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Sep
16
2011

O Leitor de Mentes

Escritor: Marco Garutti

o-leitor-de-mentes

Acidentes de trânsito sempre foram muito frequentes em Paulínia, ainda mais nos últimos anos em que o número de habitantes já estava consideravelmente grande. Daniel Cardoso só queria voltar para a casa mais cedo, mas ele estava dentro do ônibus que havia capotado, matando cerca de 25 pessoas naquela noite. Daniel foi um dos 3 sobreviventes da tragédia.

Ele não escapou ileso, muito pelo contrário; Daniel ficara internado na UTI por muitos meses, oscilando entre a vida e a morte, com o seu corpo totalmente fraturo, com sua cabeça amassada e face beirando o irreconhecível. Os médicos não sabiam como ficaria o estado mental do paciente caso ele conseguisse sair vivo do hospital, pois o seu crânio estava severamente lesionado, o que poderia acarretar na perda de partes da sua memória ou inabilitar completamente a forma da qual ele compreendia o mundo.

Tempos se passaram, até que finalmente Daniel recebeu alta. Doutor Roberto, o cirurgião plástico que cuidou da reestruturação da face de Cardoso e do implante da sua prótese mecânica no braço direito, alertou-o antes que o mesmo pudesse deixar o Hospital Municipal:
– Não se esqueça de voltar aqui periodicamente, Sr. Daniel. Como os médicos já lhe avisaram, as lesões no seu cérebro poderão acarretar pequenos desmaios e até mesmo alucinações, então você precisa de um acompanhamento mais rigoroso daqui para frente.

– Eu vou ficar bem doutor, não se preocupe – disse Daniel, aos sorrisos. – Logo logo marcarei o retorno, agora eu só quero saber de ver a minha família novamente.

Daniel não quis falar aos médicos, e também se optasse por falar provavelmente ninguém acreditaria, mas a verdade é que ele podia ouvir as vozes de outras pessoas na sua cabeça. Mais do que isso, ele podia ler o pensamento delas. Desde quando ele havia recuperado a consciência, tal dom já mostrava sinais de atividade, e Daniel ouvira todos os pensamentos dos médicos da Unidade de Tratamento Intensivo.

Eu achava que ele não tinha mais jeito, só estava cuidando dele pelo meu salário.

É uma pena que um rapaz tão jovem tenha que sofrer tanto…

Odeio o meu trabalho, odeio a minha vida. Queria eu estar no lugar desse moço.

Os pensamentos ecoavam em sua mente, e soavam tão claros quanto uma conversa normal. Daniel achava que aquele acidente foi a melhor coisa que lhe ocorrera em seus vinte e poucos anos de vida. Ele não ligava para seu braço mecânico, para a sua cabeça amassada como uma bola de papel e nem tão pouco para seu rosto, que mesmo sendo refeito da melhor maneira possível, soava como uma máscara de halloween sobreposta sobre a sua expressão. Ele tinha o poder de ler a mente das pessoas, e era só isso com que ele precisava se preocupar.

O hospital ia aos poucos desaparecendo atrás de Daniel. As pessoas passavam às pressas pela calçada, todos com seus problemas e pensamentos sobrecarregados, mas mesmo assim o Leitor de Mentes conseguia separar cada palavra dos pensares, não perdendo detalhe algum, não lhe causando nenhuma confusão mental.

Após a extensa caminhada entre o hospital e a casa de seus pais, Daniel finalmente chegara ao seu destino. Sua família já havia sido informada sobre a alta que o rapaz havia recebido, então resolveram reunir alguns parentes para recebe-lo.

Daniel então abriu a porta e foi surpreendido por sua mãe:
– Ó meu filho! Eu senti tanto a tua falta! – disse a Dona Eliza, aos prantos.
– Eu também senti a sua falta, mãe. – falou Daniel, abraçando a mãe.
– Ei, meu rapaz. – disse Seu Antônio, se aproximando para cumprimentar o filho – Como vão as coisas?

