Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida: Livro 1
Papo na Estante 34 – Prêmios Literários
29 Dicas para se manter criativo:
Vaucarn
A Lenda de Fausto
Chat dos Nerds Escritores
Quer publicar?
Download do livro O Draconiano – Livro 1
Oct
26
2011

As Travessuras de Aninha

Escritor: Ramon Bacelar

Nota: Compilação dos primeiros posts.

PREFÁCIO:

Alguns leitores gostam, outros não, alguns ficam indiferentes enquanto outros não sabem do que se trata… Nem eu.

Não saberia precisar com exatidão o que a série de textos As Travessuras de Aninha realmente é, mas talvez saiba o que não é (pelo menos, de minha parte, não houve nenhum planejamento prévio nesse sentido): não é um romance episódico ou em capítulos, muito menos monólogos; não são mini nem nano contos.

Talvez seja um mosaico psicológico de situações, impressões, desejos, sonhos, decepções, frustrações, sentimentos, humores e sensações de uma criança tentando interagir com o mundo, colegas e pais; ou uma série de tentativas frustradas de pais despreparados tentando penetrar no prismático, porém secreto e misterioso universo infantil, ou um mero devaneio auto-indulgente deste que vos escreve, ou nada disso… ou…

As indicações numéricas não se referem a algum senso de continuidade cronológica ou narrativa; podem ser lidos e rearranjados, como em um lego, em qualquer ordem que desejarem, criando assim (quem sabe?) novos significados e interpretações.

Obrigado a todos os colegas que têm lido meus textos: comentando, perguntando, incentivando, criticando e elogiando.

Té mais.

 

 

 

O desejo:

-O que você quer ser quando crescer amor?- pergunta o violento pai com um ar de falso carinho.

-Viúva.- sorriu Aninha.

 

FIM

 

Egolatria:

Radiante após dezoito horas de escrita ininterrupta, gira a cadeira e pergunta:

-Filhinha você sabe o que é humildade?

-Aquilo que você nunca teve papai-foi embora.

 

FIM

 

Similaridades:

-Aninha, abaixe o som!!! Isso não é música é…

-Tão verdadeiro como as letras de um livro que não passam de sujeira negra para quem não sabe…-aumentou o som e concluiu berrando.

 

FIM

 

Independência:

-Aninha!Aniiiinhaaaa!!!!Porque não me ajuda com a mesa?!!!

-Porque estou me ajudando mamãe.-enxugou as lágrimas.

 

FIM

 

Conforto:

-Aninha!Aninhaaa!!Elas!!!! As sombras…as sombras estão me devorandooooooo…

-Sim, e aqui não bate sol.-continuou lendo o gibi da luluzinha.

 

FIM

 

A musa:

-Aninha! Que liiiindo desenho, onde você buscou inspiração?

-Em seu descaso e indiferença.-Continuou desenhando.

 

FIM

Procura:

Vendo o vestido da filhinha salpicado de espinhos e ervas daninha…

-Aninha, de novo?! O que você perdeu no cemitério?

-Achei companhia mamãe.-coçou a ferida.

 

FIM

 

Carência:

Correu para o jardim, franziu os cenhos…

-Aninhaaaa!! Aninha de novo… porque está podando as pétalas amor?

-Para te dar os espinhos mamãe-chupou o dedo.

 

FIM

Desodorante cultural:

-Ahhhhhh… mas têm garotas que usam desodorante como perfume.-arremessou o dardo em direção a amiga.

-E outras ignorantes que usam livros como desodorante-retorquiu Aninha.

 

FIM

 

Dardos:

-Aninhaaa!!! Não está ouvindo a mamãe?

-Estou sim.

-Não é assim você sabe…Por que não mira no alvo?

- Está gasto e furado demais.Perdeu a graça…Além do mais…

Gargalhou Aninha mirando em outro.

 

FIM

Sobras:

-Aninhaaaa!!! Porque você estilhaçou o porta-retrato?!!!… E logo o do casamento!!! Um mês sem por o pé na porta!!!!!!

-Não mamãe, não!!!Juro… Juro que não fiz, juro!!

-Então quem foi que…

-Só rearranjei os cacos.-Abaixou a cabeça sorrindo.

 

FIM

 

 

Silêncio:

-Aninha… Ninha amorzinho, não está ouvindo? Por que você “sempre” conversa com ela?

 

-Porque você “nunca” conversa comigo mamãe. – Abraçou a boneca.

 

FIM

 

 

Brincando com fogo:

 

-Nossa querida, às vezes você brinca e conversa com o Rex como se ele fosse gente.

-Aninha, não está ouvindo amor? Não vai responder?

-Au au!! – Mostrou os salivantes caninos de leite.

 

FIM

Ponto de vista:

-Mamãe… mamanheeee!! Olha meu novo nariz de palhaço!

-Ninha, se continuar gritando vai inflamar ainda mais sua garganta e o vermelho do seu nariz não é…

-Nããoo!! Não está inflamado e não estou gripada… É um nariz de palhaaaaatchIIIIMMMM!!!! – Chuveirou na mãe.

 

FIM

Às avessas:

-Debaixo da escada de serviço, plantando bananeira tentando ler um gibi do Cebolinha de cabeça para baixo. O que falta mais você inventar amorzinho?!

-Ler o gibi de cabeça para cima mamãe. – virou a página.

FIM

Prioridade:

Toc, toc, toc…

-Aninha… Aninha?

Toc, toc, toc..

-Aninha, não está ouvindo?! Abra a porta agora !!!

Blam, blam blam!!

-Não posso mamãe, estou conversando com minha melhor amiga. – Continuou dialogando com o espelho.

FIM

 

Saúde:

-AaaaaaaaaaAAAAAAAHAHAHAHAHAHAHAH!!

-Aninha…

-HIHIHIHIHUHUHUHUHHEHEHEeeeeeeEEEEEAAAAAHAHAHAHAHA !!!

-Ninha amorzinho você vai engasgar, rir deste jeito não é saudável, pare!

-Tá bom mamãe… BUUUUURRRRRPPP!!!!

-Aninha!!

PUUUUUMMM!!!!!

 

FIM

A Mascaração:

-Aninha… Ninha querida, o aniversário acabou faz duas horas. Porque você não tira essa máscara de palhaço?

-Não posso mamãe.

-Por quê?

- Por quê? Porque… porque… Por quê você não arranca a sua?! – Apertou o elástico.

FIM

Incongruência:

 

-Quer panquecas amorzinho?

-Não.

-Arroz?

-Não.

-Feijão?

-Não.

-Salada?

-Não.

-Não, não, não…Só sabe falar “não”, querida?

-SIM!!! – gesticulou uma faminta negativa.

 

FIM

 


Written by Ramon Bacelar in: Agenda,Contos,Ramon Bacelar |

2 Comments»

  • Priscilla Rubia says:

    Thumb up 0 Thumb down 0

    Que Aninha triste, irônica e malvada!
    Gostei do texto (ou dos textos) apesar da forma de escrita ser nova para mim.

    • Nadine says:

      Thumb up 0 Thumb down 0

      Concordo!!! Adorei a Aninha!! hsauahsuahus
      Imagina ela em Tirinhas? Fantááástica! Desbanca Mafalda! adorei mesmooo

RSS feed for comments on this post.


Leave a Reply

Powered by WordPress. © 2009-2011 J. G. Valério