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Oct
31
2011

Freud Ignora

Escritor: Anderson Alares

17 de Maio

Começaram há dois dias, no primeiro dia apenas me acalmei “Foi apenas um pesadelo, nada de incomum”  pensei. Mas no outro dia acordei do mesmo jeito, minha mãe me perguntou se tinha algo que estava me perturbando, algum trauma ou coisa do tipo, ela é psicanalista ( do tipo freudiana) por isso sempre acredita que qualquer coisa que eu faça de diferente foi um trauma que ela me causou na infância. Bem, hoje eu espero não acordar do mesmo jeito, senão provavelmente meus vizinhos irão achar que sou louca e minha mãe pensará que me traumatizou profundamente para o resto da vida.

19 de Maio

Eles não pararam dessa vez foi mais vivido e consegui me lembrar de flashes do sonho, principalmente sons e sensações. Algo ou alguém se arrastava, penosamente, havia um barulho de grade balançando, como se tentassem arromba-la, não sei por que mais sentia um medo terrível e só pensava em sair do lugar e levar minha família, desesperadamente.  Então acordei com minha mãe me balançando, eu estava no terraço segurando as grades. Ela me disse tudo que fiz. Disse-me que eu estava gritando, alto e claramente “Vamos sair! Temos que sair! Eles estão vindo!” além de balançar as grades tentando sair da minha própria casa.

Ao amanhecer fomos a um psiquiatra (minha mãe não gostava deles, mas quando se trata de um filho tudo muda). Após uma serie de perguntas ele, após eu insistentemente dizer que não tinha sofrido nenhum trauma ou estresse, disse que tinha uma suspeita de distúrbio do sono, que era necessário atentar para meu comportamento desperto e blá blá blá, ou seja ele não sabia o que era e como não podia dizer que era uma virose disse isso, no fim ele me prescreveu um remédio para dormir fomos para casa. Agora estou nervosa, espero que esse remédio funcione direitinho e nada mais aconteça, pois senão eu mesmo vou começar a achar realmente que tive algum trauma ou estresse.

20 de Maio

Essa noite foi ainda pior, acordei com minha mãe me ninando num canto escuro do meu quarto, meu irmão também estava lá. Ela me disse que depois de tentar abrir a porta mais uma vez eu comecei a gritar e a chorar copiosamente, ela disse que me guiou até o quarto me amparando com a ajuda do meu irmão, e que dessa vez eu dizia enquanto chorava “Devíamos ter saído, agora iremos morrer aqui! Deviam ter me escutado!” e “ Aí vem eles, não podemos com eles, vamos nos esconder …e esperar eles nos encontrarem”. A única coisa que me lembro dessa vez é sangue, muito sangue.

Não fui ao colégio e começo a ter uma sensação muito ruim desses pesadelos, minha mãe está preocupada, meu irmão assustado.

21 de Maio

Eles não me ouviram, hoje os zumbis atacaram pela manhã, estamos presos na casa…Esperando.

[Mancha de sangue]


Written by Anderson Alares in: Agenda,Anderson Alares,Contos |

1 Comment»

  • Priscilla Rubia says:

    Thumb up 0 Thumb down 0

    Apesar de curto e simples, o conto ficou legal e agradável. O final eu realmente não esperava o_o Eu sempre gosto de um toque de humor, por mais séria que seja a história e a sua teve =)

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