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Nov
07
2011

Vingança de um Pai

Escritor: Andre Manente

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Cap I “Na loja de esportes havia inocentes.”

Marcelo, um empresário muito bem sucedido e conhecido pela região de Mirassol no interior de São Paulo, tinha 42 anos; e ia com seu filho Thiago de 19 anos até uma loja de esportes, pois na semana seguinte Thiago realizaria um de seus maiores sonhos: acampar na Mata Atlântica. No caminho da loja de esportes, que não ficava muito longe de sua casa, eles iam conversando dentro do carro.

“Ainda não acho boa ideia você ir acampar naquela Mata, Thiago” disse Marcelo, preocupado.

“Ah, pai! Eu sempre quis isso pra mim. E outra são poucos dias.” disse Thiago, tranquilo.

“Tudo bem. Mas quero que saiba que não concordo muito. Aliás, me ligue sempre quando estiver por lá!” recomendou Marcelo.

Thiago riu. “Pai. Não tem como eu ligar para o senhor. Lá não tem sinal no celular!” disse.

“Ah! Meu Deus! É muito perigoso você ir lá, apenas irá jovens, não é?!” perguntou Marcelo

“Sim, pai! Só nós mesmo da faculdade” respondeu Thiago.

“Então 20 jovens sozinhos na Mata fechada! Não é brincadeira!” disse Marcelo preocupadamente.

“Pai, já sou crescidinho, sei cuidar de mim mesmo! Agradeço pela preocupação. Mas é meu sonho acampar lá! E outro motivo para mim ir, é que isso me ajudaria na faculdade de Biologia”

disse meio áspero, Thiago.

“Já que acha assim.” disse Marcelo.

Pararam no estacionamento da loja. Desceram os dois. Era aproximadamente 22:30. “Como pode uma loja de esportes está aberta esse horário. Isso é estranho! Droga! Preferia que meu filho fizesse intercâmbio na Austrália como sempre quis! Mas já que ele quis assim. Talvez seja o melhor pra ele.” pensou Marcelo ao descer do carro e olhar no relógio. Entraram na loja, Thiago já foi logo ver os acessórios que usaria no acampamento. Seu pai, foi ver com o balconista os preços dos objetos.

“Boa noite, vocês aceitam cartão de débito?” perguntou Marcelo

“Aceitamos” respondeu o balconista sem ao menos olhar para Marcelo e continuou a ler sua revista.

“Tá certo.” disse Marcelo

Tudo parecia tranquilo, Thiago e Marcelo estavam vendo os acessórios que comprariam e o balconista estava sentado lendo sua revista. Quando encostou um carro na porta da loja, Thiago observou o estranho veículo parado. Marcelo deu simplesmete uma leve olhada e pensou: “Mais gente estranha por perto. Já basta o balconista”. E o balconista? Bem…ele continuou sentado lendo sua revista.

Passado alguns minutos ali, sem sair ninguém do carro. Thiago e Marcelo já iam sair da loja, pois já tinham comprado a maior parte dos acessórios que Thiago usaria. Calmamente, saiu um homem mal-encarado do carro, com um touca e um blusão que mais parecia um sobretudo. Entrou na loja, Marcelo olhou e pensou: “Droga! Esse cara é estranho!”. Thiago estava tão entusiasmado com suas compras que não notou a presença do sujeito. Ele se dirigiu até o balcão e perguntou: “Quanto é o cigarro?”

“5 contos”. respondeu secamente o balconista e continou a ler sua revista.

De repente, saiu mais três sujeitos do carro e entrou rapidamente na loja e gritaram

“Atenção. Isso é um assalto, passa tudo, passa tudo; tio!”

O balconista assustou e entregou todos os lucros do dia para aqueles bandidos. Marcelo e Thiago levantaram a mão e já estavam deitando no chão como ordenava um dos bandidos. Eles já iam saindo, mas um deles chutou Marcelo com grande força. Thiago irou-se e levantou do chão e gritou

“Não faça isso, seu bandido miserável. Vocês vão morrer usando drogas, vão morrer sem família, sem nada. Seus miseráveis. Ladrões de galinhas!”

Marcelo rapidamente gritou para seu filho “Cale a boca! Cale a boca! Não fale nada.”

Um dos bandidos se voltou para seu filho e apontou a arma. Marcelo gritou: “Não! Não!” E um outro bandido segurou Marcelo, porque ele estava se levantando do chão para proteger seu filho. Aquele bandido olhou para Thiago e disse “Vá para o inferno, muleque!” e disparou 2 tiros, um deles diretamente na cabeça e outro no peito. Thiago caiu no chão e agonizava. Enquanto os bandidos corriam, Marcelo foi tentar ajudar seu filho.

“Filho. Thiago…calma! Você vai ficar bem.” dizia Marcelo

Mas Thiago já estava morto.

“Filho, está me ouvindo?! Acorda filho! Não! Não morra! Preciso de você! Você é a minha vida! Filho!! Não!!!” gritava desesperadamente um pai que acabara de perder seu filho.

O balconista reagiu, levantou-se detrás do balcão e foi consolar Marcelo.

E o silêncio da morte passou por ali.

Cap. II “Apenas lembranças!”

“Me lembro do olhar dele voltado para mim como um pedido de socorro, mas eu já não podia fazer mais nada. Via sua boca tentando me pedir ajuda. Via seu sangue escorrer como escorre água de uma torneira aberta. Me lembro do último suspiro dele, nos meus braços.” disse Marcelo.

“Tudo bem…recomendo ao senhor que volte ao trabalho, que volte a sair com amigos; enfim que volte a viver!” disse sua psicóloga Ana.

“Não! Eu não posso! Você não entende…eu não consigo mais viver sem ele!” insistiu.

“Doutor Marcelo, nós estamos aqui duas vezes por semana falando desse fato que ocorreu a dez anos atrás. O senhor precisa esquecer; por causa dessa sua depressão o senhor já perdeu tudo o que tinha. Perdeu a sua empresa, perdeu a casa onde vivia, perdeu o seu carro, perdeu os amigos, perdeu tudo.” disse a psicóloga.

“Eu estou pagando as sessões, não estou?! É o suficiente. Volte ao seu trabalho.” disse asperamente Marcelo.

“Eu sei senhor. Mas digo não preocupada se vai continuar pagando as sessões. Mas preocupada com o senhor.”

