O Nerd Escritor
Feed RSS do ONE

Feed RSS do ONE

Assine o feed e acompanhe o ONE.

Nerds Escritores

Nerds Escritores

Confira quem publica no ONE.

Quer publicar?

Quer publicar?

Você escreve e não sabe o que fazer? Publique aqui!

Fale com ONE

Fale com ONE

Quer falar algo? Dar dicas e tirar dúvidas, aqui é o lugar.

To Do - ONE

To Do - ONE

Espaço aberto para sugestão de melhorias no ONE.

Contos

Contos

Lista de contos publicados no ONE.

Poesias

Poesias

Lista de poesias publicadas no ONE.

Críticas e Resenhas

Críticas e Resenhas

Opinião sobre alguns livros.

Notícias

Notícias

Veja o que está rolando no mundo literário nerd.

Promoções

Promoções

Aqui você pode ganhar livros e outros prêmios em sua casa.

Sem Assunto

Sem Assunto

Não sabemos muito bem o que fazer com estes artigos.

Anuncie Aqui!

Papo na Estante

Papo na Estante

O nosso podcast de literatura.

Blog do Guns

Blog do Guns

Meus textos não totalmente literários, pra vocês. :)

Nerdoteca

Nerdoteca

Os livros que todo nerd deveria ler.

A Batalha do Apocalipse
Autógrafos

Autógrafos

Em breve! :)

Anuncie Aqui!

Agenda

Agenda

Confira os contos e poemas à serem publicados.

Login

Login

Acesse a área de publicação através deste link.

Fan Page - O Nerd Escritor

Página do ONE no Facebook.

Confere e manda um Like!

@onerdescritor

@onerdescritor

Siga o Twitter do ONE!

Oct
26
2011

Sangue, balas e zumbis – Cap 01 – Confiando em um estranho

Escritor: Gabriel Duarte de Souza e Silva

Capítulo 01 – Confiando em um estranho

Chovia muito naquela noite. A chuva estava gelada e caía incessantemente. Não se podia ouvir muito além do barulho do próprio aguaceiro, mas podia-se ouvir claramente o grunhido daqueles que não estavam mais vivos. Andavam cambaleando, se arrastando, sem rumo, somente a procura de carne fresca.

Um dos armazéns do porto da cidade havia explodido, as chamas estavam por toda parte e acabaram atingindo algumas ruas atrás do mesmo, o fogo queimava intensamente, e, mesmo a chuva gelada e incessante, parecia não ser capaz de apagá-lo. A explosão do armazém pôde ser ouvida a quilômetros de distância por qualquer criatura, viva ou morta, e uma aglomeração de mortos já começava a se formar, detidos apenas por um alambrado de metal que impedia a passagem. Eles grunhiam e andavam cambaleando contra o mesmo.

O mar estava agitado devido à chuva, as ondas eram altas no porto e faziam os grandes barcos balançarem e os pequenos chocarem-se entre si e contra as docas do porto.Também por ali, haviam containeres de empresas e indústrias da cidade, que foram deixados as pressas depois do grave incidente. Continham de tudo, desde produtos para higiene pessoal até componentes de alta tecnologia para computadores, alguns tinham sido saqueados por sobreviventes que ainda viviam na cidade, outros permaneciam trancados, do mesmo jeito que foram deixados.

Conforme o tempo corria, mais e mais criaturas se aglomeravam ao redor do armazém, algumas estavam pegando fogo por terem passado pelas ruas em chamas, mas isso não lhes causava nenhum dano, só aumentava o cheiro fétido de carne em decomposição, capaz de causar náuseas no mais forte dos estômagos. E o número de mortos apenas aumentava, fosse pelo eco da explosão, fosse pelo cheiro da carne que se decompunha. .

O fogo não se extinguia e acabou atingindo umas das torres de energia que ficava próxima dali, o extremo calor fez com que a torre entrasse em colapso, deixando seus cabos eletrificados espalhados pelo porto.

