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Publicado por Giuliano Barros

– que publicou 1 textos no ONE.

Sou uma pessoa que adora ficção, sendo a literatura uma paixão que adoro cultivar. Sou também um apaixonado por HQs, tanto que sempre penso no que produzo como tendo sua forma ideal de vinculação o quadrinho. Acho que isso de deve pelo fato de ter como minhas maiores influências três escritores/roteiristas que chamo-os de “santíssima trindade dos quadrinhos”, a saber: Frank Miller, Alan Moore e Neil Gaiman.
Gosto ainda de música, cinema, fotografia e desenho.

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Jan
21
2012

Luar de Sangue – Livro 1 – Capítulo 1 – Início do Caos

Era apenas mais uma noite comum como muitas outras noites na vida de Matheus. Ele havia viajado com sua banda para tocar em outra cidadezinha do interior de Minas Gerais. Já estava há quatro anos na estrada para conseguir o reconhecimento de seu trabalho, tocando em todo o tipo de lugar, muitas vezes tendo até que tirar dinheiro do próprio bolso para poder se apresentar, somente para ter a oportunidade de ser visto. A banda, até então, era tudo que ele tinha.

Para variar, mais um show num lugar mixuruca, sem a mínima estrutura e sem público suficiente para encher o local. Apesar das circunstâncias, eles haviam tocado bem, ele sabia disso. Mas o desânimo já estava instaurado no meio do grupo e Matheus não sabia mais por quanto tempo eles poderiam continuar daquela forma. Aquela era uma noite que não tinha motivos para comemoração. Resolveram que cada um daria seu jeito para voltar para sua casa. Cada um por si, agora as coisas eram assim. Matheus achou uma boa ideia ficar para aproveitar um pouco mais a noite da cidade. Esse foi o seu grande erro.

Entrou numa boate pequena que funcionava em um casarão histórico como tantos outros daquela cidadezinha mineira. Dentro da boate, o salão fervia. Matheus sentou num banco do bar e pediu logo um copo de whisky. Rapidamente, em cerca de cinco minutos, ele tomou outras quatro doses da bebida. Estava a fim de encher a cara. Deu uma olhada pelo salão e avistou uma garota linda dançando com alguns amigos num canto da pista. Ele sorriu. Tinha encontrado seu “alvo”, agora iria começar sua caça. Terminou de tomar a sexta dose de bebida e foi confiante na direção daquela garota, que até então, não representava nada para ele além de um corpo atraente. Ela, de uma forma displicente, continuava dançando sem perceber sua presença. Matheus parou sério na frente dela e ficou observando-a dançar. Estava muito bêbado para ter qualquer tipo de receio ou bom senso. Em pouco tempo eles estavam se encarando e ela, de um jeito maroto, sorria para ele de canto de boca. Matheus a pegou pelo braço e ela se deixou levar para um canto mais reservado do salão:

– Desculpe o mau jeito, mas eu não estou me sentindo muito bem. Tive um dia terrível. Vi você dançando e pensei que talvez pudesse ter achado alguém capaz de fazer minha vinda para essa cidade valer a pena. – ele sorriu, queria parecer simpático. Estava bêbado, mas ainda conseguia se expressar corretamente e sua forma de cortejá-la demonstrava que, apesar de seu explícito interesse, iria respeitá-la, não forçaria a barra para que ela ficasse com ele. – Eu gostaria muito que você me fizesse companhia essa noite. Sem querer parecer abusado, só estou precisando de alguém pra conversar.

– Tudo bem, eu não o entendi mal. Ainda há pouco estava te vendo tocar. Gostei da sua banda. – seu sorriso era definitivamente sincero. – Posso saber qual o nome dessa pessoa tão solitária?

– Ah! Desculpe. Que vacilo esse meu! Meu nome é Matheus. E o seu?

– Alice… – ela o encarava sem receio, quase o desafiando. Ele gostou daquele jeito ousado.

Os dois conversaram bastante àquela noite. Era grande a afinidade entre os dois e as horas, a partir daquele primeiro contato, correram numa velocidade espantosa. Naturalmente a conversa evoluiu para beijos e carícias. O toque da pele dela mexia com ele, a química entre os dois era perfeita. Sem se preocupar, por ser apenas um encontro casual, ele se abriu com ela, falou sobre seus problemas com sua banda, precisava desabafar com alguém. Ela o ouvia com atenção, limitando-se a beijá-lo e acariciá-lo enquanto ele falava.

No fim da festa, lá pelas 4 horas da manhã, ela se rendeu ao cansaço e pediu para que ele a levasse para a pousada onde estava hospedada com alguns amigos. Matheus concordou em levá-la, mas, como ambos haviam bebido e a distância era de apenas alguns quarteirões, resolveram ir caminhando. Os dois saíram juntos, cambaleando e sorrindo pelas ruas antigas da cidadezinha.

Durante o percurso da boate até a pousada onde Alice estava hospedada, eles ainda se beijaram muito se escorando nos muros por entre os becos. Não poderiam adivinhar o que os esperava espreitando àquela hora da madrugada em uma das muitas ruas estreitas daquela cidade. Os dois sorriam bastante, talvez efeito do álcool, mas estavam mesmo se sentindo felizes.

Já na proximidade do seu destino, há alguns metros da pousada, aparece a criatura que mudar-lhes-ia completamente as vidas. Um lobo incrivelmente grande, com olhos vermelhos como que em brasa, rosnando, caminha na direção dos dois. De súbito o efeito do álcool como que desaparece devido à adrenalina que agora irriga o corpo de ambos ante aquela visão apavorante. Alice olha para Matheus com desespero, pensa em correr, mas ele a segura.

– Não faça isso! – diz Matheus com receio que a besta se lançasse à caça da moça.

– Meu Deus! O que isso?! Parece um demônio! Nós vamos morrer! – Alice estava completamente apavorada.

O animal parecia estar perturbado, rosnando continuamente e ziguezagueando à frente de ambos. Num lance inesperado, o lobo voa sobre Alice, mas Matheus, tentando evitar o pior, agarra-se com o animal e ambos passam a rolar no chão numa luta frenética. Alice, paralisada frente o perigo, assiste a tudo com os olhos molhados e o coração a ponto de saltar pela boca.

Um uivo distante foi aparentemente o motivo que fez o lobo desistir das duas presas e sair em retirada deixando Matheus todo ensanguentado no chão com seu corpo completamente arranhado e o pescoço rasgado pelas suas presas afiadas. Finalmente Alice voltou a si e pôs-se a correr desesperada para a pousada à procura de socorro.

Matheus estava quase desmaiando, estava fraco, tinha perdido muito sangue. Não sabia se os calafrios que sentia eram efeitos dos ferimentos e da perda excessiva de sangue. Aos poucos sua visão começou a ficar turva e um torpor foi tomando conta de sua mente. Matheus lentamente perdeu a consciência e as visões que teve em seu delírio ele não conseguiu entender por um bom tempo.


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