Escuridão
Escritor: Fábio Rocha
Algumas pessoas querem abusar de você; outras querem ser abusadas por você. Todos buscam um sonho, sendo viajando em pensamentos obscuros ou olhando pela janela enquanto a chuva cai lá fora e embaça o vidro da janela. A caixa de música gira sobre a mesinha de cabeceira ao lado da cama, e você ai, sentada com os joelhos exprimidos contra o rosto, deixa as lágrimas escorrerem pela face rosada de criança. Os longos fios de cabelos loiros, que mais parecem ser produtos de magia, entrelaçam entrem si num nó perfeito. A porta está fechada, pois o mundo lá fora é só escuridão. Nada existe para olhar! Nada existe para olhar! Do lado de fora não há pessoa na terra para lhe consolar; só uma espessa névoa que carrega a solidão entre si. Oriundos vagam pelas ruas, inconscientes e sem destino em mente. Eles nem ao menos sabem onde vão estar no dia de amanhã!
A sua única companhia é o urso de pelúcia deitado ao seu lado. Tu olhas para ele, mas não recebes resposta alguma. Responda! Preciso de você! Você está sozinha, não há ninguém para lhe fazer companhia, e você sabe muito bem disso, não sabe? Claro que sabe…
A chuva não para de cair, e o mundo não é mais o mesmo… Chove durante dias e você não ouve nenhuma voz, a não ser a sua própria, mas que não passa de lamentos infantis… Seu único amigo é um pedaço de pano com olhos de vidro. Muito melhor que nada, diz você. Contudo, você não sabe o que é o nada!
Os dias duram eternidades e a chuva banha a terra incessantemente. Como gostaria de viajar pelos sete mares. Ao menos não estaria sentada nesta cama desconfortável olhando para os próprios pés.
Algumas pessoas querem te usar; outras querem ser usadas por você… Doces sonhos são feitos disso. Quem sou eu para discordar? Como gostaria de controlar a própria mente. Viajar mundo afora sem mover um músculo. Mas o que há lá fora para ser explorado? Sei que através da minha janela embasada e da porta do meu quarto tudo está envolto por escuridão. Qual a vantagem então de me levantar da cama e me aventurar por ai afora, se posso encontrar tudo isso aqui mesmo, entre quatro paredes. Ao menos aqui eu tenho companhia.
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