Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida: Livro 1
Papo na Estante 34 – Prêmios Literários
29 Dicas para se manter criativo:
Vaucarn
A Lenda de Fausto
Chat dos Nerds Escritores
Quer publicar?
Download do livro O Draconiano – Livro 1
Oct
26
2011

A Penitência

Escritora: Priscilla Rubia

A dor em suas costas incomodava.

Mas essa era a menor de suas preocupações.

Era para estar arrependido, para a penitência mostrar isso. Mas não estava. Estava incomodado, exausto. Mas não arrependido.

Valia a pena. Apesar do cheiro. Apesar do calor, valia a pena.

Ele o matara. Sabia que era errado, mas ele mereceu. Não devia ter lhe dirigido a palavra. Quem era ele? Ninguém! Ele mereceu. Realmente tinha merecido. E agora ele estava ali pagando, com aquele peso em suas costas.

Ficaria o carregando, até a morte.

O homem que matara jazia em suas costas, amarrado. Fora-lhe ordenado que não soltasse e suas mãos foram fortemente amarradas para garantir isso. Era obrigado a andar na rua principal da cidade, para que todos soubessem de seu crime.

Estava andando há sete dias. Era lhe fornecido quantidades pequenas de água e comida, só o suficiente para que não morresse e pudesse continuar andando.

O cheiro do cadáver era insuportável. O contato de sua pele na dele era nauseante. Ele podia sentir, podia até escutar a pele do morto secando, morrendo, apodrecendo. E sabia, sabia que não demoraria para sentir a mesma coisa em sua própria pele.

Teria de andar com ele, amarrado em suas costas até que os vermes aparecessem. Até que consumissem todo o corpo da vítima. Até que, insaciados, eles procurassem comida em sua pele.

E ele andaria e morreria. Até que agüentasse, até que o sol ou o cansaço o matasse. Mas sabia que teria muita sorte se essa fosse à causa de sua morte.

Ele morreria em penitência ao crime que cometera. Tirar uma vida humana. O homem que matara teria sua vingança. Ali morto em suas costas ele apodreceria e levaria consigo o seu assassino.

Como a dor em suas costas o incomodava.

Mas ele tinha muito mais com que se preocupar.


Written by Priscilla Rubia in: Agenda,Contos,Priscilla Rubia |

7 Comments»

  • Priscilla Rubia says:

    Thumb up 0 Thumb down 0

    Meu primeiro mini-conto, espero que gostem *-*

  • Franz Lima says:

    Thumb up 0 Thumb down 0

    Caraca, este é um castigo que eu ainda não havia imaginado. Morrer aos poucos já é algo péssimo, mas nestas condições a coisa fica pior, insuportável.
    Bom conto, Priscilla.
    ;)

  • Renan MacSan says:

    Thumb up 0 Thumb down 0

    Muito bom Priscilla, também nunca tinha pensado nessa penitência.
    Lembrei logo de um livro do Kafka chamado Na Colônia Penal, que também virou HQ, onde o diretor da prisão emprega um método de punição bem anormal: ele coloca o preso numa máquina que vai tatuando nele seus crimes até a morte para que ele sinta na pele o peso dos seus crimes.

    • Priscilla Rubia says:

      Thumb up 0 Thumb down 0

      Bastante interessante a punição mesmo =o Que bom que gostou do conto Renan =D
      Obrigada pelo comentário, abraços!

  • @cyberlivingdead says:

    Thumb up 0 Thumb down 0

    Muito boa a maneira como você imagina o peso da culpa e descreve isso. Nota dez!

RSS feed for comments on this post.


Leave a Reply

Powered by WordPress. © 2009-2011 J. G. Valério