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Nov
01
2012

A Detetive – Desaparecidos – Parte 2

A Detetive – Desaparecidos – Parte 2

A primeira da fila era Dona Nilcéia, a vizinha da frente. Uma senhora de 70 anos baixinha e carrancuda, nem um pouco confortável com a situação.

– Essa mulher era uma seba de bejego de sete coiros ! Jondra!
– Creio que a senhora não tinha muita simpatia para com a vizinha. – Indagou a detetive.
– Vizinha? Monstra, isso sim! – Berrou, batendo o pé no chão.
– A senhora poderia explicar o motivo para tanto afeto? – Perguntou a detetive, fechando os punhos e concentrando para não explodi-los na fuça da senhorinha.
– Rapariga! Vivia de papo furado com Alaô, aquele malota, ordinário!
– Obrigado Senhora, por enquanto é só isso. – Finalizou, se arrependendo de ter jogado o café quente pela janela. Teria um melhor lugar para jogar agora.

A segunda testemunha, era um homem de feições agradáveis, acompanhado de duas crianças.
– O que você viu exatamente? – Iniciou a detetive.

– Bom, passei rápido de carro, voltando do trabalho. Passo todos os dias por aqui e geralmente as luzes da casa ficam apagadas, mas a luz da sala estava ligada aquela noite. Vi alguns vultos, mas o que me chamou a atenção foi um homem de branco perto da janela.

– Já é um começo. Poderia descrevê-lo?

– Não, como disse, passei bem rápido. Só vi vultos e esse homem.

– E depois? O que o senhor fez o resto da noite?

– Fui para casa, para onde iria? – Indagou, apertando as filhas contra si – Uns quarenta minutos depois começaram os tiros. Pensei que poderia ser fogos de artifício, mas tenho certeza que eram tiros. Vários de uma vez.

– Poderia responder como o senhor identificou que os sons vieram de armas de fogo e não de explosivos com tanta certeza?

– Aprendi na escola militar, da pior maneira possível. – Respondeu amargo, mostrando a prótese no lugar de uma das pernas. A detetive engoliu seco.

– Obrigado. Se lembrar de mais alguma coisa me ligue, por favor. – Encerrou, entregando um cartão velho e amarelado.

 

A última pessoa não era exatamente uma testemunha, mas o neto da idosa. Cabisbaixo, aparentando certo nervosismo. Apertava as mãos uma contra a outra, e suava tanto, que um círculo molhado se formava abaixo das axilas. A detetive sentiu um severo asco. Que dia maldito.

 

– O senhor é neto da senhora que repousa em paz dentro da casa? – A paciência e o filtro social entrara em colapso.

– Sim.

– O senhor viu ou ouviu alguma coisa de diferente na noite do crime?

– Não. – Engoliu seco.

– O senhor poderia, por gentileza, ir para a put… – Respirou.

O homem arregalou os olhos. A detetive continuou.

– O senhor tem ciência se a sua avó teria, por algum motivo, inimigos no bairro? Alguém que quisesse lhe fazer algum mau?

– Não exatamente. – Respondeu com um leve gaguejar.

– Prossiga.

– Vovó tinha coisas de valor. Pode ter sido um assalto talvez.

– Vovó? Vocês eram bem próximos então..

– Sim.. e não.. moro aqui perto e vinha visitá-la de vez enquando, para ver como andava sua saúde.

Nada irritava mais a detetive que contradição e aqueles tremeliques que a voz faz quando alguém está mentindo.

– O senhor é enfermeiro?

– Médico.

A sudorese aumentara. A detetive fingiu uma coceira no nariz na tentativa de espantar o mau cheiro.

– E seus pais, onde estão?

– Morreram há alguns anos, acidente de carro.

– Sei.. Me ligue se lembrar de mais alguma coisa sobre ontem á noite.

– Sem problema..

– Mais uma coisa.. Nada foi roubado. Tudo de valor está no seu devido lugar. Hora de preparar o inventário. Creio que acaba de ganhar uma casa nova cheia de presentes. – Finalizou, num tom irônico supremo, que nenhum ser humano normal seria capaz de identificar.

Virou-se e deu de cara com o seu assistente, que bufava.

– Pronto, trouxe o bloco, por onde começamos? – Disse, com um sorriso asno.

A Detetive respirou mais uma vez e suplicou por uma chuva de café quente em toda essa gente.

O celular vibra. Toques de celular irritam.

