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Dec
05
2011

Pessoas Assim

Escritora: Deborah Regina de Souza Stuhl

pessoas-assim

No relógio, 10h10min. Se ele acreditasse em supertições, deixar-se-ia imaginar que havia alguém pensando nele neste exato momento. Mas isso não era algo próprio a pessoas como ele.

Pessoas que vestem ternos escuros e perfeitamente cortados, até mesmo debaixo do mais escaldante sol, e carregam maletas pesadas não se deixam levar por crenças infantis. Pessoas assim vivem em um mundo por completo austero, feito de linhas retas, cores fechadas e quase nenhuma intimidade.

Além disso, ele sabia que, de maneira geral, todos evitavam pensar nele. Sua existência era algo que trazia pavor aos outros e levava tristeza às suas vidas. Entretanto, sua visita era uma consequência inevitável; cedo ou tarde ele viria bater à sua porta.

E ele gostava dos sustos que provocava, gostava do desespero se alastrando pelos orbes de sua vítima. Os batimentos apressados dentro do peito eram música em seus ouvidos. A boca escancarada engasgando para dizer tantas coisas, e ele as ouvia todas. Ter o poder do julgamento em suas mãos o fazia sentir-se pleno como ninguém seria capaz de compreender.

Não podia, no entanto, deixar essa felicidade transparecer. Não, jamais permitir que soubessem o que se passava por trás da carapaça burocrática. Ostentar uma expressão neutra – ainda assim, não amigável – e não fazer distinção alguma entre os que visitava. Esses eram os primeiros mandamentos. Mas não os únicos.

Era igualmente impensável recusar uma missão. A importância de sua função para manter a ordem já lhe fora explicada enfaticamente quando aceitara o cargo. Porém, por mais que acreditasse no que lhe fora exposto, sua real significância só seria sentida no dia em que decidisse abandonar tudo ao caos. Mas ele não o faria.

Pois isso tiraria do equilíbrio perfeito os fundamentos de sua vida e ondularia as linhas de seu universo. E, sem seu chão meticulosamente polido, ele perderia a sustentação e desabaria no abismo da desordem. Poucas coisas o faziam arrepiar-se tanto quanto este pensamento.

Costuma-se chamar pessoas assim de maníacas por controle, ele sabia. Porém era apenas mais um modo de se viver, como tantos outros. Somente mais uma filosofia barata, mas que funcionava para ele.

Jamais se incomodou com as impressões que pudessem ter dele. Estava convicto de que era extremamente diferente dos demais, e por isso a única opinião válida era a dele próprio. Fitava as pessoas na rua sem o menor indício de identificação. Isso porque ele simplesmente não era uma pessoa.

Parou sua caminhada precisa em frente ao número 59. Um casebre de aspecto antigo, mas agora em ruínas. As paredes perderam sua tinta há anos, e as janelas do segundo andar estavam em estilhaços. Parecia uma grande pilha de cacos e poeira.

Ele empurrou o portão que outrora fora de ferro, mas que atualmente era apenas barras de ferrugem. Atravessou em poucos passos o jardim que mais se assemelhava a um cemitério e deu três, sempre três, batidas graves na porta.

A princípio ele achou que não tinha sido ouvido e ia tentar de novo. Mas então escutou rangidos de dentro da construção, como se a casa houvesse despertado ao seu toque. As velhas engrenagens da maçaneta entraram em ação e uma senhora idosa apareceu do outro lado da porta.

A senhora, que parecia a personificação de seu lar, lançou-lhe um olhar desagradável, mal-humorado, cansado. Ele apenas retribuiu com um sorriso minguante, estalado na face; uma expressão que causa desconforto.

E afinal chegara a parte que mais lhe agradava. Mesmo antes de ele ter proferido uma única palavra, a senhora já sabia do que se tratava. Sabia que sua hora havia chegado e que não poderia ludibriar aquele ser à sua frente com promessas ocas, como faria com qualquer outro. Ela sentiu o peito apertar, algo engasgar dentro de si e lágrimas vieram aos olhos. Mas não choraria. Ela é – ou fora – uma mulher forte, não precisava dessa choradeira.

Ele, por sua vez, estava em pleno êxtase interior. Os cantos de sua boca tremiam um pouco pelo esforço de não gargalhar. Para ambos, o mundo se condensara a apenas suas duas existências naquela soleira despedaçada. O momento parecia tensionar-se perpetuamente.

Quando a senhora desviou o olhar para o chão, suas forças escorregando pelos degraus, ele coroou aquele momento tão divino para ele mesmo, dizendo:
– Eu vim cobrar seus impostos.


Categorias: Contos | Tags:

16 Comments»

  • Andrey Ximenez says:

    Kkkkkkkkkkkkkkk

    Mt bom… ainda vou decidir qual das duas visões eu vou manter para esse conto
    xD

  • Samila says:

    Que tenso XD
    Nossa, adorei, sem noção
    cobradores são os piores ;_;

  • Lord Jessé says:

    Excepcional! 😀

    Quando chegou na parte em que a senhora abre a porta comecei a imaginar que ele iria cobrar impostos.

  • Asami says:

    Adorei o conto… a visão do cobrador acerca de sua profissão, a forma sádica como ele a encara, achando divertido o sofrimento alheio, ocultando esse seu prazer atrás de uma máscara de profissionalismo, culpando até mesmo o sistema por suas atitudes… muito bom!

  • Thainá Gomes says:

    Muito bom kkkk eu gostei masi da parte que ele chega no casebre e diz todo orgulhoso ‘ eu vim cobrar seus impostos’.

  • Muito bom seu conto. Achei que viria algo inusitado, que seria a Morte. E foi, para mim, uma agradabilíssima surpresa deparar-me com o cobrador de impostos! Conduziu muito bem para este final, Deborah! Parabéns! Abraços, Vânia.

  • Madu Barros says:

    ACHEI ÓTIMO. Linguagem super madura, mas não é maçante. Também achei que o cara seria a Morte em uma certa parte do conto, no final me surpreendi. Parabéns (: me faz um favor e dá uma olhada nos meus textos? Preciso de umas críticas… Beijo.

  • Madu Barros says:

    Esqueci de fazer login, rs. Bom, dá uma olhada se tiver tempo.

  • Vinicius Maboni says:

    Muuito bom! Conduzido muito bem e otimas descrições. Parabens!

  • F Sräsis says:

    !!!!!!!!!!!

  • Borracha says:

    Incrível! Cômico mesmo!
    Dessa vez não foi a Morte quem agiu, rs!

  • j.p.furtado says:

    pagar as dividas é pior que a morteXD

  • Ricardo says:

    Show de bola esse conto. Estava esperando a morte chegar, literalmente, mas foi o cobrador de impostos! 🙂

  • Omninerd says:

    Imaginei no final o Seu Barriga dizendo “Pague o aluguel!”

  • willyan wylson says:

    hum…

  • Marcos Gomes says:

    Legal a maneira que você trabalha com a tensão e a solta no final comico.

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