O Andarilho Errante – Parte II
Escritor: Leo Debacco

Um conto no mundo de Azura.
A manhã chegou fria e nublada quando ele abriu os olhos. Quando de trás de uma nuvem o sol apareceu, cobriu os olhos sensíveis com a mão. Odiava quando isso acontecia.
Olhou para os lados e descobriu que seus companheiros já estavam acordados e desmontando acampamento. As rondas na região central do reino acabaram e eles estavam voltando para a capital, o que o alegrava depois de mais de quatro meses fora.
Já faz mais de quatro meses que eu estou vagando. Mais de um ano que não vejo minha verdadeira casa, pensou Lork. Tinha fugido as pressas para alguma coisa, mas não sabia o por que. Lembranças de sua vida anterior eram névoas em sua mente, não conseguia se lembrar. Só lembrava-se do momento que a lâmina quente perfurou seu corpo e lhe roubou a vida… Para lhe trazer a imortabilidade.
Levantou-se e se espreguiçou. Sentiu uma corrente fria passar por seus ossos na abertura do peito e a fechou, colocando o sobretudo marrom e cinza. Pegou a pistola do chão e também sua espada.
—Vamos andar durante uma semana. Assim poderemos alcançar Bromeo e de lá, com cavalos, podemos ir rapidamente para Azura. Se tudo correr bem estaremos lá em três semanas. — Crokin fechava o mapa quando Lork se juntava a eles. Ele bateu nas costas do companheiro e deu bom-dia a Lork com o sorriso deformado que tinha.
—Você é dorminhoco. Acho isso normal. Os dois primeiros meses da minha transformação também foram assim conturbados. Mas você acaba acostumando e vai ficar que nem agente, sem precisar dormir. — ele colocou o pano que era o mapa dentro das vestes e pegou sua mochila.
Edmund se levantou e pegou sua mochila também. Assim os três saíram da elevação de terreno onde acamparam, direto para a campina de grama verde que se estendia até se perder de vista. Começaram andar depressa.
—Começando hoje vamos seguir em ritmo acelerado e assim podemos chegar a Bromeo como combinado. Você terá que fazer um esforço para ficar as três semanas sem dormir. — dizia Crokin. Ele dizia que Edmund o trouxera para a vida de imortal a serviço do rei Nekrus e que se sentia bem com aquilo. Já fazia mais de um ano. Eram do primeiro exército que fora composto no Norte.
Edmund também havia trazido Lork para a vida de imortal. Lork se sentia quase grato, mas desejava que Crokin o tivesse feito. Diziam que quem o torna imortal terá com você uma ligação emocional, mas dependendo da situação poderá ser de ódio ou de amor. Ninguém sabe. Lork sentia que Edmund não tinha para com ele uma amizade como tinha com Crokin e Crokin com ele. Via que seria a ligação do ódio que manteria ele e Edmund ligados.
Um zepelim passou em cima deles, mas logo viram que eram do bem, partidários do rei Nekrus. O zepelim era branco com um símbolo estranho e riscado. No seu lado estava o brasão do Rei Nekrus, uma foice negra sobre uma pedra roxa.
—Por que não podem nos dar uma carona? — perguntou Lork quando via o zepelim se afastar.
—Por que somos batedores. O exército principal não pode nos dar nenhuma ajuda. Isso está nas regras. Devemos andar somente a pé ou de cavalo, assim podemos ver o que acontece em terra. — Crokin somente disso isso. Um motivo estranho Lork reconheceu, mas se era regra, teria que respeitar. Nascera para obedecer ao rei Nekrus.
Depois de uma caminhada de mais de duas horas eles chegaram ao topo de uma colina e assim viram lá em baixo a mais de seiscentos metros uma aldeia. Estava com as chaminés em pleno trabalho. Aproximaram-se com passos largos.
Quando estavam a menos de duzentos metros da aldeia viram um brilho de metal. Descobriram mais para frente que não eram as chaminés que estavam soltando a fumaça, mas sim as casas queimadas e a usina de energia.
Eles rodearam a aldeia e viram que eram imortais enfrentando soldados humanos imundos. Lork desejou ajudar os cavaleiros, mas Crokin falou:
—O exército não pode nos ajudar e nós também não podemos ajudar eles. — continuou andando junto com Edmund, mas Lork ficou ali parado, vendo o desenrolar da batalha.
Os soldados do rei estavam levando a pior, com muitos humanos de roupas, em sua maioria marrom, jogando pedras e atirando flechas em chamas. As muralhas da aldeia eram pequenas, mas fortes feitas de pedra. Em cima delas estavam os humanos, lançando todo tipo de coisa nos soldados. Os cavaleiros tinham um aríete e mandavam ver nas portas de carvalho da aldeia, mas estas não cediam.