– Prendemos um suspeito. Está pronto para o interrogatório. – Disse a voz do outro lado da linha.

– Estou a caminho – Respondeu.

– Inferno! – Pensou.

.  .  .

De volta a delegacia, a Detetive se deliciava com um Mocha no ponto, temperado com dois dedos de vodka, é claro.
O Escrivão se aproximou de repente.
– O homem já está na sala, aguardando. – Rugiu, sem razão.

A detetive quase deixou um gole do Mocha cair por conta do susto. Berros e sustos irritam. Quase derrubar seu Mocha temperado sentenciava automaticamente a morte sumária.

– Comportamento agressivo? – Ela esperava que sim, precisava socar alguma coisa até o final do dia.

– Não, apenas delírios. O cara acha que é um viajante do tempo, acredita? – Esbravejou o escrivão, meio afetado, soltando gotículas de saliva no ar. A detetive assistia a cena grotesca em câmera lenta, enojada, tentando desviar.

– Mais um desajustado para alegrar ainda mais a vida. – Murmurou a detetive. Mais alguma informação importante sobre o sujeito?

– Sim , ele diz ter 58 anos.

A detetive rangeu os dentes e apertou os punhos.

– Por que raios, isso seria uma informação pertinente?

– Você vai ver.

A sala de interrogatório era o habitat natural da detetive. Escuro, úmido e abafado. Na sua opinião, o “melhor ambiente para ter uma conversa animada”. Deu o último gole no Mocha e encarou o sujeito sentado do outro lado da grande mesa metálica. O homem que dizia ter 58 anos, não passava de um rapaz de no máximo 25 anos, mas a Detetive não se impressionou á princípio.

“Ímã de maluco” – Proclamou-se.

– Senhor viajante do tempo, é isso? – Iniciou a conversa.
O homem não respondeu, apenas mirou os olhos da detetive friamente.
– Pois bem.. – Continuou – O Senhor sabe o motivo pelo qual foi detido?
– Sim, assassinato. – Disse calmamente.
– E o que o Senhor acha dessa acusação? – Perguntou despretenciosa. Na verdade a resposta pouco importava. A detetive era mestra em identificar o melhor dos melhores mentirosos pelos mais simples gestos e trejeitos, que passariam despercebidos para qualquer outro profissional criminalista experiente.
– É uma acusação sem fundamento. – Respondeu de pronto, encarando a detetive fixamente, sem margens para outra interpretação. O homem falava a verdade.
– Como o senhor explica então o fato de ter sido pego correndo pela madrugada, aos arredores do local do crime? – Indagou, tentando ser a mais calculista possível.
– Queria eu, saber o que fazia correndo. Até onde sei, parei com esse tipo de atividade há muitos anos. Vou repetir o que falei para o sujeito lá fora: Pelo que parece, pulei 20 anos da minha vida. Porém, ao invés de envelhecer, segui o caminho inverso. Simplesmente não me reconheço no espelho de tão jovem.
O homem continuava a falar com convicção. A detetive queimava por dentro. Já havia interrogado todo tipo de gente, com todo tipo de história, uma mais absurda que a outra. Entretanto, não havia nada naquele homem que indicasse que estava mentindo.
– Escute Detetive – O homem continuou – não faço idéia de como vim parar nesse tempo, muitos menos de como cheguei nesse lugar. Se houve um crime, esse é o menor das minhas preocupações no momento. Preciso procurar minha família, talvez alguém saiba me explicar o que aconteceu.
A detetive observava cada movimento, cada gesto e nada. Nenhuma alteração que indicasse uma possível suspeita.

– Precisa me deixar ir. – Exigiu o homem, com seriedade.

– Vou pensar no assunto. – Respondeu, seca. – Por hora, preencha essa ficha com seus dados e responda as perguntas. Volto em uma hora.

 

A Detetive saiu da sala como se carregasse uma tonelada de pó de café tostado nas costas. Quem era aquele homem? Confiava tanto em seu taco, que a viagem no tempo tornara-se mais verossímil que o fato do homem estar mentindo.

Sem dar tempo para um cafézinho, o Assistente chegou trazendo o resultado das digitais. A detetive folheou o conteúdo do envelope e constatou o óbvio: havia impressões digitais do Neto pela casa toda, além de diversas outras, não identificadas. O Neto seria o próximo a ser chamado para uma conversa, pensou.

