Desencantada
Autora: Alana Duarte
Ei, menina de olhos cinzas!
De longas vestes!
De longas asas!
De traços fortes!
Voa longe em sonho,
Como voa alto no azul de um céu quase infinito,
“Já tenho um trono, para que usarei a beleza que tenho?”
Dali ela cresceu como um verdadeiro estalar de olhos,
Casou-se.
Destruíram seus olhos cinzas.
Destruíram suas vestes.
Destruíram suas asas.
Destruíram seus traços fortes.
Acabou o puro, acabou dali o belo.
Você não reconheceria aquela menina,
Mataram-na.
Ali se encontrava a dor.
A menina jazia morta, a dor sabe o que quer: Morte.
Achega-se uma luz: era o amor.
Ele trouxe á bela mulher o que ela perdeu com a morte de sua menina,
As torres do castelo não eram suficientes,
Os olhos metálicos voltaram a ser daquele cinza, quase inocente.
Agora, sua altura incorporava suas vestes que não importavam,
No lugar das asas, ficou o amor incandescente.
Traços, seus traços… Um belo sorriso os tomava.
O que a corrompeu, descobriu, e como garras iminentes…
Ei, menina! Ei, menina!
Ela se foi.
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Lembrou-me bastante o que ocorreu com a menina que virou a capa mais famosa da National Geographic. O tempo e as agruras da vida a modificaram interna e externamente, quase impossibilitando seu reconhecimento, tais foram os sofrimentos…
A dor matando e o amor reconstruindo deram um tom muito bom ao texto. Levou-me a meditar e, por isso, merece o elogio: parabéns.