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Aug
01
2011

Apenas um caso simples…

Escritor: Matheus A. Francisco

apenas-um-caso-simples

Assim que acordou, Charles se levantou, caminhou até o banheiro e olhou-se no espelho.

- “Fatídico” significa o que? – disse ele, olhando para o próprio reflexo. – Eu parecia saber no sonho.

Charles se arrumou, entrou em seu carro e dirigiu para trabalho, onde permaneceu até às 7 horas da noite. Então, quando já estava no estacionamento, um colega correu ao seu encontro.

- Ainda falta um caso – declarou ofegante.

Charles soltou um resmungo e voltou para o prédio. Entrou na sala escura, onde se sentou num divã cinza.

- Acho que vou largar esse emprego, Diego – falou para o colega.

- Besteira – respondeu. – Eles te matariam se tentasse – acrescentou quando terminou de montar o capacete.

- Não sabem que eu tenho uma casa no Canadá.

- Eles sabem de tudo, Charles. Vamos, levante a cabeça – o capacete foi colocado na cabeça de Charles e a cena do crime surgiu diante de seus olhos.

- A lá! O criminoso não consegue abrir a porta – falou ele para Diego.

- Como assim? Não consegue abrir para fugir do apartamento? – perguntou.

- Sim. A fechadura parece… Agora ele saiu.

- Conseguiu identificá-lo?

- Não.

- Que pena… – comentou Diego. – São raras às vezes em que podemos ser tão rápidos.

Charles analisou o apartamento inteiro e começou a deduzir os acontecimentos mentalmente utilizando os recursos do capacete. Hologramas começaram a surgir no ambiente, de modo a reconstruir a cena do crime:

O criminoso entrou pela janela, onde deixou a marca de sua mão sobre a poeira que lá se encontrava, mas sem impressões digitais. Caminhou até a vítima, que deveria ter se levantado rapidamente, pois a cadeira estava caída no chão. Houve uma luta rápida, que acabou resultando em três marcas roxas no rosto da vítima, que no fim foi enforcada, pois se encontrava no chão, com o rosto pálido e com marcas vermelhas no pescoço, indicando o formato de dedos. Depois ele saiu do apartamento pela porta, na qual teve certa dificuldade em abrir, como Charles pode conferir.

“Por enquanto está fácil”, pensou Charles, “os crimes de difícil análise não acontecem no meio da semana, para minha sorte”.

Charles imaginou que um aperfeiçoamento na máquina de deslocação mental-espacial viria a calhar, a vida dele seria muito mais fácil se pudesse seguir o assassino que talvez ainda nem tenha chegado ao térreo do prédio. É necessário um intenso trabalho e um gasto muito grande de energia para colocá-lo tão rapidamente no local do crime, seguir os passos de um criminoso em fuga é impossível.

Agora, como o sujeito entrou pela janela do oitavo andar e por que ele não desceu por lá novamente ao invés de sair pela porta?

Charles moveu sua mente imaterial até a janela e olhou para baixo. Seu olhar aguçado pode identificar marcas de dedos na parede do edifício com poucos locais para se segurar.

“Será que esse cara é o Homem-Aranha?”. Charles racionalizou e chegou à conclusão que o homem só poderia ter chegado até ali se tive partido do apartamento logo abaixo, saindo da janela dele e subindo até esse.

Essa conclusão lhe proporcionou hipóteses da possível identidade do sujeito. 1° poderia ser o morador do apartamento de baixo, nesse caso a causa do crime poderia ser apenas uma desavença entre vizinhos; 2° amigo ou parente próximo do morador de baixo, sem que assim possa se ter uma ideia do motivo do ato; 3° alguém que viu a oportunidade de entrar nesse apartamento, para poder subir ao do alvo pela parede externa e assim não ser pego pelas câmeras.

Por que o criminoso saiu pela porta já é difícil dizer. Talvez tenha sido a pressa ou o desespero, talvez tenha sido ferido durante a luta, talvez tenha ouvido o som da sirene da polícia lá fora e achou melhor não ser visto saindo pela janela… Enfim, as possibilidades são infinitas.

“Agora começou a ficar chato”, pensou raivosamente Charles. Ele pôde ouvir sons de passos e a porta foi logo aberta, deixando policiais e paramédicos entrarem.

Charles foi desconectado e voltou a se ver no divã, com Diego a fitá-lo.

- Bom, sua parte você fez, não é? – Perguntou o colega.

- Sim, com as minhas conclusões e análises rápidas, mesmo sendo vagas, aliadas ao escâner do ambiente, um perito poderá dar uma resolução para o caso em alguns dias – explicou Charles ao inexperiente tecnólogo.