As paredes de metal do armazém tinham marcas de disparos indicando um tiroteio recente, elas faziam transpassar a luz dos postes da rua para dentro do armazém se tornando a única fonte de luz, porém, sem êxito, a escuridão no galpão era imutável. A água da chuva entrava pelo telhado esburacado do lugar e se concentrava em algumas poças. As goteiras tinham um barulho característico e não parariam até que a chuva cessasse. As gotas ecoavam no grande espaço vazio que continha, apenas, algumas caixas e barris.

Ela estava ali, jogada no meio do armazém, inconsciente, deixada para morrer, naquele lugar esquecido por Deus. Tinha sido alvejada no braço, o projétil acabara alojado nele, o sangue jorrava e não conseguiria movê-lo se recuperasse a consciência. O incêndio fora do armazém estava chegando perto da segunda bomba de combustível, já havia atingido a primeira e causado a explosão, e tudo corria para que houvesse outra.

Então o fogo atinge a bomba. Rapidamente, o combustível se inflama, causando uma outra grande explosão. A onda de choque derruba uma parte do teto do armazém. O buraco formado facilita a passagem da chuva e a quantidade de água que cai lá dentro é impressionante.

Uma grande torrente de água a atinge provocando um enorme susto e fazendo com que acorde quase que instantaneamente. Ela levanta seu tronco e se senta em um movimento rápido demais depois do susto e, assim que os sentidos todos voltam, seu braço ferido envia a informação de dor para o cérebro e ela grita, desesperadamente. O projétil está alojado em seu músculo, a dor é insuportável. Ela tenta ficar de pé mas, o esforço é inútil, acaba caindo de joelhos no chão molhado. Uma lágrima escorre por sua face, e, por um momento, ela pensa que aquele lugar irá se tornar a sua sepultura. Perde suas forças, não consegue se mover, o medo toma conta de seu corpo, e ela começa a tremer. Não consegue lembrar quem é ou o que estava fazendo ali, sua cabeça está confusa, algumas visões incompreensíveis torturam sua mente e ela se pergunta a todo instante porque estaria em um lugar como aquele. E então, ouve as criaturas lá fora e seus grunhidos não humanos, e ela sabe o que são. Parece que sua memória não está totalmente apagada, ainda consegue se lembrar de alguns acontecimentos recentes. Lembra-se do combate com alguns homens vestidos de preto e super equipados. Lembra-se que acabara por matar um deles e então a memória se torna turva, e apenas se recorda de ter sido atingida por um forte golpe na nuca que a fez desmaiar.

Ela sabe que tem que sair dali o mais rápido possível ou vai ser comida viva pelas criaturas. Tenta se levantar novamente, e, enfrentando a terrível dor em seu braço, tenta não gritar para não atrair mais criaturas e, possivelmente, os homens que a haviam deixado naquele estado. Com esforço consegue chegar à porta do armazém que está entreaberta, coloca somente a cabeça para fora de modo que não chame atenção e olha para todos os lados, para ter certeza de que não está sendo vigiada e nem perto das criaturas.

Sai do armazém em meio à chuva forte e é obrigada a soltar seu braço ferido para se proteger da água que vai violenta contra seu rosto. Anda vagarosamente pelo porto e chega perto de um container com algumas caixas de metal empilhadas próximas a ele. Encosta-se no container e se prepara para averiguar a situação como fizera anteriormente, sem ter a menor idéia de que um atirador de elite está posicionado no farol do porto, com ordens para matá-la ou matar qualquer um que tente ajudá-la. E a chuva o protege, é impossível vê-lo de baixo com o número de água que está a cair do céu. Quando coloca sua cabeça para fora do container, o vento derruba as caixas de metal que estavam empilhadas ao lado. Muito rápida, quase que por instinto, ela move sua cabeça de volta, ao mesmo tempo, o atirador de elite dispara e acerta o canto do container, atravessando-o. Com medo, ela sabe que agora está sob a mira de alguém, suas chances de sair dali eram poucas, agora são quase zero. Sua cabeça começa a pensar em formas de como se safar, mas todas parecem impossíveis e acabam na possibilidade de ser atingida.

