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Oct
26
2011
Conto em Série

O Sonho de Susana – Capítulo 10

Escritora: Priscilla Rubia

o-sonho-de-susana

Susana nunca soube por quanto tempo ficou parada olhando para o caixão vazio.

Tudo o que ela conseguia pensar era: por quê? Tinha de haver um motivo, um motivo muito bom. E por mais que pensasse, não conseguia encontrar nenhum.

Será que Alan está vivo?

Não. Isso é impossível. Você o viu morrer, você o viu morto!

Então, por que não estou vendo ele aqui, agora?

Percebeu que ficar ali não traria respostas. Saiu da cova e colocou a terra de volta o melhor que pode, mas as flores nunca foram parar onde deveriam.

 

Ao acordar no dia seguinte Susana não conseguia mexer o braço sem dar um grito de dor. Pensou como poderia trabalhar assim, mas considerava ficar em casa sozinha com seus pensamentos bem pior.

Ao chegar ao trabalho constatou que Bruno havia retornado. Ele a olhou com desprezo com um grande curativo no nariz. Ela até que gostou dele ter voltado, teria uma ótima desculpa para trabalhar fora.

Durante todo o dia ela considerou a idéia de ir conversar com Tiago e perguntar o que aconteceu, mas se ele havia escondido algo do tipo o tempo todo, por que lhe contaria a verdade? Mas por que ele esconderia algo do tipo?

Depois de quase ir mesmo até a casa de Tiago, ela decidiu que a melhor coisa seria conversar com Marcelo e perguntar o que ele achava.

E a senhorita deve a ele um belo pedido de desculpas.

Era verdade. Sentia-se péssima com isso. Pegou o celular e discou o número de Marcelo, torcendo que dessa vez ele atendesse.

Ao ouvir uma mensagem que não esperava tirou o celular do ouvido e olhou para o visor conferindo se digitou o número corretamente. Parecia não haver nenhum erro, mas mesmo assim discou novamente com mais calma. Não obteve sucesso. Aquela voz automática que lhe dizia que não tem créditos suficientes ou que o telefone estava desligado, dessa vez falava algo muito pior:

“O número que você ligou não existe. Por favor, tente novamente ou contate a sua operadora.”

Mas que merda essa mulher está falando? Como o número não existe? Ontem mesmo eu liguei para ele, conversei com Marcelo por ele!

Tentou mais uma vez e ouviu a mesma mensagem. Xingou e jogou o celular de volta na bolsa.

Deve ser essa merda de celular.

Foi até um orelhão e discou o mesmo número que havia discado incontáveis vezes quando precisava de um apoio:

“O número que você ligou não existe. Favor discar novamente, ou consultar a lista telefônica.”

Isso era impossível.

Ou talvez não. Talvez ele tenha ficado tão chateado com você que simplesmente trocou de número.

Susana sorriu. Isso seria ridículo e infantil. Marcelo não faria algo do tipo.

Então como explica isso, boneca?

O celular dele deve estar com problema, só isso.

Ok. Vamos imaginar que o celular dele esteja com problema e que seja só isso. E então? Como vai falar com ele? Você sabe o telefone fixo do rapaz? Não. Você sabe onde ele mora? Não. Acho que você acabou de perder um amigo.

Ao pensar em tal possibilidade sentiu a boca amargar e algo se remexer dentro dela, algo que não sentia há um tempo, porque tinha Marcelo para acalmá-lo. Algo que se chamava desespero.

Susana pense bem, tem um lugar. Ele sempre vai neste lugar, é o seu favorito.

Mas é claro! O restaurante! Como podia ter esquecido o lugar de encontro dos dois?

Não estava muito longe e por isso decidiu caminhar. Esperava chegar e encontrá-lo sentado em uma das mesas de fora, como sempre, sentar-se ao lado dele, implorar por perdão e depois acalmar o Sr. Desespero que crescia dentro dela.

Mas ele não estava lá.

Ela chegou a sentir as pernas bambas por um tempo e teve vontade de chorar.

Havia perdido a única pessoa que a apoiara durante o último ano. A única que esteve ao seu lado quando não tinha mais ninguém.

Não se desespere. Fique calma. O garçom. Lembra-se dele? Sempre serviu vocês. Ele pode dizer se viu Marcelo hoje e até dar um recado se o vir.

Muito bem Susana!

Procurou o garçom e quando foi chamá-lo se deu conta de que nunca perguntou o nome dele, apesar de tê-la servido várias vezes junto com Marcelo.

— Er.. olá!

Ele pareceu surpreso de principio, mas logo abriu seu melhor sorriso de garçom:

— Olá!

— Meu nome é Susana – disse ela estendendo a mão.

— Diego.

— Diego, desculpe nunca ter perguntado seu nome antes.

— Ah não, esta tudo bem. Em que posso ajudá-la?

— Bem, gostaria que você me fizesse um favor. Aquele rapaz que sempre vem comigo, você o viu?

Diego a olhou parecendo não entender.

— Um rapaz, nós sempre nos sentamos nas mesas aqui de fora, você o viu hoje?

— Eu realmente não estou entendendo Susana.

— Você está se lembrando de mim?

— Sim, claro que sim. Você é uma cliente que aparece com freqüência.

— Pois então.

— Mas Susana, você sempre veio sozinha. Nunca apareceu acompanhada de ninguém.

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Publicado por Priscilla Rubia

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