“Chega de sermões. Vou tomar outra atitude que possa me trazer consolo disso tudo.”

Marcelo saiu.

Chegando onde vivia, um bairro pobre da cidade de Mirassol, em um pensão quase falida, Marcelo pensou no que fazer. E pensou, e pensou e pensou de novo. Então, levantou-se do sofá e disse:

“Preciso descobrir quem matou o meu filho. Fazer justiça!”

Na delegacia do seu bairro, Marcelo entrou. E foi recebido por um dos policiais que já o conhecem (Na verdade, quase toda a população da cidade o conhecia pela terrível história que vivera).

“O que aconteceu senhor Marcelo?” perguntou um policial

“Nada. Queria falar com o delegado Duarte. Poderia?” perguntou.

“Claro. Venha!”

Então, Marcelo entrou na sala. O delegado estava sentado lendo alguns documentos.

“Posso ajudar senhor Marcelo?”

“Pode.”

“Diga.”

“Queria saber… sei que vou chateá-lo…mas, queria saber o que tem descobrido sobre a morte do meu filho.”

O delegado abaixou a cabeça e disse:

“Senhor Marcelo, de novo esta história. O caso do seu filho já está encerrado. Não descobrimos nada. Estamos tentando encontrar meios de identificar os assassinos do seu filho, mas é um processo demorado, leva dias…”

“Delegado, eu sou um pai, o senhor deve ser também. Saber que seu filho já morreu há 10 anos e ninguém fez nada. Ninguém pagou nada. Simplesmente ele morreu e pronto. E vocês não fazem nada!”

“Não é assim, senhor. A gente trabalha dia e noite para descobrir quem são os assassinos. Se pelo menos o senhor lembrasse deles.”

“Eu não posso lembrar e já expliquei o porque. Fiquei oito anos em estado vegetativo, apenas com a ajuda da minha psicóloga sai dessa.”

“Não quis o culpar”

“Mas eu culpo o senhor. Porque eu não fico sentado numa sala confortável enquanto os assassinos do meu filho estão soltos fazendo o que querem.”

O silêncio tomou conta do ambiente.

“O que quer?”

“Quero apenas ver os aquivos da morte de meu filho, apenas isso!”

“Tudo bem! Venha comigo!”

O delegado levantou-se e foi até uma outra sala com centenas de gavetas e disse ao Marcelo:

“Os documentos da morte de seu filho estão em algum lugar das gavetas do meio!”

O delegado começou a procurar…

“Deixa-me ver…Hum…Thiago Ferreira…haaam…Thiago..Ah! Aqui encontrei. Tome. Estão aqui os documentos. Não poderia fazer isso, mas leve para casa e faça o que tanto quer com eles.”

“Obrigado senhor! Não sei como te agradecer.” disse Marcelo

“Mas eu sei…” disse o delegado “Volte a viver.” disse depois

“Eu vivo para ele, senhor!”

Marcelo foi para casa, olhou no relógio era 14:35.

“Não tenho coragem de abir essa pasta e olhar esses documentos que tanto pedi pro delegado. Mas, eu preciso ver. Ou não? Será que devo esquecer tudo isso? Não! Preciso saber quem matou o meu querido filho, preciso olhar nos olhos do desgraçado!” pensou

Marcelo aproximou-se da pasta e sentado no sofá começou a ler.

“03 de Março de 1999 às 23:26 da noite. Thiago Ferreira de 19 anos (solteiro) assassinado com a arma calibre 38. Suposto veículo com os suspeitos: Siena prata; placa DVZ-3590. Na qual esse veículo está no nome de: Melissa Viana Correia de 37 anos, moradora da cidade de São Paulo, na rua: Veterano, n° 1750.” leu.

“Melissa? Eu vou atrás dela.”

Cap. III “Dona Melissa, traficante de drogas!”

“Com licença senhor! Estou procurando a dona Melissa Viana Correia, ela mora aqui?” perguntou Marcelo para um senhor que saiu da susposta casa de Melissa.

“Ela mora. Mas o que quer com ela?” perguntou

“Vim tratar um assunto.”

“Ah..já entendi. Aquele assunto, não é?! Entre. Ela já irá atendê-lo!” disse

Marcelo entrou cismadamente.

“Sente-se” disse o senhor.

“Então, você veio da onde?” perguntou o senhor

“Vim de Mirassol, interior do estado.”

“Ah sim! Aqui vem gente de tudo que é lugar. Do Brasil inteiro. Já veio até americano.”

“Pra falar com a Dona Melissa?”

“Claro!”

“Nossa…mas porque…”

“Olá!” gritou Melissa alegremente a Marcelo.

“Olá.” respondeu ele.

“Pode sair Paulão!”

“Tá certo” disse o senhor

“O que vai querer?”

“Bem, eu vim atrás de uma coisa muito antiga. E…na verdade, nem sei se a senhora ainda tem…” disse Marcelo

“Senhora não querido. Pode me chamar de Melissa. Então mas quer, algo antigo?! Hum…Maconha seria? Bem, porque você tem razão, não vendo muita Maconha não! Vendia…hoje o povo quer coisa mais nova, mais pesada. Mais tenho Cocaína, Extâse. O que quiser.”

“Como? Acho que a senhora…quer dizer…você está enganada. Vim atrás de um veículo!”

“Veículo? Não sou vendedora de carros. Saia!”

“Não espere! É importantíssimo!”

“Querido, não quero saber”

“Só uma informação! E prometo que a deixo em paz e nunca mais apareço aqui. E a deixo trabalhar.”

“Bem, já que é assim. Diga!”

“A senhora tem ou tinha um Siena prata com a placa DVZ-3590?”

“Tinha sim. Tinha. Há muitos anos.”

“Hum. A senhora se lembra ou sabe de um assassinato envolvendo um rapaz em Mirassol, o seu carro, transportava os bandidos que assaltaram a loja de esportes e mataram o rapaz.”

“Hã?! Bem…saia. Não quero falar sobre isso. Saia. Ande saia.

“Não vou sair…porque eu sou o pai do rapaz que mataram. E vou até o inferno para acabar com a vida dos assassinos!”

“Oh. Eu vou falar tudo que sei. Mas não fale a ninguém que eu disse. Senão eu estou morta!”

