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Oct
30
2011
Conto em Série

Buraco Negro – Parte 4

Escritor: Pablo Grilo

- O que tá acontecendo? – Disse, ao seguir a mulher saindo do apartamento as pressas.

- O professor, Jonas! É isso que tá acontecendo! Vem, rápido!

Quando estavam saindo do prédio, o homem parou perto do velho que abrira a porta para ele antes.

- Obrigado, Souza.

- De nada, detetive Roberta.

- Não se esqueça, se mais alguém vier, o senhor me liga, hein? – O idoso anuiu.

Saíram do prédio e Jonas a seguiu até um carro de marca desconhecida, meio velho e com a pequena sirene no teto, característica dos carros de detetives policiais. Ela digitou algo em um pequeno painel em frente a porta do motorista.

- Entra. – Indicou a porta do passageiro para Jonas, que viu a porta abrir, enquanto Roberta entrava pela outra.

Logo que saíram dali, a detetive pegou seu celular, ligou um número e falou com uma pessoa para cancelarem a ida a casa do professor e se dirigirem a um ‘ponto de apoio’. Em minutos tinham dado a volta no quarteirão e chegaram a mesma rua principal onde ele caminhara com a indicação do atendente da farmácia.

- O que tá acontecendo? – Perguntou Jonas em tom alto.

- Escuta! Não estamos com muito tempo para que eu te explique nada, mas só digo uma coisa: você já ouviu falar de ‘buraco negro’? – Jonas refletia por alguns segundos, enquanto Roberta entrava em uma rua.

- Esse nome não é estranho, eu ouvi em algum lugar… Na faculdade, talvez.

- Bom, enfim… O buraco negro temporal era estudado há algumas décadas por diversos cientistas, mas nunca tinha sido comprovado. É algo mais ou menos assim, Jonas: imagina várias linhas paralelas, certo? – Ele anuiu. – Tá, em cada uma dessas linha, é a famosa idéia do “E se”. – Jonas começou a se lembrar de algo. – Se eu dobrasse nessa rua ao invés daquela, se eu freasse bruscamente agora. É o que causa todas as possibilidades temporais, ou as famosas ‘realidades paralelas’. – Ele continuou a se lembrar com mais força. – Na prática ela não existia, até que há quase 50 anos atrás, Fernando Cardoso, um conhecido professor de física de uma universidade por aí que eu esqueci o nome, mas que você conhece como professor Lopes, começou a viajar para os outros presentes e futuros dele e começou a retirar pessoas de lá.

- Outros ‘eu’.

- Sim, mas antes ele tentou com outras pessoas.

- Tentou? – Roberta anuiu. – Nossa…

- Mas nas outras vezes alguma pessoa morria, então ele tinha que iniciar do zero com outras.

- Outras? Mas quantas pessoas, ou versões de pessoas ele precisa para isso?

- Acho que seis, ou sete exatamente, não sabemos com precisão. Mas sabemos que precisam ser de diferentes presentes e futuros. Enfim… Ele continuou tentando até que na terceira tentativa ele parou e começou a viajar no tempo e apenas observar aqueles que não morreriam em nenhuma realidade paralela. Você foi um dos escolhidos, Jonas, e a primeira que ele foi… Enfim… Fazer o que está fazendo com você.

- Nossa. – Ele suspirou e começou a olhar para a rua. – Quem diria que conseguir sobreviver seria ruim.

- É verdade, Jonas. Eu sinto muito.

- Não tem nada, a culpa não é sua.

- Mas pode ser se eu deixar ele criar esse buraco negro.

‘Buraco Negro’, essas duas palavras começaram a martelar a cabeça de Jonas com mais força, até que ele se lembrou de algo muito importante.

- Lembrei! Buraco negro é quando alguém consegue causar um vácuo no espaço-tempo para voltar ao passado!

- Sim, Jonas, isso mesmo. Sua aula na faculdade foi informativa.

- Não foi na aula, foi o professor quem me falou disso.

Assim que terminou de falar o carro freou bruscamente e Jonas quase foi arremessado contra o painel do veículo, tamanha a rapidez com que o automóvel parou. Logo em seguida, a detetive desligou o automóvel, suspirou e cruzou seus braços.

- Explique melhor, garoto.

- Ele me disse isso antes de me dopar e me seqüestrar.

- E o que ele fez depois disso? – Roberta perguntou tensamente. – Tente se lembrar, é muito importante.

- O professor me mandou pra cá agora.

- Sim?

