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Escritor: Luiz Luna
– Eu não gosto de festas. Na verdade, o significado de “não gostar” consiste apenas numa não atração, uma definição melhor do meu sentimento seria transmitida pela sentença “Eu odeio festas”.
Toda minha rotina em festas é quase que programada, e começa por ser convencido a ir. De alguma forma as pessoas ainda me convencem a ir à festas. Ao chegar lá o grupo aos poucos se separa, até que eu fique só e seja obrigado a procurar um canto para ficar, onde fico calado e sozinho por horas, vez ou outra encontrando as pessoas com as quais fui à festa, ou talvez conhecidas. Ainda assim, tirando esses encontros casuais, fico a maior parte do tempo em pé e calado. Lembro que já cheguei a ficar 3 horas sem falar nenhuma palavra e em pé. Depois da primeira hora eu paro de questionar o porquê de eu ter aceitado ir, de prometer que nunca mais aceitarei, e entro numa espécie de transe, a música ruim some, o corpo dorme, a mente viaja.
– Então porquê veio a essa querido?– ela falou sem sequer tirar o canudinho da caipirinha da boca.
Deixe-me explicar uma coisa sobre a Fernanda. Apesar de ter um diploma em filosofia, falar inglês, francês, e ler um tanto de grego e latim, ter um passaporte que já passou por Paris, Grécia, Londres, e ter peitos grandes o suficiente para manter uma conversa por tempo quase infinito com qualquer homem dessa festa, ela continuaria aqui sentada do meu lado só pelo prazer de me irritar me chamando de fofo ou querido. Parece que esse modesto prazer a fazia muito feliz. Caso eu resistisse aos “fofos” e “queridos” dela, creio que ela prontamente passaria a falar de um dos oito gatos dela, todos com nomes de filósofos, com exceção de Dephine Lalaurie, que recebia seu nome de uma assassina em série e torturadora. Apesar disso, todos os gatos se comparavam em maldade e no esforço de fazer com que todas as minhas visitas a casa dela fossem um verdadeiro inferno.
Da última vez foi Focault quem fez coco em minha bolsa.
– É complicado.– respondi esquivo.
O fato de eu responder que essa explicação era complicada, não significava que eu não a entendia, ou que ela realmente fosse complicada. Essa resposta na verdade refletia minha falta de vontade de repassar os pensamentos e condições que me levavam a estar lá.
– Você não quer contar querido?– ela falou terminando sua caipirinha– Vai beber essa que está na sua mão ou não?– perguntou logo em seguida.
– Não. Toma.– disse, repassando meu copo para ela.
– Ai, isso ta aguado, você deixou o gelo derreter.
– Quer que eu pegue outra?
– Não. Eu bebo essa mesmo, depois você pega outra. Agora explica por que você está aqui.
– Vê aquela garota ali?– apontei para uma garota loira cercada por outras pessoas, quase que ao outro extremo do salão.
– A loira de vermelho? Bonitinha ela, parece dessas garotas bobinhas, mas bonitinha. Você quer pegar ela querido?
– Não! Quero dizer, não é isso. Bem, você quer que eu explique por que vim à festa né? É disso que falamos né?
Ela sorriu, e dizendo que sim, pediu que eu continuasse minha explicação.
– Nós meio que temos uma história, somos, éramos grandes amigos, mas ela vem se afastando. Ficamos algumas semanas sem nos falar, e dias atrás, ela me pediu para vir a essa festa. Você sabe que essa festa é da prima dela né? Aliás, o que você faz aqui? Essa festa deveria só ter gente conhecida dela.
– Ah, eu vim com um garoto ai.– disse ela logo após acabar com toda a caipirinha num único gole.– Então você veio porque essa garota pediu?
– Sim.
– E por que você não tá pregado no vestido dela?
– Como? Você quer saber por que não estou lá perto dela?
– Que porre, não consegue entender uma pergunta simples?
– Hum, é só que quando cheguei, ela falou comigo por um pouco de tempo e se afastou, parece que ela não me quer por perto. Não consigo entender porquê ela me convidou.