“Fala logo”

“Há 10 anos atrás, eu precisava de dinheiro e tinha esse carro. E eu trabalhava numa boate com alguns rapazes, e um dia eu falando com eles que precisava de dinheiro, eles me ofereceram 100 mil reais para emprestar o carro a eles. Porque um homem de Mirassol, queria que eles fizessem um servicinho por ali. Nada demais. Um assalto! Eu perguntei a eles, ainda que zombando, porque alguém queria assaltar uma loja de esportes? Se fosse um banco…Eles me responderam, que o assalto seria apenas de fachada, o serviço mesmo, era outro. Então eu emprestei o carro e depois me deram 100 mil. Só isso que sei.”

“Huum…São eles mesmo! Foram eles que mataram meu filho. Mas, você sabe quem é esse homem de Mirassol?”

“Parece que ele é o delegado de um dos bairros, o nome dele, bem…eu não lembro…mas parece que é Almeida…Sim. É assim que o chamavam…Almeida!”

“Hum…Não o conheço. Mas o delegado Duarte deve saber. E…onde estão esses rapazes que trabalhavam com você?”

“Bem…isso não posso dizer

“É melhor falar, ou vai querer ser presa por tráfico de drogas? Ou melhor por cúmplice em um assalto e assassinato?”

Melissa ficou quieta e por alguns instante ficou pensativa.

“Certo. Um deles, é o Ricardo, a última vez que falei com ele…ele morava em Presidente Prudente. O Carlos está até hoje em Londrina e abriu uma Danceteria…O Francisco faleceu numa troca de tiros com a polícia no Rio de Janeiro, bem e o…Augusto, está em Mirassol!”

“Hum…Entendi. Obrigado pela informação, senhora Melissa.”

“Senhora não, por favor”

“Eu precisava de uma outra informação!”

“Ah! Já falei tudo!”

“Não, dessa vez…preciso de um trabalho.”

 

Cap. IV “Rumo a Presidente Prudente.”

 

 

“Marcelo! Marcelo…Cadê o Marcelo?!” gritava um comerciante, dono de um supermercado da região onde morava Melissa.

“Senhor?” disse Marcelo

“Que demora, hein! Olha, leve essas compras até a casa de dona Melissa.” disse o  comerciante.

“Certo.”

Então, Marcelo carregou as sacolas até o caminhãozinho do mercado e levou até a casa de dona Melissa. Bateu na porta e disse:

“Melissa. Aqui está as compras da casa.”

Melissa desceu as escadas da casa e disse

“Nossa! Finalmente hein?! Que demora! Bem, então…deixa eu ver se está tudo aqui.”

Melissa começou a revirar as sacolas

“Hum…Tomate, Arroz, Feijão, Óleos, meus danones, Huum…certo!”

“Já pagou não é?!” perguntou Marcelo cismadamente.

“Epa! Me chamou de caloteira?! Claro que já paguei. Já está tudo acertado com o seu João!”

“Ah bom! Aliás, hoje é meu último dia no mercado!”

“Como? Não, não pode ser…como vai pagar o quarto que te aluguei nessa casa? Não pode…”

“Não, a senhora não entendeu. Eu to indo embora dessa casa. Vou para Presidente Prudente. Aliás, agradeço muito a senhora, tem me acolhido muito bem.”

“Hum…você acha mesmo é?”

Melissa se aproximou de Marcelo e começou a lhe fazer agrados.

“Epa! Então…te agradeço muito, serei eternamente grato! Mas, agora eu tenho que voltar ao mercado.Até mais, eu volto para buscar as minhas coisas.”

Marcelo voltou ao mercado e disse a seu João que iria ir embora da cidade e abandonaria o emprego.

“Ah! Rapaz…tudo bem…boa viagem!”

Então, Marcelo voltou a casa de dona Melissa, pegou suas coisas, se despediu dela e do Paulão que moravam juntos. Marcelo então tomou um ônibus e foi até o terminal onde pegaria o ônibus para Presidente Prudente, afinal das contas, ia ser complicado e difícil encontrar Ricardo, já que Melissa deu todos os endereços dos assassinos de seu filho, exceto de Ricardo.

Depois de horas de viagem, Marcelo chegou em Presidente Prudente, e ali mesmo no terminal perguntou a um guarda se conhecia algum hotel ou pensão por perto para se hospedar por alguns tempos. O guarda lhe disse:

“Ah, tem sim…Minha sogra tem um hotel, não muito longe daqui, eu vivo lá também! Se quiser posso te levar até lá.”

“Seria grato!”

Então, o guarda o levou até o hotel de sua sogra.

“Dona Zélia! Dona Zélia!! Temos hóspedes.” gritou o guarda ao entrar na recepção do hotel.

“Ah!! Hóspedes é?! Hum…olá meu filho. Você tem dinheiro para pagar o hotel é? Hum…não parece não, hein?!” dizia dona Zélia

O guarda envergonhado disse: “Por isso que esse hotel nunca tem hóspedes, os que aparecem, a senhora espanta!”

“Bem, eu tenho minhas economias sim. Mas não vou ficar muito tempo. Creio que umas duas semanas, seria o suficiente!” disse Marcelo

“Bem, já que tem dinheiro. Pode ficar! Mas nada de comer muito. Aliás, aqui é um hotel não restaurante! Entendido?!” disse atrapalhadamente dona Zélia.

Marcelo riu e disse: “Entendido senhora”

Então, o guarda do terminal levou as malas de Marcelo até um dos quartos. E, perguntou a Marcelo.

“Posso te perguntar uma coisa?”

“Pode.”

“O que veio fazer na cidade?”

“Bem, é uma longa história!”

“Ah, desculpe! Se não quiser responder. Tudo bem!”

“Não, não é isso. Eu vou te contar. Estou atrás dos assassinos do meu filho. Tenho a informação que um deles mora na cidade. O nome dele é Ricardo. Conhece?”

“Ricardo? Bem, a cidade é grande. Mas, você tem o nome completo dele?”

“Não! Não tenho.”

“Se tivesse eu já sei onde o encontrar.”

Então, Marcelo teve uma ideia, pegou o telefone e ligou para Melissa.

“Alô.” disse Melissa

“Alô, Melissa. Sou eu. Marcelo.”

“Marcelo? Ahh!!! Que saudade meu lindo.”