– Vão bem, pai. Tirando o fato de que eu terei que me acostumar a trocar o óleo disto aqui – Daniel mostrou então o seu seu braço mecânico. – Está tudo… normal.
A sala estava cheia de pensamentos, tanto positivo quanto negativos. A família Cardoso inteira foi cumprimentar o Daniel, e ele tinha na mente todos os discursos prontos que os familiares usariam com o Leitor de Mentes. Aquilo era surpreendentemente assustador, mas ao mesmo tempo era tudo tão magnífico. Naquela sala, havia um pensamento que despertara a curiosidade de Daniel, um pensamento sombrio e obscuro que vinha lá do fundo da sala. Aquele pensamento era de Marcelo, um amigo de infância de Daniel.
Matar… Matar…
O pensamento ficava mais nítido, a medida que Daniel se aproximava de Marcelo.
Matar… eu quero matar.
Daniel mesmo assustado, foi saudado pelo amigo.
– Grande Daniel! Vejo que eu me saí melhor do que você no acidente. – brincou Marcelo sobre as fraturas do amigo – Eu só sai do hospital com um certo trauma de ônibus e uma porção de raiva de motoristas bêbados.
Eu vou mutilar todos eles, um à um.
O rapaz do braço mecânico tentava absorver aquele pensamento… será que o seu amigo de infância, o mesmo que também estava presente naquele acidente, havia virado um assassino?
– Me desculpe Daniel, mas agora eu tenho que ir – falou Marcelo, dando um tapinha nas costas do amigo – Eu tenho um compromisso inadiável.
Eu tenho que deixar todos dilacerados.
– Espere Marcelo, você não pode..
Daniel foi pego de surpresa por uma zonzeira repentina. Tudo ia ficando escuro, ele estava perdendo suas forças, tudo à sua volta estava se tornando penumbra. Daniel apagou, e só acordou em seu apartamento.
– Droga… a minha cabeça dói – resmungou Daniel, vasculhando alguma possível lesão entre os cabelos, só encontrando a deformação causada pelo acidente.
A televisão da sala estava ligada, e a notícia de um assassinato brutal estava sendo anunciada.

O ‘retalhador’ fez mais uma vítima. É assim que os habitantes têm chamado o cruel assassino de motoristas de ônibus, que está causando pânico em todos pontos rodoviários. O ‘retalhador’ usa diversas lâminas e corta o coração de suas vítimas, causando uma morte praticamente instantânea. Ainda não há nenhuma pista de quem o assassino seja.