- Pra pegar essa… – E apontou. – Essa bolsa aqui.

- Essa bolsa? – Jonas anuiu. -  Me passa ela.

Roberta acendeu a luz interna do veículo e logo em seguida pegou a bolsa que Jonas o passara. Ela a pegou no colo e a ergueu na altura dos olhos, analisando-a externamente. Depois da varredura por todos os lados lisos, a depositou em seu colo e a abriu. Começou a ver o conteúdo e superficialmente só conseguiu ver roupas.

- Ele não disse o quê ele queria com essa bolsa?

- Não. Só me disse para pegar e levar até ele.

- Estranho, só tem roupas aqui. Vamos ver o que mais ele quer. – Começou a tirá-las da bolsa e a entregá-las para Jonas. – Guarde com cuidado, pois vamos colocá-los da mesma forma que encontramos, caso precisemos dela.

Roberta demorou quase cinco minutos retirando todo o conteúdo de dentro, entregando-os cuidadosamente a Jonas, e o rapaz organizando-os em seu colo como haviam retirado de lá. A detetive começou a erguer e sacudir o objeto vazio, começando a ficar incrédula.

- Como o professor te manda para o futuro para apanhar roupa? – Ela continuou a sacudir, já com um pouco de raiva e depois a colocou em seu colo novamente. – Não faz sentido nenhum, isso é loucura.

- Calma, detetive, quem sabe ele realmente não quer as roupas?

- Não. Ele não.

- E por quê não?

- Jonas, por que raios ele te mandaria para o futuro só para apanhar roupas? Sério? Para quê?

- Posso eu ver, detetive?

- Tá bom, mas antes me passa as roupas com cuidado.

Depois de pegar as roupas entregues por Jonas e colocá-las no banco de trás, ela lhe deu a bolsa. O rapaz a virou, desvirou, olhou em todos os cantos, e depois de minutos começou a desistir e ergueu para devolvê-la à detetive para recolocar as roupas novamente. Quando já estava quase nas mãos de Roberta, a bolsa passou perto da fonte de luz do interior do carro, permitindo que Jonas visse partes de seu interior, e ele reparou um retângulo preto.

- Espera, Roberta!

- O quê?

- Aqui, olha. – Pediu para a detetive erguer novamente a bolsa e a pôs contra a luz interna. – Tá vendo?

- Não! Aonde?

- Aqui – Apontou o local onde o retângulo -, tá vendo?

- Sim. Sim! – A detetive pegou a bolsa novamente e começou a tatear os cantos, até seus dedos encontrarem uma parte interna, antes coberta pela sombra. Adentrou seus dedos, descobriu um papel dobrado e o retirou. Na luz, percebeu que eram alguns papéis, e os separou um por um. – Agora vamos descobrir o que você queria, professor.

Roberta começou a lê-los e Jonas notou que não eram desenhos nem equações como nos outros papéis do professor, esses eram somente textos. Ele percebeu que enquanto a detetive lia, Roberta começava a alterar sua expressão preocupação para quase desespero.

- O que houve, detetive?

- Não. Não! Que droga!

- Quê que aconteceu?

- Você por acaso começou a notar alguns clarões no céu? – Ele anuiu. – E você começou a passar mal quando elas ocorrem? – Anuiu de novo. – Então começou.

- Peraí, poxa, calma… O quê exatamente começou, detetive Roberta?

- Olha, tanto o clarão no céu, quanto a dor de barriga e o vômito estão acontecendo com quem viaja no tempo. E se elas começaram…

- O quê, detetive?

- …é porque o buraco negro começou, Jonas.

- Nossa… E como você sabe disso tudo, detetive?

- Tava tudo escrito pela metade em um texto que a gente tem, e era uma cópia parcial do original. Ainda bem que acabamos de encontrar o restante. – Girou a chave, dando partida no carro.


Written by Pablo Grilo in: Agenda,Buraco Negro,Contos,Pablo Grilo |

4 Comments»

  • Debora Campos says:

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    Nossa,como sera que ele vai sair dessa agora.
    Esta ficando muito boa sua estória,só algumas falas que parecem forçada,mais de resto esta tudo bom!!!!

    • Pablo Grilo says:

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      Obrigado pelas críticas, vou melhorar os diálogos. Anotado aqui.

      Como ele vai sair dessas? Olha, se ele sair, deve ser bem dificil, viu? rs

  • Priscilla Rubia says:

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    O texto está interessante, mas eu achei um tanto confuso. Me perdi algumas vezes nos diálogos. Aguardarei a continuação…

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