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Oct
18
2011

A Decomposição da Borracha

Escritor: E.U Atmard

a-decomposicao-da-borracha

Há uma angústia inerente a todo o sentimento de amor. Perdoem-me, é assim que tem de ser? É assim que se faz? Eu já esqueci a última vez em que me lembrei do sentido dessa palavra. Não interessa pois não. É um tema tão batido, tão fácil de falar. Já ninguém sente nada que se justifique a si mesmo, todos aprenderam essa deliciosa palavra, que tudo diz mas ninguém consegue explicar.

É uma piada muito bem arquitectada, na realidade. Anula-se a si mesmo, ao ponto em que até uma reflexão sobre ele torna-se um desrespeito. Não há lugar para pessoas que pensam assim, como não há lugar para aqueles que proclamam o seu amor com veemência e mentira. Varreu-se deste mundo tudo o que era vagamente verdadeiro. O papel não é verdadeiro. Eu não sou verdadeiro. Nada do que a vossa vista alcança é verdadeiro. Tudo se passa num mar de corações de borracha.

Corações de borracha incapazes de sentir sem rapidamente deixar a sua camada ressaltar, afastando deles qualquer sentimento remoto. Pessoas incapazes de viver ao mesmo tempo que o amor, sozinhas e tristonhas. Isso meus amigos, é o que nos diferencia.

Eu só sou capaz de escrever um curto texto quando isso implica pôr lá uma citação bombástica, que às vezes nem sequer é totalmente minha. Sim, agora que me lembro, um mar de corações de borracha pode-se relacionar muito bem com os Radiohead, “Fake Plastic Trees”, aqueles que sabem do que se trata perceberam o que quero dizer. Isto é o meu limiar. É tudo o que consigo fazer ao serviço de alguém. Quem julgam que sou? Eu não passo de um servidor de uma entidade que me é superior mas vos é igual. Tudo o que faço ou digo não é verdadeiro. Como diz a música, eu não passo de um homem falso e de borracha, servindo um único propósito, rapidamente descartado. Nem sequer tenho nome.

Sabem o que é triste? Quem está a escrever isto dá-se ao trabalho de me dar consciência, mas apenas aquela que ele quer. Não me permite amar, permite-me apenas declarar o meu amor, sentir o amor a correr por mim, não amar. Não me permite odiar, apenas sentir o ódio, apenas sentir o ódio declamado e admitido.

Um dia a borracha desgasta-se. Nada é eterno. Nem mesmo o amor. O medo toma o seu lugar, como o nada toma o lugar da borracha.

Se eu pudesse ser um pouco mais, sentir um pouco mais, se eu pudesse emergir do papel de borracha e falar-vos, vocês aceitar-me-iam? Ou apenas pediriam para eu dizer com pesar “Há uma angústia inerente a todo o sentimento de amor.”, vezes e vezes sem conta?

Não interessa agora. Estou demasiado cansado agora.

Já não há nada que interesse mais. O meu coração duro de borracha continua no seu mesmo lugar, incapaz de se partir, impenetrável. Ennui. Adoro essa palavra, esse sentimento incompreensível para nós que não somos franceses. Podem ir, abandonem-me, não tenho mais nada a dizer.


Categorias: Contos | Tags: , , ,

17 Comments»

  • E.U Atmard says:

    Um curto texto do Molteir…gosto muito deste texto, apesar de nao ser propriamente um conto…

  • Samila says:

    vejo isso como um artigo em uma conceituada revista de filosofia… fez eu me lembrar das cartas filosóficas de Voltarie.

    gosto muito desse eruditismo, meu caro.
    Tão pouco condizente com a sua idade… nota-se incrível maturidade em cada palavra! é belo!Gosto muito

  • Ana Bourg says:

    Ficou bem poético, diferente e introspectivo. Achei legal, inclusive a metáfora da borracha. O tom de crônica poderia dar inicio ou ser parte de um texto maior, mais de ficção. :P
    “Ennui.” – procura um poema da Silvya Platt com esse nome. É genial.

  • Andrey Ximenez says:

    Teoria do Duplo facilmente aplicada aki.
    -
    Sensacional atmard, como sempre.

  • Atmard. Eu fiquei impressionado de quanto sentimento este texto carrega.

    Eu terminei de ler o conto me sentindo o próprio personagem. Parece que nós tivemos uma conversa franca. Que nós passamos horas a discorrer de como nossas vidas são. E ao final fica aquele tênue sentimento vazio. Leve mas pungente.

    Agora podem ir, abandonem-me, não tenho mais nada a dizer.

    • E.U Atmard says:

      Muito obrigado Rainier!
      Este já é um conto antigo, bem, relativamente, numa altura em que eu achava completamente essencial tomar o personagem como algo real (já disse isto várias vezes, mas o cuidado necessário para criar um personagem é muitas vezes esquecido).
      Com este texto queria transmitir como são muitas vezes repetitivas as meditações, pelo menos as minhas, e como as pessoas tentam agir de maneira diferente, mas acabam por cair presas de uma rede maior. É uma das minhas primeiras crónicas, mais embronárias…havia de publicar aqui uma mais recente, para fazer ponto de comparação…
      Esse sentimento de vazio que tu experimentaste, a que os japoneses chamam de mono no aware, era o que eu queria transmitir com o texto. Significa que correu bem! :D

      Obrigado Rainier! E podes ter a certeza que, assim que puder (porque estou a escrever este comentário do pc da escola), vou ler e comentar a tua poesia! Não a tinha visto ainda… :P

  • Bruno Vox says:

    Que texto amigo, são mais do que palavras e com o português de Portugal o texto ganha mais vida. Sensacional.

  • Rodrigo Scop says:

    Gostei bastante. A forma como foi escrita e como flui leva na mesma direção que as palavras. Acho que conseguiu passar o sentimento. Achei muito bom.
    Parabéns.

  • Franz Lima says:

    Atmard, o sentimento pulsa neste texto. Há vida nas palavras daquele que desabafa, como se quisesse expor as entranhas de si mesmo…
    Congratulações sinceras, meu amigo lusitano.

    • Vinicius Maboni says:

      Concordo contigo Franz, as palavras despertam um estranho sentimento no leitor. Gostei, bem legal.

  • Andre Alves says:

    Esse texto foi informação demais pra minha cabeça, tive que ler duas vezes pra entender tudo… XD

  • Shado Mador says:

    Eu demorei séculos para ler porque o título é muito desinteressante.Até a metade eu não estava gostando, pois mesmo que se fale de como as reflexões sobre coisas, como o amor, são batidas, eu já vi estas opniões bilhões de vezes e em tantos lugares que fazer tal reflexão me soa batido.O que me fez gostar foi o desejo da personagem de ser real e realmente sentir.Me agrada muito esta independencia das personagens, voltando-se contra a história e o autor.

  • Profundo, poético, bonito.

  • Bragdale says:

    Muito bom. Eu sempre escrevo de caneta, mas funciona muito bem para quando eu fazia quadrinhos, sempre a lápis, gastando borrachas e mais borrachas… =D

  • Omninerd says:

    Demorei a entender. Mas quando eu entendi eu vi. É maravilhoso. O monólogo da personagem dando vida a ela torna o texto algo que eu vi raras vezes.

    É isso. Continue a escrever.

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