– Maldito seja! Eu tenho que impedir isso, eu ganhei essa habilidade estranha de ler mentes, e isso foi por algum bom motivo!
Daniel se levantou-se e se arrumou às pressas. Ele tinha que ir na delegacia, denunciar um velho conhecido. Ao sair de casa, evitou o ônibus e preferiu ir de táxi. Em 5 minutos, lá estava ele em frente à Delegacia Municipal.
Ao entrar lá, Daniel logo se pronunciou:
– Eu preciso falar com a delegada, e agora. Isto é urgente.
A delegada Sandra estava sozinha, arrumando as papeleiras burocráticas. Ela olhou para Daniel assustada, e perguntou:
– Quem é você? Por que exige tanta urgência em falar comigo?
– Eu sou Daniel Cardoso, e sei a verdadeira identidade do retalhador. – respondeu.
– Daniel… Cardoso? Bem Daniel, como você conseguiria tal informação? Você viu o assassino? – questionou a delegada.
– Não. Pode lhe parecer estranho, mas… eu leio os pensamentos das pessoas, e eu li o pensamento do assassino. Eu o conheço.
– Mas isso é impossível, senhor Daniel. – disse a delegada, com tom de incrédula.
– Eu posso provar. – disse Daniel, confiante. – Pense em uma cor e em um número, respectivamente.
Sandra pensou por poucos segundos, e Daniel já veio com a resposta.
– Preto, 19. Acertei?
– Essa não… você… você está certo! – falou a delegada, com uma enorme expressão de espanto. – Mas Daniel, você está ciente do que está dizendo? Esta é uma acusação seríssima!
– Sim, eu tenho certeza. – afirmou o rapaz – Eu posso chamar ele no meu apartamento, criar uma armadilha.
– Tudo bem então. – concordou a delegada – Só me diga o seu endereço e o nome do suspeito.
– Rua Alberto Tancredo, apartamento número 36, centro. O nome do suspeito é… Marcelo Estevão de Souza.
Sandra fez as anotações, e disse para Daniel seguir com o plano. Ela pegou o telefone e ligou para alguém.
– Eu acho que nós encontramos o retalhador.
O Leitor de Mentes voltou para o seu apartamento e achou o telefone do seu velho amigo- assassino. Marcelo estava a caminho. A arapuca estava armada.
Péééin, tocou a campainha. Daniel foi atender, todo nervoso.
– Olá Marcelo, obrigado por ter vindo.
– Tudo bem cara, só não entendi o porquê de você me chamar no meio da noite. É muito importante? – perguntou Marcelo.
– Sim, muito. – respondeu Daniel – Entre primeiro.
Marcelo entrou desconfiado no apartamento.
– O que seria mais importante do que a minha noite de sono? – perguntou Marcelo, já meio alterado.
– Eu já sei de tudo, Marcelo. – falou Daniel, indo em direção à cozinha – Eu já sei quem é o retalhador.
– Ó, que ótimo. – exaltou Marcelo – Você me tirou de casa só por causa disso?
– O seu cinismo é incrível, meu amigo. – falou Daniel, com um olhar frio para o amigo – Eu sei de tudo, eu sei da verdade. Você é o retalhador. Você foi descoberto.
– Mas o que?
Bam! A porta se arrombara em um estrondo, a polícia estava entrando no apartamento.
– Parados! – gritou um dos policiais.
– Ele é o assassino. – disse Daniel, apontando para Marcelo.
Mas os policiais pareceram não dar ouvidos à ele. Deixaram o Marcelo livre, e estavam prendendo o cara errado. Daniel sem entender nada, apagou novamente, acordando agora na delegacia.
– O que vocês fizeram?!? Por que não prenderam o retalhador? – gritou Daniel, sentado e algemado na cadeira da delegacia.
– Nós prendemos, Daniel. – disse Sandra.
– Como? O que você está querendo insinuar? – perguntou Daniel, confuso.
– Que você é o assassino. – respondeu a delegada, lendo um papel que parecia ser um laudo médico. – “Pequenas lesões cerebrais em partes do cérebro, podendo ocasionar perda de memória, alucinações e desmaios”. Essa ficha médica é sua, o Doutor Roberto deixou ela comigo assim que você recebeu alta. Ele temia que essas lesões te tirassem da realidade ou te fizessem cometer delitos, e me pediu para ficar em alerta.
– Não… não! Eu li a sua mente, você viu! Eu posso, eu tenho poderes! Eu sou um herói, e não um vilão!
– “Muito violento se contrariado. Concordar sempre com suas alucinações” – Sandra continuou a ler a ficha – Quando você entrou aqui, eu temia que você fosse o retalhador. Talvez você nem fique preso aqui, e seja mandado direto para a lobotomia.
– Lobotomia? Não… eu não sou louco… EU NÃO SOU UM ASSASSINO!
– Então veja você mesmo. Tire a prótese que cobre o seu braço mecânico, e veja você mesmo.
Daniel não acreditou no que viu. Sangue, vísceras, restos mortais, todos atrofiados em seu braço mecânico. Sua mão metálica estava mais afiada do que nunca, e toda escura de sangue. O braço que desfigurava, matava, retalhava. O braço que se vingava de um acidente. O braço que entregava o Retalhador.


Written by Marco Garutti in: Contos,Marco Garutti | Tags: , ,

29 Comments»

  • Filipe says:

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    Confesso que me pegou de surpresa.
    A forma de escrever e o enredo que o autor criou me fez esperar um final totalmente diferente, quebrando as expectativas e suprindo-as com algo melhor, algo que aprecio muito.
    Parabens.

    • Marco says:

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      Obrigado pela leitura e pelo comentário, Filipe!
      Quis usar o fator surpresa neste conto, então espero que o suspense tenha caído bem =)
      Obrigado novamente!

  • Samila says:

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    eu estava cheia de críticas, até chegar ao final XD Muito bom, tá de parabéns, apenas um toque: a lobotomia não é mais utilizada como método terapêutico.

