Amor entre Estrelas
Escritor: Kim kpg
Com o verdadeiro amor, nem mesmo a distancia das estrelas pode acabar.
Julho de 2070.
Lembro-me daquele dia até hoje, há 16 anos fazia exatamente nove anos que haviam descoberto em Marte um sinal de vida inteligente, uma raça que vinha destruindo vários planetas, os Crusades, seres que tinham uma marca, no que seria o abdômen, de um símbolo que lembrava o de uma cruz. Esses monstros destruíram a primeira expedição de humanos que encontraram, dois anos depois uma segunda expedição teve sucesso e apesar de um alto numero de baixas exterminou esses Crusades.
Aquele dia foi a ultima vez que a vi, mas me lembro perfeitamente dela aqueles cabelos negros e pontas tingidas de rosa, aqueles olhos castanhos escuro, aquela expressão tranqüila, aquele sorriso, as bochechas grandes e rosadas e até mesmo de nossas discussões por motivos idiotas. É Andréia, a cada dia que passa sinto mais sua alta.
- Pedro, quero conversar com você.- ela me disse.
- Pode falar.- respondi a ela, enquanto olhávamos do alto da sacada de minha casa em São Paulo.
- Me promete uma coisa?
- Claro, tem a ver com eu te matar?- era costumes fazermos esse tipo de brincadeira, coisa de infância.
- Não seu idiota.- aquela foi a ultima vez que a vi sorrir, alegremente.- É sério. Quero que você me prometa que vamos ver a próxima final da Copa do Mundo, com o Brasil jogando.
- Não vamos ver a final esse ano de qualquer jeito?
- Não Pedro, eu preciso te contar uma coisa.
- Você está me deixando nervoso.- falei pra ela, que se se manteve séria.
- Você sabe que todos da nossa geração fizeram testes na ONU, quando éramos mais novos.
-Lembro sim.
- Aquilo era pra identificar pessoas que futuramente fossem capazes de entrar para expedições de extermínio dos Crusades, que seguem vindo na direção da Terra. Eu fui selecionada para ir a uma dessas expedições.
- Você está brincando comigo né?- perguntei a ela.
- Não, eu vou para a sede da ONU amanhã pela manhã.- no momento em que ela disse isso, não sabia se ela sentia-se bem ou não.
- Que legal, você vai pilotar uma nave de batalha e se tornar uma heroína.- naquela hora eu tentava disfarçar o que sentia.
- Agora, Pedro prometa pra mim?- naquela hora ela sorriu de novo, mas por algum motivo parecia estar angustiada.
No dia seguinte ela se foi, e ali começou um verdadeiro teste de amizade à única maneira que tínhamos de conversar era por mensagens de celular, ainda tenho todas elas armazenadas no meu celular a primeira delas:
“Faz dez minutos que cheguei aqui, começarei a fazer alguns exames mais tarde para ver se já estou apta para participar das expedições.”
Minha resposta foi:
“Sério? Que legal Déia me manda outra mensagem falando com foi o seu teste.”
Lendo essa mensagem agora, eu pareci um pouco frio com ela, acho que foi porque ainda estava em choque por ficar sem ver minha amiga de infância, por algum tempo.
Durante o próximo mês trocamos varias mensagens, mas tudo mundo dentro de mim no meu aniversário de dezesseis anos, recebi uma mensagem dela, uma mensagem que me fez sentir uma dor enorme:
“Pedro, parabéns, tudo de bom pra você”.
Alem dos parabéns quero te contar uma novidade, hoje fiquei sabendo que os Crusades estão se aproximando da Terra cada vez mais. Meu grupo está sendo enviado para lá, partiremos amanhã, e mensagens comuns de celular levam três dias de lá até aqui.”
Ao ler aquilo, sentia como se tudo ao meu redor tivesse desmoronado, minha amiga de infância ia lutar no espaço contra uma raça que planeja destruir toda vida no universo, e se ela não voltasse viva? E se ela se ferisse seriamente?
Decidi parar de me fazer essas perguntas, e apenas responder:
“Não brinca? Meu aniversário foi ótimo, mas faltou você aqui pra me dar um abraço estou começando a sentir falta da sua presença.
E a espera por suas mensagens, vai ser longuíssima mesmo sendo apenas três dias”.
Foi tudo que consegui escrever, não sei o porque naquele momento senti que um abismo gigante abria-se entre nós, a partir daquele dia comecei a deixar meu celular em casa para não correr o risco de perder ou ser roubado.
Depois de quase um mês senti que o abismo voltou a aumentar.
“Vencemos aqui, mas infelizmente recebemos a missão de eliminar todos os Crusades possíveis, em dois dias vamos ir embora para Plutão, lá temos a ultima base de operações dentro do sistema solar, não sei dizer quanto passaremos lá, mas você precisa saber que o tempo das nossas mensagens aumentará para pouco mais de sete meses.”
Ao ler aquilo não consegui me segurar, algumas lagrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, senti como se algo apertasse meu coração, só voltaria a ler uma mensagem dela dentro de mais de um ano, eu finalmente resolvi escrever depois de algumas horas.
“Andréia, eu estou sentindo sua falta mais do que tudo aqui, eu não vejo a hora de voltar a te ver, estou completamente sem palavras”.
Foi apenas isso que consegui pensar, me sentia muito mal naquele momento respirei fundo, e resolvi voltar à escola.