“Saudade também. Mas estou ligando para saber como é o nome completo de Ricardo.”

“Aii…eu não sei..”

“Por favor.”

“Ah! Tá certo…É…Ricardo Rodrigues Da Silva!”

“Certo. Beijo gata!”

Marcelo desligou o telefone. (Melissa desmaiou do outro lado da linha, pelo fato de Marcelo chamá-la de gata). Então, o guarda levou Marcelo até uma casa.

“Aqui? Nós vamos encontrar o assassino, aqui?” perguntava Marcelo.

“Sim.”

O guarda chamou pelo nome de Silveira. Silveira apareceu e o cumprimentou.

“Olha, quem tá aqui. Juca. Meu compadre!! Quanto tempo, rapaz?!” cumprimentava o guarda Juca.”

“Silveira, esse é meu amigo, Marcelo. Ele veio de Mirassol. Atrás de uma pessoa. E você já sabe como o ajudar, não é?” disse o guarda Juca.

“Sei.”

Eles entraram e sentados no sofá. Silveira procurava na lista telefônica da cidade, pelo nome de Ricardo Rodrigues Da Silva.

“Encontrei. Encontrei. Encontrei!!” gritava Silveira.

“Onde ele mora?” perguntava Marcelo

“É muito longe?” perguntava em seguida o guarda.

“Do outro lado da cidade.” respondeu.

Sairam da casa, Marcelo agradeceu muito a Silveira (só ele tinha a lista telefônica da cidade atualizada) e Juca o despediu. Com o carro de dona Zélia foram até a suposta casa de Ricardo.

“Se a dona Zélia descobre que peguei o carro dela!! Tô morto.” disse o guarda Juca.

Marcelo riu.

“Aliás, eu ia te perguntar uma coisa. Não conheço sua mulher ainda?!” disse Marcelo

Juca ficou meio cabisbaixo e respondeu.

“Ela faleceu. Há dois meses”

“Sinto muito!”

Chegaram no endereço. Desceram do carro e analisaram a casa. Marcelo e Juca tocou a campainha. Abriram, era uma linda moça.

“Poderia falar com o senhor Ricardo?” perguntou Marcelo.

“Quem é?!” perguntou a linda moça assustada e nervosa.

“Somos amigos de Mirassol!”

“Entrem.”

Eles entraram e ficaram um longo tempo esperando Ricardo aparecer. E apareceu. Ricardo sentou no sofá. E já soltou.

“Não me lembro de vocês!”

“Mas eu lembro de você. Nunca me esqueci.” disse Marcelo, áspero.

“E posso saber o porque?”

“Sim…assassino!!”

“Não sei o que você está falando. Saia da minha casa.”

“Não sabe é?! Ah…mas eu te lembro. Você com seus amigos, há 10 anos atrás mataram meu filho numa loja de esportes. Se eu não me engano, você era o motorista do carro de Dona Melissa.” disse Marcelo

“Ah! Quer saber…sou eu mesmo. Eu estava dirigindo aquela droga de carro. Fui eu que mandei atirar no teu filho. Satisfeito??”

“Aquela linda moça, é sua filha?”

“Não interessa.”

“Sou mulher dele.” disse a moça que ouvia a conversa da cozinha.

“Mulher?” perguntou o guarda.

Ela reafirmou balagando a cabeça

“Quantos anos você tem, menina?!” perguntou Marcelo

“Tenho 15 anos.” disse tristemente.

“15?? Incrível.” disse o guarda.

“Isso é crime, senhor Ricardo Rodrigues Da Silva.” disse Marcelo

“Calem a boca!!! Saia daqui.” berrou para Marcelo. “Enquanto a você, sua desgraçada. Vai apanhar até não sentir mais dor. Vou te matar…” gritava para moça. E Ricardo se aproximou da moça. E levantou a mão e bofeteou com muita força várias vezes o rosto da bela jovem. Mas, Marcelo não se conteve…Foi para briga com Ricardo…e brigavam muito. Juca ajudou a bela moça. “Fuja! Saia na rua.” disse a ela…

Então, Juca começou a bater no Ricardo também. Quando de repente, Ricardo jogou uma cadeira em cima de Juca, que caiu. Ricardo, começou a chutar Juca, já caído no chão, mas, Marcelo pegou uma faca que estava ali perto e enfiou sem medo no pescoço do criminoso. Que morreu agonizando de dor.

“Desgraçado!” disse Juca

E passou poucos dias, Marcelo fechou a conta no hotel. Dona Zélia o ficou xingando porque ia abandonar o hotel. Mesmo sabendo que ele não era obrigado a ficar ali. E, Marcelo despediu-se de Juca no terminal.

“E a jovem?” perguntou Marcelo.

“Foi mandada para o Conselho Tutelar. Ela não tem ninguém no mundo!” respondeu Juca

“Isso é uma pena! Mas eu já vou meu amigo. Obrigado por ter me acolhido…me ajudou bastante. Inclusive a matar aquele desgraçado.” agradeceu

“Não foi nada! Aliás, a polícia entendeu tudo. Ainda bem. Fiquei com medo de sermos presos por homicídio.”

“Isso não aconteceria. Ele era um pedófilo, assassino, ladrão. E você viu o que aquele policial disse…estavam atrás dele há muito tempo!!” disse Marcelo

“Verdade! Vai com Deus meu amigo!!”

“Obrigado!”

Então, Marcelo entrou no seu ônibus com destino a Londrina, no Paraná.

 

Cap. V “Por favor, não me entregue à polícia. Foi um erro que cometi…”

 

 

Ei, você…aonde pensa que vai?” gritou um policial para Marcelo, quando ele entrava num banco, no centro de Londrina.

“Vou tirar dinheiro! Algum problema?!” perguntou Marcelo ironicamente

“Sim. Seus trajes não estão adequados com o nosso banco central. O senhor poderia procurar um banco do seu bairro. Assim, será do seu nível!” disse o policial do banco.

“Claro! Obrigado… por me tratar como gente! Afinal das contas, você será um simples policial pra sempre, não é?!” disse Marcelo nervoso.

“Meu emprego é digno!”

“Ah! Maravilha! Que coincidência!! O meu também!! Até mais.” disse Marcelo.

Depois que Marcelo se afastou, o policial disse para si

“Um mendigo não é digno de glória!”

