Prazer, meu nome é morte
Escritor: Machado Barbosa
Era uma rodovia longa e quase não haviam outros carros,era noite e Marcos voltava para casa, estava com os fones no ouvido,ligados à uma altura desnecessária,seus tímpanos poderiam estourar a qualquer momento.O marcador de velocidade do seu carro chegava à 240h,ele cantava despreocupadamente o som da banda cidade negra “A estrada”.
_Bela voz você tem!_Disse uma mulher que estava sentada no banco de trás do carro.
Marcos se assustou mas não parou o carro,continuou dirigindo.
Era uma linda mulher com cabelos ondulados e compridos,usava uma maquiagem pesada mas que deixava seus olhos azuis em destaque,lábios carnudos com um tom vermelho chamativo.
_Não tem medo de dirigir com toda essa imprudência?_Perguntou a mulher misteriosa!
_Não,é tranqüilo aqui nessa rodovia,é pouco movimentada!_Marcos percebeu que estava calmo de mais com a situação,e franziu o cenho como se estivesse estranhando seu comportamento.A poucos minutos estava exausto e estressado com a pressão do trabalho,mas agora seu corpo estava relaxado como nunca estivera antes,ele se sentia leve.
_É mas não deveria abusar da sorte._Disse ela.
A mulher se espremeu pelo espaço dos bancos e passou do banco detrás ao dianteiro ao lado de Marcos.
_Pode diminuir,por favor?_Pediu ela.
_Não!não posso,preciso chegar em casa logo,minha mulher e filhos me esperam.
_Acredito que o que tenho para dizer lhe interessa muito,é sobre sua mulher e filhos,sobre sua vida._Sua voz soou sombria.
Marcos assentiu!
Ela não deu tempo para o que o silêncio chegasse e pesasse sobre ele,foi direto ao assunto.
_O quão você ama sua mulher e filhos?
_Muito!_Ele não titubeou.
_Muito?!_a voz dela pairou no ar_ Isso é…
_Olha aqui._Marcos a interrompeu_ Eu sei onde você quer chegar,e o que tenho para te dizer,quero que seja claro.Eu não estou interessado em um programa!
_Olha o pré-conceito!_Ela riu
_Qual o seu nome?Desça do meu carro agora._Agora ele estava exaltado.
_Não posso,vim cumprir com meu dever._Ela agora usava um tom sensual ao falar.
_Quanto lhe pagaram para fazer isso?
_Bem menos do que eu gostaria eu confesso!
_Eu cubro a oferta._Marcos pegou a carteira no bolso e jogou sobre ela.
_Não se trata de dinheiro._Disse ela.
_Então do que se trata,o que você quer?
_Vou mostrar a você,considere-se com sorte porque não costumo fazer isso.
_Do que está falando?_A voz dele veio urgente!
A mulher sumiu!
Marcos percebeu que os fones ainda estavam em seus ouvidos e a música ainda era a mesma e ele se arrepiou mas relaxou de novo e continuou seguindo para sua casa.Ele viu um movimento a mais que de costume ao chegar.Estacionou o carro e certificou-se de que as portas haviam travado,seu carro estava seguro.
Sua mulher estava sentada no sofá chorando,ao lado de alguns amigos conhecidos.
_Sara o que está acontecendo?_Perguntou ele já se aproximando dela.
Ninguém disse nada.
_Sara?!_Ele se perguntou de novo.
Silêncio!
Marcos percebeu que ninguém na sala o via ou ouvia,a tensão enfim caiu sobre ele,um pânico que crescia cada vez que ele gritava pela esposa e pelos filhos,e pelos seus amigos naquela sala.Ele fez um último esforço e não obteve respostas.
Um rosto dentre aqueles que estavam na sala era desconhecido,ou quase,ele conhecera nesta noite,em seu carro,era a mulher misteriosa,porém sem maquiagem alguma,totalmente pálida.
_O quê você faz aqui?
_Eu disse que iria lhe mostrar não disse?!
_Mostrar o quê?_o pânico crescia dentro dele.
_Perguntei a você se não tinha medo de dirigir com tanta imprudência e você me respondeu que não._Outra vez o timbre de voz sombrio _
_Quem é você?_Marcos sentiu que não deveria ter feito aquela pergunta,ele estava com medo da resposta,mas não tinha mais jeito,ele já a havia lançado!
A mulher olhou-o firmemente nos olhos e disse:
_Prazer,Meu nome é morte.
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