Nesse momento um cara loiro se aproximou da Fernanda e, carregando em cada mão um grande copo com um liquido vermelho, juntou seu rosto ao dela sussurrando-a algo ao ouvido. Ela respondeu algo também sussurrando, tomou um copo de uma mão e se virou para mim sorrindo. O homem loiro então se afastou.
– Mas você gosta dessa garota né?
– Hum, gosto muito, ela é o que eu posso chamar de melhor amiga, ou o que eu podia chamar, já não tenho certeza.
– Pera, quando pessoas normais perguntam se você gosta de alguém, nesse contexto que eu estou perguntando, elas estão perguntando se você quer, bem, ter algo a mais com ela. Você quer?
– Não escuto isso assim desde a quinta série. Bem, acho que não, não sei. Eu gosto dela como amiga. Gosto muito, eu amo ela assim.– eu olhava para a garota enquanto respondia isso. Ela estava do outro lado da sala dançando e conversando com algumas pessoas, ignorando completamente minha existência.
– Sabe, eu não acredito em você.
Eu tinha certeza que ela olhava meus olhos ao dizer isso, que ela me percebia encarando a garota assunto de nossa conversa do outro lado da sala.
– Não acredita no que estou dizendo?– perguntei confuso assim que entendi suas palavras.
– Não acredito que possa existir alguém tão idiota.
Creio que eu deveria me sentir ofendido com essa constatação, mas apenas me senti mais confuso.
Por fim perguntei o que ela queria dizer com isso.
– Há quanto tempo você conhece ela mesmo?
– Bastante, mais de 3 anos.
– Não acredito, eu já teria desistido com dois meses.
– De que diabos você está falando, Fernanda?
– Você fica 3 anos andando com a garota, tratando ela como amiga, mas deixa de valorizar ela como mulher. Não me surpreende nada que ela esteja se afastando.– ela falou por fim, logo em seguida virando o copo com o líquido vermelho.
Apesar de eu odiar o fato da Fernanda falar 20 línguas, o modo como ela me chamava de fofo e querido, a forma como ela constantemente arrumava modos de me irritar, além do fato de que Camus havia arranhado um dos meus dvds preferidos, o que mais me dava raiva nela era o irritante fato de ela parecer e constantemente estar certa quanto a tudo.
– Então minha amizade não significa mais nada pra ela, ela desistiu da nossa amizade e não me quer mais por perto?
– Não exatamente, ela pode ter desistido completamente de você, ou pode estar testando para ver o quão importante ela é pra você.– nesse momento ela inclinou o corpo, apoiando a cabeça no meu ombro.
– Ver o quão importante ela é pra mim? Como?
– Se afastando para ver se você vai atrás dela.
– Se ela desistiu completamente de mim não quero incomodá-la mais.
Fernanda então olhou para a tal garota com os olhos semi-abertos e bocejou.
– Como disse, ela parece bobinha, duvido que ela tenha desistido completamente de você, embora você seja um idiota.– ela parou e virou os olhos pesados pra cima me encarando de forma séria– Sem ofensas querido.– disse em seguida.
– Se ela não me quer mais por perto, não quero incomodá-la nunca mais.– olhei então para Fernanda, fundo nos olhos– Fernanda, você é minha amiga né?
– Sou.– ela respondeu fugindo dos meus olhos e apoiando a cabeça em meu peito.
– Como faço para ter certeza que ela quer que eu tente algo? Como tenho certeza que ela quer que eu vá atrás dela?
– É simples.– ela disse com a voz sonolenta.
– Como?– perguntei eufórico.
– Você ama ela, né? Se você ama ela, tem que saber os desejos dela só pelo olhar.– sua voz ficava cada vez mais sonolenta.
– Fernanda…
– O que foi?
– Você está completamente bêbada, não está?
– Estou.– falou fechando finalmente os olhos.
Olhei então para o outro lado do salão procurando a tal garota, e percebi que ela também olhava para mim.
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estou num profundo tédio e com um péssimo laptop aqui, mas isso me divertiu, haha =)
gatos sempre são filósofos, haha.
Você deveria escrever ou tentar(não sei) falar mais da Fernanda, um bom perfil de personagem. Meio trash e meio clichê, mas divertido.
Enfim, achei uma certa relação com outras coisas, será?(tô sem pontos aqui)
beijos, :***