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Aug
04
2011

Noites de Luar: Os homens que acreditavam em Deuses

Escritor: Gustavo Martins

 

Parte 2: Os homens que acreditavam em Deuses

 

O dia seguinte passou rápido.

Estava ansioso.

Ansioso para me encontrar com ela a noite.

Meu trabalho como vendedor na mercearia não me cansava muito. Meus clientes diziam que nunca haviam me visto com um jeito tão alegre.

Entretanto uma visão cortou minha alegria. Um homem entrou na minha loja. Um homem que antes não me assustaria, mas que agora significava perigo. Um homem com cabelos pretos curtos, óculos finos e uma batina preta com uma cruz no colarinho.

Aquele homem era o que naquela terra chamávamos de Exorcista.

Vê-lo foi mais assustador para mim do que jamais será para qualquer outro.

Medo.

Esse sentimento que tomou conta de toda minha vida agora estava maior do que jamais esteve.

Estava em pânico.

Não queria perder a única pessoa de que já me aproximei.

Era irônico que eu que jamais pude me aproximar de ninguém por medo da crueldade tenha tido como primeira amiga um demônio.

Um demônio…

Seria aquela a razão daquele homem estar lá? Será que ele havia sido enviado para matar aquela garota?

Não queria acreditar, mas sabia que era isso.

Não permitiria…

Não iria deixar acontecer…

Jamais deixaria que fizessem nada contra ela!

Antes que pudesse perceber ele estava frente a frente comigo.

Numa mão segurava a cesta de compras e na outra o dinheiro.

Talvez ele não estivesse lá para trabalhar. Talvez ele só estivesse participando de um congresso ou visitando um amigo.

Mas e se não fosse isso? Se ele realmente quisesse fazer mal a ela eu tinha de avisá-la.

Eu tinha que saber para o que ele estava lá.

“O que um exorcista faz aqui?”

Foi o que perguntei enquanto registrava os últimos itens da cesta dele.

“Fui enviado para cuidar de um demônio que habita essa cidade.”

Por uma instante perdi o ar. Uma bala parecia ter atravessado meu peito.

Não havia dúvidas de que ele estava atrás dela.

Eu tinha que avisá-la.

Antes que pudesse notar, ele havia deixado o dinheiro em cima do balcão e saído.

Durante o resto do meu dia a angústia tomou conta de mim e à noite eu me encontrei com ela que estava tão calma quanto é possível alguém estar.

Quando falei para ela sobre o exorcista ela não pareceu preocupada ou sequer surpresa:

“Eles foram rápidos.”

“Você não está preocupada?”

“Não.”

Ela parou por um instante e abaixou a cabeça.

“Já me acostumei com as perseguições.”

Naquele momento senti que ela era mais parecida comigo do que pensei. Naquele curto momento meus sentimentos por ela mudaram.

Então é isso?

É isso que eles chamam de…

Amor?

 

Durante as duas semanas que se seguiram eu continuei a me encontrar com ela todas as noites.

Durante as duas semanas que se seguiram eu me aproximei mais e mais dela.

Durante as duas semanas que se seguiram eu me apaixonei mais e mais por ela.

Antes que me tocasse era quase primavera e em breve o festival das flores. Decidi convidá-la para ir comigo.

Naquela noite esperei por ela como jamais havia esperado antes, já que nessas duas ultimas semanas ela chegou sempre no mesmo horário. Em nenhum dia chegou antes, em nenhum dia chegou ou depois. Jamais vira alguém tão metódico e perfeccionista quanto aquela garota.

Acho que foi por isso que me apaixonei por ela. Uma garota completamente diferente de todas as outras. Uma garota única.

BLEN, BLEN, BLEN, BLEN, BLEN, BLEN, BLEN, BLEN, BLEN, BLEN, BLEN, BLEN…

O relógio da igreja tocou doze vezes. Era meia noite e ela ainda não havia chegado.

Um pensamento tomou minha mente e por mais que tentasse fazê-lo sumir ele permanecia lá, me torturando.

Coloquei a mão no bolso e vi que minha faca estava lá.

Desci do teto correndo e fui para as ruas.

Corri em direção a igreja tão rápido quanto meu corpo podia.