– Envie a intimação ao Neto. – Ordenou ao Assistente, que voou pelo corredor.

O Escrivão se aproximou, dessa vez, devagar.

– Localizamos a suposta família do sujeito.

– Deixe o endereço em minha sala, passarei lá à tarde para verificar. – Respondeu, pensativa.

– Creio que não será necessário – Soluçou – Se o nome que ele informou for verdadeiro.. – hesitou por um momento –  esse rapaz é o viúvo da senhora assassinada.

A Detetive franziu a testa e apertou os olhos. O Assistente prosseguiu:

– O curioso é que isso se inverte ao olharmos os registros. Veja, aqui consta que foi a falecida que na verdade ficou viúva deste homem, há exatos 20 anos.

Tentou traduzir o sentimento em palavras, mas concebeu apenas um “Porra..”.

Havia uma ligação então, por mais bizarra que pudesse ser, pensou a Detetive. Surgiu um meio sorriso na face carrancuda. Um intrigante caso surgira para animar a festa.

– Recolha as digitais e me traga um cappuchino gelado, rápido! – Ordenou antes de entrar em sua sala. O Escrivão, saiu bambeando as pernas. Cogitou voltar e dizer para a detetive que “recolher as digitais” não fazia parte do seu trabalho, mas pensou melhor e concluiu que não seria uma boa idéia.

 

.  .  .

 

A Detetive espalhou os papéis com os resultados da perícia sobre a mesa. A imagem do Neto vacilando no interrogatório fixava-se em sua cabeça. Alguma coisa o filha da puta tinha feito. A herança ou a casa poderia ser um bom motivo, mas porque diabos sete tiros? Existem formas mais inteligentes de matar alguém. E o Suspeito? Qual seria sua motivação? Por que daria um nome falso, que poderia facilmente criar uma ligação com o crime?

Um baque seco veio do lado de fora do escritório. A Detetive, tão dispersa em seus pensamentos, imaginou ser alguém batendo na porta.

– Entra.

Ninguém respondeu.

Mais três estampidos. Agora a Detetive reconheceu a origem do som. Tiros!

Saiu pela porta e ouviu a gritaria. Um tumulto generalizado tomava conta do primeiro andar da delegacia. Do mezanino, contou cerca de 7 homens fortemente armados e dentre eles uma figura vestindo um jaleco branco.

– Onde ele está? – O homem de branco perguntou ao Assistente, que chorava feito criança, implorando pela vida.

– Lá em cima, lá em cima! – Berrou eufórico.

“Mas que filha da p..” – Pensou a detetive, antes de sair em disparada para a área das celas.

– Vamos, saia! – Ordenou ao suspeito.

O homem, desarranjado, seguiu a detetive pelos corredores, enquanto ouvia as múltiplas passadas vindo ao encalço. Mais uma rajada de tiros. Os dois abaixaram a cabeça no reflexo.

– Por aqui! – Exclamou a detetive, descendo uma pequena escada em espiral e seguindo por uma saída que dava para a lateral do prédio. Os dois seguiram pela ruela até a avenida principal, onde o escrivão, sem entender o que estava acontecendo, mantinha-se paralisado ao lado do carro, em estado catatônico, segurando o cappuccino.

Do outro lado da rua, estacionado de qualquer maneira em cima da calçada, jazia um Chrysler 300 C, que a Detetive supôs ser dos invasores.

A detetive empurrou o homem e o escrivão para dentro do carro deste, um velho Monza 98.

– Rápido, para o carro!

Os perseguidores atravessaram a porta lateral, mas só ouviram o som dos pneus cantando.

– Seu cappuccino – Guaguejou o Escrivão.

– A Detetive provou um gole enquanto voava pela rua, ultrapassando tudo que se movia.

– Gelado demais. – Resmungou, jogando o resto pela janela. – E as digitais, batem? – Perguntou ao Escrivão.

– Negativo. – Respondeu, olhando com desconfiança para o homem ao seu lado, que retribuiu elevando a sobrancelha ironicamente.

A Detetive franziu a testa.

– Para onde vamos agora? – Perguntou o Suspeito.

– Descobrir que inferno está acontecendo nessa cidade.. Vamos até a casa do Neto ver se há alguma coisa interessante por lá.

 

Continua…


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1 Comment»

  • Mano gostei de mais desta Historia já vou parte pra próxima.Eu também criei um conto sobre detetive. Procura acho que voce vai gosta. O nome é Detetive Victor .

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