Buraco Negro – Parte 4
Escritor: Pablo Grilo
- O que tá acontecendo? – Disse, ao seguir a mulher saindo do apartamento as pressas.
- O professor, Jonas! É isso que tá acontecendo! Vem, rápido!
Quando estavam saindo do prédio, o homem parou perto do velho que abrira a porta para ele antes.
- Obrigado, Souza.
- De nada, detetive Roberta.
- Não se esqueça, se mais alguém vier, o senhor me liga, hein? – O idoso anuiu.
Saíram do prédio e Jonas a seguiu até um carro de marca desconhecida, meio velho e com a pequena sirene no teto, característica dos carros de detetives policiais. Ela digitou algo em um pequeno painel em frente a porta do motorista.
- Entra. – Indicou a porta do passageiro para Jonas, que viu a porta abrir, enquanto Roberta entrava pela outra.
Logo que saíram dali, a detetive pegou seu celular, ligou um número e falou com uma pessoa para cancelarem a ida a casa do professor e se dirigirem a um ‘ponto de apoio’. Em minutos tinham dado a volta no quarteirão e chegaram a mesma rua principal onde ele caminhara com a indicação do atendente da farmácia.
- O que tá acontecendo? – Perguntou Jonas em tom alto.
- Escuta! Não estamos com muito tempo para que eu te explique nada, mas só digo uma coisa: você já ouviu falar de ‘buraco negro’? – Jonas refletia por alguns segundos, enquanto Roberta entrava em uma rua.
- Esse nome não é estranho, eu ouvi em algum lugar… Na faculdade, talvez.
- Bom, enfim… O buraco negro temporal era estudado há algumas décadas por diversos cientistas, mas nunca tinha sido comprovado. É algo mais ou menos assim, Jonas: imagina várias linhas paralelas, certo? – Ele anuiu. – Tá, em cada uma dessas linha, é a famosa idéia do “E se”. – Jonas começou a se lembrar de algo. – Se eu dobrasse nessa rua ao invés daquela, se eu freasse bruscamente agora. É o que causa todas as possibilidades temporais, ou as famosas ‘realidades paralelas’. – Ele continuou a se lembrar com mais força. – Na prática ela não existia, até que há quase 50 anos atrás, Fernando Cardoso, um conhecido professor de física de uma universidade por aí que eu esqueci o nome, mas que você conhece como professor Lopes, começou a viajar para os outros presentes e futuros dele e começou a retirar pessoas de lá.
- Outros ‘eu’.
- Sim, mas antes ele tentou com outras pessoas.
- Tentou? – Roberta anuiu. – Nossa…
- Mas nas outras vezes alguma pessoa morria, então ele tinha que iniciar do zero com outras.
- Outras? Mas quantas pessoas, ou versões de pessoas ele precisa para isso?
- Acho que seis, ou sete exatamente, não sabemos com precisão. Mas sabemos que precisam ser de diferentes presentes e futuros. Enfim… Ele continuou tentando até que na terceira tentativa ele parou e começou a viajar no tempo e apenas observar aqueles que não morreriam em nenhuma realidade paralela. Você foi um dos escolhidos, Jonas, e a primeira que ele foi… Enfim… Fazer o que está fazendo com você.
- Nossa. – Ele suspirou e começou a olhar para a rua. – Quem diria que conseguir sobreviver seria ruim.
- É verdade, Jonas. Eu sinto muito.
- Não tem nada, a culpa não é sua.
- Mas pode ser se eu deixar ele criar esse buraco negro.
‘Buraco Negro’, essas duas palavras começaram a martelar a cabeça de Jonas com mais força, até que ele se lembrou de algo muito importante.
- Lembrei! Buraco negro é quando alguém consegue causar um vácuo no espaço-tempo para voltar ao passado!
- Sim, Jonas, isso mesmo. Sua aula na faculdade foi informativa.
- Não foi na aula, foi o professor quem me falou disso.
Assim que terminou de falar o carro freou bruscamente e Jonas quase foi arremessado contra o painel do veículo, tamanha a rapidez com que o automóvel parou. Logo em seguida, a detetive desligou o automóvel, suspirou e cruzou seus braços.
- Explique melhor, garoto.
- Ele me disse isso antes de me dopar e me seqüestrar.
- E o que ele fez depois disso? – Roberta perguntou tensamente. – Tente se lembrar, é muito importante.
- O professor me mandou pra cá agora.
- Sim?
