Cinzas e sombras
Escritor: Augusto Arcano
Em uma terra sem condições de plantio, pois as terras sãos só pó e cinzas, a mãe olha pra sua cria sem esperanças de que sobreviva. Ela reza a prece dos condenados, para que essa criança não sofra com o corte afiado da foice da morte. Ela desperdiça a água do seu corpo derramando lágrimas sobre esse corpo frágil e esquelético.
As sombras chegam sobre o casebre de lama e galhos. Invade o lugar açoitando friamente os corpos sem resistência, faz florescer um certo pavor na mente dos miseráveis e lhes rouba o último pedaço de pão daquele mês. Olha com desdém praquele ser, parecendo deformado, embrulhado em panos encardidos, fedendo a leite azedo, que nem forças para um último suspiro tem e fica enojada só em pensar tocá-lo.
Agarra sua amiga inseparável, a foice, e em um único golpe lhe dilacera a alma. Levando assim o fruto daquele estupro a ser esquecido no coração partido da mãe.
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Eu costumava chamar esse tipo de texto meu de poema.
Proza poética, me gusta.
Muito bom, rapaz, adorei! Uma maneira muito interessante e lírica de narrar
Boa mas triste história amigo… me lembrou Vidas Secas do Graciliano Ranmos…bjuuss
Sou suspeita .. seus textos tem uma escrita intensa, desperta sensações diferenciadas:as vezes me deixa chocada, arrepiada, excitada, amedronta … Faz lembrar varios autores, mais como vc mesmo diz … “Sou feito de retalhos de outras pessoas e da inconsequente mania de pensar.” ..