Lork olhou para seus companheiros. Os dois estavam a mais de dez metros, quando Crokin olhou para trás.
—Lork, não! — mas Lork já estava correndo com espada e pistola na mão.
Crokin saiu correndo atrás dele gritando para não fazer nada, mas Lork não ouvia. Só ouvia seu senso de honra e bondade. Não podia deixá-los morrer ali, queimados pela crueldade humana.
Quando estava a menos de dez metros da aldeia, um dos homens de sobretudo marrom mirou com uma pistola em seu peito e atirou. Lork cambaleou, mas nada sentiu somente o impacto. Quando se recuperou continuou correndo. Levou mais um tiro, mas não caiu.
Chegou junto à tropa quando a porta da aldeia caiu. Por ela jorraram homens com espadas e pistolas, atirando em todos os imortais que viam na frente. Lork caiu em cima deles e viu pelo canto do olho muitos pular da muralha da aldeia com cordas para lá e para cá, atirando em todos embaixo.
Crokin vinha logo atrás correndo e gritando para que ele parasse. Lork continuou a lutar descontroladamente com os homens e matava muitos com sua habilidade de batalha que não sabia que tinha. Suas pernas moviam-se com destreza numa dança mortal que não falhava. Muitos caiam em seus pés.
Os homens da muralha pararam com as cordas. Estavam agora dentro da vila que estava sendo invadida. Pela aldeia de edifícios baixos e com vários espaços entre eles, os imortais matavam todos humanos que viam pela frente. Alguns das muralhas pulavam de telhado em telhado com as flechas e armas na mão.
Os imortais caíam, mas logo se levantavam. Muitos soldados de manto marrom também se levantavam se tornando um deles e logo mortos pelos seus ex-companheiros. Os que sobreviviam eram incentivados a guerra contra os humanos e logo estavam nas fileiras dos imortais, exatamente como os que morreram no portão da vila.
Lork matava vários soldados, mas também tinha ferimentos no corpo sem sangue. Os homes que estavam nos telhados escalavam em qualquer parte dos edifícios e pulavam em cima das ruas, matando vários imortais.
Nesse momento estavam no centro da vila, onde se erguia uma fonte de pedra, como em todas as vilas e cidades azurianas. O gerador de energia da vila era uma casa com um telhado de vidro em forma de cúpula. No telhado podiam-se ver as ondas azuis elétricas da energia que era distribuída pela vila.
Os imortais matavam sem piedade. Agora os soldados de manto marrom estavam em número menor.
Lork matava um homem que tentava fugir, tirando sua cabeça do pescoço, quando ouviu um som familiar. Olhou em volta e viu lá longe saindo do topo da muralha um zepelim. Devia estar muitos metros de distância por ser tão pequeno. Mas lá estava ele voando em direção a aldeia, não saberia se era amigo ou inimigo.
Continuou a matar e triturar humanos com uma fome sobrenatural. De repente, quando matava outro soldado de manto marrom, um jato de fogo passou assobiando ao seu lado e explodiu um edifício que estava cheio de imortais. Jatos azuis de energia e roxos de plasma voavam pela praça, acompanhados pelo fogo.
Viu que saíam dos magos humanos que haviam surgido do edifício da energia. Muitos estavam nos telhados e muitos eram dos mantos marrons.
Dez imortais caíam a cada jato de fogo. Um caiu a menos de dois metros de Lork, incinerando muitos de seus irmãos. Ele fugia dos humanos guerreiros e dos jatos que os magos soltavam por cima dos telhados. Refugiou-se em um beco, quando ouviu os disparos de metralhadoras.
Olhou para cima e viu um mago cair de cima do telhado. O zepelim então encobriu o céu, negro como a noite. Via um M em branco pintado em seu balão. Sabia que tinha visto uma vez esse símbolo, era familiar para ele. Mas, sua mente era enevoada e não se lembrava.
O zepelim matava os magos e os imortais também. Ninguém estava salvo. Uma explosão fez tremer o mundo e fumaça encheu os céus.
Lork ficou no beco com a espada e a pistola em prontidão. O zepelim então ficou fora de vista de onde estava, mas não ousou sair dali.
O cheiro de sangue era inconfundível no ar. Os sons dos tiros do zepelim foram morrendo junto com o uivar do vento.
Ficou no beco durante mais de duas horas e então saiu, rastejando. Viu que a aldeia estava em chamas e a explosão foi causada pelo gerador de energia, alvo de muitos tiros. Muitos imortais jaziam no chão com a cabeça estourada, o único jeito de matá-los.
