Palavras
Escritora: Tábata Scorpioni

“As palavras têm a leveza do vento e a força da tempestade.”
(Victor Hugo)
Desculpe.
Isso não é um conto, crônica ou romance. E também se for, não importa. Nunca fui muito fã de rótulos. Não gosto de fazer definições.
Para ser sincera, isso que está lendo é um pedido de desculpas.
Não, não, relaxe. Não é nada do estilo “volte para mim” ou “não vivo sem você”. Bom, talvez um pouco. Talvez totalmente. Quem sou eu para decidir? Há tempos perdi o controle do que escrevo. As palavras simplesmente… saem.
E que poder elas têm!
Principalmente aquelas que não foram ditas. Que ficam enjauladas dentro de nossas mentes só esperando, remoendo, destruindo.
Todas as palavras deveriam ser ditas. Por que não são? Elas estão lá, não estão? Tudo o que se tem de fazer é abrir a boca e deixa-las seguirem seu rumo. É para isso que foram feitas, as palavras. E se causarem algum dano, bem, podemos sempre produzir algumas mais e tentar consertar o estrago.
Mas não. Nós fechamos a boca, e os olhos. Deixamos as canetas de lado. Guardamos tudo lá no fundo da alma até que se tornem nada além de sombras.
Eu deveria ter dito tudo. Por que não o fiz? Sinceramente, não sei.
Na verdade, não quero saber. Quero que você saiba, porém, que estou aqui. E que vou sentir sua falta todos os dias da minha vida. E que vou lembrar de você em todas as palavras que eu escrever. Porque você se foi, amigo, mas te guardo aqui comigo.
Perdoe-me.
Palavras. Que alívio.
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Uma despedida bem sutil. A mensagem passada é bem clara e real: trancar nossas palavras e sentimentos não irá trazer qualquer benefício.
Contudo, fica um conselho: seja verdadeiro com o que diz e tenha cautela com as palavras proferidas, já que elas nunca retornam.