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Jan
16
2012

Show, Don’t Tell ou Mostre, Não Diga.

Qualquer um que já tenha escrito um conto, livro ou feito um curso de escrita já escutou alguém falando sobre o famoso “Show, Don’t Tell” que é traduzido quer dizer “Mostre, Não Diga“.

Eu sei que ouvir essas palavras são frustrantes. Provavelmente porque você não sabe o que estão querendo dizer por “Mostre, Não Diga”. Ou você pode acreditar que você está mostrando quando você está realmente dizendo.

Posso te falar que “dizer” pode ser útil, ou mesmo necessário, entretanto a maioria das pessoas não percebem o quão vital é “mostar” uma história, ensaio, ou mesmo um post no blog é. Quando falo mostra eu digo sobre permitir ao leitor acompanhar o autor, para ver e sentir e experimentar o que o autor experimentou. Usando o equilíbrio adequado de mostrar e dizer vai fazer sua escrita mais interessante e eficaz.

“Ok, eu entendo”, você está pensando. ”Mas como eu faço isso? Como faço para trazer mais “mostrar” em minha escrita?”

Estou feliz que você perguntou. Aqui estão algumas dicas que irão ajudar a tornar a sua escrita mais vívida e ativa para o seu leitor.

 

1. Use o diálogo

O diálogo permite ao leitor experimentar uma cena como se estivessem lá, conversando junto aos personagens e criando uma certa intimidade. Em vez de dizer ao leitor “A mãe de Justin estava com raiva”, eles podem ouvi-lo por si mesmos:

- Justin Bieber – a mãe gritou – Venha aqui neste instante!

O diálogo pode dar a seu leitor uma grande dica sobre o caráter, a emoção e humor dos personagens.

Com certeza alguém já falou mal de uma garota, mas depois de meia hora do lado dessa notou que tudo que falaram sobre ela é mentira?

Já notou que as fala mansa, a melodia da voz, tudo compõe uma personalidade única muito mais poderosa do que uma simples frase sobre ela? Isso é exatamente o Show, Don’t Tell. Faça o leitor conhecer o personagem, ambiente e história.

2. Use uma linguagem sensorial

Para que os leitores a total experiência que você está escrevendo, eles precisam ser capazes de ver, ouvir, saborear, cheirar e tocar o mundo à sua volta. Tente usar uma linguagem que incorpora vários sentidos, não apenas a visão.

 

3. Seja descritivo

Tenho certeza que todo mundo se lembra aprendendo a usar adjetivos e advérbios no ensino fundamental. Quando nos é dito para ser mais descritivo, é fácil voltar a essas coisas que nos foi ensinado. Mas ser descritiva é mais do que apenas a inserção de uma seqüência de palavras bastante descritivas. É cuidado ao escolher as palavras certas e usá-los com moderação para transmitir o seu significado.

Olha esse exemplo.

Dizendo: Ele senta no sofá segurando sua guitarra.

Não há nada de errado com essa frase. Ela dá ao leitor algumas informações básicas, mas não criar uma imagem. Compare a frase com este:

Mostrando: Seus olhos estão fechados, e ele está abraçando o violão nos braços, como um amante. É como se ele estivesse tentando se agarrar a algo que quer deixar ir.

O segundo exemplo que leva informações básicas e pinta um quadro com ele. Ele também usa linguagem figurativa, neste caso, o símile “abraçando o violão nos braços, como um amante” para ajudar a criar uma imagem.

Mas lembre-se: Ao usar a descrição, é importante não exagerar. Caso contrário, você pode acabar com o que eu chamo de descrição de ficha policial. Por exemplo: “Ele era alto, com cabelos castanhos e olhos azuis. Ele usava uma camisa vermelha e calça jeans e uma jaqueta de couro marrom.”

4. Seja específico

Em vez de escrever: “Eu nunca tinha sentido nada parecido antes em toda minha vida”, tome tempo para tentar descrever esse sentimento, e então decidir a melhor forma de transmitir esse sentimento para o leitor. Seus leitores vão agradecer por isso.