Os magos estavam em cima dos telhados e vários soldados se agarravam a fonte no meio da praça central. Era feita de granito e mostrava Astrius, o deus de Azura. A aldeia era uma desolação total. Ninguém estava vivo.
Lork andou até o portão da vila, esperando sair dali. Havia fpego um peitoral de ferro e aço ainda em bom uso, uma vez que não tinha sido atingido pelo tiro. Pegara botas novas e um sobretudo marrom novo, deixando o seu esfarrapado para trás. Com tudo vestido, ele saia pelo portal, mas ouviu um arquejo.
Parou e olhou para trás. Em um monte de corpos ele viu um todo estilhaçado de tiros com a cabeça no meio de um monte de corpos numa poça de sangue. Ele reconheceu as roupas de Crokin apesar de esfarrapadas e imundas, sujas de sangue.
Foi até o amigo e retirou sua cabeça do monte de corpos. Viu que a cabeça dele estava intacta ainda com o sorriso torto. O corpo estraçalhado não era problema, ele estava vivo.
—Como você…?
—Não fale. Calma… Consigo te tirar daqui. — Olhou em volta e viu um estábulo de portas abertas. Correu até ele e entrou rapidamente.
O telhado tinha inúmeras aberturas devido aos tiros, mas fora isso nada fora prejudicado. Havia vários homens e imortais sem cabeça mortos no chão. Os cavalos estavam vivos, os cinco que ali estavam. Pegou os dois melhores, um baio branco e bege e um marrom com manchas pretas.
Voltou para onde Crokin estava. Se encontrava com olhos fechados, mas ainda vivo. O pegou e o colocou em cima do cavalo branco e bege, o prendendo a sela com cordas. Assim ele montou no marrom e amarrou as rédeas do branco na traseira da sela.
Quando viu que tudo estava certo e que Crokin estava devidamente preso na sela, ele começou a sair da vila em meio galope com os dois cavalos.
De repente parou e viu que tinha que fazer aquilo.
Foi até a usina de energia que ainda estava em chamas. Pegou duas tochas e palha e começou a queimar todos os edifícios da aldeia. No caminho queimava todos os imortais no fogo dos edifícios e deixava os homens apodrecerem.
Quando terminou de queimar tudo, voltou para a sela do seu cavalo. Dirigiu-se para Norte, onde deveria seguir para onde Crokin e Edmund queriam.
Quando estava a mais de cem metros da aldeia se virou e viu-a queimando. Um lampejo de outra aldeia em chamas passou por sua cabeça junto com um choro de uma criança, mas ele descartou a lembrança.
Não era nada, pensou se virando para o Norte. Agora tinha uma nova vida e a aldeia em chamas era prova disso. Não sou mais um cavaleiro, a compreensão do que era em outra vida chegou. Por que era tão bom na espada e seus reflexos tão aguçados? Agora sou um andarilho… Um Andarilho Errante.
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muito bom cara,continue assim =D
Vlw cara, vc que tem sido minha cobaia no Azura. Vlw pela gentileza. E vou procurar melhorar, não continuar assim.
haha,ser cobaia já é um começo,qualquer coisa é só pedir ^^
Blz!
eu gostei, história muito bem contada detalhes precisos, apesar de alguns nem tanto, mas bem legal… tem futuro
é, tem que ter muita coisa revisada ainda, mas vai indo, ainda tenho muitos anos pela frente. Estou me dedicando ao máximo.
Gostei do texto em si é muito bom que nem o primeiro, mas o nome Lork é meio para comédia, o que não é a finalidade do texto. Isso causou estranhesa, acho eu. O resto está muito bom.
Lork é meio Loki não é. Isso é apenas pra acalmar a tensão… kkkk. Mas acho que Lork está bom. Crokin tbm é um nome meio estranho que coloquei, proposital.
Goestei do nome Lork.Esse ca´pitulo está bem melhor que o primeiro , está muito bom.Consegue com simplicidade desenrolar uma boa história.Só acho que você tem que trabalhar mais o conceito de imortalidade , aplica-lo de forma bem clara no texto.
Shado Mador, cara eu não sei se vc lembra mas antes você comentava na história que eu postava, uma primeira versão do livro que agora está quase terminado.
Gostaria de saber se você aceitaria receber a primeira parte desse meu livro, para uma crítica pessoal. Por favor, caso aceito o convite me mande seu email cara.