Naquele ano de 2054, não recebi mais nenhuma mensagem dela, no ano seguinte entrei o ultimo ano do ensino médio, e comecei a fazer cursinho pré-vestibular, passava horas estudando e pensava apenas em me tornar um médico, mas sentia que algo faltava ao meu lado. No decorrer daquele ano, apenas estudava e no mês de outubro voltei a sentir minha primeira grande alegria em um bom tempo, ao chegar em casa, olhei meu celular apenas por hábito, mas dessa vez não consegui conter a felicidade ao ler “Nova mensagem”
“Pedro, provavelmente já perdi o seu aniversário, é o segundo que passamos longe um do outro. Aqui em Plutão, me sinto tão sozinha, mesmo me dando bem com todos da tripulação, mas isso não é o suficiente, eu sinto falta de te ver.
A cada dia que passa as coisas ficam mais difíceis.”
Não sei como aquelas palavras no visor do celular me fizeram sentir alegre como nunca, resolvi sentar em meu computador e abrir uma pasta com fotos antigas, a cada foto que via de Andréia sentia meu coração bater mais e mais rápido, até que peguei meu celular e comecei a escrever uma outra mensagem, tentando botar mais sentimento nessa do que nas anteriores.
“Andréia, suas palavras fazem muita falta para mim, você sabe muito bem que não sou bom com palavras, sinto sua falta aqui junto comigo.
Tenho uma novidade para você, estou me empenhando para passar em medicina na USP, quando você voltar eu já serei um universitário. Eu te amo”.
Aquelas ultimas três palavras nunca haviam sido ditas entre nós, aquela foi a primeira vez, a primeira e ultima vez que disse aquilo.
No inicio do ano seguinte, descobri que passei em medicina na USP, mas continuava a sentir aquele vazio dentro de mim, no meu primeiro dia de aula me encontrei com um amigo que estudou comigo no segundo ano do ensino médio, naquela época ele fazia o curso de História, naquele dia ouvi uma coisa muito marcante dele.
- Você se lembra que a Andréia foi para o espaço lutar contra os Crusades?- perguntei.
- Andréia? A gente estudou com alguém com esse nome não foi?- ele me perguntou.
- Foi sim.
- Eu me esqueci dela, não acha que está na hora de você esquecer, é meio improvável ela voltar.
Ao ouvir aquilo, senti o abismo que me separava da minha amiga de infância aumentar, aquela frase doeu muito fundo, tanto que não me lembro do resto da conversa.
No fim do mês de dezembro do ano seguinte recebi outra mensagem de Andréia:
“Pedro, partiremos para a ultima investida contra os Crusades, nossa mensagens levarão em média nove anos para chegar de um local ao outro, por favor não me escreva mais, tudo no mundo tem um fim”.
Ao ler aquilo senti meu mundo desmoronar, o abismo aumentou vários quilômetros e tornou-se intransponível, comecei a chorar como se fosse uma criança, meu coração disparou, meu medo aumentou. Ela está com medo de alguma coisa? Será que ela está esquecendo de mim? Será que voltarei a vê-la? Minha cabeça se encheu de perguntas, todas sem resposta até hoje.
Finalmente, passaram-se doze anos, em que eu deixara de pensar em Andréia, naquela época eu estava de casamento marcado, mas uma coisa mudou tudo minha noiva viu uma mensagem em meu celular.
“Olá Pedro, de trinta anos aqui é Andréia de vinte e um quero que saiba que eu ainda te amo, e sempre amarei.
E por ultimo, hoje partiremos para ofensiva final, sinto sua falta como nunca. EU REALMENTE TE AMO.”
Pronto, aquela mensagem acabou com meu relacionamento, mas não fiquei nervoso nem nada do tipo, aquelas ultimas palavras em letra maiúsculas mexeram muito comigo, eu comecei a sorrir mais, até alguns pacientes notaram a diferença.
Tudo anda correndo muito bem, continuou a pensar no meu amor de infância, mas agora não dói tanto. Agora é aproveitar o jogo mais importante que já vi.
Aquele era o dia da final da Copa do Mundo que foi jogada na Argentina, a final era entre Brasil, e o país da casa.
Pedro passava pelo meio da multidão vestida de amarelo ouro, ao entrar no estádio viu o lugar pintado em azul claro e amarelo.
O jogo correu tranqüilamente e o empate em zero a zero mantinha-se no placar ambas as equipes levando muito perigo ao gol adversário, até que por volta dos quarenta e três minutos ele sentiu seu celular vibrar.
“Eu voltei”.
Aquela foi à mensagem que Pedro viu, e levantando a cabeça por algum motivo conseguiu ver vários degraus abaixo, o rosto de Andréia, ela estava parada olhando para ele e com um celular na mão.
De repente ele começou a correr, passando entre milhares de pessoas.
- Licença, licença.- repetia ele a cada pessoa que passava, a cada passo que dava pareciam que vários quilômetros do abismo que separava ele de Andréia diminuíam. Até que quando finalmente chegou perto dela, ele a beijou.
No exato momento em que aquele beijo aconteceu, a torcida vestida de amarelo ouro estourou em vibrações que pareciam até mesmo que comemoravam o beijo dado por eles, após um longo beijo Pedro falou baixo no ouvido de Andréia:
- Eu te amo, sempre te amei eu sentia sua falta.
- Eu também te amo, Pedro, nunca mais quero sair do seu lado.
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A história ficou confusa em alguns pontos por erros na pontuação e em alguns casos, falta de uma pequena revisão, mas, foi envolvente. Sinceramente eu não esperava que acabasse bem hahaha.