Dentuços Fedem!
Escritor: Matheus A. Francisco

Devem estar pensando: ah! É só mais um texto tosco zuando com os vampiros. Mas não! Esse é diferente, ele trata de um plano para salvar a dignidade dos vampiros! Verdade! Mas não exclui outra verdade, e ela é: vampiros fedem! Hahaha
Ignorem minha maluquice e leiam o conto.
São Paulo (SP), 2011.
Ilustríssimo pirata-caçador de vampiros BigHunter,
Nós, Juízes dos Caçadores, lhe informamos por meio deste telegrama de nossa recente lei que entra em vigor no próximo mês. Ela ilegaliza a caça de vampiros, pois há um bom tempo sabemos que eles não possuem meios para nos prejudicar, são inofensivos e, sendo assim, não há motivo para matá-los. Também devemos dizer que o argumento do Dr.-Caçador Xavier Mîm, o de que os vampiros fedem, não serve para a defesa do ponto de vista de vocês, pois, se ele tivesse alguma valia, já teríamos exterminado os gambás há muito tempo. Existe muitas outras coisas toscas ou semielegantes para você matar.
Esperamos que cumpra a lei.
- Escrotos! – exclamou BigHunter. – “Nossa mais recente lei que entra em vigor no próximo mês” – repetiu a sentença de forma zombeteira.
BigHunter se arrumou com todo o seu costumeiro uniforme de caçada, um sobretudo preto por cima de roupas de soldados e grandes botas cinza, dando-lhe uma aparência imponente. Não que o robusto pirata-caçador precisasse de roupas para dar essa impressão. Antes de sair de sua casa, BigHunter disse:
- Se é assim, mato todos eles antes do mês que vem!
Então partiu para a sua longa jornada. Nada pôde impedir o avanço de BigHunter, ele entrou nos esgotos mais fétidos, nas fossas mais nojentas, nos becos mais imundos, nos buracos mais profundos e asquerosos, matando tudo que lhe parecesse dentuço, inclusive alguns coelhos.
Dois dias antes de a nova lei ser efetivada, BigHunter tinha cerca um milhão de cabeças vampirescas em sua lata de lixo.
Dr.-caçador Xavier Mîm foi a casa de BigHunter, apenas para confraternizar.
- Agora nossa diversão diminuiu um pouco – comentou ele. – De qualquer modo, não fiquei parado, aproveitei esse mês e matei meia dúzia de vampiros. E só não foi mais por que eles estão meio escassos por aqui.
- Realmente – disse BigHunter, – nessa área nunca há muitos. Eu matei nesse tempo todos os vampiros que pude encontra no mundo, mas creio que ainda deva ter sobrado uma ou duas colônias.
Após um tempo bebendo e metendo o pau nos Juízes desgraçados, Mîm se sentiu inspirado o suficiente para contar uma piada.
- Qual é o cúmulo da inutilidade?
BigHunter disse que não sabia.
- Sangue de vampiro! – respondeu Mîm.
Ambos riram como idiotas, pois as piadas sempre são mais engraçadas quando se está bêbado.
No dia em que a lei entrou em vigor também era uma data comemorativa para a ordem dos caçadores, por isso, uma grande festa fora dada em sua base. BigHunter foi com sua roupa de gala. Troçou os caçadores novatos, pôs sal no copo de uma moça estranha e recebeu broncas de alguns juízes por ter matado tantos vampiros em tão pouco tempo apenas por causa da lei.
Quando a festa já se encaminhava para o fim, o juiz-mor disse que queria falar com ele, então BigHunter foi conduzido pelos tortuosos e escuros corredores da base até um cômodo afastado, onde havia um átrio sucedido a uma grande escadaria onde, no último degrau, havia uma cadeira luxuosa, como um trono.
O juiz subiu metade da escada e voltou-se para BigHunter. Então ele tirou uma máscara de silicone, revelando a face de um homem de meia idade com um olhar severo.
- Em gratificação por você ter feito exatamente o que eu queria, gostaria de revelar-lhe algumas coisas.
BigHunter ficou quieto. O homem o perturbava e deixo-o ficou um pouco apreensivo.
- A lei para impedir que os vampiros fossem caçados foi obra minha – disse o pseudojuiz. – E a fiz visando à morte de quase todos eles, mas escondi os verdadeiros. O plano não teria dado certo sem você.
- Não entendo – disse BigHunter.
As luzes do ambiente se escureceram levemente quando o homem voltou a falar:
- Vi-me forçado a levantar de meu túmulo para salvar a dignidade de minha espécie.
Dizendo isso, o homem abriu a boca e passou a língua pelos caninos pontudos. BigHunter começou a suar frio. Nunca esteve tão confuso na vida e, por estranho que possa parecer, estava assustado. Nunca sentiu medo de um vampiro fedorento antes.
- A modernidade – continuou o vampiro – corrompeu minha descendência! Hoje eles são fracos, frescos e mais fadas do que um vampiro. Acabou o medo que os mortais sentiam deles, acabou o mistério que os envolviam, acabou a elegância sombria… Esses desgraçados me deixam puto!
