Línguas Amargas
Escritor: Fabricio Briola
Acordei as seis, lavei meu rosto escovei os dentes recebi o sol que emanava de minha janela semi aberta, vesti o calção e sem o menor interesse observei duas velhinhas tricotando fofocas logo abaixo da janela, na calçada. Elas apontavam para uma moça que estava bem à
frente de mãos dadas com o namorado e tortuosamente a maldiziam com ofensas e palavras de baixo calão:
“Então é um dos homens da Madalena! Ah eu sabia, aquela meretriz não se conteria em ficar com apenas um!” Pré julgava a velhinha mais
baixiinha enquanto se curvava indignada olhando para a outra.
“Que injustiça aquela mulher está fazendo como outro rapaz. Oh céus!” Exclamava a outra senhora enquanto levava as mãos enrugadinhas emcima do penteado redondo cheio de cabelos brancos e demonstrando tremenda indignação.
Permaneci a observar a cena, pois se tratava de algo interessante do cotidiano das velhas senhoras, ou pelo menos interessante para mim, pois
talvez o ocorrido desse uma boa crônica para minha coluna no jornal da cidade.
“Logo após, a mulher da qual estavam falando vira à esquina e desaparece de seus alcances.”
A minha vizinha abre a porta, para varrer a frente de sua casa, então as velhas voltama conversar enquanto observam:
“Você viu a dona Eneida, agora está mais feliz, seu filho começou a trabalhar…” Disse a primeira. “E isso que dizer que é menos uma
boca para ela alimentar!” Completou a segunda velhinha, maldosamente esboçando um sorrisinho maléfico logo a baixo dos finos
óculos redondos fundo de garrafa e apontando o dedo indicador que de tão fino parecia um palito de pirulito.
“E diziam que ele comia feito um boi!”Disse ainda mais indgnada.
E eu permanecia a observar. As duas não paravam! Aquilo tudo estava se tornando algo completamente cômico, fora dos padroes da normalidade, oque era mais do que um motivo que me fizesse não perder por nada!
Em seguida, um senhor passa atravessando a calçada em frente a elas, que por sua vez já começam a “tricotar”:
“Mas esse Valdir é um pão! Você não acha Firmina?”
Começou a vovó, agora fitando o homem pelas costas soltando uma risadinha de contentamento:
“E eu ouvi dizer que ele agora está solteiro!” As duas caíram na risada e eu também não poderia deixar de achar graça naquelas vovós insanas!
Era impagável observar a integração de uma com a outra! E assim sucessivamente puseram-se a falar de cada indivíduo que avistavam, até os cães pareciam não escapar.
Finalmente as duas pareciam ter se cansado de ficar postadas com as cabecinhas grisalhas sobre aquele forte sol de verão. Então tranquilamente elas se recolhem aos seus aposentos; Continuei a segui-las com os olhos, até que finalmente as vejo encostadas em suas janelas. Agora com o uso do celular, conversam dando gritinhos nostaugicos enquanto acompanham com os olhos o fluxo de pessoas na rua.
Ja não podendo mais ouvir seus comentário eu me contive e voltei em si, fui até cozinha tomar meu café atrasado, que por sinal já estava
frio. Logo fui trabalhar…
E sempre que me vem em mente esse doce episódio, dou gargalhadas sozinho, lembrando dos tricotes e falcatruas das velhacas linguarudas.
Ah, o fato ganhou grande repercussão nas colunas do meu jornal, leitores apaixonados pelas duas me pediram pra continuar a escrever sobre elas, então decidi fazer uma série de contos, da qual eu a intitulei como: Línguas Amargas!

No Comments»
RSS feed for comments on this post.








Espírito do Século. Novo RPG Pulp da RetroPunk já entrou em pré-venda!
Editora UNZA RPG estreia com suplemento GOBLINS em campanha para OLD DRAGON!
Alan Moore pede que leitores de Before Watchmen nunca mais leiam obras de Alan Moore
Papo na Estante 34 – Prêmios Literários
Papo na Estante 33 – Literatura de Entretenimento
Show, Don’t Tell ou Mostre, Não Diga.
Occupy Comics: Alan Moore e David Lloyd colaboram
Resenha do livro "O estranho mundo de Tim Burton"
Filhos do Éden - Herdeiros de Atlântida 