Abraçs…
Epa ô se lembro! Cara quando vi teu comennt ali na lista eu corri aqui só pra falar que vc tava sumido e perguntar se não ia sair o livro do ocasos de guerra.Que bom que você quer me mandar a primeira parte\ quanta honra!/ é só falar o seu email que eu quero essa parte o mais rapido possível!
-
No aguardo ansioso aqui.
Vlw cara vou mandar hj mesmo, pois tou muito ansioso pelo sua opinião.
meu email é hamiltonsaraiva@hotmail.com
manda o teu
abraços..
Suponho que tenha acabado, mas você podia fazer uma continuação!
Estou no aguardo.
Estou trabalhando nos próximos capítulos. Vai ser uma história bem grande pelo que estou pretendendo. Nos próximos capítulos também irei explicar o conceito “imortal”.
Leo,
eu li as duas partes. Assim, curti o universo que você criou, mas ao mesmo tempo achei confuso da forma como você fez. Uma boa dica seria tornar a narrativa do seu herói mais longa para ir revelando aos poucos a história da guerra, por exemplo.
Mas as idéias são bem boas.
Nos próximos capitulos vou esclarecer melhor essas partes.Tudo isso está visão do personagem Lork, então é meio confuso, por que ele perde a memória quando vira imortal.
Então, se era pra fazer com que fosse as memórias dele, poderia ter explicitado isso, entendeu? Por ex, colocar num trecho: “ele se lembrava de que isso ocorria, depois aquilo e bla bla bla”. Mas fazer aos poucos.
Vou usar isso. Os próximos capítulos no entanto serão usados de uma forma diferente. Foi trazer para o texto, a guerra e explicar tudo que aconteceu, através de outro personagem. Lork não se lembra mais de nada, e seu caminho será trilhado no escuro.
Essa ficou bem melhor que a primeira parte, mas ainda acho que diálogos mais longos poderiam falar mais sobre os personagens do que descrições do próprio narrador…
Achei legal essa história dos imortais, de terem feito algo omo uma lavagem cerebral em Lork! xD
Uma lavagem cerebral bem mal. Nunca queria ficar que nem ele. Quando a história se desenrolar verá o que realmente são.
Aguardem a Terceira Parte! Logo vem aí.
ow velho ta bom lansa logo a parte 3 q vai ser melhor ainda
Falei que foi muito melhor? Vlw de novo pelo comentário, sem amigos não seria nada.
Realmente esse capítulo ficou melhor que o primeiro. Não foi confuso e deu para seguir a história e gostar dela. Aguardando pela continuação!
E vai ter Várias continuações!
Nunca mais o dono disso me respondeu ou publicou mais material meu, então parei de visitar tb, quando mais com aquela matéria do “PLÀGIO” do qual a “fonte’ descobri não ser tão confiável assim…
? Acho que vc postou em lugar errado meu amigo… Se quiser reclamar dele manda um e-mail.
Esse está muito melhor do que o primeiro. Todas as críticas que eu apontei no primeiro conto estão ausentes nesse.
Ah, se lembra de colocar pensamentos entre aspas, ok?
Só isso…
Escrever é 99% prática e coragem. Somente 1% é, de fato, talento.
KKK… Brigadao mais uma vez. Vou procurar melhorar e melhorar ainda mais.
Pensamentos não precisam ser necessáriamente entre aspas.
A parte 3 já está no ar pessoal, para quem quiser ler é claro…
Por que alguns de meus comentários precisam de aprovação dos moderadores e outros não ??
Só a título de curiosidade ^^.
–Palavras proibidas consideradas de baixo calão–
Eae hamilton, manda a parte 1 do seu livro.
Eu já comentei, é pq meu comentário está aguardando moderação, acho que foi algum problema com meu email
bem, ele é hamiltonsaraiva @ hotmail
manda o teu que eu envio o livro, ansioso pela crítica
shado_mid@hotmail.com to esperando
meu comentario aguardando moderação tambem lol, n sabia q email era proibido. vou separar:
shado_mid @ hotmail .com
Acabei de enviar…
É mais ou menos o primeiro capítulo de cada personagem, mais o prólogo.
Se vc continuar a ler eu posso ficar ta mandando sempre assim, os quatro capítulos seguintes de cada personagem. Ajuda até a criar um suspense kkk
vlw, e o personagem Rainier teve sim o nome roubado do Rainier daqui kkk
Opa! Tb quero um pouco de crítica especializada! Tenho uns capítulos feitos tb!
XD Andre se você quiser mandar, pode mandar, só não garanto que vou ter tempo de ler.Dá para ler masi só no fim de semana mesmo
E aew Shado, recebeu?
Não sei, pois não preciso aprovar ninguém. Manda uma critica se gostou do texto.