O Mundo e Suas Discussões
Escritor: Matheus A. Francisco

No pátio do asilo tinha uma moça que estava de visita, conversava com sua avó enquanto assistia a conversa que ocorria no prédio onde os idosos dormem.
Havia dois velhos sentados na varanda, um tinha 60 anos e achava que estava na flor da idade, o outro tinha 82, mas sabia que não era jovem. O velho mais novo adorava insultar o outro, sempre o chamava de múmia, de caveira, pré-histórico e todos os nomes que possam existir para ofender alguém avançado em anos.
- Os filmes de hoje em dia não estão com nada – disse o velho mais velho, – em nenhum deles aparece alguém como Moisés, que consegue abrir o mar.
- Ninguém melhor que você para falar sobre isso, não? – disse o velho jovem. – Afinal, você o conheceu.
- Ora, pare de me chamar de velho! – disse o velho idoso enquanto levantava a bengala.
- Mas você é velho!
- Você também! – o velho idoso estava ficando nervoso.
- O que? Eu? Eu não! – o velho que se considerava jovem fez uma cara de deboche. – Tenho apenas 60 anos e você tem mais de oitenta, ou seja, mim jovem – apontou para si próprio, – você velho – apontou para o outro.
- Você é idiota!
- Não grite comigo se não quiser que eu quebre seus dent… Sua dentadura!
- Enfermeiro! – chamou o velho idoso.
- Por que você está chamando ele? – perguntou o velho jovem. – Está muito velho para me encarar sozinho?
O enfermeiro chegou com uma cara aborrecida.
- Ele está me irritando – acusou o velho idoso, apontando para o velho jovem.
O enfermeiro fez uma cara desanimo.
- Por que o senhor está irritando ele?
- Ele é velho – respondeu.
- O senhor também não é muito novo – ressaltou o enfermeiro.
- Estou na flor da idade!
- Eu que estou – disse o enfermeiro.
- Você nem saiu das fraudas – disse o velho jovem.
- Por que diz isso? – o enfermeiro estava mudando do estado de desanimo para o de raiva.
- Ora, sinta esse cheiro!
- Ele vem de você.
- Não vem, não – defendeu-se o velho jovem. – Eu tomei banho. Além disso, ele começou quando você chegou.
O enfermeiro estava ficando cada vez mais nervoso.
- Posso provar que ele não vem de mim.
- Bom… – o velho jovem pensou um pouco. – Se não sou eu, nem você… Deve ser esse velho meio morto aí.
O velho idoso ficou vermelho e virou o rosto.
- Sr. José, vou levá-lo para tomar banho – falou o enfermeiro.
Enquanto eles saiam da varanda o velho jovem ria histericamente. Depois de um tempo o velho idoso voltou.
- Você ainda acha que não é velho? – perguntou o velho novo para ele.
- Eu sei que sou velho, você é que não sabe!
- Não sou velho! – irou-se. – Olha para mim, sou a imagem da virilidade e juventude…
- É uma ova! Você só é um pouco mais jovem que eu, o que significa que também é velho.
- Sou uns vinte anos mais novo que você! Isso é uma vida toda!
- Em vinte anos não dá nem para construir uma casa.
- Dá para construir milhares de casas! Nós não vivemos mais na era medieval! Esse tempo já passou quando você ainda era jovem.
- Um dia eu te mato!
- Você não consegue nem se matar…
A moça encerrou a visita e saiu do asilo, deixando os velhos para trás. Em sua casa seus dois filhos jogavam videogame sentados no sofá.
- Você é cabeçudo! – disse o mais novo.
- E você chupa chupeta – disse o mais velho.
A moça pensou consigo mesma: quando os humanos vão começar a agir como gente? Como esse pensamento outra dúvida assaltou-lhe a mente: será que os humanos são gente?
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Esperava outra coisa do final. Achei que falaria de homens, hereditariedade, construção da personalidade ou qualquer outra coisa mais bacaninha.
Apesar de necessária para sua escolha narrativa, a palavra “velho” repetida tantas vezes cansou. embora deva dizer que este é um efeito (involuntário) muito interessante ao fazer o leitor se irritar com o próprio conceito de velhice de tanto quelê a palavra e cansaço é algo inerente ao ser velho.
Mais sorte em seus próximos textos.
esse é o meu pior texto. É um bem antigo, sabe, “Velho”. Eu nem sei porque o coloquei aqui.
Simples o texto. Porém a simplicidade não tira o mérito da questão do egocentrismo humano. A vaidade é algo tão infrutífero e longevo que nos acompanha até a morte.
Colocar seu texto para exposição foi uma escolha boa, ainda que involuntária. Boa sorte nos próximos trabalhos.
Franz.
Eu achei muito bom, uma crônica simples, mas que consegue retratar muito bem um aspecto inerente à natureza humana… Apontar defeitos nos outros de modo que possamos nos sentir superiores… Fazemos demais isso.
Simples, singelo, bom.
Parabéns!
tirando o último pensamente da mulher, muito bom. pq ela se acha diferente? e essa onda de gente humano tb ficou um tantos escrota pra mim.
-
no mais, gostei muito.
flw
Muito bacana. Acho que as únicas considerações que eu faria seriam quanto a questões estilísticas, o que não faz a menor diferença por que no fim é questão de gosto.
Está muito bom.
Eu particularmente gostei muito, mostra um pouco da natureza humana.
Gostei bastante, um texto humano e direto. =)
Gostei do texto.
Odeio dar palpites em como os outros devem escrever seus textos, mas no final eu acho que ficaria melhor simplesmente terminar com última fala da discussão entre os garotos. Com um final mais aberto, as reflexões poderiam ser mais abrangentes.
Parabéns, continue escrevendo!
Achei muito bom, fora o fim, como disse o cara aí em cima.
eu tenho uma amigo que esta com problemas ela não aquenta ficar no sol só que a pima dela é que mordeu ela essa prima era vampira e ai parou de ser e ai ela fez coisas espirituais de vampiros ela falou apareça em minha presença
e ai apareceu um vampiro e puxou ela ai no dia seguinte ela estava diferente o olho dela era bem proto e ai fica castanho claro e tem vez que o olho dela fica vermelho e mordeu minha amiga giovana que a menina que mordeu ela é prima dela e ai ela me mordeu a prima dela só usa preto e vermelho o cabelo agora o cabelo dela ta todo loiro
Só pra complementar, as vezes um final “menos explicado”, onde o leitor tira suas próprias conclusões do significado do texto é muito mais agradável. Nada contra finais detalhados quando a explicação é legal, mas nesse caso o objetivo não ficou muito claro, a frase final da moça é meio confusa.
Hehehe.. “o velho jovem” é sensacional. Tipo eu que tenho dois irmãos.
–
Tenho meu irmãozinho mais novo e o irmãozinho mais velho, pois ambos são mais baixos que eu.