Pelo Bolinho do Dia D
Escritor: Lucas Millan

Era o dia D. A operação que decidiria o futuro daquele confronto que já durava meia década atingia seu auge! O estrondo das artilharias ressoava pelas trincheiras, indicando o momento de avançar ou recuar; o som de mil, dez mil, um milhão de disparos ao mesmo tempo martelavam os tímpanos dos soldados que, já havia muito, abandonaram o sonho da supervivência e apenas se preocupavam em ajudar sua nação ao derrubar o máximo numero de soldados inimigos.
Um batalhão da primeira linha do exército invasor acabava de ser dispersado pela explosão quase certeira de uma rajada de artilharia. Dois cabos, amigos de longa data que se haviam alistado juntos um ano atrás, se arrastavam, lado a lado, por uma trincheira particularmente rasa, bem perto da primeira linha inimiga. Um deles, um furão de olhar ativo a pesar da fadiga, parou ao sentir a mão de seu companheiro pousar em seu ombro de forma brusca.
-Vamos descansar um pouco, Alby. – Disse seu amigo, um cervo de rosto amarronzado com a tinta de camuflagem já bem borrada. Recostou-se contra uma das paredes da trincheira, descansou seu fuzil no colo e bebeu de seu cantil. – Precisamos descansar antes de realizar a missão.
-VOCÊ precisa descansar! Eu vou continuar. Me passe o C4. Preciso estourar muita gente hoje. – Grunhiu o furão, de cara amarrada, estendendo sua mão ao cervo.
-Não é possível que você ainda esteja nessa pilha toda por causa do bolinho. – Revirou os olhos e deu um novo gole, ignorando a granada que explodira a poucos metros. – Nós sobrevivemos uma manhã infernal, vimos companheiros morrendo, matamos muitas pessoas, quase fomos mortos várias vezes e você tá preocupado por vingar teu bolinho?!
-Eu estou te falando que temos um espião no nosso pelotão. – Insistiu Alby, com uma expressão maníaca no rosto sujo de terra. – Um maldito espião que sabe qual área íamos percorrer para a emboscada.
-E que, antes de avisar nossos inimigos, comeu teu bolinho de chocolate. – Completou o cervo, com voz irônica – Não vê que isso é maluquice tua? Aposto que você comeu faz uma semana e nem se lembra.
-Aquele era o bolinho do dia D. – Contestou ele, friamente. – O bolinho do dia D deve ser comido no dia D. Sabe por quê, cervo? Porque no dia D…
-”Nós podemos morrer com honra”, sim, eu sei.
-Exato. E eu tinha guardado esse bolinho para este dia como motivação para não morrer até hoje. E então vem um espião filho de uma cadela e o come! Como você quer que eu esqueça?
Ouviram um gemido bem perto deles e o corpo sem vida de um soldado inimigo caiu em sua frente, na trincheira. Eles estavam recuperando terreno.
-Precisamos ir embora daqui, cervo, e completar o plano B que eu idealizei. Ou você me dá o C4 ou eu vou te tirar à força!
-Ah, branquelo, não me enche, vai… – Disse, desdenhoso, levando o cantil à boca novamente. Ele mal teve tempo de reagir ao ataque surpresa do furão, quem largara seu fuzil e começara a vasculhar os bolsos do colete do cervo à procura do explosivo. – Ei, espera, p… PARA COM IS…
-O que é isto…?
O furão segurava um pedaço de papel. Um pedaço de papel amassado que o cervo guardara aquela manhã no bolso, antes de entrar em formação para receber o sempre motivador discurso de seu sargento. Aquele pedaço de papel que escondera em seu bolso, dedicando uma ultima lambida nos lábios, ao ver que seu amigo de longa data chegava. Ainda podia ver vestígios de farelo sobre ele.
-A… Alby, eu… Desculpa…
Alby sequer respondeu. Seus olhos escureceram, sua expressão adotou um ponto de frialdade que, em meio ao caos que estavam enfrentando transmitia a mais pura loucura. Ele se levantou, ignorando o perigo de ser atingido, apontando o fuzil que acabava de recuperar do solo. Sem hesitar por nenhum segundo.
-E A MISSÃO? E NOSSA AMIZADE?
Alby o fitou por um momento e sua expressão de serenidade se transfigurou em uma careta de fúria que atormentaria os sonhos de qualquer bebê.
-FODA-SE O MUNDO! VOCÊ COMEU A PORRA DO MEU BOLINHO DO DIA D!!!
E apertou o gatilho. O fuzilamento foi violento e durou tempo o suficiente como para o cartucho acabar. Alby, tranquilamente, recarregou e continuou a disparar. Pelo bolinho. Pelo maldito bolinho do dia D.
PELO BOLINHO DO DIA D!
Até que o C4 que havia nos bolsos do cervo foi atingido. Até que uma explosão o abraçou calorosamente e destruiu completamente a trincheira onde estavam, sem causar grandes danos ao exército inimigo.
Ironicamente, a meio quilometro dali, o resto do batalhão caía numa armadilha, como se o inimigo soubesse exatamente para onde estava indo. Tarefa de um espião, talvez. Isso nunca saberiam. Tampouco saberiam que dia D, um par de horas mais tarde, seria anunciado como um fracasso aos altos cargos do exercito da nação atacante.
O cervo, porém, morreu sabendo de uma coisa: O Bolinho do Dia D estava uma delícia.
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hahaha que sensacional!!
em poucas linhas esse conto me levou da tensão de uma guerra para as risadas com a história do bolinho! realmente…qdo o assunto é comida, viramos bicho xD
final surpreendente e divertidíssimo! meus parabéns! adorei ler =D
Esse era o objetivo! Fico feliz de que tenha resultado divertido =3
Ficou muito bom, como o Rafael falou falou, o conto foi da tensão da guerra das explosões e da sujeira, para o desfecho do bolinho.!