Já se passou meia hora desde que chegou ao container, está se sentindo sem esperanças, temendo pelo pior. E a situação vai se intensificando, ela pode ouvir o grunhido das criaturas cada vez mais perto e começa a imaginar, com razão, que elas invadiram o porto. Os vagantes conseguiram ultrapassar o alambrado de metal e estavam caminhando, agora, dentro do porto, centenas deles. Para sua sorte, a chuva dissipava o cheiro de sangue de seu ferimento mas, quando parasse, sabia que estaria condenada. Como se pudesse escutá-la, a chuva enfraqueceu e o barulho das criaturas ficou ainda mais próximo. Estava escuro, não era possível enxergar nada devido à queda da torre de energia que alimentava o porto, só algumas luzes permaneceram, fracamente, iluminando o caminho.

Completava-se agora uma hora desde que havia saído do armazém e o que ela temia aconteceu. A chuva parou e as criaturas poderiam sentir o seu cheiro e chegar até ela, no entanto, por outro lado, sem a chuva, seria fácil localizar o atirador e evitá-lo. Um dos grunhidos começou a vir diretamente em sua direção, foi capaz de ver a silhueta grotesca daquele que não era mais humano, com pedaços de carne faltando pelo corpo, como se tivessem sido arrancados a força. Andava cambaleando e não parecia muito esperto. Ficou catatônica. Não sabia o que fazer e a criatura se aproximava cada vez mais. Até que, em um instante, foi eletrocutada e sua cabeça explodiu, fazendo o corpo cair rapidamente ao chão. Estava começando a achar que a sorte estava lhe sorrindo, um fio da torre de energia que ainda estava eletrificado havia caído por ali e a protegeria de qualquer coisa se que se aproximasse enquanto permanecesse assim, ela só não sabia por quanto tempo.

Foi então que uma voz a chamou, mas não consegue definir de onde está vindo:

- Ei! Aqui! Estou aqui!

- Quem… é? E onde você está? – Sua voz está fraca.

- Isso não importa agora. Você quer sair daqui viva ou não?

- Mas como posso saber se você é confiável? – Ela ainda estranha a própria voz.

- Não pode… Você vai ter que se arriscar.

Rapidamente, ela pensa em suas opções. Não são muitas e nenhuma é plausível. Vai precisar confiar no estranho mesmo sendo um tiro no escuro, simplesmente, porque, talvez, pode dar certo:

- Ok… Eu aceito a sua ajuda! Mas preciso que se mostre pra mim…

Das sombras surge um jovem, com físico de quem tem uns 19 anos. Ele está com um colete a prova de balas mas, não possui nenhuma arma e usa uma máscara de gás, provavelmente, para preservar sua identidade, calça com joelheiras e coturnos semelhantes aos do exército. Ele se aproxima:

- Posso tirar você daqui mas, precisamos ser muito rápidos! Há uma parte no lado leste do porto que essas criaturas não conseguiram chegar ainda, podemos passar por lá mas, primeiro, precisamos despistar o cara que está em cima do farol mirandoem nós. Mas, preciso saber de uma coisa. Você consegue correr? – Ele sussurra rapidamente.

Ela estava espantada. Como ele conseguira saber dessas coisas? Provavelmente, era alguém que vivia na cidade, ou melhor, até mesmo ela poderia saber se sua memória estivesse intacta. Mas ainda, como ele sabia que o atirador estava no farol se estava chovendo e a visibilidade era quase zero? Esse pensamento a fez desconfiar mais ainda do jovem mas, teria que pensar nisso depois, sua prioridade nesse momento era sair dali. Ele vendo que não obteve resposta, perguntou de novo, estalando os dedos para acordá-la, pois estava com o olhar voltado para o nada, pensando:

- Ei, moça, acorde! Então, você consegue correr?

