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Aug
17
2011

Um Conto de Natal

Escritor: Flavio Brabo

um-conto-de-natal

Mais um final de ano se aproxima e com ele a festa mais aguardada pelas crianças.

Noite de Natal. Crianças espalhadas pelo mundo inteiro aguardam a visita do bom velhinho. Apreensivas esperam que Papai Noel chegue com os presentes tão desejados durante o ano, mas nem todos os pequeninos acreditam na figura de um homem vestido de vermelho com barba comprida e um barrigão.

Esta é a história dos irmãos Daniel e Rodrigo, um com doze e o outro com sete anos. O primeiro não possui mais a ilusão do velho barbudo, é muito difícil hoje em dia uma criança nessa idade acreditar que um velho desconhecido venha até sua casa entregar presentes.

- Rodrigo. O que você está fazendo? Perguntou Daniel o mais velho.

- Estou colocando um bilhetinho na árvore de Natal com meu pedido para o Papai Noel.

- Larga a mão de ser bobo. Já não te falei que Papai Noel não existe.

- É lógico que existe. Eu o vi no Shopping hoje à tarde.

- Está vendo como você é besta. Era um homem vestido de Papai Noel para enganar trouxas como você.

- É mentira. Eu conversei com ele. Ele disse que vai trazer meu presente porque fui um menino bonzinho.

- Então fica esperando seu bobo, ele não vai trazer nada pra você. Ele não existe e nunca existiu.

- É o que veremos.

Faltando vinte minutos para as doze badaladas, Viviane mãe dos meninos entra na sala e vai falando.

- Meninos. Está na hora de vocês irem dormir.

- Mãe, eu quero esperar Papai Noel. Falou Rodrigo.

- Não pode meu filho, senão Papai Noel não vai trazer seu presente. Vai dormir. Quando você acordar Papai Noel vai ter deixado seu presente.

- Tudo bem mamãe.

O mais velho ficou olhando para a mãe com um olhar desconfiado. Raphael, pai dos meninos, não precisava falar para que eles entendessem o recado. Olhou para Daniel, e como se um olhar valesse mais que mil palavras, o guri foi em direção do quarto com o irmão mais novo.

Silêncio em toda a casa. Somente o barulho do vento entrando pela fresta da janela podia ser ouvido.

Daniel acordou com sede. Levantou e caminhou em direção a cozinha. Quando chegou próximo a porta da sala, um vulto vermelho e alto na sua frente causou espanto.

- Não pode ser verdade. Eu devo estar ficando louco. Não existe Papai Noel.

O menino seguiu em direção aquele homem travestido com roupa vermelha e botas enormes.

Caminhou lentamente na ponta dos pés até chegar próximo. O homem de costas para a porta não percebeu a aproximação do menino franzino.

- Papai Noel. É você?

O homem virou-se rapidamente baixando o rosto em direção ao menino. Grandes olhos negros fixaram-se dentro dos olhos do garoto. Ficou tão perto do rosto do menino que sua imagem fora refletida na escuridão dos olhos enegrecidos.

A figura grotesca de um velho narigudo e com uma longa barba branca o encarava. Um arrepio percorreu a espinha do garoto. Ficou paralisado sem reação. Não conseguia se mexer nem falar nada. O homem aproximou-se do garoto e uma voz rouca cortou a escuridão da sala:

- Você que é o Daniel. Aquele que não acredita no Papai Noel?

O menino não conseguia abrir a boca, tamanho pavor que sentia no momento.

- Vou perguntar de novo. Seu nome é Daniel?

O garotinho tremendo de medo conseguiu somente dizer um “sim” muito baixo que mal podia ser ouvido. O homem que parecia um gigante calçado de botas abraçou o garoto estático e o colocou num saco vermelho.

Os lábios do menino não conseguiam se abrir. Dava a impressão de estarem colados. Não conseguia falar e nem gritar por socorro. Tentou se debater dentro do saco, mas o corpo permanecia inerte aos movimentos como se uma força externa o paralisasse. O homem aproximou-se da janela da sala e de supetão pulou e sumiu na escuridão da calada noite.

Amanheceu o dia, Viviane colocou a mesa para o café da manhã.

- Daniel. Rodrigo. Venham tomar café.

Somente Rodrigo saiu do quarto e foi em direção a cozinha.

Quando passou pela sala reparou alguma coisa embaixo da árvore de Natal. Um pacote colorido e grande.

Saiu correndo na direção do embrulho com seu nome e começou a rasgar a embalagem. Seus olhos nem piscavam de tão compenetrado que estava.

- Mamãe, mamãe, Papai Noel trouxe meu presente. Eu sabia. Eu sabia que papai Noel viria.