Ficou muito bom meeeeeeesmo.!
Irônia aos teus serviços. Obrigado pelo comentario! =D
Nossa, mto bom! =o
adorei mesmo!
Não hesite em procurar mais coisas minhas =)
ahushiuahsiahs muito bom, curti
Bah, fico feliz! Obrigado pelo comentario
Esse cervo precisa moderar seu linguajar.
Muito bom, divertidíssimo de se ler!
Muito bom! rs
Aee Millan, muito bom o texto!
Escreve quase tão bem quanto eu! ahuahau
Abraço
Huahuahuahuahua Foda… Raxei o bico aqui! Muito bom Millan!
Aeeewwwwww…. muito loko!!!
Esse é meu primo!!! kkkk
Beijos
Concordo com o pessoal aí de cima, deixa só o Canal de História saber que houve um bolinho do dia D, para fazêr um documentário
Hahaha, esse “Dia D” não faz referência ao dia D da segunda guerra mundial. É uma denominação militar normal para referir-se ao dia de uma ação importante, que é usado como referencia para seus preparativos. =)
Obrigado pelo comentario!
Cara voce tem esse jeito de colocar animais humanos sensacional.Ficou engrasssadicimo , eu ri demais , muito mesmo.Muito bem escrito e articulado , a mudança de climas foi muito bem feita.
-
“FODA-SE O MUNDO! VOCÊ COMEU A PORRA DO MEU BOLINHO DO DIA D!!!” kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk XD
-
eu acho que esse cervo maluco desgraçado comedor de bolinhos do dia D era o espião.
-
Ah uma coisa o dia D foi importante sim, mas eu não considero o auge.Loucura total inacreditavel foi Stalingrado , isso é que foi o inferno.
epa /\ ta aguardando moderação, esqueci de camuflar o fod@-se
Não creio que haja problemas. Foi um palavrão justificado ;D
xD
Hmmmmmm, será? Ou será que ele era apenas um soldado famnto que viu um bolinho dando sopa?
Hehehe, sim, Stalingrado foi uma maluquice, em todos os sentidos. Mas, como disse pro Trillium lá encima, o conto não faz referencia exatamente à segunda guerra. Tanto que o Dia D aqui foi um fracasso xD
Obrigadíssimo pelo comentario!
Sim eu reparei mas resolvi falar de stalingrado assim mesmo.kkk
Uma coisa o correto é pra Trilium , nossa portugaja.
-
Meu irmão, onde Furao mete a cara , cervo treme o chifre
e
Onde fuzil do branquelo come, cervo viado descome(bolinho)kkkkkkkkk
-
Eu ja acho justificavel mata-lo so por comer o bolinho do dia d mesmo, não precisa ser espião
epa XD /\ auguardando moderação denovo , eu eskeci do vi@do
Em poucas palavras?
Poucas vezes na minha vida tive a oportunidade de ler algo tão inspirado, divertido, cativante e bacana.
A escolha do “travestimento” dos personagens principais em animais, a pequena história sobre uma possível travessura que se mescla numa possível trama de traição que genialmente perde qualquer noção de importância (afinal, comeram o MALDITO BOLINHO DO DIA D!!!), o próprio final, bem explicado, amarrado, brincando com as possibilidades ou não da história, enfim, um trabalho MUITO bom. Parabéns!
Gostei muito da história, auhsauhsauashsuahusa, parabéns aeee grande
Muito boa a historia, parabéns!
Ainda acho q o bolinho era o espião e o cervo tentou salvar todos hahahaha
XD
gente, um premio para o Daniel /\ EU NUNCA RI TANTO DE UM COMENTARIO!
Parabéns primo!!!!! Adorei o conto! E quando você voltar, terá muitos bolinhos a sua espera! Sucesso! Bjos…..
Morri de rir! kkkkkkkk Muito bem pensado, cara.
E eu concordo com Daniel!
Gostei, o texto flui bem e é comico.
–
Mas acho que no seu ímpeto de contar algo engraçado, repetiu demais algumas palavras. Vale uma re-leitura do autor e tirar algumas “gordurinhas” do conto.
–
No geral, gostei sim.
Kkkk. Ri muito. Muito bom. Comédia pura. Nada a reclamar, apenas a elogiar.
Parabens Hreter, ja tinha lido antes! conseguiu a capa! fico feliz por vc!!! to tuitando seu conto neste instante!
abracao do lobo de fogo!
Nooooosssssaaaaa, muito bom, parabéns pela originalidade!!!
Fui lendo e gostando bastante, mas o final estragou minhas experiência com a leitura. achei um pouco fraco esse final.
Olá, Vitor! Obrigado pelo comentario.
Poderia especificar em quê te desanimou o final? =)
Se ele não especificar o final, nem esquenta. É difícil agradar o Vitor.
Não esquento, apenas gosto quando alguém diz que não gosta, significa que tem algo a criticar. E tem algo mais gostoso que criticas? <3
Doritos.
hsaushuahs, eu gostei, o tipo de conto que eu gosto, realemente bom
Que bom que gostou :3
Te convido a ler outros contos meus. É só clicar em meu nick.
A história está muito boa. Mas eu, pessoalmente, acho desnecessário o uso de frases inteiras em maiúsculas. Me dá a impressão de estar lendo post de internet… =D \o/
Hehe.. essa do post é boa.
Eu acho uma forma válida de expressar onomatopéias ou falas em um tom mais elevado que as demais exclamações. Acho muito mais válido do que, por exemplo, multiplicar por arte de mágica os pontos de exclamação. xD