O vampiro fez uma careta de desgosto e as luzes do ambiente se apagaram por completo.
- Acabou a sede de sangue humano! – exclamou, fazendo sua voz grave se espalhar no escuro. – Antes não tínhamos reflexo no espelho, agora minha espécie não faz outra coisa além de ficar se olhando nele como garotinhas, porra!
BigHunter ainda não havia entendido nada.
- Os fracos precisavam ser extintos! Apenas os amedrontadores e machos perpetuarão! Eu sabia, Sr. BigHunter, que você e outros caçadores ficariam tão furiosos com a lei que iriam sair caçando todos os vampiros que pudessem encontrar. Você fez o trabalho de limpeza melhor que qualquer outro. Agora só há os fortes, aqueles que merecem ser chamados de vampiros e que você não conseguiria vencer! Pois vampiro de verdade é Drácula – disse isso apontando um dedo para si mesmo. – E só os iguais a ele sobraram agora! A dignidade foi restaurada!
De repente, BigHunter entendeu tudo. Ele foi usado!
- Vá embora, não desejo matá-lo – avisou o vampiro. – E lembre-se de pensar duas vezes antes de cruzar o caminho de um vampiro de agora em diante, pois os poucos que sobraram valem mais que a multidão existente há poucos dias atrás.
- Muito obrigado – agradeceu BigHunter e se retirou.
Mas não precisa ter medo dos vampiros só por que todos agora são perigosos, os à moda antiga. Você poderá perceber a presença deles facilmente, pois esses fedem ainda mais!!!
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Oh! Gostei da surpresa no meio do texto, na verdade eu ri um pouco quando finalmente o BigHunter entendeu que tinha sido usado.
Valeu, Thaina.
-
O que deu em você para começar a ler tantos textos meus ultimamente?
-
Esse conto foi um delírio que eu tive.
Ficou engraçado. XD
E até que teve estilo. Mas acho que o Big Hunter não ia desistir tão fácil de caçar vampiro. Acho que agora que o negócio vai passar a ter mesmo graça para ele, não? xD
mas é, morte aos vampiros fadinhas!
XD
Hahaha. Só o tempo irá dizer até vai a coragem de BigHunter agora que a situação apertou.
-
Obrigado pelo comentário, Ana!
Uai menino, o simples fato de você estar na agenda e eu gostar muito de você não vale? E do seu jeito de escrever também.
Oh, fiquei sem jeito com essa declaração. Esse tipo de coisa não se diz para todo mundo assim…
hUAhau, gostei, apesar de muito non-sense
Oh, valeu, Samila.
Dizem que as pessoas são aquilo que escrevem… Sempre desconfiei que era desprovido de noção.
Ficou muito sem-noção,mas também hilário.
Adorei.
Ah, era essa a intenção!
Esse conto foi uma tentativa estrôncia de resgatar a dignidade dos vampiros.
Você quer dizêr que os Vampiros são uma espécie em extinção e que precisam de ser preservados?
“(…) o argumento do Dr.-Caçador Xavier Mîm, o de que os vampiros fedem, não serve para a defesa do ponto de vista de vocês, pois, se ele tivesse alguma valia, já teríamos exterminado os gambás há muito tempo. (…)”
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HAHAhahAHAhhahAhahAhHAHhA
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Muito bom, descontraído, bem escrito, meio que surpreendente, nonsense. E eu também ri quando finalmente o BigHunter entendeu que tinha sido usado.
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Ótimo conto. Parabéns.
Concordo com a sua opinião e me fez lembrar também um pouco a história da Arca de Noé, essa limpeza de Vampiros.
Muito bom. Divertido… Minha visão com relação aos vampiros é semelhante a de BigHunter, rsrs… Ps: Um milhão de cabeças de vampiro?… Não sabia q existiam tantos fedorentos assim no mundo fanstástico. De qualquer forma, com tantos assim, o mundo federia por completo. rsrs Abraço.
Cara… ficou cômico e louco. Adorei o conto especialmente por mostrar o ponto de vista dos vamps de verdade sobre as atrocidades brilhantes que hoje em dia são chamados de vampiros. Qualquer um na pele deles também ficaria fulo com os dentuços de hoje. Muito criativo!
“Antes não tínhamos reflexo no espelho, agora minha espécie não faz outra coisa além de ficar se olhando nele como garotinhas, porra!”
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Senti muitas referências no texto, e isto é ótimo! Gostei do tom crítico aos vampiros, da pegada cômica e da reinvenção. Este conto só serve para mostrar que nenhum tema (repito: NENHUM) está esgotado. Muito bem, escrito, com já foi dito, só encontrei alguns poucos erros. Coisa que uma revisão tira facilmente…
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Particularmente não gostei do sobrenome do personagem principal BigHunter me soou um pouco fraco, mas contribuiu para a temática nonsense e engraçada.
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Parabéns pelo conto, é sempre bom ler coisas boas assim.
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Abraços!