A morte de Zarco
Escritor: Thiago Tavares
“… – Boa viagem e tenham cuidado com os saqueadores! – disse Zarco em voz alta, vendo a pequena carroceria partir…” (trecho extraído do capítulo 6)
Sem saber que era a última vez que via seus filhos, Zarco regressou para o interior da oficina de ferragens. As mãos calejadas clamavam por descanso, no entanto, o habitual tinir de martelo tornou a ressoar pelo vilarejo. A motivação e o vigor daquele homem estavam contidos na satisfação de ver sua clientela aumentando. Os tempos difíceis haviam cessado e serviço demais, não lhe soava como problema.
Entretido no forjar das espadas, Zarco nem viu o sol iniciar a se despedir. Já estava terminando a última leva de encomendas do dia seguinte quando sua atenção foi desviada:
– Olá Zarco! – indagou uma voz vinda da entrada da oficina.
Interrompendo os golpes de martelo que davam forma ao metal quente, o ferreiro se virou, deparando-se com um grupo de soldados que adentravam no recinto carregando o emblema de Verunna em seus escudos.
– Desculpe, mas vocês chegaram dois dias adiantados! A encomenda que pediram ainda não esta pronta. – precipitou-se Zarco imaginando que era aquele o motivo da visita.
– Não é por isso que viemos! – retrucou um dos soldados tomando a frente do grupo.
– Pois se não é pela encomenda então…
– Soube que seus negócios estão fazendo muito sucesso! – interrompeu o homem em seu traje de armadura reluzente enquanto aproximava-se do ferreiro notadamente confuso. – E pela quantidade de espadas que está forjando, devo crer que não se tratavam de boatos! – completou o sujeito desferindo forte soco contra o rosto de Zarco que foi ao chão com a força do golpe recebido.
O gosto de sangue lhe veio a boca e antes mesmo que tivesse tempo de questionar o motivo daquela atitude, o soldado continuou:
– Imagino que também não sejam boatos as histórias de que esta fazendo negócios com o reino de Zuleia! – Vamos diga! Quero ouvir de sua própria boca que está fazendo armas para nossos inimigos!
– Não sabia que eram seus inimigos!
– Verme mentiroso! – vociferou o soldado dando um chute contra as costelas do ferreiro caído.
Um gemido seco ecoou da garganta de Zarco que levou as mãos contra a região atingida enquanto se contorcia de dor.
– Mostrem a esse miserável o que nós fazemos com traidores! – ordenou o soldado afastando-se em direção a saída.
– Não, por favor! Eu juro que não sabia! – Tenha piedade! Tenho dois filhos ainda pequenos! – implorou Zarco ao homem que agora já tinha um dos pés fora da oficina.
– Deveria ter pensado neles antes de fazer negócios com aqueles malditos! – Acabem com esse cretino!
Zarco tentou se levantar, contudo, não teve tempo para fazê-lo. Acatando a ordem que haviam recebido, os homens de Verunna o cercaram dando início a um covarde espancamento que só veio a ser interrompido quando o impiedoso sujeito que comandara aquela tamanha crueldade ressurgiu munido de um grosseiro bastão de madeira com sua extremidade em chamas.
– O que vai fazer? – indagou um deles.
– O que acha que vou fazer seu idiota? – Vamos, fechem todas as janelas e saiam! Não quero que este desgraçado fuja!
Desfigurado e completamente ensaguentado, Zarco viu aquele pérfido sujeito atear fogo no interior da oficina e sair em seguida trancando-o ali dentro. As chamas se propagavam depressa e o ferreiro tentou criar forças para rastejar até a porta. Do lado de fora o povo ouvia os gritos pedindo por socorro, contudo, os soldados impediam que qualquer ajuda fosse prestada.
Quando soube o que estava acontecendo, Tércius deixou sua casa, em disparada, rumo à oficina do velho amigo. As pernas, cansadas pela idade, correram o mais depressa possível, mas já era tarde demais. Os soldados já haviam partido deixando a oficina e a casa de Zarco envolvida pelas labaredas da maldade. Homens e mulheres tentavam apagar o incêndio como podiam, contudo, os pedidos de Zarco, clamando por socorro, já não eram mais ouvidos.
De joelhos junto à oficina, Tércius tinha lágrimas deslizando pelo rosto. Seu amigo de longa data havia partido para sempre.
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Bom pessoal, esse é um pequeno conto que, embora não esteja contido em meu livro, explica, mais detalhadamente, como aconteceu a morte do ferreiro de Cevilli (personagem que cria Argaios até sua adolescência). Tenho certeza de que essa exposição me trará críticas e sugestões de grande valia. Um abraço a todos!
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Peço desculpas por não haver postado uma figura no texto, mas eu não consegui adicionar uma figura =/ (Agradeço se alguém fizer a gentileza de me dizer como eu faço, para que em minhas futuras postagens essa falha não venha a se repetir)
Thiago, se não me engano vc tem que pedir ao J.G. para acrescentar a imagem por email, mas a maioria dos textos que possuem imagens são aqueles mais comentados e postados na página inicial.
Muito obrigado Priscilla! Vou tentar fazer isso nas próximas postagens.