O Sonho de Susana – Capítulo 4
Escritora: Priscilla Rubia

Susana chegou em casa por volta da hora do almoço. Subiu as escadas para o apartamento correndo, pois estava escutando – em incríveis duas vezes nesse dia – o telefone tocar.
Quase não chegou a tempo de atender. Ofegante, levou o fone ao ouvido:
— Alô?
— Susana…
— Paulo, se você ficar me ligando no meu dia de folga vou ser obrigada a pedir demissão.
— Bruno chegou aqui. Com o nariz quebrado. Eu espero que você tenha uma boa desculpa para isso.
Susana ficou calada. Sabia que poderia ter problemas com Paulo, mas mesmo assim – e ela realmente esperou – o arrependimento não veio.
— Ele falou de Alan.
— Isso não justifica Susana, você tem que aprender a controlar isso. Eu sei que ele foi completamente idiota, mas não precisava quebrar o nariz do garoto, por Deus…
— Ele chorou muito?
— Eu estou falando sério Susana! Estou preocupado com você. Caso eu perceba que você não está OK vou ser obrigado a lhe afastar.
— Você não faria isso – Apesar de Susana não gostar muito do trabalho, ela se distraia com ele. Achava que se não tivesse nada para distraí-la durante o dia, ela ficaria realmente doida.
— Ah, eu faria sim. Por isso, trate de se comportar. Não quero você por aí quebrando narizes.
— Ok papai.
— Meu Deus, você não me leva a sério mesmo. Bruno vai ficar afastado alguns dias. Você em vez de me ajudar me fode completamente. Já estava sem pessoal e agora estou mais ainda. Você vai trabalhar no lugar do Bruno, entendeu?
— Como se ele fizesse grande coisa.
— Tá bom. Você pode ficar o resto do dia de folga, porque pra começar é seu dia de folga, mas amanhã quero você aqui bem cedo.
— Tá.
— Hmm, ok. Até amanhã.
— Até.
E desligou. Olhou para o apartamento sujo e pensou que seria um bom dia para limpá-lo, porém tinha certeza de que isso não aconteceria. Preparou-se para almoçar e depois dormir o resto da tarde, quando foi interrompida – agora sim um recorde – pelo telefone.
Pensando que seria Paulo querendo lhe importunar por algo que tinha esquecido, atendeu:
— Paulo, eu entendi…
— Susana, sou eu.
Ao ouvir a voz de Tiago depois de um bom tempo, ela sentiu as pernas bambas e precisou sentar.
— O que você quer?
Susana o escutou sorrir baixinho do outro lado:
— Você não precisa me tratar assim, sabe? Bem, Paulo me ligou e…
— Aquele filho da puta!
— Você não deve ficar com raiva dele. Ele gosta de você e ficou preocupado, só isso. Você está bem?
— Eu não preciso da sua ajuda.
— Susana, eu quero te ajudar. Nós ainda podemos ser amigos.
— Não, não podemos.
— Mas, por quê?
— Porque você me culpa. Você me culpa pela morte de nosso filho.
— Eu… – Tiago não conseguiu dizer nada além disso. E ela realmente o odiou por isso.
Sempre teve um relacionamento bom e tranqüilo com Tiago até a morte de Alan. Após a morte do filho único dos dois, Tiago passou a olhá-la diferente, passou a tocá-la diferente, com medo, com receio. Como se a morte de Alan tivesse sido sua culpa.
E não foi?
Aquele pensamento veio como uma voz maldosa a muito esquecida no seu interior e ela o ignorou.
Não agüentando mais viver daquela maneira, ela propôs a separação. Ele não gostou muito da idéia no princípio, mas acabou concordando.
Provavelmente achava que eu o mataria enquanto dormia.
— Você está sendo injusta.
— INJUSTA? Você me culpa pela morte de Alan e eu sou injusta.
— Eu nunca, nunca te culpei. Foi um acidente. Você não pôde evitá-lo. E, eu sofri tanto quanto você! Eu o amava tanto quanto você!