Viviane colocou a cabeça para fora da porta da cozinha e espiou o menino abrindo uma caixa grande. Logo pensou. – Deve ser o presente que Raphael trouxe para os meninos. O garotinho sentia uma emoção tremenda, suas mãos tremiam enquanto as folhas da embalagem caiam ao chão.

– O que será que papai Noel trouxe pra mim?

Gritos de alegria podiam ser ouvidos pela casa.

- Mamãe, papai Noel trouxe meu presente.

Ao abrir o embrulho uma surpresa, o menino havia ganhado um boneco. O brinquedo possuía feições humanas, dava a impressão que estava vivo. Os detalhes dos olhos, da boca e cabelos impressionavam tamanha  perfeição.

- Mamãe, mamãe, olha o que ganhei. Ganhei um boneco.

A mulher dirigiu-se para a sala. Um grito de horror pode ser ouvido á distância. Como se fosse acertada por uma bigorna na cabeça. A mulher despenca no chão desacordada.

Daniel, o menino mais velho estava paralisado como estátua. Amarrado em seu pulso em cartão de Natal com a figura do bom velhinho e os dizeres.

- “Nunca subestime o espírito do Natal”


Written by Flavio Brabo in: Contos,Flavio Brabo | Tags: , ,

17 Comments»

  • Andrey Ximenez says:

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    Mas que blz isso ai Flávio, que blz!
    -
    Só cuide as virgulas:” Olhou para Daniel, e como se um olhar valesse mais que mil palavras, o guri foi em direção do quarto com o irmão mais novo.”
    -
    Cortando o que está entre virgulas ficaria: ” Olhou para Daniel o guri foi em direção do quarto com o irmão mais novo.”
    -
    Reparou que ficou ruim a concordância?
    ;)

    • Rainier Morilla says:

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      Ótima dica Andrey.
      Nunca tinha observado uma frase desta forma. Serve para todos aqui.
      Valeu. =D

      • Lord Jessé says:

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        Nem eu. Achei interessante isso.

        • Trillium says:

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          ” Olhou para Daniel,(…), o guri foi em direção do quarto com o irmão mais novo.”

          As virgulas estão bem colocadas, servem para separar uma parte do texto que se não estivesse lá colocado na frase, esta continuaria a fazer sentido.

  • Thainá Gomes says:

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    que papai noel malvado.

  • Rainier Morilla says:

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    Botei fé neste Santa Claus!
    Muito legal este conto, a criatividade foi muito massa.
    -
    Entretanto alguns erros passaram desapercebidos, como a falta do “-” na frase: “- Rodrigo. O que você está fazendo? Perguntou Daniel o mais velho”
    -
    Dá impressão que o Daniel está falando “Perguntou Daniel o mais velho.
    -
    Outra coisa. Quando você chama o personagem (vocativo) a separação é uma vírgula, não frases separadas.
    Ex.: “Rodrigo, o que você está fazendo? – Perguntou Daniel, o mais velho.”

  • André Alves says:

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    Ainda bem q eu acredito em Papai Noel até hoje… 8D

  • Samila says:

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    gostei da história,da ‘lição’. mas como disseram alí em cima, cuidado com a pontuação…

  • Lord Jessé says:

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    Realmente. “Que Papai Noel malvado!”
    -
    Legal o testo. Bem bacaninha.

  • Màáhh says:

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    Muito bom esse texto adorei parabens tudo de bom
    feliz natal (ainda bem que o espirito de natal me cerca todos os dias do ano inteiro)
    abraços

  • Shado Mador says:

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    Leve e agradável.Gostoso de ler.

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    gostei, mas dava p/ ter deixado mais sinistro isso ae ein! haha

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    Caraca, muito bom, história interessante e um desfecho bem diferente! Parabéns! Juro que quando comecei a ler imaginei se tratar de uma história leve. Me pegou de surpresa =)

  • Bruno Vox says:

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    Uma coisa que eu odeia na vida é o Papai Noel. :P

    Gostei do texto, parabéns manolo.

  • Priscilla Rubia says:

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    Conto criativo! Poderia ser mais assustador, mas com o tempo você pode torná-lo mais maléfico xD
    Não sei se já lê, mas ler alguns livros do tipo pode ajudar.
    Como já foi dito, somente alguns erros de pontuação, mas nada alarmante, a gramática está boa.
    Continue escrevendo!

  • Madu Barros says:

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    Incríível esse desfecho!! Só cuidado com a pontuação, como a falta de vírgulas e de ponto de interrogação em algumas perguntas. Também houve momentos em que você colocou um ponto final após o vocativo, deixando a entonação da frase estranha. Eu digo isso porque chamou tanto a atenção que você acaba ofuscando a história, que é muito boa. Parabéns!

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