Marcelo procurou um hotel simples no subúrbio. Deixou suas malas lá. Arrumou-se, tomou um banho. E saiu. Andou pela cidade, conversou com carteiros, jornaleiros, comerciantes; enfim, em busca de informação sobre Carlos. Marcelo, então; decidiu ir até a Danceteria de Carlos, que ficava 40 minutos do hotel onde estava. Quando chegou por lá, perguntou ao zelador que cuidara do local.

“Por favor, o senhor Carlos está?” perguntou.

“Não senhor. O senhor Carlos está em uma reunião em Maringá! Volta só no domingo!” respondeu o zelador

“Droga!” pensou Marcelo. “O senhor tem certeza?” perguntou novamente.

“Tenho sim. Quer deixar recado?” ofereceu

“Não!! Obrigado…mas, ele é casado?”

“Sim…e muito bem casado. A dona Helena é uma mulher educada, linda e rica!” disse

“Certo…será que ela está em sua casa?”

“Creio eu que sim. Ela não gosta dessas viagens do senhor Carlos.”

“Hum…eles moram nesse endereço, não é?!” perguntou Marcelo, mostrando o endereço que Melissa o dera.

“Sim, é esse mesmo! Se eu pudesse levava o senhor até lá; mas não posso. Tenho muito serviço por aqui.”

“Ah!! Obrigado!”

Marcelo saiu e dirigiu-se rapidamente até a casa de Carlos.Tocou a campainha da imensa casa. Abriram a porta. É a empregada…

“Pois não?!” disse a empregada

“Boa tarde. Meu nome é Marcelo, sou lá de Mirassol no interior de São Paulo. E, vim para Londrina atrás de Carlos, mas soube que está viajando, não é?! Então, poderia falar com a senhora Helena?” perguntou Marcelo.

“Olha, vou ver com ela. Espere um minuto.”

“Tudo bem.”

A empregada entrou, passado um tempo…ela voltou…

“Entre! Dona Helena já desce do quarto.”

Ele entrou, sentou no sofá (como em todos os lugares que foi)…e esperou…Logo, dona Helena desceu.

“No que eu posso lhe ser últil?” disse a elegante.

“Sou um antigo amigo de seu marido. Lá da cidade de Mirassol. Estou atrás dele, porque ele me deve dinheiro.”

“Hum…quanto?” perguntou ela

“Olha, alguns trocados nada demais! Soube que ele está viajando não é?!!”

“Ah sim!! A danceteria está lucrando e crescendo muito. Aí tem que fazer essas viagens chatas!”

“Interessante! Quando que a senhora e ele se casaram?”

“Há 15 anos!”

“Hum…15?? Bom!”

“E o senhor? É casado?”

“Viúvo!!”

“Hum..e não pensa em se casar de novo?”

“Agora não! Estou resolvendo a morte de meu filho.”

“Oh….meus sentimentos!! Quando foi isso?”

“Há 10 anos!! Num assalto!”

“Hum…assalto?”

“Sim…”

“Ah…como é mesmo o nome do senhor??”

“Marcelo!”

“E o seu filho se chamava Thiago?”

“Ohh…sim…o conhecia?”

“Não!! Apenas…é…digo…vá embora por favor!!”

“Termine o que ia dizer…”

“Saia…senhor Marcelo”

“Tudo bem, mas saiba que eu vou voltar! Com a polícia! E seu marido e quem sabe você vão ser punidos pela crime!”

“Sabia que era isso que o senhor veio buscar!! Oh Céus, sempre disse para o Carlos que aquela história não ia dar certo! Mas, foi aquele delegadozinho que fez a cabeça de meu marido, claro, culpa também da Melissa!!”

“Olha, senhora! Só vim querer olhar nos olhos dos desgraçados que mataram meu filho. Mas, estou disposto a ouvir o que a senhora tem a dizer.”

“Não sei muita coisa;”

“Diga o que sabe!”

“Está certo. Mas depois disso…suma da minha vida!!!”

“Certo”

“Eu trabalhava numa boate com Melissa, e conheci meu marido lá; foi quando ele chegou com os amigos dele, falando desse assalto.” disse

“Quem os contratou?”

“Um delegado.”

“Nome?”

“Bem…parece que é Almeira…ou Ferreira!! Uma coisa assim, mas…o nome dele verdadeiro era Gustavo Duarte! Chamavam de Almeida para preservar a identidade!!”

“Como? O delegado Duarte? Não pode ser…meu Deus!! Fui traído pela própria polícia!! Essa informação aumentou o meu ódio!”

“Pois é, senhor! Agora poderia sair?”

“Certo.”

“Passar bem” disse ela.

Marcelo ficou tão decepcionado, amargurado, sentindo-se enganado, que ficou no seu hotel por dias, pensando no que ia fazer, no que ia dizer ao ver o delegado Duarte. Ele não comia, não dormia, não saia; enfim, não fazia nada! Apenas chorava de angústia.

“Oh, meu Deus! Porque os Céus me castigam assim? O que eu tenho feito, Senhor, para irar contra mim.” lamentava-se

E os dias passaram. Marcelo recuperou-se da decepção, e se fortaleceu novamente para conseguir justiça. Então lembrara que Carlos já havia voltado de viagem; então, decidiu passar por lá, pela última vez, para olhar nos olhos de Carlos e confessar diante dele o seu crime. Só assim o sentiria melhor. Ele saiu, fechou a conta no hotel e dirigiu-se novamente a casa de Carlos. Tocou a campainha. A empregada abriu.

“Bom dia!”

“Bom dia.” disse Marcelo

“O que deseja?”

“Gostaria de falar com o senhor Carlos, ele está?”

“Espere um minuto.”

Passado alguns instantes, a empregada voltou.

“Olha senhor, lamento muito. Mas o senhor Carlos não quer vê-lo.”

“Então, diga, que trarei a polícia.”

“Certo.”

Passou algum tempo, Helena voltou.

“Ah! Senhor Marcelo. Entre…meu marido já irá recebê-lo”

“Tudo bem.”

Marcelo entrou, sentou no sofá e ficou apreensivo com a compania de Helena na sala. Logo, desceu Carlos, com o rosto cheio de lágrimas de tanto chorar.

“Olá, senhor Marcelo.”

“Olá!”