Como visto na Roda de Escritores

21 Comments»

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    Caramba, estava com saudades deste blog! XD

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    Olha Rain, apesar de em alguns textos isso funcionar, pra mim ao menos metade do que tu escreveu não se encaixa. Minha forma de escrita, bem ou mal, não funcionaria se eu usasse esse padrão. Mas é eu né?! :P ahuhauh. Mas digamos que foi uma receita de bolo interessante.

    • Thumb up 1 Thumb down 0

      Cara, não é receita de bolo! É uma dica que se bem aplicada melhora a tua escrita. Não é uma regra, é só uma dica.

      Vem me dizer que um cara mostrar não é melhor que só te falar algo na cara…

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    Depende da circunstância. Às vezes não :) … e às vezes tu tem que usar uma abordagem diferente inclusive.

    Como também às vezes é melhor dizer “um cara dedilhando o violão como se tocasse sua amante” é melhor do que “um cara tocando violão” hauihauhua :P

    • Thumb up 0 Thumb down 0

      Bah! O violão foi podre mesmo, mas é só um exemplo. Just a fucking example!

      Hasuhahushushsuh… Um cara te mostrar na cara tbm pega mal. XD

  • Filipe Gomes Sena says:

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    Na verdade acredito que o desafio é achar um equilibrio entre o mostrar e o dizer. Muitas vezes escrevemos textos confusos sem notar, por termos colocado coisas demais nas entrelinhas. Até por que todas as informações, necessarias e desnecessarias, estão dentro das nossas cabeças, se deixamos de colocar no papel alguma delas muitas vezes não sentimos falta, optamos por não dizer e acabamos não mostrando nada, por que pra nós está tudo ali.

    • Thumb up 0 Thumb down 0

      Yeeeeeah! Quer um bom exemplo disso, Cornwell.

      Ele te faz sentir no momento em que isso é importante para a história. Mas quando não é importante ele consegue te dizer tudo o q aconteceu em uma semana em apenas 1 página, mas quando necessário, numa batalha de 2 horas ele se estende por 30 ou mais paginas com tranquilidade.

      E todos nós adoramos quando ele faz isso! XD

  • Vitor Vitali says:

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    Como todo manual para escritores, achei esse um pouco prepotente embora não consiga deixar de discordar de alguns pontos. Porém, conheço autores excelentes que nunca mostram nada, só contam e fica absurdamente espetacular. Não dá para por a literatura em todos os moldes, cada um escreve da sua maneira, e, pessoalmente, prefiro assim. Seria um saco se todo mundo escrevesse igual.

    • Thumb up 1 Thumb down 0

      Vitor, é por isso que falo que é uma dica, não um manual ou padrão. Só uma ajuda para quem quer conhecer o conceito e aplicar no seu trabalho.

      Como toda arte, não existe molde ou padrão. Entretanto um pintor estuda e aprende sobre seu oficio para poder se destacar no estilo e características próprias. Um musico idem, um cineasta idem.

      Logo eu acredito que todos os escritores devem ser munidos de informação, mesmo que a ignorem e corram ao seu próprio estilo.

  • Vitor Vitali says:

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    Nem me refiro ao que foi dito, mas como foi dito. De qualquer forma, concordo com o que disse aí.

    • Thumb up 0 Thumb down 0

      Poxa vida, deixei de fazer com meu humor acido só pq da outra vez saiu até briga… Tentei pegar leve.

      Tenho que melhorar essa minha soberba ao escrever artigos. DX

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    Este post é muito, muito bom para quem está treinando redação. Adorei as dicas, vou linkar nos melhores da semana do meu blog.

    Parabéns! Gostei de conhecer seu espaço.

    Jéssica.

  • BlackDorianGray says:

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    Sou tão viciada em usar esse método de descrição sensorial que chego a ser pedante.