    • Marco says:

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      Obrigado pelo comentário e pela leitura, Samila =)
      Sobre a lobotomia, eu já sabia que esse método já não era mais usado, mas como o enredo do conto já é meio irreal, achei que se encaixaria melhor no contexto dele para mostrar a loucura do personagem.

      • Samila says:

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        é que eu tenho que ser chata e reclama de algo, espero que entenda! XD
        mas sim, realmente está de parabéns cara!

        • Shado Mador says:

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          Samila!por onde anda criatura? até oferenda para Loki estamos fazendo para ver se você volta!

        • Thumb up 0 Thumb down 0

          eu sou um lobo e se eu encontra um de vcs falanod mau da nossa raça que sõ de animais meu pri e eu somos oos inteligentes da falia

          • Priscilla Rubia says:

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            Meu querido lobo, não sei como funciona o processo de educação de vocês, mas acredito que você ainda seja muito novo (em questão de idade e mentalidade) por isso peço que aprenda a escrever (e pelo visto, a ler também). Isso te ajudaria muito em sua vida lupina, inclusive para arranjar umas lobinhas legais.

          • André Alves says:

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            Realmente, um lobo tu deve ser, porque eu não entendi nada que tu falou! Foi uma ameaça ou algo assim????

    • JoPlayer says:

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      uma curiosidade…você sabe quem inventou a lobotomia?Um português, Egas Moniz!Grande invenção que lhe deu um nobel, mas está em desuso atual!

  • Shado Mador says:

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    È, lobotomia seria cruel XD .Eu gostei muito, foi uma pena que na hora que ele chamou o amigo para a “arapuca” eu desconfiei da verdadeira identidade do retalhador.Pra falar a verdade , eu não sei porque que eu entendi antes de terminar, acho que foi porque faz pouco tempo que eu vi !A ilha do medo! outra vez. Mas eu sempre gosto de ver o investigador tornar-se paciente.Foi ótima a idéia de colocar a ilusao de ler mentes, disfarça a loucura muito bem. :)

    -

    Esse retalhador tem alguma coisa a ver com laranja mecanica neh?

    • Marco Garutti says:

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      Tentei esconder ao máximo quem era o Retalhador :P
      E sim, o conto foi bem na vibe do Ilha Do Medo (bom filme, por sinal.)
      E, não cara, pra falar a verdade eu nunca assisti Laranja Mecânica… que semelhanças você encontrou?

      • Shado Mador says:

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        a repulsa do marcelo, que na verdade é do proprio daniel, e sua habilida legalzinha de descer o braço metálico em todo mundo XD.

        -

        Eu tava lendo denovo e traçando uma versão psicologica, e me perguntei se você havia pensado nisso quando escreveu:

        .

        Acho que Daniel já tinha alguma frustração com a sociedade e o acidente foi o estopim para que ele manifesta-se essas carecteríticas, ou por dano a uma área do cérebro que punha freio aos anseios obscuros, ou por uma marca emocinal criada e que o levou a revelar-se.”o que poderia acarretar na perda de partes da sua memória ou inabilitar completamente a forma da qual ele compreendia o mundo.
        ” essa parte pesa a favor dele ter perdido o seu freio natural, mas eu acho que ele já tinha um lado psicopata e o acidente foi um risco emocional que ativou o pavio.

        ->Após o acidente, ele ingressou em um ódio mortal por motoristas de ônibus – isso é a favor do destravamento emocional-.

        ->Com a ilusão de que estava ouvindo vozes, externava seus pensamentos em todos que via, sendo eles, na verdade, seus mais profundos entendimentos e desejos:

        -”É uma pena que um rapaz tão jovem tenha que sofrer tanto…” com os pensamentos “ouvidos” dos medicos, ele externa um perfil pscopata da soberba e da propria admiração, nessa parte ele pensa/imagina que os outros vejam como a situação dele é dificil, ele se encontra em uma situação amis dificil impossivel.
        “Eu achava que ele não tinha mais jeito, só estava cuidando dele pelo meu salário.” e então ele supera aquela situação que ninguem mais consiguiria,o mito da invencibilidade do psicopata, ele fez o que ninguem daria conta.
        “Odeio o meu trabalho, odeio a minha vida. Queria eu estar no lugar desse moço.” e então depois de superar o problema, ele enxerga as pessoas como se elas o admirassem, tods querem ser como ele, é a soberba psicopata.