Marcelo levantou-se e olhou fixamente para Carlos, Carlos ajoelhou-se perante Marcelo e disse

“Me perdoe pelo amor de Deus! Por favor, não me entregue a polícia. Foi um erro que cometi. Te dou qualquer coisa, dinheiro, casa, carro, a danceteria. Qualquer coisa! Mas não me entregue!” implorou Carlos.

“Senhor Carlos. Confesso que meu perdão o senhor nunca terá!”

Carlos pôs-se a chorar. Helena vendo o triste estado de seu marido lhe disse

“Carlos, levante do chão! O que passou, já é passado.”

“Cala a boca! É passado, porque não foi a senhora que perdeu seu filho!” gritou Marcelo.

“Não grite comigo dentro de minha casa!” berrou ela.

“Você tem essa casa, graças ao seu marido que sai matando o filho dos outros, e recebe dinheiro. O dinheiro de vocês é sujo!! Sujo…como vocês!!” gritava Marcelo.

Carlos, aproveitando da discussão, tomou um vaso que havia na mesa de centro e golpeou a cabeça de Marcelo que caiu no chão, porém não desmaiou. Marcelo levantou-se e partiu para briga com Carlos. Helena gritava as empregadas, porém, não sabiam o que fazer.

“Vou chamar a polícia!” dizia uma empregada

“Não! Não chame! Faça outra coisa….” gritava Helena

De repente, Carlos subiu as escadas correndo e entrou no seu quarto, trancando assim, a porta. Todos subiram atrás.

“Meu bem…abre essa porta.” pedia Helena

“Nunca! Esse miserável! Vai me matar…” dizia ele.

“E vou mesmo! Seu sem vergonha!!” gritava Marcelo.

“Sai da minha casa!” gritava Helena

Marcelo bofeteou Helena que com o sentimento de ódio, disse.

“Graças a Deus teu filho morreu, seu desgraçado. Você é digno de pena e de dor!” disse com raiva.

Marcelo irou-se imensamente e a empurrou, caindo pela escada e desmaiando. As empregadas sairam correndo desesperadamente.Marcelo arrombou a porta do quarto aonde Carlos se trancara. Quando viu, o encontrou enforcado por uma corda no ventilador do quarto. E, em cima da cama um bilhete. “Preferia a morte do que a prisão, seu miserável!”. Marcelo saiu do quarto, passou por Helena desmaiada, e saiu da casa, tranquilamente.

 

Cap. VI “Voltando para Mirassol”

 

“Ainda não entendi toda essa história! Porque o delegado Duarte fez isso comigo?! Eu o considerava. Estou arrependido de buscar toda essa história. Só tem me perturbado mais. Talvez a doutora Ana tenha razão. Devo viver de novo. Mas, já que cheguei até aqui. Vou procurar os últimos culpados pela morte do meu filho. Augusto Santana e o delegado Duarte. Quero saber a completa história. Os verdadeiros motivos para terem atirado no meu filho. Só Augusto poderá me dizer, aliás, foi ele que atirou em meu filho.” pensava Marcelo.

Marcelo já estava na sua cidade. Ele só pensava nessa trajetória de revelações que tem conseguido, indo atrás dos assassinos de seu filho. “Como pôde Carlos ter tirado sua própria vida?” pensava ele. “Será que Helena está bem? E dona Melissa?” lembrava. Marcelo estava em sua humilde casa, deitado na cama, pensava e pensava e pensava…E tentava conseguir coragem para encarar cara a cara o delegado Duarte e o Augusto. Entretanto, tocou o telefone.

“Alô?” atendeu Marcelo.

“Alô. É o Marcelo?” perguntou alguém.

“Sim…Quem é?” perguntou Marcelo.

“Sou eu, a doutora Ana. Soube que estava na cidade.”

“Sim, já voltei de viagem.”

“Hum..fiquei feliz por saber dessa viagem. Como foi?”

“Bem.”

“Que bom, não é?!” disse ela.

“Sim.” confirmou ele

“Tenho que desligar doutora Ana, preciso falar com o delegado.” continuou Marcelo.

“Ah! Certo.”

“Até mais.”

“Até!” despediu ela.

Marcelo desligou o telefone, tomou um banho, colocou outras roupas e saiu em busca do delegado Duarte. Ao chegar na delegacia, Marcelo foi recebido por uma atendente da recepção.

“No que eu posso ajudar?” disse a jovem.

“Quero falar com o delegado Duarte. Posso?”

“Ele não está! O senhor por favor, retire-se!” exigiu ela.

“É melhor deixar-me entrar, se não entro a força!” ameaçou ele.

“O senhor está em uma delegacia, é melhor comportar-se.” recomendou.

“Tudo bem.”

Marcelo virou as costas para ir embora, mas não suportou a traição do delegado e entrou descaradamente, sem se preocupar com os policiais que já o seguiam para o expulsar. Entrou com grande vontade na sala do delegado, que estava sentado na cadeira falando no telefone.

“Marcelo?! Oh…que surpresa!” disse o delegado, já levantando-se da cadeira para o cumprimetar.

Marcelo não conteve-se e lhe partiu a cara.

“Seu traidor, miserável. Vai para o inferno. Seu sem coração…como pode ter me enganado por 10 anos!?” gritou Marcelo.

“Do que está falando?! Eu não sei de nada!!” dizia o delegado.

Os policiais o seguraram para o pôr para fora, mas, o próprio delegado disse

“Deixe-o ficar.”

“Mas, senhor…esse homem…” dizia um policial

“Faça o que eu mandei.”

Os policiais se retiraram, ficando apenas Marcelo e o delegado na sala.

“Como pôde ter feito isso comigo? Com o meu filho?”

“Eu não fiz nada!”

“Mentira!” gritou

“Olha, se você quer a verdade… esteja meia noite no velho depósito da delegacia. Contarei tudo… e pode deixar, levarei um amigo.”

“Como? Então, você confessa seu crime!”

“Esteja lá. E saberá de tudo.” disse o delegado.

Marcelo saiu da delegacia, e todos o olhavam enquanto saía. No caminho de sua casa, encontrou sua psicóloga, doutora Ana, que lhe deu uma carona por estar andando a pé. Deixou Marcelo em frente à sua casa.

“Vamos entrar?” ofereceu ele

“Não! Melhor não. Outro dia apareço aqui para conversarmos.” disse ela.