Atravessei as ruas escuras e vazias daquela cidade sombria sem olhar para os lados. Cheguei ao meu objetivo, uma Igreja Vitoriana cercada por um portão de ferro da minha altura.

Após pulá-lo andei pelo caminho de paralelepípedos coberto de folhas de laranjeira caídas. O som do vento batendo nas árvores tornava a situação tão tensa quanto é possível uma situação ficar. No fim da trilha estava a entrada. Antes de cruzá-la olhei para o céu e vi que a lua estava encoberta por nuvens.

Suspirei.

Na primeira noite em que ela não apareceu a lua também não apareceu…

Abri a porta e vi, amarrada numa cruz de ferro por correntes enferrujadas e com seu vestido manchado de vermelho, aquela que eu amava e, com uma faca em mãos e um sorriso sádico no rosto, aquele Exorcista que dias atrás encontrei estava cercado por outros de igual demência a entoar cânticos latinos.

Ao notar minha chegada ele se virou para mim sem parar de sorrir.

“Bem vindo, irmão.”

Foi o que ele disse.

Olhei no fundo daqueles olhos cruéis, tentando encontrar uma razão para o que ele estava fazendo. Meu primeiro desejo foi de sacar minha faca e rasgar sua garganta com um único golpe.

Mas não consegui.

Meu corpo não obedecia meu cérebro e eu não conseguia me mover. Tudo que podia fazer era olhar para aquela cena assustadora sem poder fazer nada.

Naquele momento senti ódio.

Ódio daquele homem por estar torturando alguém que jamais fez nada contra ninguém e de mim por ser fraco demais para detê-lo.

Fraco… É isso que eu sou? Fraco? Fraco? Fraco?

“Sabe…” Disse ele, pegando a faca e passando-a na batina para limpar o sangue “Quando entrei na sua loja não esperava nada. Achei que só fosse comprar o que havia ido comprar e ir embora. Porém a providência divina é grande e poderosa e de onde não esperava nada veio uma revelação”.

Ele se virou para a garota e apertou o lado da faca contra to pálido pela perda de sangue.

“Ela é tão bonita. Pena que é um demônio.”

Foi o que ele disse, enquanto passava a língua pelo pescoço dela.

Aquela cena repulsiva me despertou do estado de choque. Passei a mão pelo meu bolso e peguei a faca. Comecei a andar vagarosamente em direção a ele com a arma a vista.

Ao ver que eu me aproximava ele tirou uma arma de fogo de dentro da batina e apontou na minha direção:

“Não seja tolo! Essa herege te infectou com seu veneno! Demônios vivem para fazer com que os homens caiam.”

“O que você sabe? Não passa de um cão sem vontade!”

“Você ainda pode se salvar, homem! Apenas saia daqui e esqueça que conheceu essa coisa!”

Coisa.

Como ele ousou chama-la de coisa?

A fúria que tomava conta de mim apenas era acrescida por suas palavras.

“Ela é infinitamente mais humana que você!”

“Blasfêmia!”, ele gritou e os outros repetiram em coro uníssono.

“Alguém capaz de torturar alguém que nem ao menos conhece apenas porque foi mandado fazê-lo não é digno de ser chamado de humano!”, disse enquanto apertava a faca com as duas mãos e a apontava para o desgraçado.

“Esse monstro já tomou sua mente! Terei de exorcizá-lo com o metal de minhas balas sacras! Não se preocupe, porém, pois o céu pertence àqueles que inocentemente caíram pelo veneno de seres pérfidos!”

Ele virou-se de frente para mim, segurando a arma com as duas mãos. O som da arma sendo engatilhando chegou ao meu cérebro como um sinal de alerta. Meus batimentos cardíacos aceleraram e minha respiração ficou mais e mais rápida. Os cânticos aumentavam em volume e fúria. Uma insana sinfonia de sons que me jogava ao desespero!

 

Seria aquele meu fim?

Eu não podia morrer!

Eu não podia morrer!

Eu não queria morrer!

Queria gritar, mas nenhum som saía de minha garganta. Tentei andar, mas minhas pernas estavam paralisadas. Por mais que tentasse me mexer não conseguia.

Não queria morrer!

Não queria morrer!

Não queria morrer!

Não queria morrer:

“Descanse em paz!”

Fechei os olhos e ouvi um som alto. Senti algo quente e molhado na minha camisa.

