu a porta e caminhou lentamente pelos corredores de piso frio. Passou por um quarto de porta entreaberta, de número 18, e continuou andando até o final do corredor. Do mesmo lado onde ficava o seu quarto, estava o quarto de número 23. Aproximou-se e girou a maçaneta sem esforço. A porta estava destrancada, bem como imaginara.
Lá dentro, a escuridão era total, a não ser por um pequeno feixe de luz que vinha da porta fechada do banheiro. Os olhos do ruivo se acostumaram facilmente à escuridão, e ele pode distinguir o corpo do bêbado esparramado na cama. Continuou andando até a porta do banheiro, e lá entrou silenciosamente. O cômodo estava completamente tomado pelo vapor d’água, de forma que era difícil distinguir a imagem da prostituta que se banhava. O coração dele estava em disparada quando se aproximou dela pelas costas.
Sua mão direita segurava a navalha apontada para o chão, e continuou dessa forma quando ele entrou no banho quente dela, abraçando-a por trás e envolvendo o braço esquerdo no pescoço dela.
- Pronto pra outra já? – ela riu, a falsidade quase imperceptível em sua voz. – Sabe que vai custar mais se quiser me foder de novo.
Ele não respondeu, mas seu membro respondeu por ele, endurecendo e roçando na parte interna da coxa dela, causando-lhe um arrepio.
- Parece que cresceu aqui… – ela riu. Sua mão corria pela genitália dele. – Talvez, se demorar mais dessa vez, eu te dê um desconto. – riu novamente.
O braço continuou enlaçando o pescoço dela, que nem sequer tentava fugir. Realmente pensava que fosse o bêbado, e talvez esse tenha sido o motivo pelo qual correu as duas mãos para o órgão sexual do ruivo.
(SIM! AGORA! MATEMATEMATE. MATE! SANGUE!)
A mão direita desceu rápida até a coxa esquerda dela, e a navalha começou a dividir a pele e a carne, correndo por toda a coxa interna, subindo pelo púbis e parando na linha da cintura. O sangramento foi imediato, e o grito dela fora abafado pelo braço esquerdo do ruivo, que lhe enforcava. Em poucos minutos ela desfalecera pela perda de sangue, mas mesmo assim o ruivo continuava mantendo-a de pé.
Quando ela desmaiou, seu braço direito se moveu para o alto, na parte de trás da nuca, e cortou um cacho de cabelo loiro, que foi segurado junto com a navalha. Ele deitou-a no chão, segurou o cacho loiro com a outra mão e molhou-o no líquido escarlate, transformando-o numa espécie de ruivo. Ele enrolou o cacho ainda úmido num pedaço de papel-toalha, e saiu do quarto em silêncio.
O dia ainda está nascendo quando ele termina de se lavar e trocar. Veste todas as roupas de novo e guarda seus pertences, junto com o embrulho de papel toalha, antes de sair do quarto. A nevasca parou, e o gelo começa a derreter lentamente nas ruas. O cheiro de podridão fora embora, e as vozes também. Ele podia finalmente pensar em paz, por sabe-se lá quanto mais tempo.
No caminho de casa, ficou pensando na loira com seus amigos no bar, e decidiu voltar lá numa outra noite, para talvez encontrá-la novamente. Quando já estava seis quarteirões além da pensão, ouviu sirenes, e viu três carros de polícia passando com toda a velocidade naquela direção. Alguns dias depois os noticiários contariam como um bêbado assassinou brutalmente uma “mulher da vida”, e depois voltou a dormir enquanto o cadáver descansava no banheiro da pensão.
Ao chegar em seu apartamento, guardou a lâmina de volta no gavetão e foi tomar um café. Voltou para o quarto com a caneca na mão, e foi até a cabideira onde estava seu sobretudo. Procurou pelo embrulho de papel toalha, tirando-o de onde estava guardado, e andando até o espelho. Desgrudou o cacho vermelho que lá estava, e colou o novo cacho com nova fita adesiva transparente. Guardou o antigo numa caixa dentro de seu gavetão, onde também estava a lâmina de barbeiro e alguns outros cachos presos com fita adesiva. Finalmente se afastou e deitou na cama.
Estava feito, finalmente. Ele podia dormir em paz.
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“Ele abriu a porta e caminhou lentamente pelos corredores de piso frio. Passou por um quarto de porta entreaberta, de número 18, e continuou andando até o final do corredor. Do mesmo lado onde ficava o seu quarto, estava o quarto de número 23.” Eu começei a gostar da estória nessa parte, o que chamou bem a minha atenção foi daí pro final ^^.