        -”Matar… Matar…” e “Matar… eu quero matar.” tudo isso quando ele chega perto de Marcelo “O pensamento ficava mais nítido, a medida que Daniel se aproximava de Marcelo” aqui esta a frustração! O amigo marcelo representa alguma frustração do passado , e sem freios, Daniel externa a sua vontade de reagir a frustração de modo violento.

        -”Daniel foi pego de surpresa por uma zonzeira repentina. Tudo ia ficando escuro, ele estava perdendo suas forças, tudo à sua volta estava se tornando penumbra. Daniel apagou, e só acordou em seu apartamento” essa parte e o fato dele ir a policia( se bem que ele ir a policia pode ser um profundo desejo de incriminar marcelo, mas essa parte do desmaio tem uma sugestão mais forte)essa parte do desmaio sugere que ele assume outra personalidade quando comete os crimes , ua personalidade psicopata que conversa com ele usando seus proprios pensamentos atraves da ilusão de ouvir os pensamentos alheios(o cara tem duas personalidades e uam delas é psicopata QUE PERSONAGEM MALUCO E CONTO DOIDO! XD)

        ->” O braço que se vingava de um acidente.” e aqui a comprovação do destrave emocional.ele descontou toda a frustração da vida e raiva do acidente em motoristas e passageiros.

        -

        Bom foi um personagem complexo e bem feito, apresenta uma personalidade reprimida que depois é ativada, essa personalidade é psicopata e violenta.A situação fica mais possível se imaginarmos que ele nasceu com as duas personalidades, mas seu lado normal prevalecia.Voce realmete teve essas linhas de raciocinio?

        -
        Muito bom seu conto , da pra pensa bastante :D

        • Marco Garutti says:

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          Caramba, essa foi uma reflexão e tanto!
          Explicando: quando pensei no Retalhador, imaginei logo um cara que depois de um acidente, ficou com raiva da sociedade e criou uma dupla personalidade. Maas, como eu acho que ter dupla personalidade e instintos de psicopata não são coisas que acontecem do nada e provavelmente te acompanham desde o nascimento, a sua reflexão se encaixou perfeitamente. Confesso que não cheguei a pensar de forma tão complexa como você, mas fico feliz em saber de que o conto causou esse interesse em refletir sobre o personagem :D
          De qualquer jeito, ele foi feito pra isso também: pensar nas possibilidades, pensar em um possível final (que deixei em aberto, não sei se cairia bem uma parte 2, então apenas deixei por conta da imaginação do leitor).
          Obrigado novamente!

  • Priscilla Rubia says:

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    Gostei do conto. É criativo e eu realmente não esperava esse final. Parabéns!

    • Marco Garutti says:

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      Obrigado, Priscila!
      Esse conto deu um pouco de trabalho pra ser desenvolvido porque eu queria manter o clima de suspense e tudo mais. Sou muito ruim nisso, mas acho que consegue criar algo bom até.
      o/

      • Marco Garutti says:

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        Opa, perdão
        Priscilla*
        Não reparei que era com dois L’s
        (to corrigindo porque não curto quando me chamam de MarcoS, então já viu né…)

  • Leo Debacco says:

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    Gostei do final inesperado, mas não vi muito sentido ele sair do hospital andando depois de um acidente e de ser liberado da UTI. Deveria ser recebido pelos parentes e tal, aquela coisa. Mas no geral gostei muito, só isso que me incomodou.

    • Thumb up 0 Thumb down 0

      Sim, é meio surreal essa parte. Mas bem, inseri até a extinta lobotomia no conto, então não era para ser tão fiél à realidade.
      E obrigado pela leitura e pelo comentário!

  • Pablo Grilo says:

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    Ja eu achei que as coisas aconteceram muito rapido. O protagonista muda muito depressa de motivacao. Trabalhe iso com calma.

