Inspiração?
Escritor: Matheus A. Francisco

Faz um ano que a inspiração fugiu de mim, abandonou-me à míngua, a mim, que vivo de minha escrita. Nesse ano não fui capaz de escrever uma linha criativa, um escritor que se tornara analfabeto.
Vejo a folha em branco.
E ela continua em branco,
Espero ter algo com que preenchê-la
Mas nada surge.
Ó inspiração, onde se esconde?
Aonde procurar-lhe?
Subi ao telhado de minha casa a fim de olhar para as estrelas e a lua. Levei também um caderno, uma caneta, além do rádio, que liguei, deixando belas músicas pairando no ar, se estendendo pela silenciosa escuridão da noite.
As estrelas pareciam querer falar comigo. Sempre que as olhava me sentia atraído por elas, era como se eu pudesse pular e as tocar. Sentia-me calmo internamente, até mesmo feliz, imerso nas melodias emitidas pelo rádio. Ainda assim, porém, a folha continuava em branco.
A lua erguia-se imponente no céu, banhando-me com sua luz, parecia dizer que era maior e melhor que eu. Como se fosse inútil contemplá-la, pois nunca a teria, e talvez nunca e desbravaria. Quisera eu, no passado, ser astronauta.
Eu sempre fui um homem enraizado no mundo, nunca gostei de nada sobrenatural, por isso escrevo ficção cientifica “hard”, gênero caracterizado por seu interesse no detalhe ou na precisão científica, ou seja, tudo é baseado na realidade, nada que quebre as leis da natureza entra em meus escritos.
Então eis que lua bailou no céu, tomando toda a cena, tendo eu e as estrelas como plateia. Fiquei estupefato por várias horas, minha mente se esvaziou, eu não era eu, era meus olhos, que admiravam a dança da lua. Isso deve ter durado por horas, pois a lua aquietou-se há pouco e o sol já se insinua atrás das colinas ao longe.
Nunca mais vou esquecer essa visão, por isso, agora, ainda no telhado, escrevo a descrição dessa noite, para não me esquecer. E também para me lembrar, caso um dia precise, do motivo pelo qual resolvi escrever de tudo. De fantasia à ficção científica soft.
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Ó! Matheus, esse foi o seu texto que mais gostei, o início me envolveu completamente.
Verdade? Não entendo porque.
Esse é um dos meus contos mais simples e… estranho.
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Obrigado pelo comentário!
Não é estranho, eu adorei, ficou muito bom.
Sério? Você achou isso mesmo? Obrigado então!
Interessante você escrever assim, parece sincero, verdadeiro, (a inspiração pode ter fugido da personagem, não de você) abraço!
Valeu, amigo! Escrevi isso quando contrai um déficit de imaginação.
Óhhhh, muito bom, mestre. Congrats!!
O final me tocou, sinceramente. “escrever de tudo”… Esse é o verdadeiro escritor, o que não tem amarras senão as da imaginação, livre de gêneros ou regulamentações.
Obrigado, amigo. Eu não esperava que as pessoas gostassem desse conto, que era para ser um poema, mas como eu sou um péssimo poeta… Conseguir “escrever de tudo” é uma das maiores conquistas de um escritor.
Muito, muito, muito bom! Verdadeiramente comovente. Quem nunca se sentiu assim, não é mesmo? “(…) um escritor que se tornara analfabeto.”
__
Um dos melhores contos que já li aqui no ONE.
Do tipo que dá para vender.
boa! simples, bonito, bem escrito.
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a inspiração pode ter fugido da personagem, não de você[2]
Tem um escritor que disse, não lembro quem, que a página em branco nunca está realmente vazia, ela está sempre suja com todos os clichês que se acumularam, assim como as maneiras de se escrever tal genero, as formas pré estabelecidas. No caso desse texto a realidade técnica e cientifica mencionada e seu esgotamento frente a uma descrição subjetiva do luar.
Matheus A. Francisco, gostei de seu texto, um momento epifâncio de solidão.
Parabéns!
Caramba, rapido e letal, haha. Gostei bastante, parabens!
MEu caro, Mandou muito bem. Estes momentos em que a folha teima em se manter em branco é muito angustiante. eu lembro que teve uma epoca que qualquer espaço em branco me incomodava, ai eu rabiscava, desenhava, copiava letras de música. Eu escrevi um texto a tempo sobre isso http://jardelstar.blogspot.com/2010/03/o-abandono.html e muitas vezes nestas tentativas de preencher lacunas e completar as páginas em branco que conseguimos descobrir talentos que estavam alí escondidos debaixo de toda aquela confusão de palavras e histórias tentando sair
Bem, quando comocei a ler pensei “Vai ser fraco”.

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Com o andamento do texto fui até criando uma esperança “Óóó… pode ter um futuro”. Porém, ao me deparar com o final constatei “É. Era fraco mesmo”.
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Durante todo o texto tu trabalhas a ideia da folha em branco. Esse argumento era a ideia enfática do que tu querias passar, um escritor que não produzia. Porém, ao seguir minha leitura, acreditei que irei finalizar o texto conectando a verdadeira criação com a folha em branco. Um escritor de verdade sempre escreve de dentro pra fora, e não de fora pra dentro. Ou seja, muitas vezes temos a história inteira na cabeça. Entrelaçar pontos, narrativas, e climax na cabeça, até onde imagino, é obra de um escritor. Estar isso no papel é apenas mecânica. Um bom conto pode ser um conto contado oralmente.
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Enfim, pensei que tu irias puxar par aum lado mais poético, mais metafórico da coisa. Algo que fizesse o leitor pensar mesmo.
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Sem querer ofender, o resultado final me parece um texto de escola. Uma narrativa simples bem escrita. Só.
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Segue firme tche, senti que tu podes fazer mais que isso.
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Grande abraço
MUITO bem escrito. Você sabe usar adjetivos sem ficar maçante, mas mesmo assim poético. Mas, quem sabe o Andrey esteja certo. Acho que o texto precisa de um clímax. Se você tivesse descrito o que aconteceu, como a Lua bailou, ou algum outro fato supernatural que poderia ter ocorrido com a personagem poderia tornar o conto mais interessante. De qualquer modo, achei o texto lindo, é só tentar passar melhor a ideia principal para o leitor.
madubarros.blogspot.com
Se você quiser me criticar, sinta-se à vontade