— Ok Tiago. Eu agradeço, mas não preciso da sua ajuda. Já conversei com alguém hoje e…
— Com Marcelo?
— Sim, com Marcelo. E não é da sua conta. Não mais.
— Não é isso que eu quero dizer e você sabe.
— Não, não sei. O que você quer dizer?
— Você realmente não percebeu que tipo de pessoa que ele é?
— Não Tiago. Me diga, que tipo de pessoa que ele é?
— Esquece.
— Não, fale.
— Você irá perceber, mais cedo ou mais tarde vai perceber…
— Pelo menos ele não me culpa…
— Ele nunca vai ser contra você Susana. E, pela última vez, eu não lhe culpo.
— Tá. Podemos terminar essa conversa sem sentido? Ainda não almocei.
— Você está bem mesmo?
— Estou Tiago, estou.
— Ok. Bom apetite. Eu t… – Tiago parou de repente e Susana sorriu. Ele iria dizer que a amava. Alguns costumes nunca mudam.
Ele deve ter outras mulheres, não é possível que não tenha outras mulheres.
Mas Susana na verdade sabia que não. Esse não era o tipo de pessoa que Tiago era. E por um breve momento ela se arrependeu de ter separado dele, de ter perdido o contato com ele.
— Tenho que ir Tiago.
— É. Tá. Até mais.
— Até.
Esperando realmente que o telefone não tocasse novamente, ela foi preparar algo para comer.
—
Ela comeu uma comida requentada na frente da TV. Odiava a programação daquela merda, mas pelo menos a distraia um pouco. Após comer, deixou-se ser levada pela preguiça e deitou na cama para um cochilo que acabou durando quatro horas inteiras e ainda duraria mais se não tivesse acordado suada e assustada.
Havia sonhado depois de muito tempo. Sonhado com Alan e com sua morte o que transformara o sonho em pesadelo. Em como poderia salvá-lo, em como poderia ter evitado sua morte.
Foi quando sentiu algo frio e molhado ao esticar a perna.
Assustada ela a recolheu com um gemido de nojo. Levantou um pouco a cabeça e toda a urina guardada durante o sono soltou-se em um jato quente.
Havia um garoto deitado ao pé da cama.
Estava encolhido, molhado, e parecia dormir.
Era um garoto com os cabelos negros e uma camisa branca.
Ela queria gritar e correr, mas tudo o que fez foi continuar olhando para o garoto.
Usava uma cueca de banho – coisa que não pôde reparar da última vez – e devia ter por volta de seis ou sete anos.
Foi quando a campainha tocou e ela gritou.
Olhou assustada para a porta e de volta para o pé da cama.
O garoto havia sumido.
Ela se encolheu em meio ao cheiro forte de urina e de medo.
Havia sonhado, somente isso. Tinha acabado de ter um pesadelo e acordara vendo coisas.
Quando então reparou no chão do quarto.
Estava molhado, marcado com pequenas pegadas.
Ela as seguiu e teve uma vontade súbita de vomitar ao constatar que elas se encaminhavam para o pé da cama.
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Ela só pode estar vendo assombração!!!!
Parabens
Ohh curiosidade tenho que ler o restante da estória agora
Olha o garoto de volta! E vc só faltou abrir uma aba com a parte 5 junto com esse final rsrsrs. Vou ver se eu leio ainda hoje!
Huuuumm, o que pensei se tratar inicialmente de uma história policial pelo visto tem mais coisa…mas afinal quem será que matou este garotinho que ela vê?! Prosseguindo na história.
Policial? lol Não esperava que o conto parecesse policial deudheuhde Bem, veremos se continua parecendo nos próximos capitulos xD
Puta merda… I see dead people. O moloque está seguindo Susana e não tenho idéia do motivo, mas posso dizer que ficou phodástica essa parte. Boa, Priscilla.
Será que esse garotinho “existe”?
Fodástico o enredo