As Travessuras de Aninha
Escritor: Ramon Bacelar
Nota: Compilação dos primeiros posts.
PREFÁCIO:
Alguns leitores gostam, outros não, alguns ficam indiferentes enquanto outros não sabem do que se trata… Nem eu.
Não saberia precisar com exatidão o que a série de textos As Travessuras de Aninha realmente é, mas talvez saiba o que não é (pelo menos, de minha parte, não houve nenhum planejamento prévio nesse sentido): não é um romance episódico ou em capítulos, muito menos monólogos; não são mini nem nano contos.
Talvez seja um mosaico psicológico de situações, impressões, desejos, sonhos, decepções, frustrações, sentimentos, humores e sensações de uma criança tentando interagir com o mundo, colegas e pais; ou uma série de tentativas frustradas de pais despreparados tentando penetrar no prismático, porém secreto e misterioso universo infantil, ou um mero devaneio auto-indulgente deste que vos escreve, ou nada disso… ou…
As indicações numéricas não se referem a algum senso de continuidade cronológica ou narrativa; podem ser lidos e rearranjados, como em um lego, em qualquer ordem que desejarem, criando assim (quem sabe?) novos significados e interpretações.
Obrigado a todos os colegas que têm lido meus textos: comentando, perguntando, incentivando, criticando e elogiando.
Té mais.
O desejo:
-O que você quer ser quando crescer amor?- pergunta o violento pai com um ar de falso carinho.
-Viúva.- sorriu Aninha.
FIM
Egolatria:
Radiante após dezoito horas de escrita ininterrupta, gira a cadeira e pergunta:
-Filhinha você sabe o que é humildade?
-Aquilo que você nunca teve papai-foi embora.
FIM
Similaridades:
-Aninha, abaixe o som!!! Isso não é música é…
-Tão verdadeiro como as letras de um livro que não passam de sujeira negra para quem não sabe…-aumentou o som e concluiu berrando.
FIM
Independência:
-Aninha!Aniiiinhaaaa!!!!Porque não me ajuda com a mesa?!!!
-Porque estou me ajudando mamãe.-enxugou as lágrimas.
FIM
Conforto:
-Aninha!Aninhaaa!!Elas!!!! As sombras…as sombras estão me devorandooooooo…
-Sim, e aqui não bate sol.-continuou lendo o gibi da luluzinha.
FIM
A musa:
-Aninha! Que liiiindo desenho, onde você buscou inspiração?
-Em seu descaso e indiferença.-Continuou desenhando.
FIM
Procura:
Vendo o vestido da filhinha salpicado de espinhos e ervas daninha…
-Aninha, de novo?! O que você perdeu no cemitério?
-Achei companhia mamãe.-coçou a ferida.
FIM
Carência:
Correu para o jardim, franziu os cenhos…
-Aninhaaaa!! Aninha de novo… porque está podando as pétalas amor?
-Para te dar os espinhos mamãe-chupou o dedo.
FIM
Desodorante cultural:
-Ahhhhhh… mas têm garotas que usam desodorante como perfume.-arremessou o dardo em direção a amiga.
-E outras ignorantes que usam livros como desodorante-retorquiu Aninha.
FIM
Dardos:
-Aninhaaa!!! Não está ouvindo a mamãe?
-Estou sim.
-Não é assim você sabe…Por que não mira no alvo?
- Está gasto e furado demais.Perdeu a graça…Além do mais…
Gargalhou Aninha mirando em outro.
FIM
Sobras:
-Aninhaaaa!!! Porque você estilhaçou o porta-retrato?!!!… E logo o do casamento!!! Um mês sem por o pé na porta!!!!!!
-Não mamãe, não!!!Juro… Juro que não fiz, juro!!
-Então quem foi que…
-Só rearranjei os cacos.-Abaixou a cabeça sorrindo.
FIM
Silêncio:
-Aninha… Ninha amorzinho, não está ouvindo? Por que você “sempre” conversa com ela?
-Porque você “nunca” conversa comigo mamãe. – Abraçou a boneca.
FIM
Brincando com fogo:
-Nossa querida, às vezes você brinca e conversa com o Rex como se ele fosse gente.
-Aninha, não está ouvindo amor? Não vai responder?
-Au au!! – Mostrou os salivantes caninos de leite.
FIM
Ponto de vista:
-Mamãe… mamanheeee!! Olha meu novo nariz de palhaço!
-Ninha, se continuar gritando vai inflamar ainda mais sua garganta e o vermelho do seu nariz não é…
-Nããoo!! Não está inflamado e não estou gripada… É um nariz de palhaaaaatchIIIIMMMM!!!! – Chuveirou na mãe.
FIM
Às avessas:
-Debaixo da escada de serviço, plantando bananeira tentando ler um gibi do Cebolinha de cabeça para baixo. O que falta mais você inventar amorzinho?!
-Ler o gibi de cabeça para cima mamãe. – virou a página.
FIM
Prioridade:
Toc, toc, toc…
-Aninha… Aninha?
Toc, toc, toc..
-Aninha, não está ouvindo?! Abra a porta agora !!!
Blam, blam blam!!
-Não posso mamãe, estou conversando com minha melhor amiga. – Continuou dialogando com o espelho.
FIM
Saúde:
-AaaaaaaaaaAAAAAAAHAHAHAHAHAHAHAH!!
-Aninha…
-HIHIHIHIHUHUHUHUHHEHEHEeeeeeeEEEEEAAAAAHAHAHAHAHA !!!
-Ninha amorzinho você vai engasgar, rir deste jeito não é saudável, pare!
-Tá bom mamãe… BUUUUURRRRRPPP!!!!
-Aninha!!
PUUUUUMMM!!!!!
FIM
A Mascaração:
-Aninha… Ninha querida, o aniversário acabou faz duas horas. Porque você não tira essa máscara de palhaço?
-Não posso mamãe.
-Por quê?
- Por quê? Porque… porque… Por quê você não arranca a sua?! – Apertou o elástico.
FIM
Incongruência:
-Quer panquecas amorzinho?
-Não.
-Arroz?
-Não.
-Feijão?
-Não.
-Salada?
-Não.
-Não, não, não…Só sabe falar “não”, querida?
-SIM!!! – gesticulou uma faminta negativa.
FIM
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Que Aninha triste, irônica e malvada!
Gostei do texto (ou dos textos) apesar da forma de escrita ser nova para mim.
Concordo!!! Adorei a Aninha!! hsauahsuahus
Imagina ela em Tirinhas? Fantááástica! Desbanca Mafalda! adorei mesmooo