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Aug
31
2011
Conto em Série

Espectros – Cap 01 – A Parede Mofa

Escritor: Vagner Silva Penna

Na rua a escuridão era intensa, e o manto da noite fria só era rompido pela fraca iluminação dos velhos postes de ferro já corroídos pela ferrugem. Hora ou outra falhavam e eram vencidos pelo breu, dando assim abrigo as criaturas da noite, não mais intimidadas pela claridade.
Estava Amadeus atormentado, olhos vidrados na parede mofa que se destacava das demais de seu velho apartamento, pensava ele o que poderia ser aquela imagem, parecia querer formar algo, um desenho ia sendo contornado lentamente dia a pós dia.
Aquilo o atormentava, ele achava estranho algo aparentemente insignificante o prender tanto a atenção e fazer tão mau, a figura inanimada não se definia.
Inquieto deitado em sua cama que já não era arrumada há dias, como o resto de sua casa, lençóis sujos, restos de comida se percebia por todos os lados.
Aquela parede mofa o tirava o sono que já não era dos melhores, pois sofria de insônia e passava dias sem dormir, e por isso pensava ele ser o motivo de suas perturbações e pesadelos horríveis quando raras vezes pegava no sono vencido seu organismo já debilitado pelo cansaço.
“Corria Amadeus como nunca o fizera antes, algo o perseguia ele olhava para traz em meio à multidão nas ruas cheias de pessoas que iam e viam boates bares cabarés, luzes de neon de todas as cores. Por mais que tenta-se não conseguia despistar a estranha criatura que o perseguia, criatura essa inumana passava por entre as pessoas como se elas ali não tivessem matéria, vinha a meio metro do chão.
Finalmente o alcançou, ele olhou para face de seu perseguidor e o que viu o paralisou instantaneamente. O ser flutuava a sua frente, vestes negros parecendo trapos um grande manto quase impercebidos se não fosse às luzes de neon dos estabelecimentos e os faros dos automóveis que passavam a todo estante. Sentiu-se sugado sua alma esvairindo de seu corpo como se fosse areia por entre os dedos até perder a consciência e acordar”.
Seu corpo tremulo como em convulsão fora se aquietando lentamente, vestis encharcadas como se tivera a pouco saído de uma tormenta no olho do furacão.
O gelo de usa pele só era quebrado pela febre de quase 40 que já coagulava suas células e o fazia desmaiar.
Todos os dias da ultima semana fora assim, esgotado fisicamente e psicologicamente. Ao sair de seu apartamento para a rotina diária, trabalhar sair com os amigos se divertir, quanto mais se distanciava de seu apartamento sentia aos poucos suas energias retornarem para seu corpo e alma.
Ele decidira acabar com aquela marca em sua parede, fizera planos, comentou com os amigos do trabalho – vou comprar tinta depois do expediente e de hoje não passa aquela parede mofa: – dizia ele.
O dia passou rapidamente como todos os outros para ele, só que esse fora diferente ao cair da noite ao retornar para o seu apartamento andara os últimos quarteirões ate la, as luzes dos velhos postes produziam a única luminosidade das ruas, pelo horária devido a compra das tintas para seus objetivo já era tarde. Amadeus sentia que algo vindo do breu da noite o olhava o tempo todo. Aquilo o incomodou e aquelas luzes tão fracas falhavam constantemente, e o fazia lembrar seus piores pesadelos.
Ele correu os últimos quarteirões, abriu rapidamente sua porta e a trancou com a mesma velocidade. Ao retornar para o seu lar pensava ele estar seguro e protegido, olhou para parede mofada esqueceu tudo de seus desejos e planos, sentou ao pé da cama ainda bagunçada com baratas e outros insetos que se alimentavam dos restos já podres de comida, e novamente fora sugado para dentro da estranha figura da parede mofa.
Por horas ficou ali, e novamente caiu no sono que já não parecia tão raro para quem antes sofria de insônia. – finalmente ele dormiu novamente. – falou uma voz roca e parecendo ser de alguém ou alguma coisa naquele quarto.
Algo agora se percebia soltar daquela imagem do mofo da parede, antes sem forma, agora definida e nítida. Aquilo começou a sair da velha parede e foi direto em direção a Amadeus caído em sua cama.
- Vou me alimentar. – falou a estranha criatura sugadora de energias vitais, emoções e sentimentos.
A criatura pairava a poucos centímetros do corpo, sua face parecia a de um animal faminto o pouco que podia se notar era um rosto com pele ressecada olhos avermelhados e dentes pontiagudos o pouco cabelo que se notava por de baixo do manto negro eram finos e esbranquiçados, suas mãos dedos compridos esqueléticos com unhas pontiagudas como de um animal predador.
Ele encostou seu rosto na face de Amadeus e se podia perceber que algo saia do corpo, uma nevoa com tom azulado saia direto para a boca da criatura, ele estava ali se alimentando e absorvendo a alma da pobre vitima, mais qual seria o propósito, somente se alimentar ou teria algo mais algum plano com essa pessoa sugada diariamente por esse espectro das sombras.


Categorias: Agenda,Contos,Espectros |

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Publicado por Vagner Penna

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