“Entre!! Preciso lhe contar umas coisas.”

“Desabafar?”

“É, mais ou menos isso.”

“Se for assim…eu entro.” disse ela sorrindo.

Sendo assim, a psicóloga Ana entrou pela primeira vez na casa de Marcelo, sentou-se na mesa da cozinha, e os dois começaram a conversar, tomando um chá gelado que Marcelo havia preparado.

“O que tem para me contar?” perguntou ela, curiosa.

“Sobre a morte do meu filho.”

“Hum…” resmungou ela.

“Eu sei que você quer que eu esqueça essa história, mas ouve-me. Eu fui atrás dos envolvidos do assalto naquela noite. Um por um. E, acabei descobrindo que o delegado Duarte foi o mandante do assassinato do meu filho. Aquele assalto era só de fachada.” contou ele.

“O quê? Você está dizendo que o delegado Duarte, aquele que investigou a morte de seu filho durante 10 anos, é o mandante do crime?! Você está seriamente perturbado, Marcelo. Ouve o que eu tenho a dizer, viva de novo. Esqueça isso tudo.” falou ela.

“Doutora. Doutora… você não entende. Eu estou mais perto de saber a verdade. Não posso parar agora!! Escute, se você não acredita em mim. Esteja meia noite, no velho depósito da  delegacia. E verá, como digo a verdade!! O delegado estará lá.” disse.

“O delegado?”

“Sim… acho melhor chamar a polícia também. Você tem seus contatos, é conhecida em toda a região. Chame a polícia. Mas não a de Mirassol. Chame a polícia das cidades vizinhas. Assim poderemos ter mais confiança nelas.” orientou.

“Marcelo, não posso te ajudar nessa loucura!! Até aqui eu tentei te ajudar. Para mim chega! Você está sozinho, agora!” disse ela, tristemente.

Marcelo demonstrou imensa decepção. Ana levantou-se e despediu.

“Adeus! Marcelo…”

“Adeus.” disse ele.

Ana saiu da casa, tomou o seu carro…e sumiu na curva acentuada. Marcelo continuou sentado na mesa tomando o chá gelado. As horas passaram, a noite caiu, e Marcelo já se preparava para o grande encontro. Finalmente, saberia toda a verdade. Pela sua cabeça passavam inúmeros motivos da morte de seu filho. Afinal, qual seria a desculpa que o delegado arrumara? Então, quando deu aproximadamente 23:30, Marcelo saiu de sua casa, e foi a pé até o velho depósito da delegacia. Enquanto andava, parecia que alguém o seguia. “Quem poderá ser?” pensava ele. “O delegado?” continuava. Mas, Marcelo não se preocupou com isso. Chegando até o velho depósito, observou que o delegado já estava por lá, pois seu carro já estava estacionado em frente ao depósito. Marcelo, aproximou-se, e entrou no velho depósito. Lá dentro, era muito escuro, quase não enxergava por onde andava. Entretanto, logo ligaram as luzes. E, o delegado apresentou-se.

“Marcelo?” disse ele.

“Delegado? Vim saber a verdade!!”

“E saberá. Marcelo, quero te apresentar um amigo, Augusto.” disse o delegado apontando para Augusto.

“Foi você!! Foi você…que atirou no meu filho!!” disse Marcelo referindo-se a Augusto.

“Fui eu mesmo. Senhor Marcelo.” disse Augusto.

“Miserável!” gritou Marcelo, já partindo para briga.

“Não, Marcelo, calme!!” tranquilizou o delegado.

Marcelo refreou-se.

“Quer saber a verdade, não é?” disse Augusto.

“Claro…” respondeu Marcelo.

“Fale a ele, delegado!” disse Augusto.

“Bem, Marcelo. Naquela noite, em que seu filho morreu, era para Augusto ter atirado em você, não em seu filho. Teu filho era o único herdeiro da sua fortuna, da sua empresa, do seu carro, do seu dinheiro… e tudo mais. E ele estava louco para pôr as mãos nessa fortuna;e não sabia o que fazer. Ele queria sumir com todo o seu dinheiro. Então, ele me procurou para me pedir ajuda. Para acabar com você!! Para te matar, Marcelo. Então, eu resolvi ajudá-lo. Já que seu próprio filho queria acabar com você e tomar todo o teu dinheiro. Sem dizer é claro; na parte do dinheiro que seu filho me ofereceu. Por isso, liguei para os 4 rapazes de São Paulo, que faziam qualquer serviço para conseguir grana. E, o combinado foi esse. Thiago, naquela noite, se encarregou de levar você até aquela loja. Também, a loja foi paga para estar aberta e ser a cena do crime. O balconista já sabia de tudo. Só que, deu uma coisa errada. O Augusto não se dava muito bem com teu filho, e naquela noite, o Augusto descobriu que seu filho ia fugir com a namorada dele. Então, até o momento em que ele te chutou estava combinado. Mas, Augusto perdeu a cabeça. Não se conformou de perder a namorada para o seu filho. E atirou nele. Jogando pela janela 500 mil reais! Para cada um de nós…Você queria a verdade, Marcelo. Essa é a verdade! Teu filho é o verdadeiro assassino!! E você, a vítima de tudo isso.” revelou misteriosamente o delegado Duarte.

“Absurdo!!! Meu Deus…Não pode ser…” dizia Marcelo muito chocado.

“Pois é, doutor. Essa é a verdade!! Teu filho ia te matar!!” confirmou Augusto.

“Não!!! Não!! Fui enganado por 10 anos…fui traído, pelo meu próprio filho…por você, delegado. Por todos dessa cidade!!!” gritava Marcelo.

“Todos não! A polícia não pode saber dessa história!!” disse o delegado.

“Ah!! Meu Deus…acaba com a minha vida, pelo amor de Deus. A dor é grande!!!” chorava e gritava Marcelo, que ajoelhou-se no chão de tanta dor e decepção.

“Pois é, doutor. Sinto muito. Mas, o delegado tentou poupar dessa decepção. Mas o senhor não deu ouvido não é?! Ele não queria que o senhor soubesse que o teu próprio filho o queria morto. Mas, o senhor foi atrás da verdade, não é?! Está aí…a verdade! Sinta a verdade agora em seu coração!” disse Augusto

Marcelo continuava a chorar e lamentar…Na face do delegado, um grande arrependimento. Augusto então disse

“Agora, temos que poupar nossas vidas, senhor Marcelo. Temos que acabar com o senhor também.” disse Augusto, levantando uma arma em direção a Marcelo.

