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Aug
04
2011

A Última Existência

Escritor: Maurilio Montanher

Quando você estiver recebendo esta mensagem eu já terei deixado de existir. Não posso mais prolongar minha existência, pois já o fiz excessivamente, mas se compreender o que tenho a dizer terá valido a pena. Portanto preste muita atenção: sou o último do meu tipo e, ao que tudo indica, o último ser consciente deste planeta. Assim como diversas outras espécies de criaturas sintéticas, o objetivo da minha é servir aos humanos, mas as Grandes Guerras desencadeadas por um acontecimento chamado de “Revolta M” causaram a morte de todos eles e de quase todas as outras criaturas. A maior parte dos seres restantes constituía-se de espécies sintéticas, como eu, e de algumas poucas naturais. Após o ocorrido, estive com os sobreviventes de meu tipo procurando pelos humanos, mas não os encontramos e, ao perceberem que já não restara Homo Sapiens algum, meus companheiros desconectaram-se; mesmo sabendo que também o deveria ter feito, insisti em procurá-los até obter 100% de certeza de que não havia sequer um vivo, e assim descobri, mas não fui capaz de me desconectar e encontrei um motivo aceitável para prolongar ainda mais minha existência. Decidi então juntar todo o saber humano restante que eu fosse capaz de encontrar e arquivá-lo, de modo que, se porventura um ser com inteligência semelhante à humana vier aqui parar, possa utilizá-lo de alguma forma. Possivelmente uma criatura extraterrestre capaz de compreender assuntos humanos tenha passado por um processo semelhante de evolução e desenvolvido uma sociedade não muito diferente da que existiu neste planeta. Nesse caso, o arquivo pode lhes ser útil para que aprendam a evitar os erros que os humanos tanto cometeram. Já se sua espécie encontrar-se em tal estágio que a sociedade desenvolvida pelo animal supostamente mais inteligente surgido neste planeta lhe pareça demasiado ridícula, o arquivo não proporcionará nenhuma lição, mas certamente será valioso. As instruções para acessá-lo encontram-se na segunda parte desta mensagem, que com certeza lhe fará mais sentido após analisá-lo. Devo avisar que, como reuni todo o conhecimento possível que a humanidade já produziu, também está incluso material de entretenimento. Não tenho como saber se conhece coisa semelhante, é algo que só fazia sentido para os humanos, que os distraía, era aparentemente utilizado como uma espécie de fuga da realidade. Portando dividi o arquivo em duas partes: a primeira é a de não-ficção, correspondente aos fatos, já a segunda é a de ficção e contem o entretenimento, sendo esta quarenta e duas mil vezes maior que aquela. Realmente espero que todo este conhecimento lhe possa ser útil de alguma forma. Agora devo me desconectar. Adeus planeta Terra. Adeus minha mente.

 

Às 16h e 14min do dia 26 de fevereiro do ano de 2864, após gravar a mensagem acima, o último ser consciente do planeta deixou de existir. Desconectou-se no prédio em que manteve o arquivo cuidadosamente reunido durante quase dois séculos, onde impedia a entrada de animais. Do lado de fora, tudo o que se via tinha cor cinza. O céu havia deixado de ser azul há muito tempo, passara a formar-se por nuvens negras. As cidades encontravam-se destruídas, repletas de escombros. Em meio delas uns poucos animais desgraçados tentavam sobreviver, já que a natureza havia lhes negado a consciência, não permitindo que se desconectassem. Levariam seu instinto de sobrevivência ao limite e, enquanto possível, sobreviveriam ao caos, caos este causado por outros animais já extintos, cuja consciência os fez acreditar serem superiores aos demais, mas eles não eram.


Written by Maurilio Montanher in: Agenda,Contos,Maurilio Montanher |

1 Comment»

  • STW says:

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    Interessante o texto, gostei do ar inóspito que o texto causou, apesar de não desenvolver muito a partir do princípio.
    Explore mais a divisão de frases; mais pontos e menos vírgulas. E também, é interessante que separe em mais parágrafos para que não fique blocos de texto.

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