Capitulo 2 – O Chopp Premiado
Escritor: André Andrade
No dia do seu 24º aniversário Doug se viu no meio de um quarto imundo e escuro esperando que alguém escrevesse parabéns no seu mural do facebook. Já eram 6 da tarde e sua mãe tinha ligado de manhã quando ainda estava dormindo, deu os parabéns e perguntou o de sempre – E as namorada?- Doug desviou o assunto como usualmente, desligou o telefone e deitou a cabeça no travesseiro molhado. Não dormiu mais. Naquele momento ele estava fitando o desktop do monitor. A que ponto tinha chegado? Do que estava se escondendo? Foi até o banheiro e viu no espelho aquela figura gorda, mal penteada e com a barba por fazer. Lavou o rosto e resolveu assim tomar jeito.
O queijo Cheddar é um dos queijos mais consumidos mundialmente. Ele é americano e consiste em leite, sal, fermento, corante e outras coisas mais. Não era bem esse queijo que Doug estava experimentando na borda da sua pizza barata, Vitório o dono da pizzaria Di’sabore misturava maizena com água no queijo cheddar pra render mais. Mas o que menos importava naquele dia era se a pizza era boa ou ruim, se a internet tinha caído ou não. Hoje aquele nerd gordo e fedorento ia para um bar, e ele ia comer uma garota, já estava decidido.
O pub Saint Patrick tinha, como já se pode esperar, temática Teloviana, o relógio em forma de caneco marcava dez e meia e o bar começava a encher. Doug sentou no balcão e pediu um chopp Brezzer, aquele era um bom lugar pra encontrar uma “presa“. Por um momento passou pela cabeça de Douglas que ele estava fora de si, devia voltar pra casa com uma caixa de latinhas e terminar a tirinha que estava desenhando pro blog. Foi aí que ela apareceu. Tinha uma cara redonda com um sorriso na metade da boca, cabelos castanhos e um narizinho. Não dava pra ver a cor dos olhos apesar de que quando se virou Doug já estava olhando para os peitos. E que peitos ela tinha! Um grande e belo par de seios fartos, bem evidenciados pelo seu decote extravagante que mostrava uma linda tatuagem de rosas vermelhas em seu busto. Olhando mais para baixo ela parecia um pouco cheinha, quadril enorme com um vestido colado como se já fizesse parte do seu corpo. Um pequeno pneuzinho na cintura. Mas foi só quando ela começou a falar que Doug olhou para seus lábios, lindos lábios delicados mas ao mesmo tempo chamativos, que falaram:
- Oi Sir Harry – ela disse
- o… oi.. – Como ela sabia seu nick?
- Como é difícil te encontrar nessa cidade, você não sai muito não é mesmo?
- é… Não… – Caralho! Que mulher é essa?
- Sabe que eu adoro um homem gago? Faz meu tipo..
-é..sim.. – que tipo de resposta é essa?
Doug estava petrificado olhando diretamente para aquela tatuagem hipnotizante. Sem que ele percebesse ela pegou na sua mão e o arrastou até o fundo do bar. No canto escuro do lado da geladeira e de alguns barris de chopp ela o agarrou e tascou-lhe um beijo furioso. Meio sem saber o que estava acontecendo Doug só reagiu da mesma forma. A agarrou pela cintura e a espremeu em seu peito de uma forma que ela podia sentir seu pênis já ereto. Ela se livrou dele com uma facilidade incrível, agarrou sua mão e o puxou pela porta da cozinha, atravessaram correndo a cozinha bem iluminada enquanto o cozinheiro gritava algo que Doug não entendeu. Na claridade ele só tinha olhos para a bela bunda que o puxava em direção a porta dos fundos. Saíram em uma outra rua mais vazia em que ficavam portas anônimas, um prédio abandonado e uma portinha aberta com um letreiro que indicava: Bar. Mais uma vez ela o puxou em direção a um carro que ele já não conseguia mais identificar qual era. Estranhamente depois de um só chopp ele já estava um tanto confuso.
A partir desse momento Doug perdeu o controle dos sentidos, pensou que a sensação devia ser essa mesma, e que era só seu estado de excitação que estava deixando tudo assim tão turvo. A mulher gordinha abriu a porta e o jogou lá dentro, entrou do outro lado, ligou o carro e arrancou. Quando ele voltou a si estava dentro do carro com o banco reclinado em um lugar escuro, podia ver a silhueta da mulher acima dele, parte da sua cara iluminada mostrava um sorriso sádico. Agora era a hora da verdade, finalmente depois de tantos anos ele estava lá pronto pra meter-lhe a vara. Ele só tinha parado pra pensar o quanto tinha sido fácil, como tinha sido sortudo, e que já eram 2 da manhã.
Continua
No Comments»
RSS feed for comments on this post.






















Sobre livros e suas adaptações cinematograficas
#ficadica 004 – Escrever todo dia é a fórmula do sucesso?
A Máquina Diferencial
Resenha do livro "O estranho mundo de Tim Burton"