    • Thumb up 0 Thumb down 0

      Entendo o seu ponto de vista, realmente eu tenho tendências em deixar meus contos corridos. Tentarei corrigir isso nos próximos, obrigado pelo comentário e pela sua leitura!

  • Hreter says:

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    Caraaaaaaca, que X9 esse cara, hein? O amigo dele podia estar só querendo jogar Mortal Kombat. Mesmo assim ele não hesitou nada em entregar o próprio amigo de infancia. Foi um bom giro argumentativo, embora seja bastante recorrente, nunca decepciona (eu mesmo já o usei alguma que outra vez xD).

    Sobre o personagem principal… Achei ele meio raso demais. Meio não, completamente. Ele não apresenta relutância em aceitar seu novo “poder”, não apresenta relutância em entregar o amigo de infância, acha uma maravilha o pensamento de todo mundo em sua cabeça deformada. Tinha muita coisa bacana a ser explorada aí, dar mais personalidade ao protagonista e, por que não, à própria história.

    Sobre o vocabulário… Principalmente nos diálogos, as palavras que você usou são demasiado inadequadas. Inadequadas no sentido de artificial, como se tiradas de um filme dublado de décadas atrás. Tente desenvolvê-lo mais, isso ajuda a definir melhor os personagens, a dar um ritmo bacana e tornar a leitura mais prazerosa.

    Mas enfim, é um bom conto. Espero ver mas coisa tua por aqui =)

    • Thumb up 0 Thumb down 0

      Uma das coisas que mais criticaram no meu conto (quando postei ele numa comunidade do orkut) foram os diálogos: muito artificiais, forçados.
      Confesso que o conto poderia ser mais explorado, mas eu dificilmente consigo alongar meus contos – ou eles ficam cansativos ou não saem como deveriam.
      Obrigado pelo comentário e pela leitura, se você tiver mesmo interesse em ver mais contos meus aqui no ONE, é só clicar ali na tag debaixo do conto com o meu nome, tenho mais alguns contos publicados aqui. =)

    • Vitor Vitali says:

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      “O amigo dele podia estar só querendo jogar Mortal Kombat.”
      Hehe, ganhei minha noite. Hahaha

  • Willliam Silva says:

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    Marco tá de parabens!
    Eu estava na internet procurando um site para publicar meus contos e o seu foi o primeiro aqui do site que eu li. o bacana foi que os leitores fizeram criticas construtivas e não ficaram te julgando.
    Muito bom msmo!
    Espero que o retalhador volte!

  • Vitor Vitali says:

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    Sem ofensas, mas não me agradou.
    Achei fraco no que diz respeito a identificação com o conto. Não parece ser algo sério. Coisas como médico deixar a ficha com a delegada ou as pessoas estarem cagando para o rapaz ao chegar em casa(tive essa impressão) me deixaram muito deslocado do conto.
    Também não consegui gostar a da estória. Embora o final tenha sido inesperado, não houve tempo suficiente para gostar do personagem que não parece ter personalidade alguma, tão pouco houve tempo para aceitar a estória do retalhador e tudo mais. Em si, li o texto sem fôlego, sem tempo para respirar, digerir e absorver as informação que eram passadas.
    Achei a história do acidente e dos novos poderes muito homenagem aos quadrinhos do começo do século passado, algo meio sem graça. Acidente levando a super-poderes, entende? Não sei se chegou a ser uma homenagem, mas de qualquer forma gosto mais de quando o personagem ganha o seu poder por merecimento, ou, por acidente, mas levando a alguma coisa que crie alguma tensão. “Ah!, ganhei poderes e está tudo bem” não me convence, não gera conflito.
    Acho também que poder ler a mente de todo mundo é um tanto batido. Esse poder não me apeteceu muito, não me instigou nada novo. Talvez um processo criativo mais trabalhado pudesse levar a algo mais legal, mais dinâmico para a personagem. Como… sei lá… poder ler a mente de todo mundo, menos de uma única pessoa em especial que tenha relação com a história por exemplo.
    Enfim, essa é uma opinião muito pessoal: não gostei.

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