Capitulo1 – Sir Harry sai para comer
- Pizzaria Di’sabore boa noite.
- Alô.. Oi… Eh… aqui é o Douglas…
-Ah, oi Douglas, vai o de sempre hoje?
-Melhor não, data especial, hoje com borda de chedar.
- OK, chega ai em 40 minutos.
Douglas odiava usar o telefone, quanto menos tivesse que falar melhor, ele realmente não sabia como agir em uma chamada. Na verdade ele evitava ao máximo qualquer tipo de contato mais direto com outras pessoas, preferia a internet, assim ele tinha tempo de por as idéias em ordem e pensar antes de escrever o que queria falar. Na internet ele não precisava olhar nos olhos das pessoas enquanto falava, isso lhe dava medo, apenas o fato de olhar e se expressar com o corpo diante de alguém o cansava, ficava exausto depois de tentar fingir, de um jeito horrível, uma conversa simpática.
Mais conhecido como @SirHarry no twitter, Douglas era um nerd típico, muito mais que típico eu diria, pois ele era exageradamente um nerd. Em seu quarto ele se escondia em meio a pilhas de caixas de pizza da Di’sabore, uma pirâmide de caixinhas de comida chinesa, um amontoado de garrafas de cerveja Brezzer e um cesto de lixo cheio de papel higiênico. No canto do quarto úmido e escuro ficava a cama sempre desarrumada que cheirava a suor e resto de biscoito. Do lado oposto estava um hack velho de madeira com uma impressora a tinta, um subwoofer de 70w que ficava pelo menos 12 horas por dia tocando suas playlists que iam desde Black Sabbath á Blood Stain Child, no centro de tudo ficava seu Dell Inspiron de 15 polegadas, que destacava-se por ser a única coisa limpa com freqüência naquele quarto. Alí ficava também uma fila de bonequinhos de ação, algumas imagens de animes impressos em A4 e colados na parede e algumas canecas e copos sujos. No ultimo canto do quarto seu guarda roupa velho guardava as roupas que ele raramente usava para ir no mercado ou na feira de animes que acontecia todo mês na cidade.
Sua aparência física também não era das melhores, um pouco acima do peso ele já acumulava gordura o bastante para começar a ter seios, era pálido pois raramente saia a luz do sol e um pouco corcunda devido a horas que passava em frente ao computador. Mas a fora isso seu rosto era bonito, tinha olhos azuis invejáveis e um cabelo loiro cortado curto com uma tesoura de cozinha. Tenho certeza que se não fosse o descuido ele poderia ser um rapaz muito bem apresentável. No entanto o único exercício mais longo que fazia consistia em mexer seu braço pra cima e para baixo se masturbando com destreza. Muitas vezes mais de uma vez por dia ele acessava os mais diversos sites que iam desde vídeos de anões vestidos de pterodátilos fudendo mulheres vestindo apenas botas espaciais, até orgias entre velinhos sem vergonha.
Já tinha chegado aos seus 23 anos e morava sozinho em um minúsculo apartamento. Não se lembrava do pai que segundo a sua mãe havia morrido em um acidente de carro na noite em que ele completava 2 anos. Sua mãe nunca havia dado bola pra ele que desde muito pequeno teve que se virar sozinho vendo a mãe cuidando do seu irmão mais velho deficiente. Entretanto já faziam pelo menos 3 anos que ele tinha saído de casa no interior de Mapuze para morar na capital Oostende.
Tinha chegado a aquela cidade maravilhosa cheio de sonhos mas também cheio de timidez, não precisou procurar emprego pois vivia de trabalhos na internet desde nos 20 anos, era inteligente o bastante pra isso, embora poucas pessoas soubessem o que ele fazia para ganhar dinheiro. Então sem antes olhar pela janela para ver o que havia lá fora Doug resolveu se trancar em casa, conviver com seus poucos amigos virtuais, e transformar seu quarto no seu mundinho.
Posso falar com propriedade que Douglas era um bosta, ele sabia, e ligava muito pra isso, apesar de sempre twittar o contrário @SirHarry queria muito sair do seu quarto e começar a viver lá fora, só não conseguia. Mas, naquele dia em que tudo começou ele desconhecendo o que estava por vir comeu sua pizza de borda com chedar, vestiu uma das ultimas camisetas limpas, abriu a janela do quarto pra entrar um pouco do ar da noite. Desceu calmamente pelas escadas, assim ele tinha mais chance de evitar possiveis encontros com vizinhos, e saiu finalmente para o que ele acreditava ser a aventura da sua vida de merda, caminhou até o ponto e pegou o onibus para o lugar certo, pra estar na hora certa, pra comer (pela primeira vez) a mulher errada.
Continua…
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Hmm, muito cedo pra decidir se a historia é boa, mas o texto é fluente e gera curiosidade em continuar…
Ficou muita descrição, parágrafos muito grandes… Como disse Vinicius, ainda muito cedo pra falar sobre a história em si, mas essa parte foi interessante.