Escritor: Del Santos
PARTE I
A sensação de frio congelante é uma das características da presença do maligno. Aprendi isso por acaso.
***
Naquela noite o ambiente ao meu redor era gélido, eu tremelicava e liberava calor, fazendo surgir em torno de mim pequenas nuvens. Fumaça pela boca.
Sentia um forte zunido nos ouvidos, como uma sintonia de TV, a cabeça parecia prestes a estourar. E aquela voz grave e horripilante me dizia: – EU ESTOU AQUI!
***
Sete minutos antes, exatamente às 23:45 h, estava voltando do trabalho. Hora-extra necessária.
A rua deserta, mal iluminada, meus passos largos e rápidos, quase correndo por impulso do medo.
Tudo muito calmo. Desconfie quando tudo estiver muito calmo.
***
Continuei a caminhada, já há dois quarteirões de casa. Olhava para trás. Ninguém.
Virei e bati de encontro a uma senhora…
- Ajude-nos por favor!
Agarrando-me pelo braço, puxou-me para sua residência. Não tive reação. Tudo muito rápido.
Fomos passando pela sala e corredor enquanto a mulher dizia em tom desesperador:
- Venha, ela está aqui! Faça alguma coisa!
- Ela quem? fazer o que?
- Minha filha, olhe!
Entramos no quarto
Olhei para dentro.
- Não há ninguém aqui minha senhora!
- Olhe para cima!
O que avistei me fez exclamar praticamente gritando:
- JESUS!
A garota que rastejava pelo teto caiu em cima da cama.
- Está vendo! Bastou uma palavra! Só você pode ajudá-la!
***
Eu estava imóvel, boquiaberto. Creio que sem melanina nenhuma na face. Pálido! o branco mais branco.
As pernas não obedeciam, os joelhos estalavam, um de encontro ao outro.
Minhas mãos frias, mas suadas, balançando como as de um idoso com mal de Parkinson.
E uma horrível ânsia de vômito.
***
- Vamos! o que vai fazer agora!? Aproveite, esse é o momento!
O pai da moça entrou no quarto.
- Ele pode fazer isso?
- Claro, já está dando resultado, amarre as mãos dela na cabeceira!
Enquanto o pai amarrava as mãos da filha na cama, a mãe enfiou uma bíblia nas minhas e pediu que eu iniciasse.
Foi quando uma voz grave e horripilante disse: – EU ESTOU AQUI!
***
- Faça alguma coisa agora! – dizia-me a mãe.
Por um instante o medo falou mais alto e meu corpo conseguiu destravar-se, tentei virar para a porta, queria correr é claro.
- Não vire de costas! Nunca se vira de costas ou se fecha os olhos para o demônio! disse-me a senhora.
Aprendi mais uma.
***
- Dê imediato virei de volta, agora com os olhos arregalados, quase pulando das órbitas. Imóvel.
- Vamos! o que o senhor vai fazer agora? Diga alguma coisa!
Finalmente falei o que talvez não fosse a frase mais esperada para aquela situação: – DESLIGUE O CONDICIONADOR DE AR!
CONTINUA…
Que criatividade!
Beirou uma espécie de terror cômico, mas menteve muito bem o clima proposto, de assustar. Boa sorte! Arrepiou
Cara! rsrs… Hora senti aflição pela situação e a cena, hora deu vontade de rir, realmente você soube dosar muito bem os estilos. Abraç!
espero a continuação. Vai ter não vai? hauasuhush
Claro que vai amigo Jonas. O cerebro está trabalhando para isso. rsrsrs… Obrigado por tirar um tempo do trabalho e passear aqui no ONE. abraço!