- Meu braço dói muito, mas acho que sim. – Ela finalmente responde.

- Beleza, então!

Enquanto fala, ele tira uma granada de fumaça de um dos bolsos do colete, e continua:

- Eu vou usar isso para distraí-lo. Quando a fumaça se estabelecer, eu vou correr e você vem logo atrás de mim mas, preciso que seja rápida! Senão vai acabar morrendo e, possivelmente, matando a mim também! E eu ainda sou muito jovem para morrer, por isso não ferre com tudo!

Ela acenou com a cabeça confirmando que havia entendido o que ele dissera, então ele arremessou a granada e a fumaça se espalhou por ali. Ele deu o sinal e os dois correram fumaça adentro. Ambos sabiam que, quando saíssem da fumaça, o atirador iria avistá-los e, com certeza, iria atirar. A fumaça se dissipou. O atirador começou a atirar, continuavam correndo, mas ela estava ficando para trás, estava sem forças devido ao ferimento. Ele chega atrás de um container e faz sinal para que ela corra até ele, ela continua indo em sua direção, mas um tiro acerta sua perna e a faz cair de bruços no chão. Nesse momento, o jovem abandona as esperanças, e fica ali, aguardando o tiro fatal, mas ele não acontece:

- Filho da puta! Está usando ela como isca para me atrair… – Pensa em voz alta.

Ela continua deitada, tentando se arrastar, sem sucesso, para onde ele está. Ele sabe que tem que pensar rápido em como salvá-la, não quer deixá-la morrer. É então que ele avista um refletor próximo de onde estão e tem a idéia de usá-lo contra o atirador. Sai correndo e aciona o interruptor do refletor, que acende uma luz muito forte. Rapidamente ele a vira em direção do topo do farol, o atirador que está olhando pela luneta fica cego pela luz e demora alguns segundos para recobrar sua visão. Nesse momento ele passa o braço dela envolta de seus ombros e sai correndo em direção a saída do porto.

O atirador recobra a visão e mira na cabeça do jovem. Quando está prestes a puxar o gatilho, outro homem totalmente equipado coloca a mão em seu ombro:

- Deixe, ela está muito ferida e ele, cansado, não vão durar muito tempo. Vamos, precisamos comunicar isso ao QG.

Ele consegue carregá-la passando pela rua que possuía somente algumas criaturas, e entram em uma lanchonete. Ela está respirando, mas está desmaiada. Ele a deita em um dos bancos compridos da lanchonete, e sabe que precisa tirar a bala de seu braço o quanto antes. Pega um kit de primeiros-socorros na cozinha logo após verificar se estam sozinhos e começa a tirar a bala de seu braço. Os recursos eram poucos e no lugar de um bisturi, o que é usado para arrancar a bala é uma faca. Ela urra, a dor é insuportável:

- Calma! Estou tentando concertar esse ferimento que você tem, mas se você gritar você irá atraí-los para cá! Então tente se controlar! – Ele sussurra calmamente, com a mão em sua boca.

Ela não responde, mas parece ter ouvido. Mordendo os lábios para evitar um grito, ela se debatia de dor e algumas lágrimas percorriam seu rosto. Depois de feito os curativos, ele a deixa dormir e vai para perto da porta para ficar de guarda. No entanto, está cansado. Lentamente, acaba pegando no sono, em pé, encostado na porta.

No Comments»

RSS feed for comments on this post.


Leave a Reply

Publicado por Gabriel Duarte de Souza e Silva

– que publicou 1 textos no ONE.

>> Confira outros textos de Gabriel Duarte de Souza e Silva

>> Contate o autor

* Se você é o autor deste texto, mas não é você quem aparece aqui... >> Fale com ONE <<

Powered by WordPress. © 2009-2013 J. G. Valério