Vagar pelas Ruas
Escritor: Ronie Seixas
Vagar pelas ruas sem rumo, tem sido minha única opção nos últimos tempos. Tenho conhecido lugares dos quais nunca imaginei que existiriam, vejo o cotidiano de muitas pessoas, vejo carros nos sinais, trabalhadores de rua, pessoas discutindo, crianças brincando, donas de casa estendendo suas roupas no varal, mas, desde aquele dia, tudo parece estar muito vazio ao meu redor…
Sinto-me como se eu não existisse, como se ninguém pudesse me ver, não que eu queira ser notado, mas as pessoas passam por mim nas ruas, e não me veem, me sinto tão isolado quanto um cachorro sarnento em meios às ruas de uma metrópole.
Em um momento do dia eu paro e observo a saída dos alunos de uma escola: Assim que o sino bate, todos saem correndo, como se tivessem sido libertados de uma servidão eterna, e pudessem viver uma nova vida, eles correm e se empurram, mas sempre focados em encontrar seus pais em meio à multidão na porta da escola, e em seguida contar-lhes as novidades enquanto vão tomar um sorvete ou almoçar em algum restaurante da cidade. O mais angustiante dessa linda cena, é que em nenhum momento sequer, alguém percebeu que eu estava ali, observando a felicidade de todos ao encontrarem seus familiares, apenas um cachorro olhava para mim, como se fosse o único que pudesse me ver ele deu alguns latidos como que se fosse para chamar minha atenção, mas quando olho para ele, ele me encara por alguns segundos se vira e sai, me deixando de novo no completo abandono. Passados alguns minutos, tudo volta ao normal, a rua fica deserta, já não há mais crianças nem cachorros nem ninguém em frente à escola, a não ser eu, e os carros que passam apressados pela rua. Eu caminho mais um pouco lentamente, pois não tenho pressa para chegar a lugar nenhum, e logo me deparo com uma sorveteria, outro lugar muito alegre, as pessoas se deliciando com lindos sorvetes, coloridos e imensos. Eu fico um pouco olhando a cena e me vem por impulso uma vontade louca de pedir um sorvete, de voltar a me lembrar de como era bom o gosto de um, mas logo me vem à tona a dura realidade de que não tenho dinheiro e também como sei que o sorveteiro como todas as outras pessoas não irá me notar, eu resolvo fazer o que tenho feito de melhor, em meio às lágrimas, viro as costas para a sorveteria e continuo andando, vou andando sem rumo, na inútil esperança de encontrar algo que me faça parar essa caminhada sem destino, mesmo sabendo no fundo do meu íntimo, que não resta nenhuma esperança mesmo para mim.
A maior dor que sinto não é a de não comer nada há tempos, mas sim a de não ter com quem falar, essa vida solitária tem me perturbado, a cada dia que se passa eu espero em vão encontrar alguém com quem vou poder conversar, mas sei que é uma esperança vã e inútil.
Após toda essa melancolia, algumas imagens me veem à cabeça, e me lembro do dia em que não quero me lembrar, o terrível dia 13 de Setembro, em que dirigia meu conversível em uma estrada deserta, voltando de madrugada de uma festa sozinho, sob efeito de drogas ou álcool, não me lembro exatamente, e não percebi a curva na estrada e o ultimo flash que tenho na memória daquela cena me remete à pedreira cada vez mais próxima de mim, e a única atitude que consegui tomar naquela hora foi a de observar, como um condenado observa o seu executor acionando a cadeira elétrica ou liberando o gás letal, como um simples observador admirei a cena: a batida, os barulhos dos meus ossos se juntando à ferragem do carro, o meu sangue se misturando ao óleo que se derramava na estrada, e enfim a explosão.
E então, a partir daquele dia, sinto como se não houvesse mais nenhuma esperança para mim, a não ser vagar pelas ruas sem rumo.
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Achei um tanto previsível, e faltou profundidade para pegar o sentimento do personagem.
A fala do personagem também ficou repetitiva.
Acho que poderia ter usado tudo isso pra deixar o texto melhor, a previsibilidade, e a repetição, mas fica só vazio.
Apesar de toda minha crítica, eu não achei o texto ruim, eu só acho que ele passa, e não fica.
Simplesmente não consegui me importar com o que aconteceu ao personagem.
Obrigado pelo comentário!
Com certeza eu também concordo que preciso melhorar e muito minha escrita, gostei da sua sinceridade e vou lembrar de seus conselhos em minhas próximas histórias, e fica feliz por ao menos dizer que não achou o texto ruim, já é um bom começo…
Uma descrição interessante de um fantasma, sem dúvida. A ausência de sensações, ainda que cercado por tudo e todos deve provocar uma dor enorme, um vazio sem igual.
A crítica acima sugere correções e um melhor desenvolvimento da trama e das narrações: concordo plenamente.
O conto pode render muito mais, desde que devidamente revisto.
Abraços.
Obrigado pelo comentário!!
Você pegou exatamente o sentido do texto, desde o princípio pensei no personagem como um fantasma, e não um espírito, um fantasma que sabe que está morto mas não aceita o fato. Eu concordo que a escrita ficou vazia, mas não sei se pretendo refazê-lo, acredito que irei levar as críticas comigo para uma nova história, mas muito obrigado pela opinião e fico feliz que tenha gostado da ideia.