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Aug
01
2011

O amanhã

Escritor: Olavo de Farau

- Não tenha pressa, eu comprei toda a manhã para nós.

O ato de amor é sublime. A submissão da carne e mente ao coração em forma tóxica de sentimentalismo. O amor é exótico, gosto que único e adorável de apreciar, também veneno, pois que se espalha pelo corpo e lhe opera a abdicar, a agir sem pensar, a suspiros tolos e criação de poemas. Também majestoso, é puro em suas formas irrevogáveis e gratuito, o que deve ser observado em um mundo onde tudo tem preço, é a ação que representa o toque dO Criador. Sentimento divino e o simples senti-lo, ainda que não recíproco, lhe torna sacral.

Explode-se em beijos curtos distribuídos pelo pescoço e se incendeia junto do perfume de rosas, cravos e canelas. Rosas nunca te pareceram tão próprias, cravos, que nunca gostei, passei a adorar pelo simples fato de ti o aroma emanar, canela, sempre amei. Diferente e quente, é seu sabor, é seu cheiro, sua textura, sua pele. É o gosto que aprovo e que minha boca deseja. Seus olhos me enxergam e os sinto tocar-me e despir-me. Cobrir-te-ia de mil beijos se me desse tempo e criaria Odes para exaltar sua beleza e perfeição. Dizendo nesses como sou nada, como não a mereço e como eis bondosa em me aceitar. Seria rainha e eu cavaleiro errante e faríamos jus aos maiores contos do Romantismo.

À noite tocar-te-ia e por-te-ia para dormir cantando ninos após nosso amor. Não te trairia e jamais mentiria, duraríamos uma eternidade juntos aqui e outras maiores no além. Nunca te deixaria ir sem a mim e procurar-te-ia sempre que sumistes de minha vista, como se fosse o ar que necessito para respirar. Estaria sempre ao teu lado, nos momentos de acerto e principalmente nos de erro, pois sei que é quando mais irá precisar de mim. Eu seria ouvidos e de minha boca nunca sairia maus tratos, assim como minhas mãos serviriam apenas para afagá-la e nunca a repreenderia por ser o que é, já que a amo tanto. Nunca será minha sombra nos momentos importantes, sua voz não terá menos som que a minha e cada sábia ou tola palavra será ouvida e considerada. Pois que na minha vida é teu o papel principal.

Direi “eu te amo” a cada momento, por todo o tempo, para que jamais esqueça, menos ainda duvide do que sinto. É só aceitar-me, dizer que sim.

- Amanhã, como será?

- Amanhã não há. – disse com a voz doce que desperta meu coração e preenche de esperança os espaços onde em mim só habitam o medo, a tristeza e a solidão.

- Se eu considerar o amanhã uma projeção do momento seguinte ao de agora, posso pensar que o amanhã daqui a poucas horas se tornará hoje e assim o amanhã da despedida jamais chegará.

- O agora passou a se tornar passado do hoje e cada vez mais velho será enquanto um novo hoje se sobrepõe. Terei que partir da mesma forma, seu momento é o agora, não o amanhã. Seu futuro é ser passado.

- Infelizmente não posso tornar infinito esse momento.

- Nem eu evitar o amanhã.

- Ainda a verei?

- Sempre que quiser, sempre que chamar, virei.

- Será eu responder a teus chamados.

- Mas não é assim que puta trabalha.

Não, meu amor de hoje, não é assim que puta trabalha.


Categorias: Agenda,Contos |

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Publicado por Olavo de Farau

– que publicou 4 textos no ONE.

Nascido e criado no CCBB, muito arredio na infância, passou muito tempo lendo e vendo filmes em preto e branco para poder gostar de outra coisa quando já estava na adolescência. Diz-se que estuda Direito, mas deve ser porque é sempre visto no bar em frente a faculdade. Ama todas as formas de amor e ama todos os amores e luta para defender o que pensa. Pois viver e não lutar seria o mesmo que existir e não ser feliz, não tem sentido.

>> Confira outros textos de Olavo de Farau

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