    E olá pessoal o/

  • Gean Riwster says:

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    kkkkkk
    Gente,manera aí.
    Compreendo muito bem o que o autor quis dizer,e achei este artigo algo exímio de elogios (menos a parte do violão,ficou podre! kkk).
    Seguinte,também acho que tem que haver um equilibrio entre os dois lados.Se você “mostra” demais você literalmente se ferra,pois você vai ser imcompreendido,e se você “diz” demais seus textos serão monótonos,chatos e sem personalidade.
    A questão não está no que você escreve,mas no que “você escreve e mais ninguém consegue escrever.Só você”.Isto se deve ao “mostrar”,não ao dizer,mas o segundo é um vinculo que ligara suas idéias ao do leitor.Assim surge um texto ótimo e impactante,sendo ele enxuto (Rick Riordan como exemplo) ou detalhadérrimo (George R. R. Martin).
    Pensem nisto ;)

  • Motoboy says:

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    mandou bem no post! tem escritores q descrevem demais e ficam chatos, outros q dao tudo de bandeija e não te surpreendem. nada melhor do q escritores q sabem te surpreender com a escolha de palavras! parabens!

  • Omninerd says:

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    Só no meu pc que esse post está como o último lançado até agora? Socorro?

  • Mauricio C. Dovanci says:

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    Esta ideia é muito inteligente, não basta servir um prato belo e decorado, tem de ser saboroso e como dizem nunca julguem um livro pela capa, o mesmo digo, nunca julguem a feijoada pela cor, pelo menos é melhor que Sushi.
    Voltando; este lance de descrever é o poder principal de um escritor, aquele que flutua com ar durante uma caminhada e observa atentamente todos os detalhes da natureza, este sim é um grande escritor. O detalhe são como os frames de um filme, se faltar algo dá errado.

  • Thumb up 1 Thumb down 0

    Excelente post. Muito autores estão cheios desses vícios e exageros. Equilíbrio é o que faz um George Martin ser denso e ao mesmo tempo tão gostoso de ler quanto saborear uma sobremesa a qual você adora.

  • MilenoJanker says:

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    Adorei as dicas,
    é exatamente o Show, Don’t Tell que busco em meus texto, acho que esse é dom dos grandes escritores. J.K. Rowling, minha preferida, é uma Deusa neste quisito!!!
    Att,
    Milêno Janker, o Bruto.

  • Claudeir da Silva Martins says:

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    Interessante essas dicas! Eu peco muito na discrição, algo a melhorar! Ainda bem que o Rodrigo me indicou esse artigo para ler. Muito bom! Irei ler ele mais uma vez e pesquisar mais sobre isso no Google, a fim de melhorar meu foco narrativo e comentários dos personagens. Porque infelizmente sou do tipo que só aprende depois de tomar muita bordoada. Hehehe… Mas aceito isso de humildade. Show de bola suas dicas! Abraço!

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Publicado por Rainier Morilla

– que publicou 67 textos no ONE.

Data da primeira publicação: 21/abril/2010
Ocupação: DBA, Nerd, Escritor, Ator e Curioso.
Grupo a que é filiado: O Nerd Escritor, Meu Blog.
Base de operações: Nômade.
Interesses: Literatura, Cinema, Ficção Científica, Documentários, Musica, Dança, Teatro e Artes Circences.
Autor(es) Influênte(s): Isaac Asimov, Arthur C. Clarke, Carl Sagan, Eduardo Spohr, Chico Buarque, Douglas Adams, Jack Higgins, J. R. R. Tolkien.
5 livros que recomendo: Trilogia da Fundação, O Fim da Eternidade (Isaac Asimov), Laranja Mecânica (Anthony Burgess) O Vôo das Águias (Jack Higgins) A Batalha do Apocalipse (Eduardo Spohr).
E-mail: rainiermorilla@gmail.com
Twitter: @rainiermorilla

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