“Adeus, Marcelo!!” despediu o delegado.

Um grande silêncio no ar…qualquer movimento de Marcelo era uma ameaça. Será que é o fim de Marcelo? Será que agora ele terá paz? Então, Augusto preparava-se para disparar. Mas, alguém disparou nele antes. São 3 disparos seguidos, vindos por trás. O delegado tentou escapar. Mas, a polícia juntamente com Ana já estava no local. Era a polícia das cidades vizinhas como tinha pedido Marcelo. Augusto estava já morto no local. E, enquanto o delegado, foi preso em flagrante. Ana correu para consolar Marcelo. E tentou ajudá-lo.

 

Cap. VII “Estou disposto a viver uma nova vida!”

 

“Vocês consertam relógio, aqui?” perguntou uma cliente da relojoaria de Marcelo.

“Não, imagina. Abrimos uma relojoaria para brincar de relojoeiro.” pensou Marcelo.

“Sim, consertamos. Senhora.” disse ele.

“Certo! Conserte esse para mim.” pediu ela.

“Tudo bem.”

“Quando está pronto?”

“Creio que amanhã.”

“Bem… volto amanhã.”

“Certo.”

Então, depois de um longo dia de trabalho na relojoaria, Marcelo seguiu para sua nova casa, que ficava na cidade de Campinas, interior de São Paulo. Chegou lá, Ana, sua mulher, já estava o esperando para o jantar.

“Cheguei meu bem!” gritou ele quando chegou.

“Ah! Meu amor!! Como foi o trabalho?” perguntou ela, correndo da cozinha para a sala.

“Foi cansativo. Mas bem…” respondeu ele, beijando-a

“Que bom!!”

“E o seu??” perguntou ele.

“Ah! O meu como sempre…clientes problemáticos.”

Marcelo riu.

“Não esqueça que um dia fui seu cliente.” disse ele.

Ana riu. Repentinamente, tocou o telefone.

“Vou atender, querido. Já volto!” disse Ana

Então, Marcelo seguiu para o quarto, sentou na beira da cama, olhou para os lados discretamente, e tirou do bolso uma foto de seu filho, Thiago, que já havia morrido há 15 anos. Marcelo, então, abaixou a cabeça e sussurrou.

“Estou disposto a viver uma nova vida! Meu filho…”

André Manente.


Written by Andre Manente in: Andre Manente,Contos | Tags:

13 Comments»

  • Samila says:

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    longo demais para um conto, simples demais para um romance.
    recondo que você ou encurte dê um gande impacto para o texto, ou detalhe e faça um romance policial como era sua intenção…
    por hora, posso dizer que o ritmo atual cansa o leitor, e que está previsível… e o final ficou muito ‘Hã?’

  • Samila says:

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    mas o mais importante: é uma ótima reviravolta essa que você faz. talvez você pudesse explorá-la um pouco melhor

    • Franz Lima says:

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      Verdade absoluta, Samila. Um ponto contrário aos contos longos, quase romances minimizados, é que a leitura na tela já é algo cansativo por si só. O enredo ganharia maior impacto se a dinâmica de escrita fosse mais acelerada, própria de um conto. Mas a história é boa e o conteúdo está com coerência.

  • Andre Manente says:

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    Obrigado pelas dicas! Eu seguirei prontamente seus conselhos. Sou novato ainda em escrever. Mas, admiro e tenho muita vontade de me aperfeiçoar cada vez mais.
    Creio que a história é muito boa. Entretanto, imaginava a reação de vocês pela longa história.
    Melhorarei isso.
    Grato.

    • Samila says:

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      Estamos aqui para isso, né? ^^
      E bem quase todos aqui somos novatos também, e por isso também queremos todos aprender
      e sim, a história é boa sim. se trabalhares no ritmo dela, tornar-se-á ótima

  • Andre Manente says:

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    Obrigado mais uma vez. ^^ E, espero ser-lhe útil também !

  • Thainá Gomes says:

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    A idéia ficou muito legal só precisa trabalhar a parte qeu a Samila falou.

  • Dalson says:

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    Achei bem legal esse conto, não tem nada de cansativo tampouco de errado com ele amigo. No começo estava até achando real pois entrei aqui por acaso. Cuidado com algumas críticas, se eu fosse voce não mudaria uma vírgula! Parabéns!!!!!!

  • Vanderlei Verdegay says:

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    Eu gostei… mas tem pontos que a Samila disse que tem fundamentos… A única coisa que achei estranho foi a forma de uma pessoa chegar de outra cidade e já ter amigos e o mesmo ajudar na execução de um crime (Juca)sem dizer que tinha um policial na jogada (tudo bem que é ficção)mas um bom policial procura se aproximar da realidade.

    Mas no geral eu consegui ler do começo ao fim, e esperando a morte de cada assassino, um estilo Kil Bill.

    Parabéns

  • homeromeyer says:

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    Ah cara…

    A resolução da trama me incomodou muito. Em alguns momentos o texto fica cansativo, mas é bom seguir em frente e alguns elementos despertam a curiosidade, porém a reviravolta e a revelação não são definidas por ações, mas apenas pela decisão gratuita de um personagem de contar tudo. Parece que faltou fôlego e acabou com a imersão.

    Acho que o que vale a pena em qualquer história policial é coletar as pistas junto com o protagonista até o momento em que toda a informação se cruza e faz sentido, fazendo a revelação acontecer ao mesmo tempo na história e na cabeça do leitos, sem ser explícita.

    Tente espalhar elementos ao longo da história e criar uma situação final que as faça ganhar sentido para explicar o que realmente aconteceu sem precisar colocar palavras forçadas na boca de alguém…

    Abraços!

  • Nadine says:

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    Eu adorei a história, não me importei pelo tamanho, acho sim q é um conto, em fato, já que essa classificação abrange textos de até 15 páginas! O enredo é envolvente, só fica de olho na pontuação, q detectei umas falhinhas,assim como na conjugação do verbo Ouvir… rsrsrsrs…. adorei msmo seu texto hein?!!

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