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Jul
22
2011

Cinzas e sombras

Escritor: Augusto Arcano

Em uma terra sem condições de plantio, pois as terras sãos só pó e cinzas, a mãe olha pra sua cria sem esperanças de que sobreviva. Ela reza a prece dos condenados, para que essa criança não sofra com o corte afiado da foice da morte. Ela desperdiça a água do seu corpo derramando lágrimas sobre esse corpo frágil e esquelético.

As sombras chegam sobre o casebre de lama e galhos. Invade o lugar açoitando friamente os corpos sem resistência, faz florescer um certo pavor na mente dos miseráveis e lhes rouba o último pedaço de pão daquele mês. Olha com desdém praquele ser, parecendo deformado, embrulhado em panos encardidos, fedendo a leite azedo, que nem forças para um último suspiro tem e fica enojada só em pensar tocá-lo.

Agarra sua amiga inseparável, a foice, e em um único golpe lhe dilacera a alma. Levando assim o fruto daquele estupro a ser esquecido no coração partido da mãe.


Written by Juliano Rossin in: Agenda,Augusto Arcano,Contos | Tags: , ,

4 Comments»

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    Eu costumava chamar esse tipo de texto meu de poema.

  • Samila says:

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    Proza poética, me gusta.
    Muito bom, rapaz, adorei! Uma maneira muito interessante e lírica de narrar

  • Line Velo says:

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    Boa mas triste história amigo… me lembrou Vidas Secas do Graciliano Ranmos…bjuuss

  • Juliane says:

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    Sou suspeita .. seus textos tem uma escrita intensa, desperta sensações diferenciadas:as vezes me deixa chocada, arrepiada, excitada, amedronta … Faz lembrar varios autores, mais como vc mesmo diz … “Sou feito de retalhos de outras pessoas e da inconsequente mania de pensar.” ..

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