- Pra pegar essa… – E apontou. – Essa bolsa aqui.
- Essa bolsa? – Jonas anuiu. - Me passa ela.
Roberta acendeu a luz interna do veículo e logo em seguida pegou a bolsa que Jonas o passara. Ela a pegou no colo e a ergueu na altura dos olhos, analisando-a externamente. Depois da varredura por todos os lados lisos, a depositou em seu colo e a abriu. Começou a ver o conteúdo e superficialmente só conseguiu ver roupas.
- Ele não disse o quê ele queria com essa bolsa?
- Não. Só me disse para pegar e levar até ele.
- Estranho, só tem roupas aqui. Vamos ver o que mais ele quer. – Começou a tirá-las da bolsa e a entregá-las para Jonas. – Guarde com cuidado, pois vamos colocá-los da mesma forma que encontramos, caso precisemos dela.
Roberta demorou quase cinco minutos retirando todo o conteúdo de dentro, entregando-os cuidadosamente a Jonas, e o rapaz organizando-os em seu colo como haviam retirado de lá. A detetive começou a erguer e sacudir o objeto vazio, começando a ficar incrédula.
- Como o professor te manda para o futuro para apanhar roupa? – Ela continuou a sacudir, já com um pouco de raiva e depois a colocou em seu colo novamente. – Não faz sentido nenhum, isso é loucura.
- Calma, detetive, quem sabe ele realmente não quer as roupas?
- Não. Ele não.
- E por quê não?
- Jonas, por que raios ele te mandaria para o futuro só para apanhar roupas? Sério? Para quê?
- Posso eu ver, detetive?
- Tá bom, mas antes me passa as roupas com cuidado.
Depois de pegar as roupas entregues por Jonas e colocá-las no banco de trás, ela lhe deu a bolsa. O rapaz a virou, desvirou, olhou em todos os cantos, e depois de minutos começou a desistir e ergueu para devolvê-la à detetive para recolocar as roupas novamente. Quando já estava quase nas mãos de Roberta, a bolsa passou perto da fonte de luz do interior do carro, permitindo que Jonas visse partes de seu interior, e ele reparou um retângulo preto.
- Espera, Roberta!
- O quê?
- Aqui, olha. – Pediu para a detetive erguer novamente a bolsa e a pôs contra a luz interna. – Tá vendo?
- Não! Aonde?
- Aqui – Apontou o local onde o retângulo -, tá vendo?
- Sim. Sim! – A detetive pegou a bolsa novamente e começou a tatear os cantos, até seus dedos encontrarem uma parte interna, antes coberta pela sombra. Adentrou seus dedos, descobriu um papel dobrado e o retirou. Na luz, percebeu que eram alguns papéis, e os separou um por um. – Agora vamos descobrir o que você queria, professor.
Roberta começou a lê-los e Jonas notou que não eram desenhos nem equações como nos outros papéis do professor, esses eram somente textos. Ele percebeu que enquanto a detetive lia, Roberta começava a alterar sua expressão preocupação para quase desespero.
- O que houve, detetive?
- Não. Não! Que droga!
- Quê que aconteceu?
- Você por acaso começou a notar alguns clarões no céu? – Ele anuiu. – E você começou a passar mal quando elas ocorrem? – Anuiu de novo. – Então começou.
- Peraí, poxa, calma… O quê exatamente começou, detetive Roberta?
- Olha, tanto o clarão no céu, quanto a dor de barriga e o vômito estão acontecendo com quem viaja no tempo. E se elas começaram…
- O quê, detetive?
- …é porque o buraco negro começou, Jonas.
- Nossa… E como você sabe disso tudo, detetive?
- Tava tudo escrito pela metade em um texto que a gente tem, e era uma cópia parcial do original. Ainda bem que acabamos de encontrar o restante. – Girou a chave, dando partida no carro.
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Nossa,como sera que ele vai sair dessa agora.
Esta ficando muito boa sua estória,só algumas falas que parecem forçada,mais de resto esta tudo bom!!!!
Obrigado pelas críticas, vou melhorar os diálogos. Anotado aqui.
Como ele vai sair dessas? Olha, se ele sair, deve ser bem dificil, viu? rs
O texto está interessante, mas eu achei um tanto confuso. Me perdi algumas vezes nos diálogos. Aguardarei a continuação…
Oi Priscilla, obrigado por comentar. Vou me esforçar para que não pareça tão confuso nas próximas vezes.