Não houve dor.

Então isso é a morte?

Estou… morto?

 

Abri os olhos. Minha visão ainda estava embaçada. Soltei a faca e esfreguei a mão no rosto.

Minha visão voltou ao normal e então eu vi…

As correntes haviam sido rompidas em pedaços e agora jaziam no chão.

A boca do exorcista estava ensanguentada e seus olhos sem luz. A arma que outrora ele apontava ameaçadoramente para mim estava caída a seus pés. Os outros loucos recuavam lentamente ante uma força que desconheciam. Do peito do exorcista saía uma mão, fina e branca, e daquele ponto brotavam fios de sangue que desciam pela roupa até o chão, formando uma poça vermelha.

Num movimento rápido a mão sumiu do peito e o corpo caiu sobre a poça de sangue, espirrando líquido para todos os lados.

No céu as nuvens se dissiparam e através da janela uma luz fraca iluminava a morte daquele homem.

Os outros loucos ainda tentaram avançar sobre ela, ensandecidos e aterrorizados, mas uma a um tornaram-se cadáveres mutilados.

Com as mãos e vestido molhados de sangue a garota se aproximou de um eu confuso.

“Você está bem?”

Foi o que ela perguntou.

Alguém que instantes atrás tinha uma faca cravada na barriga perguntou se eu estava bem.

Senti lágrimas correrem pelo meu rosto. Olhei para aquela figura gentil e tantas perguntas vieram a minha cabeça que nem mesmo em um ano inteiro poderia fazê-las todas.

Abracei-a e num instante não havia mais questão alguma.

Não me interessavam os “porquês”.

Não me interessava os “como”.

Só me interessava abraçá-la, sentir o calor daquele pequeno corpo.

Por alguns instantes ela ficou imóvel enquanto eu a abraçava, mas então, com uma ternura angelical, ela passou os finos braços pelas minhas costas e me abraçou de volta.

Nós nos abraçamos sob a luz de uma lua curiosa a nos olhar através das janelas de vidro decorado daquela Igreja Vitoriana.

Ainda abraçado a ela eu me lembrei de que no dia seguinte seria o aniversário da cidade e como todo ano haveria um grande festival. Deixei-a ir de meus braços e segurei suas mãos. Olhando no fundo daqueles olhos cor-de-rosa peguei toda a coragem que possuía.

“Amanhã será o festival em comemoração ao aniversário da cidade e eu queria que você fosse comigo.” Gaguejei. “Então, quer sair comigo?”, pedi enfim.

“Eu adoraria.”

Foi o que ela disse com a face corada e os olhos brilhando com a luz do luar.

 


Categorias: Agenda,Contos,Noites de Luar |

2 Comments»

  • “Ele se virou para a garota e apertou o lado da faca contra to pálido pela perda de sangue.” – Não consegui entender esta frase.

    Mas foi a única, o restante ficou claro. Não gostei do começo da narrativa, muito fragmentada. Isto é um gosto estético, estilístico, e não o condeno por isto. Mas, particularmente, gosto de coisas mais coesas, cadenciadas. Narrações por linhas não me pareceu uma escolha muito acertada, acabou deixando tudo muito fragmentado e rápido. Ou talvez tenha sido esta a intenção.

    Do meio pro final o texto começa a ganhar forma e o “caldo encorpa” e dá lugar a uma estória peculiar, interessante. Gostei da proposta, mexe um pouco com a temática sobrenatural de uma forma sanguinária, realista. Particularmente gosto desta pegada e você soube fazê-lo bem.

    Até o final, no desfecho romântico. Você perde toda a aura sanguinária e realista pra dar lugar aquela melação amorosa, para mim perdeu um pouco. Digo, tinha outras formas de você abordar a cena, sem deixá-la tão poética, o que destoou um pouco do restante do texto.

    Ademais, gostei do conto e parabéns! 😀

    • gustavomoonmartins says:

      Realmente, eu decidi usar linhas mais curtas para tentar passar uma ideia mais quebrada. Em geral eu faço algo mais “blocado”, só que resolvi tentar algo diferente nessa “trilogia” de contos.
      O romance realmente pode ter ficado bobinho demais, só que era também algo que eu queria tentar fazer. Acho que não deu muito certo.
      Obrigado pela crítica.

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