Vermelho
Escritor: Rodrigo Maia
Sento-me na cadeira de uma lanchonete. O alimento ? O mesmo de sempre,o trivial. Enquanto tomo uma bebida,observo as pessoas ao meu redor,umas mais apresadas outras nem tanto. Observo as cores,a vivacidade deste mundo,o vermelho da vida.
De repente me vejo arrebatado em uma espécie de transe hipnótico,vejo as cores se confundirem em uma espiral cônica,minha cabeça gira…Levanto-me de imediato,estou fraco. Cambaleante,olho ao meu redor e vejo a realidade se alterar diante dos meus olhos. Encontro-me envolto em brumas, em uma espécie de mundo etéreo e estéril. Um mundo cinéreo e sem vida,sem cor,sem vermelho. Começo a entrar em um estado de certa aflição. Tento caminhar,desnorteado,por entre as densas brumas que me abraçam. Diviso vultos,sim,formas humanóides que vão surgindo dentre a densa neblina,criaturas que parecem feitas de sombra,pura sombra.
Sinto falta do vermelho. Talvez nem me importaria se acaso não existisse outras cores neste mundo apático,mas o vermelho…
Subitamente, sinto algo tocar meu ombro direito,viro-me,e lá está, uma destas criaturas,destas…coisas,me fitando com seus…Deus!Nem olhos está coisa possui. Demônio,isso sim,Demônio. Ouço um som inteligível ressoar em minha cabeça, creio que seja ato desta criatura, estaria ela tentando dominar minha mente?Possuir minha alma?
-Se afaste de mim,demônio! Coisa satânica! – grito horrorizado.
Por um momento,parece que meus gritos chamam a atenção das outras criaturas. O pânico se apossa de vez da minha alma. Começo a correr desesperadamente por entre as criaturas,trombando e empurrando as mesmas, tentando sair deste mundo de horror,deste mundo sem cor…sem…
-Vermelho! – exclamo em alta voz.
Vermelho! Lá está,como um bálsamo para meus olhos fatigados desta mórbida insipidez…
Contemplo ao longe,tão sublime visão…Um lindo,vermelho e adorável balão…Mais que depressa,corro ao encontro dele,sim,corro ao encontro dele como o amado corre ao encontro da amada há tempos não vista. Venha cá meu balão,lindo balão vermelho,você é tudo que eu preciso,que eu sempre precisei neste mundo tão…
Epílogo
Que mundo colorido…Creio que quem o criou tinha uma vasta paleta de cores a sua disposição. Meu corpo jaz sem vida no meio daquela rua,junto a ele um automóvel. O motorista sai do carro,leva as mãos a cabeça,pessoas se aglomeram em volta de mim,algumas levam as mãos a boca outras balançam a cabeça negativamente. Sinto alguém pegar minha mão…São mãos de criança. Olho para baixo e vejo uma doce garotinha:vestidos negros,longos e cacheados cabelos dourados,dois rubis ocupam suas órbitas oculares e sua boca,definitivamente,é bem costurada…Ela fita meus olhos…
-Vamos? – ouço ecoar em minh’alma. Sem que houvesse tempo de eu responder,ou,como que se a minha resposta já fosse sabida pelo universo desde tempos imemoriais,contemplo meu corpo pela última vez e, enquanto vamos sendo tragados por um vórtice negro que surge do chão,contemplo esse corpo do qual verte sangue,um sangue tão vermelho quanto o balão que minha doce anfitriã segura firme em sua pequena mão esquerda.
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Muito bom! Confesso que antes de chegar ao epílogo, pra mim seria somente um conto chato, não por sua forma de escrever ou algo do tipo, seria por meus motivos, meus gostos, porém o final foi supreendente.
Obrigado por seu comentário Priscila,este foi o primeiro conto que escrevi na vida.Fico feliz de ter acresentado algo positivo a sua leitura. Estarei trabalhando duro para sempre poder apurar minha escrita. Abraços !