Este, por sua vez, balançou a cabeça e olhou para o chão.

- Não entendo de criminologia – disse ele, – mas sei o quão importante são as análises rápidas do ambiente poucos minutos após o crime, quanto tudo ainda está fresco e as “autoridades” ainda não tiveram a oportunidade de bagunçar tudo, para a resolução de um caso.

- Sim, esse é o meu trabalho. Em minha profissão sou chamado de “detetive expresso”.

Diego pegou uma bolsa que estava jogada num canto.

- Veja, comprei um monte de Sherlock Holmes numa livraria.

Charles despediu-se, pegou seu carro e tomou o rumo de casa. Antes, porém, deu uma olhada na fachada do edifício que acabara de sair, onde estava escrito, em letras grandes e prateadas: Agência de Investigação Criminal Mindtec.

(continua no episódio: uma leve complicação no caso…).


Written by Matheus A. Francisco in: Contos,Matheus A. Francisco | Tags: , , ,

19 Comments»

  • Thaina Gomes says:

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    Matheus eu achei interessante. Eu queria saber mais dessa máquina. Eu me lembrei de um filme que eu vi a muito tempo, que o carinha usa uma máquina pra voltar no tempo e salvar uma vitima de assassinato.

  • Shado Mador says:

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    O.O bom demais! Lembnra muito o filme manority report ( não sei se está escrito corretamente) , porém no filme eles prevem o crime e pega o cara segundos antes de acontecer.Seu conto me deixou louco pelas continuações , parece que vai dar um ótima hist´ria.Talvez seja difícil encontrar na agenda , vc poia linkar tudo com a pizza.

    • Thaina Gomes says:

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      Foda demais, acho que filme que assiti era mais ou menos assim, Shado.

      • Jardelstar says:

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        Não cheguei a assistir ao filme, mas no caso do conto “Minority Report” O crime é evitado com 24 hrs de antecedência. Mas ter esta nova abordagem de casos e crimes é bem interessante! Parabéns Matheus!

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    Valeu, gente! Estava até desistindo de postar as continuações.
    -
    Olha, não sei como fazer para linkar com a pizza… Não sei fazer isso. Mas se puderem, digam-me como fazer.

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    Bom texto cara. Eu tenho um gosto por textos que me colocam direto na ação e, aos poucos, vão esclarecendo do que se trata. Bom, nem todos gostam deste estilo, mas eu, particularmente, creio que ele funciona muito bem, ainda mais para a proposta do conto.
    Ah, quando li Chales e capacete não pude deixar de relacionar isso com os XMen. Tem futuro, Matheus! Quando vem o próximo? Abração!

  • STW says:

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    Engraçado mencionarem o filme Minority Report, essa passagem lembra bastante um outro filme chamado Deja-vu.
    Fiquei curioso agora com o desenrolar da história… Esperando pela continuação!

  • Antonio de Souza says:

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    Nossa, coincidência, mas reassisti Minority Report ontem à noite e achei que o texto estava na mesma “vibe”. Gostei bastante! Quero ler mais!!!

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    “detetive expresso” ahha, da hr!

    *ainda nao vi Minority Report, mas tds falam bem, preciso ver…

  • Vinicius Maboni says:

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    Tema interessante, temos de ver o desenrolar disso pra chegar a conclusões…

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    Gostei do início. Espero a continuação. A viagem está bem interessante: Faltam detalhes, claro, que espero sejam preenchidos nos próximos…
    Gosto do teu estilo de escrever, mas tenta não ficar nos estereótipos. Tem muita possibilidade de explorar coisas bacanas e novas.

  • José Carlos says:

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    Gostei do conto, realmente lembra um pouco o Minoryt Report e o deja-vu, mas ambos tratam de evitar crimes, enquanto esta história se trata de desvendar o crime. Muito legal, deixou um sabor de quero mais, ainda mais por dar um vislumbre da personalidade do detetive, parece que ele não gosta muito do emprego nem se preocupa muito com a vítima em sí. Muito legal!!!

  • Asami says:

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    Acho que isso vai render um conto e tanto. Bem interessante o cenário narrado e a própria estória em si. Tem uma mistura sutil de mistério e ação que e agrada. Espero a continuação :D

  • Winchester Mendes says:

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    Sinceramente cara, no começo não dei muita bola pro texto, porém, após ter lido, achei MUITO bom!
    Está de parabéns, e aguardo ansiosamente a continuação!

  • Pablo Grilo says:

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    Interessante, meio CSI, meio, como já disseram, Minority Report.

    Saberemos mais do protagonista na próxima parte?

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