Casarão – Parte I
Escritor: Diego Figueira
Eu já estava quebrado e Alex teve que pagar minha entrada no Casarão. Dez reais com direito a duas cervejas, como anunciava o cara de terno branco e bigode na entrada. Vínhamos de outro bar e já estávamos suavemente bêbados. Pegamos nossos cartões comanda, passamos pela revista e entramos. Alex precisava de um guarda volumes para sua mochila. Fui até o bar, peguei minha primeira cerveja e quando olhei em volta ele havia sumido.
Decidi recostar-me na parede ao lado da porta de entrada e apreciar a música e o movimento enquanto ele não voltava. Era um belo lugar. Ambiente escuro, luzes de discoteca. A primeira garota que me chamou atenção era loira, enorme e andava com um maiô branco atochado no rabo. Digo enorme em todos os sentidos, era o maior e melhor rabo que eu via na minha frente nos últimos meses, se não anos, e tinha uma linda marquinha de biquíni. Mas eu não estava disposto nem em condições monetárias de consumir garota nenhuma essa noite, de forma que apenas apreciava o movimento.
Mesmo estando num prostíbulo, de quando em quando me sentia mal, achando que não pegaria bem se me vissem secando aquela bunda grande e gorda sem parar. Então me continha, olhava em volta, dava um gole na cerveja. No balcão do bar uma lésbica baixa e gorda, com voz e jeito masculino se apresentava para um outro cara apertando sua mão. Achei aquilo engraçado de certa forma. Não pude ouvir o nome dela. Então meu olhar era atraído novamente para a bunda do maiô branco, que agora se localizava apenas dois passos à minha direita e tornava mais difícil disfarçar. Os pensamentos ruins voltavam, eu dava um gole na cerveja, olhava para o bar, reparava um pouco nas outras garotas, e o ciclo se repetia.
Eis que a porta utilizada pelas putas para subir e descer as escadas que levam aos quartos se abre, deixando escarpar uma luz brilhante e vermelha, e Alex sai dela em minha direção.
- É um guarda volumes muito bem organizado. É enorme, e é lá que todas as putas guardam suas bolsinhas. Fui lá e tinha umas três guardando as coisas.
Alex era um tipo estranho. Formado em física, cursava economia, nunca tivera um emprego e conhecia todos os puteiros da cidade. Apontei para a garota do maiô e comentei que era a mulher mais gostosa do mundo. Ele concordou.
Telões exibiam filmes pornôs. Um cara sentado numa espécie de van, em movimento, e três mulheres chupando seu pau. Um endereço eletrônico era exibido na parte de baixo da tela.
- E você pode se inscrever para participar! – disse Alex.
- Quê?
- Você se inscreve no site e te chamam para participar do filme.
- Sério?
- Sim.
- E você se inscreveu?
- Não. Ainda.
Aí me lembrei que um outro amigo meu já tinha comentado comigo sobre esse lance. Ele tinha feito a inscrição. Achei aquilo engraçado. Pensei um pouco no assunto e então fomos andando para a parte mais interna do local.
Só então reparei o quanto o lugar estava vazio. Muitas mulheres, poucas roupas. Alguns caras bebendo em pequenos grupos, outros se esfregando com alguma rapariga nas paredes, conversando e dando risadinhas como casais de namorados. Como há solidão nesse mundo. Mas confesso que senti um pouco de inveja desses caras. Nenhuma mulher olhava para nós.
Sentamos. Terminei minha cerveja e aí comecei a achar aquele clima bem agradável. Imaginei-me vivendo todos as noites naquele lugar, formando círculos de amizade duradouros com as garotas e com os frequentadores assíduos. Rindo, bebendo, sendo chamado pelo nome. Elas deviam ser felizes apesar de tudo. Aquilo me parecia muito melhor que qualquer merda de escritório.
- Você acha que elas têm uma espécie de faro para distinguir aqueles que têm grana daqueles que não? – perguntei à Alex.
- Com certeza, meu caro.
- Hmm…interessante.
- Isso aqui está realmente vazio! Tem muito mais mulher do que homem, não estou me sentindo à vontade!
- Você é gay!
Fui dar uma mijada. Voltei e ficamos mais um tempo sentados, olhando em volta em silêncio. Então a sapatão que eu tinha visto mais cedo no bar apareceu de repente e se dirigiu a nós.
- Vocês vieram para ficar só olhando ou vão subir com alguma?
Não lembro o que Alex respondeu, mas se mostrou bastante interessado na conversa.
- Eu conheço uma morena nota dez. – continuou a lésbica – Se quiserem apresento pra vocês. Mas assim, precisa fechar o programa. Não é pra ficar só conversando.
Aí me enchi o saco daquele papo e levantei pra pegar minha segunda cerveja. Era só uma cafetina jogando xaveco pra ganhar o dela. Nunca tive paciência pra essas coisas. O garçom me serviu prontamente. Abri a lata e dei um ou dois goles. Virei-me em direção ao banco onde estávamos e ambos haviam sumido. Maldição! – pensei – É só eu pegar uma maldita cerveja que o filho da puta some!
Continua…
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